terça-feira, 17 de abril de 2012

A tradição e o tempo


      
      Pirenópolis é uma cidade privilegiada porque fincada em sólidas bases culturais. A Festa do Divino é Patrimônio Imaterial do Brasil pela espontaneidade de seu povo, pelo envolvimento da população, todo mundo unido na vontade de fazer a festa acontecer. As manifestações culturais pirenopolinas passam de pai para filho e assim seguem pelos séculos afora. Se esse vínculo hereditário nunca se romper, daqui a duzentos anos, por exemplo, quem visitar a cidade assistirá às Cavalhadas, presenciará as palhaçadas dos Mascarados e se encantará com as Pastorinhas.

Foto: mochileiro.tur.br

       Nossa cultura já é suficientemente rica e completa. Não precisamos agregar mais nada ao folclore pirenopolino. Se permanecer tudo exatamente como está, já ficou bom. A tradição e o tempo devem caminhar juntos, de mãos dadas e com o compromisso do eterno.


       Por tudo isso, é perigoso introduzir inovações como Cavalhódromo, o centurião que toca piston antes da entrada dos cavaleiros, a numeração dos Mascarados e a restrição do seu trânsito pela cidade, etc. Não precisamos desse tipo de novidade e nem o queremos.

       Vamos valorizar o que temos em casa. O sabor da nossa cozinha, a melodia dos guizos e polacos, a afinação das Pastorinhas, o encantamento da Festa do Divino, e por aí vai.  Por que trazer gente de fora para se apresentar em Pirenópolis? Será que aqui não tem artista suficientemente bom? Por que promover internacionalmente a cidade, em eventos modernos, se ela já é suficientemente conhecida pelo valor do que conserva?

Adriano César Curado






9 comentários:

  1. Quanto à introdução de culturas alienígenas no folclore, isso é muitíssimo perigoso. É como levar um indivíduo da nossa civilização para o meio de índios isolados. Em pouquíssimo tempo, todos os integrantes da aldeia estarão mortos, por falta de resistência às doenças novas.

    Acho que o exemplo foi bem sugestivo.

    Quanto à valorização de artistas estrangeiros (no sentido restrito da palavra) bem diz aquele ditado popular: santo de casa não faz milagres. Por todos os lados é isso mesmo, só dão valor ao que vem de fora. Não tem jeito, sempre acham que a grama do vizinho é mais verde. Só darão valor na prata da casa, quando a perderem. E isso acontecerá cedo ou tarde.

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  2. A verdadeira importância deste seu blog é a discussão sempre atualizada sobre os desafios de Pirenópolis. Poucos espaços na Net têm essa finalidade. Por isso, meus parabéns.

    Você tem plena razão nos dois assuntos que abordou hoje. Primeiro, inserir inovações alienígenas no meio cultural nativo é um prenúncio de genocídio cultural. Os pirenopolinos têm que ficar atentos a isso. Segundo, essa história de valorizar gente de fora, só porque tem renome nacional, cá para nós, é brega demais.

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  3. A cultura de um povo tem de partir naturalmente de seus integrantes. Nenhuma manifestação cultural sobrevive se não for espontânea. Não adianta impor algo a um grupo social e querer que aquilo se transforme em folclore, porque não vai pegar.

    Por outro lado, cuidado com o agregar de valores alienígenas às cultural nativas, porque pode haver contaminação e morte. Isso é um eterno vigiar.

    Linda a sua postagem, meus parabéns, poeta.

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  4. Que bonito ver uma cultura ainda viva, como o fogo que arde e dá prazer ao espetáculo.

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  5. Se não fosse esta terra tão rica em cultura, ninguém viria para cá, nem talvez existisse mais esta cidade e seus encantos. Portanto, devemos preservar o que é nosso e lutar para que não apaguem nossa história.

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  6. O normal é que toda tradição, com o escoar do tempo, acabe ou desbote. É incrível que a tradição pirenopolina resista a tanta tempo intacta. E por isso deve ser cuidada com muito mimo.

    Linda sua postagem.

    Parabéns

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  7. Pirenópolis, você que ainda tem tradição para manter, preserve-a enquanto é tempo!

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  8. UIARA PEREIRA DE PINA23 de abril de 2012 11:41

    Precisamos apenas do que é nosso e não dos outros, turistas, gente que não acrescenta em Piri, só faz diminuir...Parabéns primo pela publicação!!!

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    1. É verdade, a cidade tem que preservar o que é seu e deixar para lá o alheio.

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