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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Aniversário da Banda Fênix



Homenagem aos 127 anos da Banda Phoenix, completados em 23 de julho de 2020.
Ficha técnica:
Música: Capitão Portela - Dobrado de Luiz de Tullis, interpretado pela Banda Phoenix.
Captação de áudio: MGF Estúdio
Técnico de áudio e mixagem: MATHEUS GODINHO FIGUEIREDO

domingo, 23 de março de 2014

Banda 13 de Maio


Banda de Música “13 de Maio” – Corumbá, 18 de julho de l915.

1-Francisco de Assis Rocha (Chicão), 2-Francisco Bruno do Rosário de Oliveira Sb, 3-Joaquim Pereira Vale, 4-Deolino Fonseca Lemos,

5-José Soares de Assis, 6-Vicente Orestes de Assis, 7-Elesbão Soares de Assis, 8-Antônio Leandro de Assis, 9-Odilon Kneipp F.Curado,

10-José Silvestre Soares, 11-Antônio Caetano Teles, 12-José Ardelino Fleury Curado (Juquinha), 13-José Gomes Viegas,

14-Caetano Fleury de Amorim, 15-Ewerton Humboldt Fleury Curado, 16-Antônio Augusto Silva, 17-Apolônio Nunes de Souza,

18-Atilano Hadok Fleury Curado, A-Zilda Sebastiana Fleury Curado.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O entardecer


Este casarão foi construído pelo saudoso maestro Joaquim Propício de Pina, no século dezenove, e hoje pertence ao dr. Valdemar de Carvalho. Neste flagrante, o entardecer derrama sua luz envelhecida sobre a antiga sede da Banda Fênix de Pirenópolis.

Adriano César Curado

sábado, 18 de maio de 2013

Sábado do Divino



     Hoje é o Sábado do Divino, e a cidade é despertada com os afagos melodiosos das bandas de Couro e Fênix. Corações se sobressaltam, a Grande Festa profana chegou!



     As ruas se enchem de cores fortes. E são muitos os brilhos, os sons, os poemas. Fogos pipocam no céu, os foguetes de rabo sobem numa espiral de fumaça e explodem lá em cima. Cá em baixo, as roqueiras balançam as entranhas da gente, fazem tremer o chão e o espírito tão acostumados, ambos, com essas festanças exageradas do lado de cá.



     Meio dia toca a Banda Fênix da lateral da Matriz. O povo se ajunta devagar, hipnotizado pelos sons mágicos dos instrumentos. E tem também o vendedor de balão, de pipocas, de algodão doce. O público aplaude, extasiado com mais uma festança.



     Mas a surpresa maior são os Mascarados, e eles não demoram a aparecer. A princípio vem um, dois, quatro, dez. E agora a rua já está cheia de cavalos enfeitados, de máscaras de boi, de roupas extravagantes.



     Mais tarde tem a última novena, com o Coral Nossa Senhora do Rosário que canta em latim. Depois, o levantamento de mastro, a queima da fogueira, a Banda de Couro, zabumbas, retretas. E já corre o povo para a beira-rio atrás da incansável Fênix, multidão que se aperta na rua do Rosário e disputa espaço no largo lá embaixo. Faz-se silêncio, expectativa... De repente, abre-se o ventre do céu e as estrelas da noite se misturam com os fogos faiscantes, chuvas de brilho que derramam encantamento, enlevo, contemplação, arrebatamento.



     Por fim, fecha a noitada de festas com a apresentação de As Pastorinhas, em mais um ano de tradição e cultura.

     Tudo isso compõe a Festa do Divino.


Adriano César Curado

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Lá vem a banda (poema)



Lá vem a banda

Lá vem a banda,
barulhenta, agitada,
e põe todo mundo na janela,
hipnotiza de tal forma
que saímos ao seu encalço,
não importa aonde vá.

Lá vem a banda
na ladeira do Rosário,
lá vem o povo histérico
que grita vivas,
e a coisa já se tornou
uma festa incontrolável.

Lá vem a banda
que traz na rabeira a história
que rebuliça algo no peito
das gentes da cidade
e brota recordações,
saudades de outras bandas.

Adriano César Curado

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tocata na Matriz no Domingo de Páscoa


     O Domingo de Divino, em Pirenópolis, começa a contar da Páscoa (50 dias após). E para comemorar a contagem regressiva para essa grande festa, a Banda Fênix tocou majestosa na porta lateral da Matriz de Pirenópolis, dia 31 de março de 2013.

     O vídeo abaixo é de minha autoria. Confira:



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pirenópolis silenciosa e insegura



     O furto de quase todos os instrumentos da Banda de Música Fênix, na histórica Pirenópolis, ocorrido na madrugada do dia 21 de setembro passado, expõe dois problemas graves e urgentes.

     O primeiro se refere à segurança pública na cidade, que padece com a falta de uma cadeia há muitos anos, o que dá uma sensação de impunidade ao infratores da lei. A cadeia pública que ali existia foi transformada no Museu do Divino, com a promessa de breve construção de um pequeno presídio na imediações da cidade, ainda na administração estadual passada. A promessa nunca se converteu em realidade, e os presos locais, provisórios ou com condenação definitiva, são instalados em celas noutras comarcas da vizinhança.

     O outro grande problema da cidade é tão sério quanto o anterior, pois diz respeito à falta de apoio aos músicos e carência de atenção para com a própria Banda Fênix. Cito o exemplo da ameaça de “greve” da corporação musical, por ocasião da Festa do Divino deste ano, porque seus integrantes não haviam ainda recebido o pagamento pela participação na festa do ano passado. O músico tem família para cuidar, dedica-se com afinco aos ensaios, deixa de se divertir nos festejos, tudo para que a tradição pirenopolina seja levada adiante, mas no momento combinado de receber, fica de mãos vazias.

     Esse furto ocorreu porque a Banda Fênix, infelizmente, não tem uma sede própria moderna e segura. Sobrevive da boa vontade do dr. Pompeu Christóvam de Pina, seu diretor, que altruisticamente cede vários cômodos do seu casarão colonial para os ensaios e guarda dos instrumentos, sem receber sequer o pagamento de um aluguel. Esse prédio está localizado no centro histórico, em uma das ruas de maior valorização imobiliária, mas ainda assim ele não cobra pelo enorme espaço ocupado.

     Dr. Pompeu faz isso porque é um pirenopolino que ama sua terra acima dos interesses mundanos e quer ver a história continuar com seus filhos e netos. Ocorre que o já centenário casarão é inseguro para os padrões atuais, não tem sistema de alarme e nem segurança noturna. Ainda assim, se não fosse a benevolência alheia, a Fênix não teria sequer onde ensaiar.

     Há mais de dez anos, entretanto, a banda conseguiu a doação de uma área pública e criou-se um projeto arquitetônico moderno para a construção da nova sede. Mas a falta de verba impossibilitou o início das obras e os ensaios continuaram no casarão antigo. Não houve um patrocinador interessado em melhorar as condições físicas da velha banda, nem sequer um gestor público com visão de estadista.

     A cidade de Pirenópolis, tão afamada pela quantidade de turistas que atrai e sendo palco de tantas manifestações culturais goianas, clama mais atenção para com a Banda Fênix, corporação fundada em 23 de julho de 1893 pelo esforço individual do maestro Joaquim Propício de Pina. Abrilhantadora de tantas festas e comemorações, a Fênix sempre teve o poder de hipnotizar sua assistência e fazê-la subir e descer ladeiras pelas ruas históricas, através das tantas alvoradas pulverizadas na memória coletiva.

     O ladrão não furtou apenas os instrumentos musicais, levou também a oportunidade de os alunos adolescentes da escolinha de música, talentos do amanhã, ocuparem o tempo com estudos valorosos que poderão lhes dar uma profissão.

     Agora será preciso uma campanha para conseguir comprar novos instrumentos para a Banda Fênix. Mas só isso não basta. É preciso também alterar a maneira como toda a corporação é vista e tratada.

     Que esse triste acontecimento acenda um alerta e seja um marco de renovação para Pirenópolis. Precisamos de uma cidade mais segura, com uma política a longo prazo voltada para os empreendimentos turísticos e uma gestão cultural que valorize o pirenopolino e sua arte.

Adriano César Curado

Matéria publicada no jornal Diário da Manhã do dia 23.9.2012, encarte Opinião Pública, p 7.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Furto na Banda Fênix



     Uma lástima a furto dos instrumentos da Banda Fênix de Pirenópolis, ocorrido entre os dias 20/21 de setembro de 2012. São peças caras, obtidas através de doações de particulares ou leis de incentivo à cultura.

     Não é fácil nem barato montar e manter uma banda de música, mormente nos dias atuais, em que essas corporações musicais estão “fora de moda”, só persistindo em cidades do interior e em organizações militares. Realidade diferente de muitos anos atrás, quando Pirenópolis possuía duas bandas – a Fênix e a Euterpe.

     Mas o furto ocorreu porque grande é o descaso para com nossa centenária corporação musical. Até hoje ela não tem uma sede própria, precisa da benevolência dos outros para continuar seus ensaios. A área pública que lhe foi destinada, há dez anos atrás, caducou porque ninguém quis investir no projeto criado.

     Abandonada à própria sorte, a Fênix tenta sozinha ressurgir das próprias cinzas a cada desafio. Na Festa do Divino deste ano, por exemplo, foi preciso uma ameaça de “greve” para receber o pagamento pela participação na festa do ano passado.

     Não seria agora o instante de Pirenópolis cuidar melhor desse seu patrimônio histórico imaterial?

     Fica a reflexão.

Adriano César Curado

segunda-feira, 2 de abril de 2012

S.O. S PARA BANDA PHOÊNIX DE PIRENÓPOLIS!



      "A banda centenária pede socorro!
      Formalmente ocorreu em Pirenópolis no dia 24/03/2012 a entrega de novos instrumentos para a Banda Phoênix de Pirenópolis-Go. Representantes da cultura, da prefeitura, todos os presentes, e com orgulho se pronunciaram sobre a comemoração do dia, relatando sobre o orgulho de ouvir a Banda Phoênix, até mesmo sobre o incentivo para a cultura com os novos instrumentos.

      O que ninguém ainda sabe é que desde a Festa do Divino de 2011, onde a banda se apresentou nas alvoradas, tocando de madrugada pelas ruas da cidade, nas cavalhadas onde tocam o dia todo, e nos demais festejos, a banda não recebeu sequer “um centavo” pelo trabalho realizado. E que tipo de incentivo é este, se nem mesmo os próprios músicos tem salário? Que músico profissional ensaia, apresenta seu trabalho, toca horas e horas nos festejos desta cidade tradicional na troca de salgados e refrigerantes? Enfim, que profissional sobrevive sem salário?

      Como diz o ditado “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, é bem assim que a Banda Phoênix se mantém agora, perante os olhos da população instrumentos novos, lindos, brilhosos, aos olhos solidários e ativos, músicos sem receber, sem incentivo, sem valor. Os músicos ao leo berram seus instrumentos, chamando a atenção para a omissão em relação à remuneração da banda. Os músicos têm instrumentos e nós temos gargantas. E vamos ficar em silêncio?

      O descaso vai se transformando em brincadeira, a omissão em desculpas, e o dinheiro que deveria remunerar a banda? Bom, este deve ter virado pó. Promessas futuras para o salário da Banda no lugar de “futuro promissor”. Estamos cheios de teatrinhos, sorrisos marotos e “pegadinhas” no ombro. Pirenópolis está perdendo o respeito, a tradição, a cultura e o amor pela nossa cidade. Uma cidade fadada ao esquecimento, à ganância, à falsidade.

      Peçamos atenção às autoridades, que olhem por nossa Banda, pela música, que dêem dignidade para os músicos remunerando-os e dando valor a este trabalho maravilhoso que é a música, caso contrário estaremos perdendo a nossa banda, e não ouviremos mais o lindo “hino do divino” na porta da igreja, nem tão pouco o cortejo das alvoradas. A banda se compõe de “um bando”, um bando de gente honesta, simples e profissional que gosta do que faz, e faz maravilhosamente com muito prazer. Sem remuneração um profissional não sobrevive e tão pouco tem valor, sem valor ele desiste de tocar, com o instrumento guardado não se forma uma banda, na ausência da banda não temos festa do divino, nem o carnaval, nem qualquer outro festejo.

      Imploramos às autoridades através de um pedido, salvem nossa banda, dêem olhos e ouvidos aos músicos, remunerem os profissionais, enfim, salvem a tradição de nossa cidade, pois uma banda centenária sobrevive também de dignidade, valor, respeito e salário. A banda não é enfeite na cultura e muito menos fantoche.

      S.O. S para a Banda Phoênix, salvem-na, remunerem, é uma troca de valores, de honra e respeito.

      Como dizia Victor Hugo: 'A música expressa o que não pode ser dito em palavras, mas não pode permanecer em silêncio'."
 
Texto de autoria de Uiara Pereira de Pina, Socióloga e Bacharel em Direito, e-mail: uiarap@yahoo.com.br

quarta-feira, 21 de março de 2012

Instrumentos para a banda de música


 
     A Prefeitura de Pirenópolis, por meio da Secretaria de Cultura, convida para a entrega de instrumentos para a Escola e Banda de Música Fênix do Mestre Propício, a ser realizada no Centro de Artes e Música Ita e Alaor. Haverá apresentação da centenária Banda Fênix, regida pelo maestro Aurélio Afonso, e do Grupo de Choro Clóves Roberto.

      A aquisição dos Instrumentos foi aprovada pela Secretaria Municipal de Cultura, no Edital da Funarte de apoio a bandas de música, edição de 2011.

Data: 24.03.2012


Horário: às 19h30
 
Local: Centro de Artes e Música Ita e Alaor - Praça Central.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Luiz de Aquino Alves

SÉRIE: PATRONOS DA APLAM

LUIZ DE AQUINO ALVES
Patrono da Cadeira nº 17
Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música
  


Luiz de Aquino Alves
 
     Luiz de Aquino Alves (Pirenópolis 27.07.1898 – 8.2.1977), foi carpinteiro, juiz de paz, delegado de polícia, promotor de justiça, juiz de direito, vereador, dentista prático, professor, músico, cantor, ator, maestro e compositor.

      Era sexto filho, duma prole de oito, do sapateiro mineiro José Alves Florentino (Zeco Pinto) e da pirenopolina Maria Tomázia de Aquino (Mariquinha).

      Casou-se em 12.6.1920 com Ana das Dores Pereira, que faleceu em 30.10.1936. Aproximadamente dois meses depois (26.12.1936), casou-se pela segunda vez com Maria Pereira (Dendém), e deixou a seguinte descendência:

1ª Casamento: Israel, José Florentino, Luiz Tomaz, Ismael, Rute, Ismael II, Rigoleta.

2º Casamento: Rui, Brasil, Jerusa, Maria Genúsia, Luíza, Benedito, Lumar e Deusdedit.

 

Luiz é o 7º, sentado da esq. p/ direita, ao lado de Propício
  
     Ainda criança ficou órfão de pai e cresceu no convívio do rico ambiente musical da casa da avó Mariquinha, onde havia saraus que incentivavam o menino a gostar cada vez mais de música. Curioso, o pequeno Luiz começou a dedilhar sozinho um violão, instrumento pesado demais para sua pequena estatura e que o forçava a deitá-lo sobre a cama, como se fosse uma guitarra havaiana.

      Como o ambiente faz o homem, aos sete anos fabricou ele uma clarineta, para tocar valsas de ouvido, e certo dia, no aniversário de sua mãe, começou a acompanhar o conjunto musical que ali se apresentava. Mas o menino precisava aprender música, então seu tio Joaquim Tomaz de Aquino (alfaiate, músico de primeira e excelente ator teatral) ensinou-lhe a teoria musical e o presenteou com uma clarineta de verdade. Com a finalidade de aprender mais, passou a integrar a Banda Fênix de Joaquim Propício de Pina, quando trocou a clarineta pelo saxofone, e não tardou para se tornar o braço direito do mestre.

  

Mariquinha, mãe de Luiz
  
     Luiz de Aquino Alves era um gênio da música, com ouvido apuradíssimo, e Mestre Propício soube vislumbrar esse talento incomum em seu discípulo, que estimulou a aprender a tocar todos os instrumentos de metal da Fênix e assim se tornar seu afinador oficial. E quando Propício de Pina faleceu (em 1943), tanto a banda quanto o Coral da Matriz, já se encontravam sob a regência de Aquino.

  

Joaquim Tomaz de Aquino, tio de Luiz
 
     Luiz de Aquino era um homem de intensa vida social e cultivador das boas amizades. Desfrutava a vida com grande alegria e não abria mão dos pequenos prazeres, como caçar e pescar, jogar uma partida de canastra, contar piadas, tagarelar à toa com os amigos. Mas essas diversões acabavam por ocasião das festas mais importantes de Pirenópolis, quando então ele se dedicava com afinco aos ensaios da banda.

  


Residência de Luiz, na rua Direita, de azul

      O Brasil do pós-Segunda Guerra, no entanto, fortalecia o setor industrial (concentrado no litoral) em detrimento da agricultura (base da economia do Centro Oeste), isso empobreceu bastante Goiás e por consequência Pirenópolis. Neste período também se criaram três partidos políticos, a UDN (União Democrática Nacional) conservadora, direitista e anti-Vargas, o PSD (Partido Social Democrático) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), criados sob a inspiração de Vargas. Luiz de Aquino filiou-se ao PSD e a partir de então entrou numa verdadeira guerra, que sempre foi a política partidária de Pirenópolis – quem duvida que veja o filme Simeão, o Boêmio, direção de João Bênio.
  

Luiz e sua primeira esposa, Ana Pereira
 
     Ao assumir uma posição político-partidária em Pirenópolis, Luiz começou a ser perseguido, e isso somado ao fato de que a decadência econômica de Goiás já atingia em cheio a Banda Fênix, que só se reunia esporadicamente, culminou no seu injusto afastamento da corporação musical.

      Faleceu o velho maestro em 8 de fevereiro de 1977, aos 79 anos, e pediu aos filhos que não deixassem que a Fênix o acompanhasse ao túmulo. Seu desejo foi atendido.

 


Banda Fênix regida por Luiz, na década de 1950
 
     Deixou escritas composições maravilhosas, com rica harmonia e singulares arranjos, entre elas:

Rigoleta (Valsa, 1927)

Minha Esperança

Oswalda

Tudo por Amor

Balanço do Amor

Josefina

Luizinha

Jerusa

Selma

      No ano do seu centenário, a Sociedade dos Amigos de Pirenópolis prestou-lhe bonita homenagem, dentro do Projeto Tocando a Obra, na restauração da Matriz, quando então discursou seu neto Luiz de Aquino Alves Neto. É atualmente Patrono da Cadeira nº 17, da Academia Pirenopolina de Letras Artes e Música.

  


Zeco Pinto, pai de Luiz
 
     Vou me permitir um desabafo bem pessoal. Como que um músico da envergadura de Luiz de Aquino Alves cai assim no esquecimento? Ninguém se lembra mais dele em Pirenópolis, inclusive poucos familiares seus se interessam em divulgar sua história. Alguém com uma biografia como essa, um histórico de vida impecável, merecia, pelo menos, ser lembrado pelos atuais alunos da Banda Fênix, mas sei que nunca sequer ouviram falar dele. Quem explica isso?

  


Fonte:
Apontamento de Vera Lopes Siqueira;
Discurso de Luiz de Aquino Alves Neto, no centenário do maestro, em 25.07.1998.


Bibliografia:
Jayme, Familias, vol. III.
Jayme, José Sisenando. Pirenópolis, Humorismo e Folclore,, Edição do Autor, 1983.
Siqueira, Vera Lopes de. Tradições Pirenes., 2ª edição, Goiânia, Kelps, 2006.


Fotografias: as fotografias aqui expostas pertencem ao Acervo da Família Aquino Alves

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

TONICO DO PADRE

SÉRIE: PATRONOS DA APLAM
ANTÔNIO DA COSTA NASCIMENTO
(Tonico do Padre)
Patrono da Cadeira nº 05
Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música




Tonico do Padre
 
      Antônio da Costa Nascimento (Pirenópolis, 28.12.1837 – 15.02.1903), apelidado Tonico do Padre por ter sido criado pelo irmão padre Francisco Inácio da Luz. Foi Escrivão de Órfãos de Pirenópolis, exímio maestro e compositor, carpinteiro, marceneiro, pintor, desenhista, Juiz Substituto e tenente da Guarda Nacional. Foi também mestre-de-capela da Matriz de Pirenópolis, a partir de 1867, juntamente com Teodoro Graciano de Pina, responsável pela música vocal. Exerceu o ofício de professor de música, e entre os seus alunos estava Joaquim Propício de Pina, o Mestre Propício, que mais tarde fundaria a Banda Fênix, arquirrival da Euterpe de Tonico. [1]




Padre Francisco Inácio da Luz, irmão de Tonico do Padre


     Casou-se com Maria Francisca Duarte em 12.02.1871. Depois de viúvo casou-se novamente com Virgínia d'Abadia Carvalho (7.2.1892), com quem teve Jaci do Nascimento (Pirenópolis, 17.3.1893 – 24.5.1935). [2]



Casarão onde morou Tonico do Padre.
A 1ª fotografia é de 1985 e a 2ª nos dias atuais


     Tonico do Padre tinha uma personalidade forte, sempre bravo e irritado, não sorria nunca e nem amolecia com seus músicos, que muito o temiam e admiravam. Comandou a Banda Euterpe de 1868 a 1903, quando faleceu. Era descendente de paulistas, da família Rodrigues Nascimento, filho do ilustre professor de primeiras letras e exímio músico José Inácio do Nascimento (1787 – 1850) e de Ana da Glória. [3]


Matriz, tendo a casa de Tonico do Padre à esquerda


     Com a palavra, Jarbas Jayme: “É bem longo esse período de trinta e cinco anos, durante o qual, não obstante seu temperamento irritável e sempre mal humorado – até mesmo com os de sua casa – dirigiu Antônio da Costa Nascimento, com energia e férrea disciplina, a famosa banda, que arrancou de Oscar Leal o seguinte conceito:' Uma das melhores corporações musicais do estado goiano é a que dirige em Pirenópolis o cidadão Antônio do Nascimento, o que é raro encontrar nestes centros”. [4]



Banda Euterpe, tendo ao centro o Maestro Silvino de Siqueira, sucessor de Tonico do Padre


     Sobre o pai de Tonico do Padre, e para conhecermos melhor como nasceu tão grande músico, conta-nos Pina: “O professor José Inácio do Nascimento está entre os mais conceituados artistas de Meia Ponte. No magistério foi mestre de outros mestres; na música foi instrumentista do conjunto musical erudito que existiu no início do século XIX, compositor e regente da Orquestra e coro da Matriz; no teatro atuou como diretor, ensaiador e ator, atuações que lhe deram um destacado papel na vida cultural de Goiás. É certo que o professor Nascimento não constituía uma força isolada. Como nato em Meia Ponte e sem dela jamais ter saído, ao que nos consta, sua formação intelectual e artística deveu-se aos primeiros e velhos mestres que se ocuparam da formação da intelectualidade dos goianos e de sua arte. O professor Nascimento era músico do conjunto instrumental do Pe. José Joaquim Pereira da Veiga (1770 – 1840). Conviveu certamente com os músicos Hilário dos Santos Silva, Manoel Joaquim Batista e outros muitos que compuseram a segunda geração de artistas meiapontenses”. [5]



Forro da Capela-Mor da Matriz, pintado por Tonico do Padre e Inácio Pereira Leal


     Como pintor, Tonico do Padre pintou o forro da capela-mor da Matriz de Pirenópolis, entre 1863 e 1864, juntamente com Inácio Pereira Leal, onde se via a padroeira Senhora do Rosário cercada de anjos, tendo o Menino Jesus nos braços e ao fundo a imagem do paraíso. Essa pintura foi totalmente destruída no incêndio que destruiu o velho templo.



Interior da Matriz antes do incêndio, tendo o forro da Capela-Mor ao fundo


     Sua atividade como músico foi bastante intensa. Ele criou um famoso método para flauta. Foi excelente clarinetista, flautista, saxofonista, compositor e regente. A jornalista Rute Guedes escreveu uma extensa matéria no jornal O Popular do dia 15.02.2003, sob o título TALENTO DE VOLTA À LUZ, numa referência ao curta-metragem produzido por José Lino Curado, “MESTRE-CAPELA TONICO DO PADRE”, onde atuou como ator Guido Campos Correa.


Casarão onde morou Tonico do Padre


     Certo dia, em 1888, Tonico sentou-se à beira do rio das Almas e escutou o ribombar distante dos trovões, com a saparia naquele coaxar que prenuncia temporal. Com pouco tempo já estava ele todo ensopado e com a cabeça cheia de inspiração. Nascia ali o Concerto dos Sapos, uma suíte (movimentos instrumentais tocados sem interrupção) que recria o aproximar da chuva e começa com o ribombar forte dos tambores na imitação dos trovões. Mostrou a obra aos seus músicos e ouviu uma grande gargalhada de deboche. Ficou tão contrariado que recolheu as partituras, guardou-as e nunca mais quis apresentar a peça. Somente no início da década de 1970, mais de oitenta anos depois, foi o Concerto dos Sapos novamente interpretado, agora pela Banda Fênix, que gravou um disco lindo no coro da Matriz de Pirenópolis.



Casarão de Silvino de Siqueira, localizado na rua Direita, sucessor de Tonico do Padre, local onde a Banda Euterpe teve sede por muitas décadas


     O falecido maestro Braz Wilson Pompeu de Pina Filho dedicou boa parte de sua vida a pesquisar e catalogar a obra magnífica de Tonico do Padre. Pina consultou os arquivos da Banda Euperte, Fênix, do Teatro de Pirenópolis, além de vários arquivos pessoais, e chegou à seguinte catalogação:


Museu da Família Pompeu, localizado na rua Nova,
onde se encontra todo o arquivo de Tonico do Padre


HINOS
Hino do Divino 1899
Hino Estadual Goiano 1890
Motetos das Dores 1901
Hino do Sagrado Coração de Jesus
Hino ao Menino Deus 1900
Hino 12 de Maio 1899
Litania 3º a N. S. do Rosário 1899
Novo Padre Nosso 1901
Novo Te Deum Laudamus 1873
Subtuum 1892
Subtuum 1899
O Salutaris Hostia 1892

MISSAS
Missa de 30$000 1877
Missa de N. S. da Abadia 1888

NOVENAS, LADAINHAS
Ladainha Irlandesa 1892
Novena do Boa Morte 1876
Ladainha Nascimento 1885
Ladainha ao Sagrado Coração de Jesus 1902
Jaculatória à N. S. do Rosário 1899
Novena de N. S. da Abadia 1888

MARCHAS FÚNEBRES
Passos em Pirenópolis 1894
O Grande Rabino 1894

MARCHAS
Tome Rícino 1889
Crowatt 1887
O Cabeleira Pernambucano 1888
3 de Outubro 1897
Santo Antônio da Mato Grosso 1898

QUADRILHAS
16 de Junho 1900
18 de setembro 1896
Carmélia 1895
Pequi 1887
Virgínia 1890
Comissão do Planalto 1892
Zulmira 1892
Viegas Escafedeu-se 1887
Harmonias do Coração 1892
Jacy 1893
Tim Tim por Tim Tim 1893
Sempre Chorando 1896
Deodato 1897

VALSAS, TANGOS, HABANANEIRAS, SCHOTTISCH, POLKAS
Mariquita – Grande Valsa 1891
Quem Mandou Sapateiro Tocar Rabecão 1892
Virgínia 1896
Os Teus Anos 1886
O Gemido da Rola 1894
Cacete 1884
Le Oiseau 1884
Sertaneja 1884
Recordações de um Amigo 1884
Saudades da Vidinha 1884
Dalila 1884
Mariposa 1897
A Sinhá 1889
D. Emma Carlson Cuiabá 1892
Rosita de la Plata e Outras 1890

TANGOS
Oh Ma Estrela 1877
Os Teus Anos 1880

HABANEIRAS
Pirenópolis 1892
A Hesperidiana 1877
Santa Cruz 1976
Tentação 1877
A Hesperidiana nº 2 1877
A decisão do Governo 1891
Dá cá o Pé, Papagaio 1877

SCHOTTISCH
Si Si 1902
Uma nova Abaixo de Dó 1902
Sempre Alegre 1896

GALOPE
Jacy 1899

PALKAS
Alberto Augusto 1889
Arlinda 1889

CANÇONETA
Cantata para Festim 1878

FANTASIAS
Noite de Inverno
Amor de Pai

SUITE
Concerto dos Sapos 1888

TEATRO
Música para as peças:
Gonzaga 1889
Cancros Sociais 1893
Três Noivos Distintos e um só Verdadeiro 1881
Cançoneta de Telúrio do Fantasma Branco 1885



Simbolo da Academia Pirenópolis de Letras Artes e Música


     Todo o arquivo musical e os desenhos de Tonico do Padre foram adquiridos por Pompeu Christovam de Pina, de Sinhazinha Ladário, neta do músico, e encontram-se hoje no acervo do Museu da Família Pompeu, localizado na rua Nova, Pirenópolis, Goiás.



Imagem aérea que mostra a localização da casa (1) de Tonico do Padre em relação à igreja Matriz (2)


Notas
[1] Dicionário Biobibliográfico Regional do Brasil, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br
[2] Jayme, Famílias..., pp. 336/7
[3] Mendonça, p. 37
[4] Jayme, Esboço..., pp. 251/2
[5] Pina, pp. 2/3


Bibliografia
BERTRAN, Paulo (org. e ed.). Notícia Geral da Capitania de Goiás em 1783. Goiânia: Universidade Católica de Goiás, Universidade Federal de Goiás; Brasília: Solo Editores, 1996.
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Site
http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/dezembro2006/textos/artista_sertao.htm
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=3776&cat=Ensaios&vinda=S


by Adriano César Curado