sexta-feira, 24 de abril de 2026

AMPHILOPHIO DE ALENCAR FILHO

 

SÉRIE BIOGRAFIAS
AMPHILOPHIO DE ALENCAR FILHO


Amphilophio de Alencar Filho (Pirenópolis, 22/09/1937 – Goiânia, 17/04/1988) era mais conhecido como Amphilophinho (pronuncia-se Anfilofinho), filho do terceiro casamento do farmacêutico Amphilophio de Alencar com Rita de Siqueira. Casou em 17/02/1965 com Dilma Daher de Alencar (Piracanjuba, 06/08/1945), com quem teve três filhos: Christian Daher de Alencar, Daniel Daher de Alencar e Nádia Daher de Alencar Neves. 

Graduou-se em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Católica de Goiás (UCG) e tornou-se Mestre pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) com a tese: “Um dialeto social nos contos de Bernardo Élis”, em 1975. 

Foi professor titular do Instituto de Ciências Humanas e Letras, da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da UCG. Atuou como jornalista, santeiro. escultor, restaurador, genealogista, pesquisador e poeta. Deixou diversas crônicas e contos, além de vasto material de pesquisa histórica. Dotado de voz grave e afinada, destacava-se no coro de sua terra natal. Seu instrumento musical preferido era o piano, que sabia tocar com maestria, entretanto não se conhece composição de sua autoria. 

Amphilophinho e a esposa Dilma
                                                         Amphilophinho e a esposa Dilma


Pesquisou também os presépios das cidades de Pirenópolis e Goiás, além de se dedicar à obra de Veiga Vale. De forma autodidata, entre erros e acertos, começou a restaurar ainda jovem as imagens sacras de amigos e parentes, até que criou suas próprias esculturas em cedro, com destaque para Meninos-Jesus, anjos e santos diversos, que foram expostos em variados eventos. 

Na literatura, deixou importantes pesquisas de cunho técnico, além de escrever poemas e contos. Está presente na Estante do Escritos Goiano, no Serviço Social do Comércio e em diversos textos de estudos especiais. Suas pesquisas até hoje servem de referência para a produção científica, sobretudo referentes às obras de Veiga Valle.   

Um ativista cultural de assídua atuação, em especial na profissão de jornalista, defendia a preservação do patrimônio histórico e o levantamento e catalogação do vasto acervo patrimonial goiano. Na Revista Goiana de Artes (1984) publicou um texto inédito sobre

a arte sacra no Brasil com análise da obra dos escultores santeiros Veiga Vale, Padre Francisco Ignácio da Luz, Antônio José de Sá, Sebastião Epifânio e Maria de Beny. 

Amphilophinho foi um pesquisador incansável e meticuloso, e por conta disso revirou muitos arquivos sujos e empoeirados, assim como manipulou esculturas guardadas em templos mal conservados. Por conta disso, contraiu um fundo denominado paracoccidioides brasiliensis que cousa uma micose sistêmica crônica grave chamada blastomicose sul-americana (ou paracoccidioidomicose), tendo falecido de infecções pulmonar e renal aos cinquenta anos de idade. 

Amphilophinho ainda jovem

Membro de diferentes agremiações sociais, culturais e de classe, entre as quais, Associação dos Docentes da UFG. Foi biografado no Dicionário Biobibliográfico de Goiás, de Mário Ribeiro Martins. É Patrono da Cadeira nº XXI da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (Aplam). 

Publicou: “Cinco Santeiros Goianos - uma apreciação” e “Dialeto Social nos Contos de Bernardo Élis”. Deixou vários estudos inéditos sobre a arte sacra goiana. 

Referência:

ALENCAR FILHO, Amphilophio de. Cinco Santeiros goianos - uma apreciação. Rev. Goiana de Artes. v. 5, n.1, p. 1-6, jan./jun. 1984.

ALENCAR FILHO, Amphilophio de. Dialeto Social nos Contos de Bernardo Élis. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 1975.

MARTINS, Mário Ribeiro. Dicionário Bibliográfico de Goiás. Rio de Janeiro: MASTER, 1999.

PASSOS, Elder Camargo de. Veiga Valle – seu ciclo criativo. Goiás, GO: Museu de Arte Sacra, 1997.



Programação Festa do Divino de Pirenópolis 2026


Esta é a programação completa da Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis em 2026.
Prestigiem! 

Fonte das imagens: página no Instagram @cavalhadaspi

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O velho cemitério dos pretos

Ao final da Rua do Rosário ficava a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, um templo muito bonito em sua simplicidade. Ele fora construído pelos excluídos (escravizados ou alforriados) da sociedade racista na época da mineração.

Hoje ela não está mais lá e em seu lugar construíram um coreto. Mas o que poucos sabem é que, no Brasil colônia, não havia cemitérios e os mortos eram sepultados dentro das igrejas ou na sua vizinhança. Portanto sob a praça há uma multidão de sepulturas invisíveis. 

A obra que retrata esta postagem é um bico de pena feito com tinta Nanquim de autoria da artista plástica Mara Velvet (@maravelvetart). 

Cenário urbano

Há um ar de mistério e romantismo nesta cidade, algo que foge ao imediatismo do tempo, que distrai a gente e faz olhar e ver. Creio que é por conta disso que gosto tanto daqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A onça, o espião


O mascarado mais conhecido é o de boi, quase um símbolo folclórico de Pirenópolis. Mas há muitos outros, como demônios e onças. 

Nessa aquarela podemos ver o espião mouro, que fantasiado do grande felino espiona o castelo inimigo e é morto logo no princípio das cavalhadas. 

Obra: "A onça, o espião" (18x23cm) - aquarela 
Autoria:  Mara Velvet (@maravelvetart)
Local: tela exposta para apreciação e comercialização na Piri Galeria (praça do Coreto ao lado da Pousada Dona Geni).

Os Catolés

Esse quadro retrata os mascarados de Pirenópolis, figura folclórica que abrilhanta a Festa do Divino Espírito Santo e leva alegria, cores e barulho por onde passa. 

As festividades certamente que remontam às origens da cidade no século XVIII, e possivelmente os mascarados surgiram já no início das apresentações das cavalhadas. 

Na pintura podemos notar que os personagens usam máscaras de pano, montam em pelo, calçam botinas rangedeiras e têm o corpo pintado de forma rústica. 

Esses do quadro, em especial, são chamados de catolés. Não sei porque essa associação com o nome da palmeira de palmito amargoso típico aqui do cerrado. Mas enfim... alegria é com eles mesmos!

Título "Os Catolés" (82x70cm) - tinta acrílica sobre tela. 
Autoria Mara Velvet (@maravelvetart)
A tela se encontra exposta para apreciação e comercialização na Piri Galeria