sexta-feira, 15 de março de 2013

Acervo botânico

Av. Sizenando Jayme na década de 1970. As árvores já não existem mais,
foram cortadas para dar lugar ao banco e para construções no quintal da
casa do Mestre Propício


     A polêmica causada pela derrubada das árvores da Avenida Sizenando Jayme e a tristeza que se seguiu à morte da palmeira da Matriz reviveram em mim lembranças da infância.

Casarão do Mestre Propício

     Quando eu era menino, meus pais moravam no casarão do Mestre Propício, ali na Rua Nova. A casa ainda é a mesma, mas seu quintal foi todo modificado. No local existiam imensos cajueiros plantados ainda pelo maestro, que davam um caju amarelo carnudo e muito doce. Eles ficavam no quintal lateral à casa, na esquina, e faziam a festa da meninada quando forravam a calçada com seus frutos.

Palmeira da Matriz que morreu

     Mais para o fundo, um tamarineiro antigo, quando carregado, roçava os galhos no chão e dava gostosa sombra. E no último quintal, onde hoje está a agência local do Banco do Brasil, proliferavam as mangueiras. Era uma farra provar mangas bourbon, coquinho e sabina. Os troncos grossos dessas árvores denunciavam sua idade avançada e suas copas ensombreavam o quintal e o beco. 

Árvores recentemente cortadas na Av. Sizenando Jayme


     Todas essas árvores a que me refiro não existem mais, foram cortadas para dar lugar ao banco, a estacionamento ou chalés. Acredito que esse acervo botânico também faça parte do patrimônio Pirenopolino e como tal deve ser melhor estudado e preservado. Afinal, apesar de se tratar de conjunto de plantas de outras regiões, revelam os hábitos dos antigos, seus alimentos e possivelmente a receita da longevidade pirenopolina.

Adriano César Curado

3 comentários:

  1. Caro Adriano César, não sei se o tempo e a modernidade faz isso com a gente: “Sou contra todo empreendimento que libera derrubada de vegetação, etc. Me chama atenção quem autoriza isso,qual órgão de proteção à natureza? Se eu derrubo uma árvore na minha casa, seria multado e talvez até preso, mas parece que as autoridades são omissas, falta pulso firme.Será que adianta a gente reclamar? Com as árvores dando-nos sombra, meus pulmões agradecem. Um abraço no amigo

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  2. Ana Maria de Sousa16 de março de 2013 10:57

    A prefeitura de Pirenópolis está corretíssima em cortar as árvores da av. Sizenando Jayme, que nem são típica do cerrado e produzem um grande estrago na calçada local.

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  3. Toda cidade fica assim meio triste quando perde seu acervo botânico. Devemos mesmo repensar isso. Parabéns pelo belo texto.

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