sexta-feira, 26 de maio de 2017

A primeira alvorada


Hoje a Banda de Música Fênix acordou Pirenópolis e distribuiu alegria a todos que foram contemplados com sua passagem. É como se ela passasse e no caminho deixasse um rastro de luz e cores. Seu som nos evoca recordações passadas, dá saudades dos que já se foram e esperança em tempos melhores.

Mas a passagem da banda também indica que a Festa do Divino está próxima, já quase aponta no desembocar do espigão, e é preciso segurar a ansiedade.

Hoje também se inicia a tradicional novena, que este ano contará com apresentação do Coral N. S. do Rosário encorpado com muitas vozes para abrilhantar ainda a festa.

E viva o Divino Espírito Santo!

Adriano Curado   

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Pichação na cidade


Um vândalo, bandido, moleque e desocupado pichou o Centro Histórico de Pirenópolis. Nem a Igreja Matriz foi perdoada. Na casa de Sérvio Brandão, recentemente reformada, escreveu "Fora Temer". Vale lembrar que pichar é crime previsto no Art. 65 da Lei de Crimes Ambientais - Lei 9605/98. Diz a referida Lei:

Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano: (Redação dada pela Lei nº 12.408, de 2011)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. (Redação dada pela Lei nº 12.408, de 2011)
§ 1o Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.408, de 2011)
§ 2o Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. (Incluído pela Lei nº 12.408, de 2011)

Portanto, por haver pichado a Matriz, que é monumento tombado, há o aumento de pena previsto no §1º acima mencionado. E considerando que vários outros locais na cidade também foram danificados pelo bandido, pode ele ter sido filmado, o que facilitará sua identificação.

Espero que essa escória, ser desprezível e nefasto, seja logo identificado e levado perante a autoridade competente para servir de exemplo. Torço também para que seja obrigado a pintar publicamente tudo que danificou.

Um aviso aos proprietários das casas atingidas: NÃO PINTEM AS PICHAÇÕES. É que o crime requer perícia técnica da Polícia Civil para constatar sua materialidade.

Adriano Curado


terça-feira, 23 de maio de 2017

A Festa de Pentecostes


Cortejo do Imperador Mauro de Pina em 1966

A Festa do Divino Espírito Santo é uma manifestação religiosa católica muito popular e que se espalhou pela Europa Ocidental a partir da Idade Médica. É celebrada cinquenta dias depois da Páscoa e comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. Liturgicamente é chama Festa de Pentecostes. Foi instituída em Portugal no século XIV pela rainha Santa Isabel de Aragão, esposa do rei Dom Diniz. 

Essa festa veio para o Brasil com a colonização e se espalhou pelos arraiais auríferos. Grandes responsáveis pela sua difusão foram os jesuítas, membros de uma ordem religiosa que usavam as festas como instrumento de catequização de negros e índios, então tidos como infiéis. Mas serviu também o culto de Pentecostes para firmar as tradições portuguesas no novo mundo que se descobria.

Chegou assim a Pirenópolis, segundo Jarbas Jayme, na segunda metade do século XVIII, embora o grande historiador só conseguisse dados confiáveis a partir de 1819. (JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis. 1971, p. 610) E por aqui se investiu de particularidades próprias, com personagens, acontecimentos e símbolos que lhe são característicos.

Na Terra dos Pireneus a Festa do Divino tem contornos como em nenhum outro lugar. 

Adriano Curado

terça-feira, 16 de maio de 2017

Sebastião Brandão

SÉRIE BIOGRAFIAS
SEBASTIÃO BRANDÃO


SEBASTIÃO BRANDÃO (n. Pirenópolis, 20/01/1900 – f. Pirenópolis, 07/04/1977) foi sapateiro, músico, cantor e ator pirenopolino.

Era filho do dr. João Luiz Teixeira Brandão, primeiro pirenopolino médico, diplomado em 1889 pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, e de Maria Epifânia Borges. Era neto paterno do Coronel Joaquim Luiz Teixeira Brandão, que foi deputado federal, membro do conselho de intendentes e um grande benemérito da educação meiapontense, pois cedeu em 1868 gratuitamente uma casa de sua propriedade para que ali funcionasse o Colégio Senhor do Bonfim, dirigido pelo Dr. Francisco Henrique Raimundo Trigant des Genettes. Sua avó paterna era Josefa Alves de Amorim (Pequetita), filha do Capitão Luiz Alves de Amorim e de Ana Joaquina da Paixão Veiga.

Era católico praticante e membro da Irmandade do Santíssimo Sacramento em Pirenópolis. 

No local onde está a casa verde era a sapataria de Brandão. Foto Google

Sebastião Brandão foi um exímio sapateiro, fabricava e reformava sapatos, chinelos, botas etc. Seus trabalhos eram muito requisitados pelos seus conterrâneos, e com o tempo a sapataria, que funcionava próximo de sua residência na Rua Nova, passou a ser um ponto de encontro para boa prosa e desafios de charadas.

Sebastião casou-se em 17/05/1924 com RIGOLETA DE AQUINO ALVES, filha de José Florentino Alves e de Maria Tomázia de Aquino, com quem teve Maria Nazian Brandão.

Com o falecimento de sua esposa, casou-se pela segunda vez, em 29/09/1928, com ELVIRA DA VEIGA CARVALHO, filha de Custódio de Carvalho e de Isabel Pereira da Veiga, com quem teve Leda Brandão, Sebastião Brandão, Maria das Dores Brandão, Ana Otília Brandão, Neves Bárbara Brandão, João Luiz Teixeira Brandão, Inácio Brandão, Sérvio Brandão e Tassiano Brandão.

Casarão onde morou e faleceu Sebastião Brandão. Imagem Google.

Em 1939, Sebastião Brandão arrematou em hasta pública o casarão construído por seu avô, o coronel Joaquim Luiz Teixeira Bandão, para onde se mudou com a segunda esposa, e quando faleceu, em 07/04/1977, deixou a casa em doação para o filho Sérvio Brandão, professor aposentado, que nela ainda reside com sua família.

Aclamado ator teatral, suas interpretações no palco arrancavam efusivas palmas da plateia. Durante toda a vida, até mesmo quando ficou doente, ele trabalhou nas artes cênicas. Gostava dos papéis que exigiam que o personagem cantasse porque podia mostrar outra habilidade sua, que era a voz afinada e forte, sua marca pessoal. Havia momentos, no entanto, que o bom músico que era exigia dele participação na orquestra da peça, e a contragosto tinha que deixar o palco para tocar. Sebastião Pompêo de Pina Júnior (Tãozico Pompeu), diretor teatral pirenopolino, era compadre do xará e não o deixava de fora. Era sempre seu convidado para papéis de destaque. Na peça “A graça de Deus”, Brandão já estava adoentado mas ainda assim representou o personagem do Cura, e cantou afinado e com voz firme.

Sobre os dotes musicais do biografado, passemos a palavra ao seu filho Tassiano Brandão: “Quando o dr. Brandão, que era o pai dele, foi embora, pediu ao Mestre Propício que tomasse conta. Disse: ‘É um filho que eu tenho, vou ter que sair, mas ensina para ele a letra e a música.’ Com isso meu pai pegou uma amizade muito grande com o Mestre Propício. E diziam que o Mestre Propício comentava que foi um investimento bom que a banda fez. Reportando ao José Joaquim do Nascimento, ele disse que não viu até hoje um sopro de bombardino igual ao meu pai. Ele tocou baixo no início, mas devido ter um bom sopro, logo foi para o bombardino e aí ficou. E posteriormente na orquestra do teatro, quando ele não ia representar, tocava trombone. E violoncelo no coro da igreja. Então, três instrumentos dependendo do lugar que ia.”

Era um dedicado músico, ensaiava todas as noites. Tocava bombardino até por volta de onze horas. Mas para não incomodar vizinho, parava e pegava o violoncelo até meia-noite ou mais. Dormia pouco. 

A formação original da Orquestra Pireneus

Em 1923, quando Sebastião Pompêo de Pina Júnior (Tãozico Pompeu) fundou em Pirenópolis a Orquestra Pireneus, o próprio Mestre Propício, também integrante, convidou Sebastião Brandão, então músico da Fênix, para fazer parte de sua composição, e embora tocasse bombardino, passou para o trombone para suprir a necessidade do conjunto, que foi considerado à época o melhor de Goiás.

A respeito de sua diversidade instrumental, ouçamos novamente Tassiano Brandão: “Ele aprendeu bombardino. Depois ele, já mais velho, falou para Luiz de Aquino que queria tocar o violoncelo. E Luiz de Aquino, para mexer no brio porque querida que ele aprendesse, falou que ele não aprenderia, que somente poderia fazê-lo no conservatório de música. Meu pai falou: ‘Vou mostrar que eu aprendo.’ Aprendeu sozinho, tocou e desceu a rua abaixo. Luiz de Aquino disse que lembrava dele com o violoncelo numa mão e o arco na outra. Chegou para mostrar para ele: ‘Fala uma peça que você quer que eu toque.’ Luiz de Aquino falou e ele tocou.”

Quando Pompeu Christovam de Pina assumiu a Banda Fênix, no início dos anos 1960, tentou consolidá-la com a presença dos músicos mais antigos, que haviam tocado anteriormente. Um dos convidados para compor a reestruturada corporação musical foi Sebastião Brandão. Conta-nos ainda Tassiano: “Pompeu sempre teve muita ligação com meu pai, os dois sempre tiveram muita amizade. Meu pai havia afastado, estava com problema na banda, não queria tocar, e Pompeu pediu para que ele voltasse. Ele falou que a embocadura estava ruim, estava destreinado. Então mandaram fazer uma dentadura nova para ele. Nos primeiros ensaios chegou a sangrar a boca de tanto esforço que ele fazia para a interpretação. Isso já na época do Vasco, quando Pompeu assumiu a direção. Meu pai tinha afastado por outras coisas alheias à música, por problemas internos da banda. Mas Pompeu o buscou de novo para a banda e ele firmou. Mas já estava mais velho, não estava dando conta.

Dr. João Luiz Teixeira Brandão
Uma observação interessante sobre o biografado é que ele não tinha ritmo para dança. Possuía um ouvido fantástico para a música e não dava conta de dançar. Corpo duro.

Antes dos setenta anos de idade o Mal de Parkinson o atingiu. As mãos não firmavam mais e a perna esquerda se arrastava quando andava. Logo não conseguiu mais tocar por falta de firmeza. Mas contam que certo dia, já idoso, ouvia a banda ensaiar no casarão vizinho à sua casa, com a mão em concha no ouvido e ao passar Pérsio Forzani ali próximo, comentou: “O bombardino não quer firmar.”

Violoncelo Stradivarius semelhante ao de Brandão

O violoncelo que tocava é um Stradivarius ou Estradivário. Tassiano conta que o instrumento “esteve no conservatório de música de São Paulo por dois anos, emprestado a um jovem da família de Freitas de Jaraguá, porque pertenceu ao avô dele que o trouxe de São Paulo. Sebastião à época, década de 1950, descobriu que ninguém naquela família tocava mais e o comprou. Depois de emprestado, foi devolvido. Atualmente está num conservatório de música de Nova York.

Sebastião Brandão faleceu em Pirenópolis em 07/04/1977, aos 77 anos de idade, bastante comprometido pelo Mal de Parkinson, que o fez definhar e sofrer. Deixou numerosa família que se espalhou pelo Brasil afora.

Adriano Curado
Fonte:
JAYME, Jarbas. JAYME, José Sisenando. Pirenópolis: Casas dos Homens. Goiânia: IPEHBC / SGC / UCG, 2002, 170 p.
JAYME, Jarbas. Famílias Pirenopolinas (Ensaios Genealógicos). Goiânia: Ed. UFG, 1971. Vol. II.
Entrevista com Tassiano Brandão em 05/03/2005.
Agradecimento ao Marcus Vinícius Brandão, filho de Tassiano, pela fotografia de seu avô.



O falecimento do maestro


Morreu ontem, 15/05/17, ao 76 anos de idade, o maestro Joaquim Thomaz Jayme, filho do pirenopolino Oscar Jayme, que foi contador, comerciante e rico fazendeiro. 

Joaquim fundou a Orquestra Filarmônica de Goiás, o Centro Cultural Gustav Ritter e a Orquestra Sinfônica de Goiânia. 

Em novembro do ano passado ele sofreu um violento derrame que o deixou paralisado. Desde então fazia tratamento no Centro de Reabilitação e Readaptação dr. Henrique Santillo (CRER) em Goiânia, onde faleceu.

Embora tenha nascido em Niquelândia, o maestro sempre foi muito ligado à cidade de Pirenópolis, com atuações efetivas na manutenção de nossa cultura. E era membro da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música.

Um grande perda para nossa cultura.

Adriano Curado

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma festa espontânea


Há uma peculiaridade que caracteriza a Festa do Divino de Pirenópolis: a espontaneidade. O povo dela participa por sua livre vontade. Alguns cedem horas de trabalho para o festeiro, outros se esforçam para tornar o espetáculo mais bonito.

Assim, temos aqueles que doam gêneros alimentícios, outros que ajudam a fazer a comida. E há também os que vão para a casa imperial dar um adjutório no que for preciso.

Nas imagens vemos dona Abadia Melo, de 87 anos, confeccionando bandeirolas para o cortejo imperial. Ela não mede esforços para contribuir com o Imperador e fica até altas horas nesse trabalho cansativo mas gratificante.

Adriano Curado



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Circuito das Cavalhadas de Goiás


O Circuito das Cavalhadas de Goiás acontecerá em 13 municípios em 2017 e  visa facilitar, oficializar e sistematizar o apoio às manifestações culturais e religiosas no Estado, além de promover o turismo a partir da realização das festas religiosas.
 
Na foto a mais antiga Cavalhada do Estado que esse ano completa 201 anos, em Santa Cruz de Goiás.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Joaquim Tomás Jayme, o maestro da cidade


 Era outubro ou novembro, 1979. As massas das ruas, pelo Brasil afora, com o apoio da Anistia Internacional e cantando como se fosse um hino a canção O Bêbado e a Equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, imortalizada por Elis Regina, pedia mudanças. O presidente era o quinto dos generais que se revezaram no “comando” durante os 21 anos do regime de exceção. E a Anistia chegou!

Chegou a Anistia e, logo após, um a um, os anistiados! Todos os dias, bandos de bons repórteres revezavam-se no saguão do aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, para receber os exilados e os clandestinos que retornavam à cidade. O Papa João Paulo II beijava o solo dos países visitados tão-logo desembarcava – alguns dos anistiados repetiam o gesto, mas todos se emocionavam e emocionavam-nos ao desembarcar. Sentíamos que o Brasil começava a mudar, e mudou!

O semanário Cinco de Março era a minha casa, na avenida 24 de Outubro, no bairro de Campinas (o berço de Goiânia). As idas ao aeroporto eram o momento de fazer fotos dos recém-chegados e também de marcar entrevistas – luxo típico dos semanários, já que os jornais diários têm pressa, a matéria “tem que sair amanhã”, e nós podíamos processar devagar qualquer tema.

Meu parente Jesus de Aquino Jaime, escritor virtuoso em prosa e poesia, ligou-me e disse: “Luiz, meu irmão Joaquim está chegando, quero que você o entreviste”. Contei ao Batista Custódio, que gostou da novidade – nós, do CM, éramos, sem dúvida, os que tratávamos melhor as entrevistas com nossos conterrâneos de regresso. Lembro-me bem daquela manhã, Joaquim e Jesus comigo, e eu escarafunchando a vida do parente ilustre! Joaquim Jayme é um dos três...

Bem: seu avô era Joaquim Tomás de Aquino, clarinetista na Banda Fênix, em Pirenópolis, lá pela virada do Século XIX. Três dos netos do pirenopolino Quim Tomás ganharam o nome do avô – Joaquim Tomás Lopes, Joaquim Tomás de Aquino Lopes e Joaquim Tomás Jayme (os dois primeiros faleceram antes do esperado). Em todos notei o orgulho de ostentarem o nome do avô – fato de que também me orgulho, pois aqueles antigos Aquino deixaram-nos, sim, belos exemplos.

O parente maestro sofreu o primeiro expurgo ao ter que deixar Goiânia – e daqui foi para Campinas (SP), onde atuou como professor universitário e deixou marcas. De lá, teve de deixar o país e exilou-se no Chile, como vários outros brasileiros. Mas em 1973 o golpe de Pinochet mostrou-se ainda mais sangrento que o havido no Brasil, nove anos antes. E o maestro Joaquim Jayme se foi para a Alemanha.

Voltando, ele atuou na Orquestra Sinfônica de Goiás, sendo um de seus maestros fundadores (ao lado de outro maestro pirenopolino, Brás Wilson Pompeu de Pina Júnior). Idas e vindas na história de música erudita em Goiás fizeram com que Joaquim Jayme fincasse pé na Secretaria de Cultura da cidade de Goiânia, sendo o maestro regente da Sinfônica de Goiânia, sempre.

Há alguns meses sofreu um AVC e está internado, em tratamento, no CRER, o nosso hospital de recuperação. Seu olhar pareceu-me o único meio de ligação com o mundo exterior, e nos passa duas sensações – ele está lúcido e triste.

Incomodou-me profundamente o sentimento que me impediu de ficar mais alguns minutos ao seu lado. Naquele olhar triste, acho eu, senti por ele. Senti que vivemos uma sociedade mal-educada, ingrata, indiferente. O homem que há tantas décadas ensinou Música e elevou bem-estar de multidões, enriqueceu corações e deu à capital de Goiás a excelsa condição de ter a sua orquestra sofre o menosprezo desse nosso povo.

Aliás, o povo e tudo o mais! O DM cuidou de produzir matéria jornalística (de Hélmiton Prateado), no afã de avaliar reações. Debalde (diria um velho mestre dos meus tempos ginasiais). Nem mesmo o meio literário, o das artes plásticas e, sobretudo, o da música se mexeu. Leda Selma, poetisa e presidente da Academia Goiana de Letras, pediu-me – “Luiz, você que é parente, visite-o em nome da Academia”.

Indigna-me tal indiferença! Fosse ele um deputado Eduardo Cunha ou um senador Renan, um batalhão de áulicos estaria pelos corredores do hospital na tentativa de aparecer como papagaio-de-pirata em fotos de jornais ou vídeos da tevê. Fosse ele um cantador sem estudo e sem domínio da Língua e da Teoria Musical, até vice-presidente da República estaria aqui (ah, essa figura não há mais! Menos mal...).

Ministros da Cultura e da Educação deveriam pedir notícias dele. Entidades como o Sindicato e a Ordem dos Músicos certamente não sabem notícias dele, caso alguém de longe ligasse para se informar. E o maestro mais ativo dentre os tantos contemporâneos – no que toca a representar Goiás – já está esquecido por sua gente.

Contudo, e para minha alegria, para gáudio deste poeta das mesmas raízes – telúricas e genealógicas – senti naquele olhar triste e silente uma qualidade que sempre o marcou: Joaquim Jayme mantém, contudo, a altivez do artista que teve a coragem de insurgir-se contra a ditadura, aceitou com bravura e determinação o exílio, retornou à terra trazendo mais conhecimento ainda e não se dobrou aos poderes.

Muito menos aos ingratos.

Crônica de Luiz de Aquino Alves Neto publicada no Diário da Manhã do dia 26/04/17, Caderno Opinião Pública, p. 1.

Imagem de Meia Ponte


Achei interessantíssima esta fotografia tirada pela Comissão Cruls. Embora não esteja tão nítida quanto os outros registros que eles fizeram, mostra-nos uma particularidade interessante que é a Igreja do Bonfim em estilo gótico, com a torre abaulada. Bem diferente do templo que conhecemos hoje. Também chama a atenção as poucas casas lá embaixo e o mato na via pública.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Festa em família


O tio Bené (o mais velho entre os três caçulas) à esquerda, tia Beti à direita - e tome cantoria "das boas"!

Festa em família

Feriado em cidade turística é inverso ao trivial nos centros maiores. Falo de Caldas Novas, onde os dias de folga atraem visitantes e a população flutuante se torna muito superior à massa residente. Com isso, há intensa atividade comercial e dos serviços públicos – em especial pelos que cuidam da segurança e da emergência.

Era manhã, nesta sexta 21 de abril, quando tomei a BR-153 para, logo, acessar a rodovia estadual que demanda a Caldas Novas (aqui em Goiás, a imprensa tem o péssimo hábito de dizer “gê-ó-duzentos-e-trinta e seis” sem dizer a tradução desse código, como se cada leitor, ouvinte ou telespectador soubesse de cor essas cifras dos órgãos de construção e gestão das estradas). Pouco depois de deixar Piracanjuba, peguei trânsito intenso e lento, algo no ritmo dos 60 km/h – ou menos – e somente após uns 40 minutos apareceu a causa – uma batida de quatro veículos, que ficaram sem condições de trafegar.

Cheguei à terrinha natal pouco antes do meio-dia – chovia um chuvisco constante, que exigia ligar e desligar o limpador do para-brisa. E cheguei para surpresa do meu irmão Edmar, aniversariante de 70 anos neste domingo, 23 de abril. Disse-lhe “não poderei vir para o seu aniversário, então vim lhe dar meu abraço”, ao que ele emendou “Ah! então fique até domingo”. A surpresa deu certo – ele só percebeu que festejávamos com antecedência quando outros começaram a chegar.
A ideia da antecipação foi da Leda, filha mais velha do Edmar e da Irani. E logo chegaram nosso irmão mais novo, o Ângelo, apelidado de Xiu (não me perguntem), e a outra filha, Regina. E os netos, um bando de sobrinhos e primos, e ainda nossos tios Geruza e Benedito (irmãos de nosso pai). Tia Geruza não conseguiu, em momento algum, atender aos nossos pedidos para que cantasse: ao violão, o tio Bené, lembrava meu avô (que se foi sem pedi licença, aos 78 anos) e de meu pai. E cantamos, todos juntos, canções compostas por eles. Era a alegria pelo encontro, mas com a tristeza da saudade sem solução – e reafirmo que somos todos masoquistas.

Tia Geruza: a emoção trava a garganta... 

Faltaram nossas irmãs – Eliane ficou em Goiânia e Auxiliadora em Uberlândia, cada qual envolvida com suas coisas de vida. Bené, o primeiro dos meus tios caçulas (são três os meus tios mais novos que eu), disse-me que todos os dias, ao se levantar, “conversa” com seu irmão mais velho (meu pai, falecido em 2011), pedindo-lhe: “Israel, ajude-me a tocar tão bem quanto você”. A tia Beti, viúva do Rui, dá-se ao luxo e nos dá a alegria de sua voz bonita, afinadíssima e imutável! E ali estava ela com quatro gerações – filha, netos e bisnetos!


O selo Boteco Aquino é para que nenhum
vereador, em qualquer lugar do Brasil, me
encha paciência. Somos, sim, de boteco.

Edmar, meu irmão mais velho (entendam: eu sou o primogênito, ele veio logo em seguida, ou seja, ele é o mais velho dentre os meus irmãos) marca, pois, 70 anos! E o tio Bené já anuncia, para 2018: “Quero comemorar o meu Ano 70 lá em Pirenópolis”.


Olhei meu irmão, sem comentar nada. Seus cabelos, mais brancos que os meus, eram claros como os de espiga de milho, loiros na infância, castanhos na juventude e precocemente grisalhos e, enfim, brancos, bem antes que minha cabeça se tingisse de cinzas. Recordei nossas brigas de infância, nosso exílio de adolescência no Rio de Janeiro, com nossa avó, tios e tias da banda materna. Nosso retorno a Goiás – eu fiquei em Goiânia, ele escolheu Caldas Novas; revi os nascimentos de nossos filhos – enfim, este nosso envelhecer em torno da casa da família maior, sempre agregando nossas próprias proles e companheiras...

Um beijo, meu irmão! Sabemos, agora, que o tempo é curto. Aproveitemo-nos mais vezes!

Edmar é o da direita. Entre nós dois, o caçula dos homens - Ângelo (ou, simplesmente, Xiu).

Texto de Luiz de Aquino Alves Neto

sexta-feira, 21 de abril de 2017

História de tio Zico


João Gonçalves Lopes (1898 – 1978) era conhecido como Zico, filho de Absalão Gonçalves Lopes (Seu Biça) e de Maria Jayme Lopes (Sinhá), neto do padre Simeão. Era um homem muito rico e esbanjador. Lavava a mula com cerveja numa época em que essa bebida valia o que hoje vale uísque. Depois que enviuvou de Adelaide Borges de Carvalho e ficou pobre, foi morar de favor na casa da irmã, minha bisavó Inácia, casada com Luiz Abadia de Pina (Lulu). Depois disso, entrou para o folclore da família. Até hoje, quando alguém fala demais, dizemos: “Você está parecendo tio Zico”. Quando pegava um desavisado para contar um caso, eram horas de repetições e detalhes angustiantes, e ele mesmo ria das piadas e respondia aos próprios comentários. Ficava dia e noite de paletó preto e óculos escuros. Às quatro da tarde, pontualmente, tomava banho e já se preparava para dormir. Certa feita, tio Mauro o levou ao cinema e comprou para ele uma porção de pururuca. Filme de cenas silenciosas, os espectadores concentrados e tio Zico ali, na primeira fila, de óculos escuros e croc croc croc na pururuca. Para descansar minha bisa Inácia, às vezes tio Mauro o levava para o posto de gasolina que tinha. Numa dessas alguém perguntou ao tio Zico se ele era advogado do posto e foi o quanto bastou. Tio Mauro lhe deu uma pasta de executivo, espetou-lhe um broche da OAB no paletó (sempre o mesmo) e ele ficava lá sentado fazendo pose. Não caberia aqui as histórias do tio Zico, então foi finalizar com uma clássica. Almoço da família de domingo, todo mundo em volta da mesa, tio Zico falando e comendo, e tando fez que conseguiu pescar uma mandioca frita com a manga do ensebado paletó. Detalhe: não percebeu.

Adriano Curado

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Miss Goiás 2017 é de Pirenópolis


A estudante de direito Jeovanca Vasconcelos do Nascimento, de 26 anos, foi eleita, na terça-feira (18), a Miss Goiás 2017. Em um concurso que valorizou, além da beleza, a opinião e a postura das candidatas diante do empoderamento feminino, a Miss Pirenópolis se destacou, entre as 18 candidatas, com seu carisma e forte personalidade.

Para ela, um dos maiores símbolos da força feminina é não se calar diante de abusos. “O maior exemplo de empoderamento feminino nos dias de hoje são as mulheres que denunciam as agressões que sofrem no dia a dia, quando sofrem. É um exercício de cidadania na tentativa de tornar a sociedade mais justa”, afirma a campeã.

O concurso foi realizado na noite de terça-feira em um salão de eventos do Setor Bueno, na região sul de capital. A Miss Goiânia, a odontóloga Natállia Lima Figueira, de 25 anos, ficou em segundo lugar, e a estudante de direito Rayanne Coutinho da Silva, de 18, Miss Piracanjuba, em terceiro. A coroa à campeã foi entregue pela Miss Goiás 2016, Mônica França.

Foram finalistas as candidatas de Goianésia, Piracanjuba, Goiânia, Pirenópolis e Trindade. No quesito beleza, elas tiveram que desfilar com traje despojado informal, com traje de banho e roupa de gala.

Os sinos da Matriz


Que triste ver nossa Igreja Matriz sem seus sinos. Antes do incêndio de 2002, havia ali dois deles feitos de bronze e que duraram dois séculos sem precisar nem de afinação. Após o incidente fatídico, compraram outros que os substituíssem, mas como na atualidade tudo é descartável, os sinos já racharam e estão inutilizados. Terão de ser fundidos e reutilizados em outro objeto.

Enquanto isso a Matriz está silenciosa, pensativa, triste. Como se já não bastasse aquele relógio inútil na torre que não marca hora alguma.

No Domingo de Páscoa, início da contagem para a Festa do Divino, Herculano teve que improvisar dois sinos na carroceria de uma caminhonete, senão o repique festivo passaria em branco.

Até quando esse descaso com a cultura pirenopolina persistirá?

Adriano Curado

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ainda o rei


Mais um ciclo que se fecha.A nossa cultura hoje chora a saída do Rei Mouro Antonio Machado o "Toninho". A você Toninho tiro meu chapéu. Lutou e continuará lutando por nossas tradições como membro da Comissão Pirenopolina de Folclore.Agradecemos pelo belo desempenho e liderança à frente das cavalhadas.Fez bonito com sua figura imponente de um verdadeiro Rei.

Séfora de Pina

A despedida do rei


O nosso Rei Mouro, das Cavalhadas de Pirenopolis, Toninho da Babilonia, através de uma carta escrita de próprio punho, endereçada ao Imperador da Festa do Divino Espirito Santo do ano 2017, Luis Carlos Cardoso, que foi lida ontem na hora da reunião dos Cavaleiros, e que, nela anunciou a sua retirada do Castelo Mouro, como Rei! Na carta, ele escreveu sobre a sua trajetória enquanto cavaleiro e sua contribuição ao nosso folclore e as tradições, mas que chegara a hora da sua saída! Foi um choque para todos nós, enquanto cavaleiros, enquanto Pirenopolis... nós gostaríamos que pudesse ter ficado mais... Quero Parabenizar a Pessoa do Sr. Antonio Machado, seu Toninho, pelo grande ator que foi durante tantos anos como cavaleiro das cavalhadas! Conviver com o nosso "Rei" durante os 11 dias, madrugas e noites, sempre foi um aprendizado e um prazer, não só pelo grande cavaleiro, mas também como amigo, companheiro e pai! Toninho, o nosso muito obrigado! Esse agradecimento é pela minha família, da família dos meus pais, pelo Desor. Joaquim Henrique de Sá, Dona Sone, enfim, de todos nós! Que o Divino Espirito Santo Abençoe você e a sua Familia!

Gleisson Humberto Araujo

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Falecimento

Faleceu hoje João Conceição de Pina, filho de Luiz Abadia de Pina e Inácia Lopes de Pina.

Pós-Semana Santa


Terminado o feriado da Semana Santa, notamos que os problemas pontuais aqui apontados em diversas oportunidades ainda persistem. 

O trânsito é o maior vilão. Entra ano sai ano e não se chega a uma solução definitiva para a cidade. Na procissão do Senhor Morto, a maior de nossa cidade, não se cuidou de tirar atempadamente os carros estacionados nas ruas e as filas de fieis tiveram que desviar deles. Já na Procissão da Aleluia, que é de menor importância, a Prefeitura fechou com cinco horas de antecedência as ruas, embora os carros ali estacionados permanecessem no local.

Mas também há a logística da coleta de lixo. No feriado não o recolheram, turistas e moradores tiveram que conviver com o mal cheiro das sacolas espalhadas pela cidade toda. Eu vi restos de alimentos de um restaurante na rua por conta da ação dos cães vadios que rasgaram os sacos. Isso precisa ser revisto.

Pelo que observo, a questão do turismo não está bem cuidada em Pirenópolis e ela tende a se transformar cada vez mais em problema. Falta ainda uma política pública definitiva e atualizada para enfrentá-lo.

Também em preciso pensar no bem-estar dos moradores.

Adriano Curado

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Via-sacra

Muito linda a encenação da via-sacra em Pirenópolis. Mas foi exaustiva. Achei sem noção sair da igreja Santa Bárbara e fazer um trajeto por horas até a Matriz. Sofrem os atores e o público. Por que não voltam a fazer o evento nas ruas Novas e Direita?

segunda-feira, 3 de abril de 2017

APLAM


Reunião dia 1.4.17 da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM) no Centro de Artes e Cultura Ita e Alaor, com o apoio do Fabricio Pina Simone Marques Rocha Maria Marta Mello. Presentes os Acadêmicos Adriano Curado, Alexandre Luiz Pompêo de Pina, Aline Lobo, Tereza Caroline Lôbo, Marieta Amaral, Demétrio Pompeu de Pina, João Batista de Andrade, Laurinda Veiga, Celina Pina Fleury, Sergio Pompêo de Pina, Waldetes, Nathalia Siqueira, Thais Valle Brito Curado, Nilson Jaime, João Guilherme da Trindade Curado, Colandi Carvalho de Oliveira, Eliane Lage. Na pauta importantes temas relacionados a Pirenópolis.

Leia a íntegra da Ata no site da APLAM.



Falecimentos


Faleceram hoje dois pirenopolinos: 

Zailda das Graças Curado Fleury, filha de Joaquim Curado e Zailda Abreu Curado.



E e Otto Triers, que foi fazendeiro e nosso Município e correu cavalhadas por muitos anos nas décadas de 1960 a 1970.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Dr. Joaquim


Este filho de Pirenópolis, com uma mente brilhante, com um coração enorme, de sangue quente (quando precisa), bom pai, bom esposo etc, e tantos outros Predicados que eu poderia listar aqui é uma pessoa Ilustríssima do nosso estado de Goias. Desembargador Joaquim Henrique de Sá! Meus respeitos!

Gleisson Humberto Araujo

segunda-feira, 27 de março de 2017

Cadastramento Biométrico


ATENÇÃO: a Cidade de Pirenópolis em breve passará pelo cadastramento biométrico de seus eleitores, procedimento em que são colhidas, por meio eletrônico, as digitais do eleitor. Um scanner colhe as imagens das tais digitais e, no momento de votar, o eleitor não precisa nem levar documento de identidade, pois é impossível que outro vote em seu lugar.

A data ainda não foi definida pela Dra. Simone Monteiro, Juíza Eleitora da 26ª Zona Eleitoral de Pirenópolis, mas deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. Fique atento.

domingo, 26 de março de 2017

Rodovia abandonada



Na Rodovia Jarbas Jayme, que liga Pirenópolis à Br 153, o mato cobre a sinalização. Cadê o Governo de Goiás?