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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rádio Meia Ponte


Inauguração do estúdio da Associação Radio Clube e Jornal Meia Ponte, 87,9 FM, a primeira Comunitaria do Estado de Goiás e 2ª do Brasil. Em dezembro de 2001.

A emissora funciona até hoje, sempre com a participação popular e com os mais variados programas - entrevistas, modão de viola ao vivo, culinária, transmissão de futebol etc.

Uma particularidade interessante é que o pirenopolino, para diferenciar a emissora do aparelho de rádio, começou a chamá-la de "a rádia". Essa nome pegou e continua a ser usada até os dias atuais.

Adriano Curado

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Pirenópolis, um paraíso no coração do Brasil

Turismo na cidade contribui como mais uma fonte de renda para as famílias que optaram por viver no local. Pousadas, restaurantes, eventos anuais e outras várias opções possíveis de negócios na região reforçam os ganhos.


Wandell Seixas Da editoria de Economia

Com mais de 80 cachoeiras catalogadas e com um calendário cheio de eventos culturais durante todos os meses do ano, Pirenópolis recebe cerca de 500 mil turistas anualmente. Em pesquisa realizada pela Goiás Turismo, em 2014, foi revelado que 98% dos turistas que visitam Pirenópolis, a 120 quilômetros de Goiânia, pretendem voltar ao município, sendo que 64% dos entrevistados afirmam que as expectativas em relação ao destino turístico foram plenamente atendidas.

Para 21% deles, as expectativas foram superadas. A maioria dos visitantes (56%) reside em Brasília, seguidos por visitantes de Goiânia (23%) e Anápolis (7%). O principal motivo da viagem a Pirenópolis para 91% dos entrevistados é o lazer. O estudo mostra que, entre os que procuram o destino para lazer, 63% estão interessados no ecoturismo, 29% na cultura local e 6% no descanso. Em relação à faixa etária, a maioria tem entre 32 e 50 anos (53%), 19% entre 25 e 31 anos, 12% entre 18 e 24 anos, 11% entre 51 e 59 anos e 5% acima de 60 anos.

Em relação à escolaridade, 59% dos turistas afirmaram ter pós-graduação. A pesquisa mostra ainda que a renda mensal individual é superior a oito salários mínimos para 41% dos entrevistados, 19% ganham entre quatro e seis salários mínimos, 16% entre dois e quatro, 14% entre seis e oito e 9% até dois salários mínimos. Entre os que foram abordados pela equipe técnica da Diretoria de Pesquisas Turísticas da Goiás Turismo, 39% são casais sem filhos e 29%, grupo familiar.

Quando perguntados sobre a principal fonte de informação que os levou até o município, 71% afirmaram já conhecer o destino turístico e 20% disseram ter recebido indicação de amigos ou parentes. A internet foi fonte de informação para a preparação da viagem para 8,3 % dos entrevistados. A grande maioria dos visitantes (85%) passou mais de um dia em Pirenópolis, sendo que 41% tiveram duas pernoites; 27%, uma pernoite; e 20%, três pernoites. O meio de hospedagem mais procurado foi as pousadas para 82% dos turistas. A pesquisa identificou que o gasto médio por pessoa na viagem é de R$ 231,78 (35,2% com alimentação e 49% com hospedagem).

Os turistas também avaliaram a infraestrutura de Pirenópolis. Nesta etapa da pesquisa, os entrevistados deram notas de 1 (muito ruim) a 4 (muito bom) para itens como limpeza urbana (nota 3,22), segurança pública (nota 3,2), atrativos turístico visitados (nota 3,38), restaurantes (nota 3,4), hospedagem (nota 3,44), diversão noturna (nota 3,26) e preços praticados (nota 2,44).

Toda cidade tem seu encanto, porém, poucas reúnem tantos encantos como Pirenópolis, a Cidade dos Pireneus. Cidade histórica, uma das primeiras do estado de Goiás, Pirenópolis é abraçada pela serra que deu origem ao seu nome, com montanhas cobertas pela raríssima vegetação de cerrado rupestre, natureza exuberante, formações rochosas, nascentes e dezenas de cachoeiras.

Segundo a tradição local, a serra recebeu o nome de Pireneus por haver na região imigrantes espanhóis, que por saudosismo ou por encontrar alguma semelhança com a cadeia de montanhas situada entre Espanha e França, deram então o mesmo nome a esta serra goiana. É a terra das Cavalhadas, da Festa do Divino Espírito Santo, de Veiga Vale, de altares barrocos e das pedras de quartzito.

Pirenópolis tem primazias: foi a primeira cidade a possuir obras sacras, a primeira biblioteca e o primeiro cinema do estado. Destacou-se na música goiana, graças ao surgimento de grandes maestros, e também da imprensa de Goiás – nela foi impresso o primeiro jornal do Centro-Oeste, denominado Matutina Meyapontense.

É reconhecida como berço da cultura goiana e já foi considerada a Atenas de Goiás!

Nasceu com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, fundada em 1727 pelo português minerador Manoel Rodrigues Tomar. Tornou-se vila em 1832, cidade em 1853, Pirenópolis em 1890.



Importante centro urbano dos séculos 18 e 19, com mineração de ouro, comércio e agricultura, ficou isolada durante grande parte do século 20 e foi redescoberta na década de 70, com a vinda da Capital federal para o Brasil Central, tendo sido tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1989.

Toda cidade tem um jeito que é só seu e debruçada sobre o Rio das Almas, Pirenópolis conservou tradições e manifestações culturais. Preservou seu patrimônio arquitetônico de belos casarões e igrejas do século 18 e, especialmente, sua hospitalidade e uma maneira de viver!

Respira-se bem-estar de cidade pequena quando se anda por ruas de pedras iluminadas por lampiões coloniais, quando se come da cozinha regional que guarda ingredientes e antigas receitas e quando se conhece a prosa cordial dos moradores.

E se é surpreendido por uma eficiente estrutura turística: bons hotéis e variados restaurantes, pousadas charmosas e aconchegantes e uma rua dedicada ao lazer – bares com mesas ao ar livre que funcionam desde o fim da manhã até a madrugada. Cachoeiras com receptivos organizados, passeios ecológicos e de aventura.

Pirenópolis possui ainda um comércio diferenciado onde é possível encontrar objetos artesanais – tecelagem, cerâmica, máscaras das Cavalhadas, flores de papel e chitão, mandalas do Divino. Tem arte e design, além de ser centro produtor de joias artesanais em prata. Passear por ela, ver o rio, apreciar a paisagem é estimulante e compensador.

Toda cidade tem sua vocação e a de Pirenópolis se manifesta desde os tempos coloniais. Ontem, entroncamento de caminhos para os que transitavam pela Estrada Real circulando ouro, mercadorias, tropas, notícias, sonhos, aventuras e conhecimento. Hoje, recebendo um fluxo constante de visitantes de lugares vizinhos e cada vez mais distantes.

Cidade onde se realiza o intercâmbio entre tradições, valores e jeito de ser que tão bem conservou com a diversidade cultural brasileira e mundial.

Patrimônio Histórico


Pirenópolis foi tombada como conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1989. Possui um Centro Histórico com casarões e igrejas do século 18, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário (1728-1732), a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1750-1754) e a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim (1750-1754).

Outros prédios significativos arquitetonicamente são o Teatro de Pirenópolis, de estilo híbrido entre o colonial e neo-clássico, de 1899, o Cine Pireneus, em estilo art déco, de 1919 e a Casa de Câmara e Cadeia construído em 1919 como réplica idêntica do original de 1733.


IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO


A Matriz de Pirenópolis é um dos maiores e tradicionais centros de fé católica para o povo goiano e foi dedicada à padroeira da cidade. Construída entre 1728 e 1732 no auge da mineração do ouro.

Foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1941 e restaurada entre 1996 e 1999. Um grande incêndio a destruiu em 5 de setembro de 2002. Sociedade, governo e entidades se mobilizaram para reeguer um dos maiores símbolos culturais do Centro-Oeste.

O Iphan apoiou a restauração e a reinserçao do monumento na paisagem. As obras começaram em 2003 e a Matriz foi reinaugurada em 30 de março de 2006. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário continua como nasceu, simples, bela e verdadeira.



IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO



Marco de fundação da cidade de Pirenópolis. Foi construída entre 1750 e 1754 por Luciano da Costa Teixeira e seu genro Antônio Rodrigues Frota, como capela da família. Está às margens do Rio das Almas após a Ponte de Madeira.

De grande simplicidade guarda uma decoração barroca rococó nos altares do interior com rica talha e significativa estatuária. Restaurada em 2008 abriga também o Museu de Arte Sacra.



IGREJA DE NOSSO SENHOR DO BONFIM

É uma típica igreja colonial portuguesa localizada no bairro do Alto do Bonfim. Erguida entre 1750 e 1754 sua imagem de Nosso Senhor Jesus do Bonfim foi trazida de Salvador pelo sargento-mor Antônio José de Campos através de um comboio com 264 escravos. As pinturas do altar mor e do teto foram feitas por Inácio Pereira Leal, possui quatro sinos sendo que um deles é um dos mais antigos de Goiás, de 1756.



TEATRO PIRENEUS

Construído em 1899, ao lado da Praça da Matriz, por Sebastião Pompeu de Pina em estilo eclético com elementos do colonial e do neoclássico.

Foi restaurado nas comemorações do seu centenário com o desenho e estruturas originais preservados sendo acrescentados espaços de apoio como camarins e depósitos. O fundo do teatro se liga ao cinema através de seus quintais formando um entroncamento cultural com pequeno palco ao ar livre para apresentações.



CINEMA PIRENEUS

Sua fachada originalmente em estilo neoclássico foi alterada em 1936 para o estilo art déco pois foi tudo o que restou do edifício quando seu telhado ruiu com o abandono do local durante a década de 80.

Construído pelo padre Santiago Uchôa, em 1929, hoje funciona como espaço teatral, cinema , galeria e apresentações musicais. Está localizado na Rua Direita, uma das mais bem conservadas de Pirenópolis com seu casario.



CASA DE CÂMARA E CADEIA

Este monumento foi construído em 1919, como réplica idêntica à Casa de Câmara e Cadeia de 1733, a mais antiga do estado de Goiás, que ficava na Rua do Rosário, perto da Igreja Matriz.

Está localizado em frente ao Rio das Almas próximo à Ponte de Madeira e tem dois pavimentos. Restaurado pelo Iphan já foi adaptado com acesso para deficientes e abriga o Museu do Divino.



O destino

Pirenópolis, com cerca de 25 mil habitantes, conserva seu aspecto antigo e bucólico. A cidade, tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, é cercada de morros e cachoeiras. Um retrato vivo da história goiana, onde um povo hospitaleiro, alegre e festivo, convive com um ambiente de extrema beleza natural. As ruas históricas, casarões, museus e igrejas retratam a vida do século XVIII. A cidade está aos pés da Serra dos Pireneus, de onde nascem inúmeros córregos que formam belíssimas cachoeiras. Pirenópolis é detentora do maior número de Unidades de Conservação do Estado de Goiás, nove ao todo.



PREFEITO

Natural de Pirenópolis, Nivaldo Antônio de Melo estudou nos colégios estaduais Comendador Joaquim Alves e Comendador Christóvam de Oliveira e aos 14 anos foi emancipado por seu pai, pastor Lourival Melo, para ficar à frente do negócio da família, a mercearia Melo. Neste período, foi se qualificando administrativamente em cursos técnicos oferecidos pelas grandes empresas fornecedoras.

Nivaldo despertou para a participação política através do contato com a população. Percebeu as mudanças e transformações dos anos 80 quando foi asfaltada a BR-070, ligação com Brasília, e houve o aumento do fluxo de visitantes na cidade.

Em 1994, dá um salto empresarial prevendo o grande crescimento do turismo como atividade econômica do futuro e estabelece o primeiro supermercado do município.

Durante todos esses anos, foi estreitando laços com a comunidade e conhecendo suas carências e aspirações.

Eleito vice-prefeito para o mandato de 2001/2004, compreende a necessidade de implementar modelos inovadores na administração pública para planejar o crescimento imposto pelo desenvolvimento.

Em 2008, Nivaldo Melo vence as eleições para prefeito municipal com 66% dos votos da população de Pirenópolis.

Em 2012, Nivaldo Melo se torna o primeiro prefeito reeleito de Pirenópolis.

Matéria publicada no Diário da Manhã do dia 12.4.2015, Caderno Economia, p. 10.


sábado, 13 de setembro de 2014

A cidade rica

Você já ouviu aquela máxima de que chega um momento em que o dinheiro começa a trabalhar por si só? Creio que é verdade. A pessoa tem um capital de giro considerável e então pode investir nas propostas vantajosas que aparecem.

Menciono isso porque Pirenópolis se tornou uma cidade “rica” em atrativos turísticos. Já não se trata mais apenas de explorar cachoeiras e patrimônio arquitetônico, muito menos de vender artesanato em lojinhas ou repetir festas tradicionais. A coisa agora é bem maior. Nossa cidade é capaz de atrair eventos variados, que vão desde uma convenção de juízes federais, passam por eventos gastronômicos, musicais e chegam até festas de abrangência além das fronteiras nacionais, como é o caso do bem-sucedido Festival Internacional do Folclore e Artes Tradicionais.

Mas para que a continuidade dessa boa fase permaneça, o Poder Público tem que fazer o dever de casa. Eu vou citar apenas um exemplo já discutido aqui em várias oportunidades: cadê a prometida cadeia pública? Uso esse exemplo porque nossa casa foi furtada semana passada e possivelmente o ladrão se sentiu seguro ao entrar lá no meio da tarde, pois não há sequer um pequeno presídio na cidade.

Quem se lembra do nosso passado mais recente, da época em que começamos a lidar com o turismo (décadas de 1970 e 1980), sabe bem o quanto já evoluímos e prosperamos. Já vai longe o tempo dos acampamentos farofeiros nas margens do rio das Almas e dos fogareiros nos passeios públicos. Mas ainda há falta de saneamento básico, obras de revitalização por concluir e um sem-número de outros problemas de grande porte.

Se a fonte secar, morremos todos de sede. Então precisamos cuidar da nascente e assim garantir “água potável” suficiente para continuar o engrandecimento desta terra abençoada. Este site é uma tentativa de contribuição de melhorias. As críticas aqui postadas têm a finalidade de alertar para a resolução da problemática que se acumula e não sinaliza fim. Mas podemos fazer muito mais, podemos mudar nossa própria conduta e escrever capítulos ainda melhores da longa história meiapontense.

Adriano Curado

terça-feira, 20 de maio de 2014

Diga não ao “Fachadismo”




O Fachadismo arquitetônico é uma técnica de reabilitação de edifícios históricos degradados, onde apenas a fachada do prédio é conservada, sendo o restante descartado. Abre-se mão do “recheio” do patrimônio arquitetônico, que pode inclusive ser historicamente mais rico que o exterior, com o fim de conservar a “casca”.

Um exemplo significativo do emprego dessa técnica é o Pelourinho em Salvador, Bahia, onde uma corrida pela preservação dos casarões históricos, somada à necessidade de torná-los úteis e usáveis, fez com que seu interior fosse totalmente demolido, apenas a fachada ficou de pé.


Prédio do século 18 demolido. Só a fachada restou original.

Às vezes o emprego do Fachadismo é necessário, como ocorreu, por exemplo, na reconstrução do edifício do Cine-Teatro Pireneus, localizado na rua Direita, em Pirenópolis, Goiás. De fato, ali a decisão de se manter apenas a fachada foi acertada. Mas é uma exceção, pois o prédio havia ruído e apenas sua parte anterior, em art déco, ficou de pé.


Destruição de S. Luiz do Paraitinga, São Paulo

Também na reconstrução da cidade de São Luiz do Paraitinga, em São Paulo, foi necessário, em diversas ocasiões, recorrer ao Fachadismo, pois os monumentos desabaram por conta de uma enchente fenomenal. O mesmo ocorreu na Cidade de Goiás, em Goiás, quando uma represa no rio Vermelho levou diversos casarões históricos.


Cheia que destruiu casarões na Cidade de Goiás

Nesses exemplos, assim como no cinema de Pirenópolis, houve a perda total do prédio e tentou-se conservar como deu seu estilo de época. Tais iniciativas devem ser aplaudidas, pois é melhor se ter uma imagem agradável de um cenário, que a visão frustrante de uma degradação.


O Pelourinho é apenas fachada, o interior foi todo demolido.
O que se combate no Fachadismo arquitetônico, no entanto, é a demolição de prédios em bom estado de conservação, para adaptá-lo ao estilo moderno de se viver. Vemos isso constantemente em Pirenópolis. A pessoa compra um casarão histórico, de paredes internas de pau a pique, assoalho de madeira ou tijolos, baldrames e esteios de aroeira, muros de pedras etc. Mas o comprador quer uma casa mais moderna, e então começa a demolição.

A primeira que vem abaixo é a parede de taipa, pois querem a casa com divisórias aprumadas e feitas de material moderno e resistente. Assim não precisa de manutenção anual, como é o caso das taipas. Levanta-se no lugar uma fileira de tijolos furados, parecidos com a parede original. O assoalho de madeira, também de complicada conservação (não pode jogar água, tem que substituir a parte podre), é retirado e em seu lugar instalam cerâmicas modernas e mais funcionais. E já que estamos fazendo uma reforma geral no imóvel, melhor mesmo tirar a aroeira velha e substituí-la por vigas de concreto, pois assim durará infinitamente e não se terá perigo de trincar paredes.


Este casarão do século 19 é exemplo de Fachadismo. Todo o miolo foi demolido

Aí eu pergunto: se fizermos isso com a cidade toda, ainda assim teremos um conjunto arquitetônico que mereça um tombamento? É óbvio que não. Seremos apenas o cenário de uma triste realidade. Patrimônio histórico de tijolo furado e vergalhões de aço não merecem esse nome. Se amanhã, por exemplo, um historiador quiser estudar as casas velhas de uma comunidade, não saberá que, entre as portas da frente e do meio, há a entrada da sala de visitas. Que o cômodo onde se toma refeições é chamado de varanda, e que para transitar nos aposentos mais íntimos, é preciso passar de um quarto ao outro – uma forma de controle sobre as mulheres.

Tudo isso é história pura, resquícios de uma época. A casa colonial é como um livro, e ao estudá-la, aprendemos como viviam seus moradores há séculos. Mas aí vem o Fachadismo e apaga esse livro, rasga suas folhas internas e deixa apenas a capa intacta.

Em seu maravilhoso livro “Uma ponte para o mundo goiano do século XIX: Um estudo da casa meia-pontense”, a historiadora Adriana Mara Vaz de Oliveira adentrou em diversas residências pirenopolinas e traçou uma planta baixa, sem escalas, de algumas delas. Tal iniciativa, se continuarem as demolições, estarão inviabilizadas em pouco tempo.



Por conta disso tudo, é que este site é contra o Fachadismo arquitetônico, no que se refere à preservação do patrimônio tombado. Que este artigo seja um marco de mudança de mentalidade. Espero que cesse a destruição oficializada de nossa história, antes que não tenhamos mais nada que mostrar para a prosperidade.

Adriano Curado


Bibliografia:
BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 1999.
BUENO, Alexei; CAVALCANTI, Lauro; e TELLES, Augusto Carlos da Silva. O Patrimônio Construído. São Paulo: Capivara, 2002.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 200
OLIVEIRA, Adriana Mara Vaz de. Uma ponte para o mundo goiano do século XIX: Um estudo da casa meia-pontense. Goiânia: Agepel, 2001.
PUPPI, Marcelo. Por uma História não Moderna da Arquitetura Brasileira. Campinas: Pontes; CPHA/IFCH. 1998
REIS Fº., Nestor Goulart. Evolução Urbana no Brasil 1500 / 1720. São Paulo: Pini, 2000.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Publicações

Livros do escritor Adriano Curado que tratam da cidade de Pirenópolis:

1. O TROPEIRO


A novela O Tropeiro conta a história de uma tropa de 132 mulas que em 1818 saiu de Pirenópolis, Goiás, com destino a Franca, em São Paulo. Levava uma preciosa carga de algodão, mas no caminho teve que enfrentar índios furiosos, ladrões, escravos fugitivos, pragas, doenças e morte. São mais de quarenta dias de viagem debaixo de muita chuva e com pressão constante do clima.

A novela nos leva por cenários desoladores do século dezenove. Muita fome e decadência são vistas naquele Brasil Imperial e corrupto. O fim do clico do ouro nas cidades goianas e mineiras traz descrença para o povo, ao mesmo tempo que é redesenhado um novo cenário social.

Mas ainda há esperança na reconstrução nacional. Na beira do caminho nascem novas povoações que, no futuro, serão cidades grandes. Os modernos engenhos de moer cana-de-açúcar impulsionam o comércio, dão novo alento ao povo.

ISBN: 9788581062488
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Ano de Lançamento: 2012

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2. CHUVA DE ESTRELAS





Chuva de Estrelas é um livro de contos, onde o escritor Adriano César Curado analisa os conflitos de cada personagem com o meio em que vive, numa descrição primorosa de cenários. As histórias se passam numa época de escravos, de jagunços, de sertão ainda indomado, de honra lavada com sangue e das superstições no imaginário popular. Tudo isso bem temperado com ironia refinada e cômica, que são a marca do autor.

É composto pelos seguintes contos: A Escrava Maria, A Vingança do Falecido, O Boi da Guia, A Confissão, O Maestro, o Padre e o Capeta, A Conversão de Salustiano, Café Amargo, O Casarão, Paixão de Caboclo, O Peão e a Princesa, O Fantasma de Hernesto, A Caçada, O Espírito da Floresta e Chuva de Estrelas.
ISBN: 9788581060989
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Ano de Lançamento: 2011

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 3. CAVALHADAS NO LARGO


Cavalhadas no Largo é um livro de contos engraçados, onde o escritor Adriano César Curado mostra seus personagens envolvidos nas mais hilárias histórias. É composto pelos seguintes contos: O tratador de jacarés, Preferência sentimental, Parada cívica, A prenda, Teatro amador, Avô brabo, O couro de boi, A onça pintada, Acidente horroroso, Férias escolares, O toicinho da velha, Picolé de palha, Pão com sardinha, Desafio macabro, O fiscal e Cavalhadas no largo. Todas essas histórias se passam na cidade histórica de Pirenópolis, Goiás.
ISBN: 978857766795-9
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Ano de Lançamento: 2009

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4. TRAVESSIA


Travessia é uma novela escrita por Adriano César Curado sobre os velhos peões de boiadeiro. O enredo se dá no sertão de Goiás, em 1927, e conta as aventuras de um grupo de peões liderados pelo capataz Brandino. Juntos, eles têm que conduzir uma boiada de mais de mil bois do Povoado de Santana até a distante Pirenópolis.

No percurso que a boiada percorre, no entanto, há o Grande Rio, de águas turvas, que exigia dos homens um esforço sobre-humano para completar a “travessia”.

Baseado numa história real, é uma forte crítica social ao poder dos coronéis e uma antecipação da Revolução de 1930, de Getúlio Vargas, que pôs fim aos desmandos da República Velha.

O livro foi premiado pela Bolsa de Publicações Cora Coralina, do Governo de Goiás, sendo editado pela Agência de Goiana de Cultura e pelo Instituto Goiano do Livro.
ISBN: 8587693247
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Ano de Lançamento: 2001


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sábado, 21 de dezembro de 2013

Personalidades



O que diferencia a página Personalidades daquela dedicada às Biografias é a quantidade de dados coletados, nunca a importância do homenageado. Desta forma, alguém que hoje está classificado como Personalidade, amanhã poderá figurar entre os Biografados.

A finalidade desta página é apenas a de divulgar personalidades que tenham se destacado em nossa cidade. Não há a intenção de denegrir a imagem de ninguém.

As pesquisas são contínuas, e à medida que novas biografias ficarem prontas, serão gradativamente publicadas neste espaço. Quem desejar ver a história de vida de alguém publicada aqui, entre em contato conosco.

As personalidades do momento são:







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Ensaios



Nesta página estão publicados ensaios escritos com a finalidade da reflexão sobre o patrimônio histórico de Pirenópolis. São textos breves, como convém ao estilo literário, onde são expostas ideias, críticas, busca de soluções e até uma certa aflição por alguma perda irreparável.

Esta página é a que gera mais polêmica no site. A reação adversa vem de pessoas que se sentem incomodadas com a análise de intervenções mal feitas no patrimônio histórico ou mesmo de arquitetos que não admitem críticas afetas à sua área de atuação. Mas ainda assim a página persiste, pois no dia em que não se tiver mais coragem de enfrentamentos, este site sairá do ar.

Os temas abordados são:




















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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Tropeiro




A verdadeira riqueza de uma pessoa está além dos bens que acumula, e a sabedoria creio ser a maior de todas as fortunas. Passar por uma longa vida e registrar na memória cada instante do tempo, isso sim é ser rico.

Aos noventa anos de idade, vó Maria é minha fonte inesgotável de pesquisa. E como sabe das coisas, minha avó! Eu a admiro a cada dia que passa. Observo-a no comando das atividades do dia, no conselho que dá às pessoas, no cuidado com que administra seus bens. Está viúva há trinta anos, mas ainda fala de vovô com apaixonadas palavras. É lindo isso.

Nossas conversas duram horas a fio. Ela não se cansa de relembrar o passado, e me surpreende sempre com fatos que nunca ouvi falar. Não repete histórias, tem a memória melhor que a minha. Às vezes eu a testo, peço para contar algo que já falou, e ela responde: “Você acha que já estou caducando!”

Ultimamente resolvi filmar nossos bate-papos. Sentamos lá na sala da casa dela e eu embarco numa nave do tempo fabulosa, com detalhes de cores, cheiros e sabores. É uma viagem inesquecível. Torço para que o tempo não passe, para que ninguém não nos interrompa. É muito gratificante esse momento com vovó.

Em uma das conversas, ela me contou com detalhes sobre os tropeiros. Fiquei tão entusiasmado com a narrativa dela que escrevi um livro: O Tropeiro. Para quem não sabe, tropeiro era um negociante, dono de uma tropa de mulas de carga.

Contou-me ela que passavam na loja de seu pai (Josafá de Siqueira), perto do Corgo Lava-pés, tropas compostas de lotes de até centenas de mulas usadas para transportar mercadorias de lugares distantes para o comércio local. Iam negociar com comerciantes grandes como o coronel Luiz Augusto Curado ou o coronel Chico de Sá etc. Não havia estradas, nem pontes, e muitos pousos se davam ao relento, sem sequer um rancho de palha como abrigo. A carga seguia acondicionada dentro de uns caixotes de couro cru chamados bruacas. Em cada mula, duas bruacas, uma de cada lado, equilibradas numa cela em formato de X chamada cangalha.

Disse-me que eles faziam também as vezes do correio, pois levavam notícias e recados pelos lugares por onde passavam. E enfrentavam rios cheios, ataques de bandidos, de feras, de doenças misteriosas. No misticismo lá deles, traziam junto ao peito para proteção um patuá (pequenina bolsa de pano costurado com uma oração dentro), dependurado num cordão.

Já pensou na riqueza cultural de uma conversa dessas?! Senti-me como que transportado para o início do século vinte, num tempo em que não havia conforto nem facilidades modernas, mas, ainda assim, se vivia bem.


Adriano Curado

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Tempo e a Sociedade



O transcorrer do tempo é algo fascinante e assustador. Quando vivemos em uma cidade muito antiga, como Pirenópolis, é possível notar mais claramente as mudanças temporais.

Imagine como era diferente o modo de vida dos meiapontenses quando por aqui os garimpeiros ainda extraíam ouro. Pense que grupos de milhares de escravos perambulavam seminus pelas ruas, o barulho dos chicotes no ar, a gritaria dos feitores; chiavam as rodas dos carros de bois que transportavam aroeiras para a construção dos casarões; o leito e o barranco do rio eram revirados cada vez mais fundo à procura do metal dourado. Os cativos tinham que laborar nas minas de sol a sol, construir os casarões, os templos, os muros.


Descansavam no domingo da labuta dos brancos, quando alguns tinham permissão para cuidar da própria vida, como plantar a própria roça; outros eram autorizados a trabalhar na edificação da Igreja dos Pretos, a vender quinquilharias nas ruas de Meia Ponte etc. Mas a grande maioria ficava mesmo trancafiada nas senzalas escuras e pouco arejadas, acorrentados a troncos ou vigiados permanentemente.


Ainda na época da mineração, poucas eram as mulheres brancas, e então os homens se relacionavam com índias, mulatas e negras, o que criou a miscigenação de nossa população. Casar na Igreja não era um hábito muito difundido entre a população mineradora, vivia-se em concubinato naturalmente naqueles distantes tempos do século dezoito.


O declínio do ouro coincidiu com o grande marasmo do século dezenove, quando o movimento nas rotas comerciais diminuiu e a cidade ficou isolada. O meiapontense aprendeu a viver numa sociedade voltada para si mesma, cercada pelos paredões de morros, com raras notícias do litoral. Poucos escravos restaram no lugarejo, a maioria na labuta doméstica.



Cada ente dessa já reduzida população negra acabou por se tornar um membro da própria casa. A ama de leite é exemplo disso. Nascia uma criança branca e a mãe não tinha leite. Então mandavam buscar a escrava lactante e ela alimentava o filho do seu senhor. Neste momento, como aconteceu em muitas casas, criava-se um vínculo afetivo muito forte entre as partes, e não é raro o caso em nossa cidade de pessoas que cresceram com duas mães – a biológica e a de leite. Há relatos em outras regiões brasileiras de amas alugadas ou que eram obrigadas a renegar a própria cria, mas não encontrei isso por aqui.


Abolida a escravatura no Brasil, caiu o Império e veio a República. Os negros desapareceram misteriosamente da agora sociedade pirenopolina. O marasmo continuou em Goiás. Poucas estradas, péssimas condições de infraestrutura, politicagem de apadrinhamentos, e tudo isso contribuía para o atraso da região.

Na contramão da decadência geral da província de Goiás, Pirenópolis vivia uma efervescência cultural muito forte. Aqui havia constantemente peças teatrais, conjuntos musicais, bandas de música, cavalhadas, escritores e pintores ativos, bibliotecas, matadouro público, estalagens bem aparelhadas etc.


A sociedade ainda era fechada, patriarcal, preconceituosa. Mas isso mudaria radicalmente na segunda metade do século vinte, com a convivência cada vez maior entre nativos e turistas. E foi esse turismo que alterou os rumos de Pirenópolis, supervalorizou seus imóveis, fez tombar tabus, cindiu mortalmente o modelo de sociedade fechada e bairrista. Enfim, nasceu um outro pirenopolino.




O futuro de Pirenópolis já começa a ser rascunhado no grande livro do tempo. Preocupações ecológicas, ações efetivas de preservação patrimonial, o reconhecimento do valor dos bens culturais imateriais e o engajamento da juventude na vivência do folclore são alguns exemplos de esperança no futuro.

Adriano Curado


Fonte:
Anuário Histórico, Geographico e Descriptivo do Estado de Goyaz, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo (org.). Brasília, SPHAN, 1987
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis: uma cidade para o turismo. Goiânia: Oriente. 1980.
GIACOMINI, Sônia Maria. Mulher e escrava – Uma introdução histórica ao estuda da mulher negra no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1988.
GOMES, Modesto. Estudos de História de Goiás. Goiânia: Gráfica do Livro Goiano. 1974.
JAYME, Irnaldo. Furacão Histórico. Anápolis: Editora Cristã Evangélica. 1970.
JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis. Goiânia: Imprensa da Universidade Federal de Goiás, 1971.
MOURA Clóvis. Dicionário da escravidão negra no Brasil. São Paulo: Edusp, 2004.