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quinta-feira, 31 de março de 2022

Fatos Históricos II


O ouro que foi extraído das minas de Meia Ponte era enviado ao rei de Portugal e serviu principalmente para aformosear o Convento de Mafra. Mas a povoação se localizava em um local estratégico, no entroncamento de estradas, e isso lhe foi favorável para o desenvolvimento do comércio e o

intercâmbio com os mercadores que por aqui passavam.

Sobre o assunto conta Paulo Bertran*:

“Pirenópolis não deixou especial fama por suas lavras de ouro, mas logo estabeleceu-se como ponto central das vias de comunicação das minas que a todo ano brotavam em solo goiano e tocantinense. [...]

A essa terrível azáfama de riqueza e miséria assistia uma Pirenópolis bem assentada nos caminhos e na mercancia, povoada majoritariamente por família cujos fundadores vieram do norte de Portugal.

Na sua imediata área de influência, fundaram-se os arraiais auríferos de Córrego de Jaraguá (atual Jaraguá-GO), de Santa Rita do Rio do Peixe (Capela), de Santo Antônio do Campo do Rio São João, no Maranhão, extinto, e o de Nossa Senhora da Penha de Corumbá (Corumbá de Goiás)
.”

Por isso, muito além de garimpeira, a população meia-pontense era comerciante e soube se aproveitar bem da localização privilegiada de sua povoação. Isso explica bem porque a vila permaneceu apesar do declínio da mineração ainda no século XVIII.

Adriano Curado


Imagem: Desenho de William John Burchell retratando Meia Ponte em 1827.

Pesquisa:
BERTRAN, Paulo. História da terra e do homem no Planalto Central. Brasília: Verano. 2ª ed., 1999, p. 97.
FERREZ, Gilberto. O Brasil do Primeiro Reinado visto pelo botânico William John Burchell 1825/1829. Rio de Janeiro: Fundação João Moreira Salles; Fundação Nacional Pró-Memória, 1981.



terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Contando histórias antigas


 Para começar a nova fase deste blogue, a partir de agora no viés puramente cultural, nada melhor que um pouco do início da história de Pirenópolis. Primeiramente quero que fiquem registrados aqui meus posicionamentos. Eu me filio à corrente doutrinária de Jarbas Jayme, nosso grande historiador e genealogista, que escreveu terem sido as Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte (hoje Pirenópolis) descobertas por Urbano do Couto Menezes e o arraial de mesmo novo fundado por Manoel Rodrigues Tomar. Isso teria se dado em 7 de outubro (dia de Senhora do Rosário) de 1727. No transcorrer dos artigos que aqui serão publicados eu explico melhor meu posicionamento.

Quero ressaltar ainda que há muitas informações desencontradas na Internet, possivelmente postada por pessoas que não possuem conhecimento sobre o assunto. Há páginas que chegam ao absurdo de atribuir a Amaro Leite a descoberta de Meia Ponte e isso, ressalto aqui, está errado. Esse mérito é de Menezes. Amaro Leite foi um grande bandeirante mas não interveio nos primórdios da nossa história.

Adriano Curado

Fotografia: acervo de João Basílio

Qual caminho seguir?

 

Após treze anos no ar, estive pensando na real utilidade deste blogue. Sua função sempre foi cultural, ainda que em certos momentos tenha se desviado desse propósito, a exemplo daquele ocasião em que apoiou abertamente a causa dos Mascarados que não desejavam ser identificados com um número. Fatos assim ocorreram em certas passagens de sua história. Eu menciono também a necessidade de manter a cidade informada sobre o andamento da pandemia o seu início.

Mas e agora? Já temos na cidade páginas suficientes especializadas e profissionais. Informações ao turista não faltam, e esse não é o caminho a ser seguido. Notícias atualizadas do cotidiano pirenopolino também têm com fartura. Só nos restou, dessa forma, permanecer do lado cultural e manter o foco sempre nos que residem em Pirenópolis ou a ela estejam ligados por laços afetivos. 

Adriano Curado

 

Imagem: caracterização sobre uma pintura de Mirim Santos 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rádio Meia Ponte


Inauguração do estúdio da Associação Radio Clube e Jornal Meia Ponte, 87,9 FM, a primeira Comunitaria do Estado de Goiás e 2ª do Brasil. Em dezembro de 2001.

A emissora funciona até hoje, sempre com a participação popular e com os mais variados programas - entrevistas, modão de viola ao vivo, culinária, transmissão de futebol etc.

Uma particularidade interessante é que o pirenopolino, para diferenciar a emissora do aparelho de rádio, começou a chamá-la de "a rádia". Essa nome pegou e continua a ser usada até os dias atuais.

Adriano Curado

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Espelho d'água


Espelho d'água que reflete

A alma da gente,

Que une céu e terra

Na amplitude de um suspiro,

Na singeleza de um poema,

Na melodia que o vento

Assopra na janela!

Já se foi a chuva,

 Não voltou o sol,

Mas ainda assim

A majestosa Matriz

Quer se expor para mim.

Adriano Curado


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ensaio cultural sobre Pirenópolis

Pirenópolis pode se gabar dos grandes vultos que colaboraram para o enriquecimento da sua história, e também da goiana, como um todo. Mencionarei apenas alguns: Jarbas e José Jayme; Joaquim Alves; padres Gonzaga e Simeão; Veiga Valle; Tonico do Padre; Senador Gonzaga Jayme; os maestros Propício de Pina, Luiz de Aquino, Silvino e Vasco de Siqueira; dr. Brandão; Sebastião Pompeu; coronel Sá; professor Ermano; João José de Oliveira; Gedeão, Armênia e Elfrida de Siqueira; Joaquim Pompeu; José Assuério; Maria de Beni; Irnaldo Jayme; os Braz de Pina (pai e filho); Emílio de Carvalho; Tãozico Pompeu; Zezinho Dentista, Soném, Seu Moço e Nenzão; os Pina d’Abadia: Lulu, Geraldo e José.

Mas a cidade de Pirenópolis perdeu recentemente grandes colaboradores da manutenção de sua cultura. Quero citar aqui, com o perdão dos prováveis esquecimentos, as Itas, a Lopes e a Pereira; a Vera Siqueira; o Pompeu de Pina; o Bastião de Chica; a dona Santinha e o Alaor de Siqueira. Isto para mencionar apenas aqueles que há pouco se mudaram para outra dimensão. Teve também a Maria Bizé; o dr. Joaquim Lopes; a Maria Eunice; a Celuta Mendonça Teles, o Arnaldo Setti; a Naziam Brandão; o Isócrates de Oliveira; o Zé Reis; o Israel de Aquino; o Bidoro, a Marlene Fleury; o Clóvis Gomes e muitos, muitos outros.

Esses são os que se foram e deixaram seus nomes gravados na história de nossa terra. Uns se destacaram nas artes, outros no apoio à cultura e alguns foram ativistas, mas o que todos têm em comum é a doação de tempo, dinheiro ou energia à manutenção do legado cultural de Pirenópolis. São pessoas que fizeram a diferença porque deixaram seus lares, o convívio familiar, perderam dinheiro e até saúde, para que não perecessem nossas manifestações culturais.

E a reflexão a que se destina este ensaio visa incentivar a atual geração a dar continuidade ao feito. Sei que uma nova leva de ativistas culturais se esboça em nossa terra. A Séfora de Pina e o Sérgio Pompeu, por exemplo, assumiram a organização do teatro de revista “As Pastorinhas” e fizeram um trabalho muito bonito no palco. O Gerônimo Forzani dá aulas de música nos diversos instrumentos que toca, talento herdado de seus brilhantes avô (China) e bisavô (Zeco Totó), para os jovens pirenopolinos interessados em aprender. Tem também a Célia de Pina com o Museu das Cavalhadas herdado de sua, Maria Eunice.

Todas essas iniciativas são boas, mas creio que muito mais ainda pode ser feito. Talento nunca faltou à gente da Terra dos Pireneus. Dorme latente na hereditariedade do sangue um infinito potencial artístico que precisa ser exposto à luz da criatividade. Não podemos deixar cair o bastão da história justo na nossa vez, temos que encontrar modos de usarmos nosso potencial individual para agregar valores à nossa cidade. 

Minha preocupação é que estamos cada vez mais expostos à mídia, às culturas alienígenas, aos fatores de aculturação que nos rondam, à tentação de introduzir inovações onde elas não cabem. O registro eficaz de nosso folclore, por exemplo, contribuirá para evitar modificações futuras e até o esquecimento de ritos, como já aconteceu.

Muitas páginas ainda estão em branco no livro de nossa história e há espaço para escrever nele algo tão formidável que lance o nome de seu autor no panteão da imortalidade.

Adriano Curado

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A brevidade da vida

Qual o sentido da vida? Hoje estamos aqui mas amanhã não mais estaremos. E o que restará de nós depois da partida? Será que seremos lembrados por quanto tempo ainda?

E é com base nessas perguntas que eu constantemente me indago se faço a coisa certa, se não desperdiço tempo com futilidades, inutilidades, vaidades sem propósito. Porque o tempo é algo que não volta nunca mais, ser efêmero a se esvair com muita rapidez.

Há tantos projetos de vida que eu paralisei na espera de dias melhores! Mas esses dias talvez nem cheguem. Pode ser que tudo isso seja uma ilusão muito grande e eu descubra nos instantes derradeiros o quanto fui tolo. Perdido neste emaranhado de teias tecidas por meus próprios medos e vacilos, sigo amoitado neste labirinto do fauno, ou será do minotauro?

Por isso quero mais é me livrar das amarras e peso morto que seguram rente ao solo o balão da existência. E então vou abrir o bocal do gás e me elevar a alturas infinitas, onde eu possa ver o horizonte na amplitude do infinito. Vou deixar este balão seguir à deriva por quanto tempo o gás e o vento permitirem.

Quando finalmente não tiver mais fôlego para me equilibrar nas alturas, que eu desça em qualquer lugar e ali assente moradia. Serei um nômade por este mundão de meu Deus. Serei um ser livre. Pela primeira vez, serei eu mesmo.

Adriano Curado

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Serafim, o bêbado

Coitado do Serafim, tão jovem e já estregue desse jeito ao vício do álcool. Ele é de família boa, de pais trabalhadores, mas saiu assim meio que torto, desembestado na vida. Seus amigos são outros bêbados que frequentam a taberna no final da rua e não têm compromisso com quase nada. Já tentaram demovê-lo da ociosidade alcoólica, mas todas as iniciativas foram em vão — igreja, trabalho remunerado, namorada, nada funcionou.

Hoje mesmo foi na boquinha da noite à taberna e por lá encontrou os tais companheiros de sina. O engraçado é que falam muito mas conversam pouco. E nem devem conversar demais, pois amanhã não se lembrarão bulhufas. Beberam o que coube e o quanto deu o dinheiro, despediram-se e saíram pela pequena cidade. Uns ficaram por debaixo de alguma ponte ou árvore, outros foram aliviar a bexiga nos jardins das casas e não faltaram aqueles que não conseguiram se levantar, dormiram na taberna mesmo.
Serafim não estava lá tão bêbado quanto a maioria. Ao pisar na calçada, suspirou fundo, olhou para o céu sem lua e marcou mentalmente o rumo de casa. Cambaleou de um lado ao outro mas tomou o cuidado de não derrubar sua preciosidade: uma garrafa de aguardente cheia até a tampa. Ainda faltava um tanto para o raiar do dia e poderia usufruir da bebida sem sócios sedentos.

A ruína do ser humano é mesmo a ganância. Em vez de seguir naturalmente pela rua, como fazia todos os dias, decidiu Serafim cortar caminho pelo mato. Sentiu medo de topar com algum companheiro da taberna e ser forçado a dividir seu precioso.

Noite sem lua, escuridão, tropeçou ele numa raiz e depois de catar cavaco por uns dois metros, abraçado forte com a garrafa, bateu de encontro ao tronco de uma árvore. Ao apalpar a barriga, percebeu que estava toda molhada, e então se desesperou, elevou aos mãos ao céu e pediu:

— Senhor Deus, permita que isto seja apenas sangue!

Adriano Curado

Dias melhores virão



E que dizer das labaredas dos tempos que assolaram as velhas Minas de Senhora do Rosário, levaram metade da tosca ponte e ainda baniram daqui aquela corja de garimpeiros? É quase igual à ventania de agora, furacão histórico que há de sepultar no esquecimento do silêncio das tumbas a insignificância de pessoas e fatos destes tempos insossos.

Mas deixa estar que a vida há de melhorar e este lugar ainda voltará a ser o berço da cultura goiana, num faiscar de glórias que ofuscará a mediocridade de muitos.

Adriano Curado



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Hipocrisias históricas

Acho uma grande hipocrisia quando ouço alguém dizer que não admira o patrimônio histórico que foi edificado por mãos escravas. Tudo deve ser analisado dentro de um contexto maior e as ações humanas não podem ser dissociadas de seu tempo.

As práticas de trabalho escravo na atualidade são sempre desprezíveis, pois rebaixam o ser humano a condições degradantes, acabam com a sua dignidade e o expõem a riscos absurdos. Mas o mesmo não se pode dizer, por exemplo, de um muro de pedras ou de uma igreja construídos no século dezoito porque dentro da atualidade histórica daquela época, isso era perfeitamente normal.

Há muitas pessoas que julgam os personagens históricos com os pesos e as medidas atuais. Mas e se essas mesmas pessoas pudessem ser transportadas para aquele distante tempo, será que se comportariam diferente? Se eu fizesse essa pergunta a quem merece ouvi-la, possivelmente ouviria que jamais se utilizaria dos cativos para se enriquecer.

Pergunto então o porquê de comprarmos produtos fabricados na China, se constantemente somos informados pela mídia que naquele país se usa trabalho escravo de prisioneiros? E que dizer das fazendas brasileiras que são flagradas na exploração de mão de obra sem remuneração alguma? Por que não exigir das autoridades um selo de controle do trabalho escravo?

A sociedade mineradora do século dezoito somente existiu porque havia o escravo para resguardá-la. Personalidade tão importante quanto o mais influente político da época, não fosse o africano aprisionado e este país teria tomado outro rumo. É de fato muito triste conhecer a fundo a história dos cativos negros, mas isso não tira o esplendor e a beleza de uma obra edificada por suas mãos, ainda que banhadas em sangue.

Um aviso, portanto, aos que se limitam a ver o erro nos atos alheios: cuidem de trabalhar por um mundo melhor e para isso basta ser uma pessoa de seu tempo. Chega de hipocrisias históricas.

Adriano Curado

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Noite de diplomação

Na noite de 15 de novembro de 2014, no Teatro Sebastião Pompeu de Pina, em Pirenópolis, Goiás, Brasil, a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM) diplomou quatro novos Membros Efetivos: Luiz Antônio Godinho, Luiz Carlos Basílio de Oliveira, Mamede Silvério de Melo e Sérgio Pompêo de Pina Júnior.

O evento foi aberto pelo presidente da entidade, escritor Adriano Curado, que ressaltou a importância da renovação da Academia "que é um ente vivo e em constante aperfeiçoamento". Após a cerimônia de diplomação, a cantora lírica Nilse Jacinto cantou o Hino do Divino, peça composta por Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre), que é Patrono da Cadeira V.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pirenópolis Azul

Depois de viver o mês mais rosa do ano, entramos no novembro azul. O Ministério da Saúde usou as cores para marcar os meses do ano nos quais há uma intensificação da campanha conta os cânceres de mama e próstata, respectivamente. Em Pirenópolis, a campanha foi lançada no dia 31 de outubro com várias ações voltadas para a saúde do homem – vacinação, exame de PSA (sangue), ações de saúde bucal, palestras educativas e atendimento médico. “Estou muito feliz com a participação no lançamento da campanha ‘Novembro Azul’. É muito importante que nós, homens, cuidemos da nossa saúde, sem ressalvas. Câncer é uma doença muito séria e a melhor forma de evitá-la ainda é a prevenção. Durante todo o mês de novembro estaremos com uma campanha preventiva intensificada nas unidades de saúde, se você tem mais de 45 anos, não deixe de fazer o exame preventivo e buscar orientação médica”, destacou o prefeito Nivaldo Melo, durante o lançamento da campanha.

Fonte site Prefeitura Municipal de Pirenópolis

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Casarão dos Oliveiras


Ela foi construída em 1893 pelo meu avo! Linda, majestosa, na Aurora. Ela fez parte da minha infância inesquecível, hoje enobrece a minha vida adulta! Obrigado pela grandeza impar, casarão dos Oliveiras em Pirenópolis...!!!

Leandro Oliveira

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nostalgia


Para recordar minha infância nada melhor que músicas.
Músicas marcam momentos, marcam pessoas.
Ouvi as músicas da Turma do Balão Mágico, Show da Xuxa.
Ouvi as músicas dos filmes e das novelas da Globo.
Ouvi as músicas das festinhas de aniversário.
Ouvi as músicas tocadas pelo meu pai.
Nostalgia.

Sérgio Pompêo de Pina Jr.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A tradição revivida sempre

Existe um ditado popular que diz: “aquilo que não se usa, atrofia”. Então penso que devemos reviver mais as tradições de nossa terra. Ouço sempre os pirenopolinos reclamarem que isso ou aquilo acabou, que não foi apresentado na ocasião tal. Mas poucos se dispõem a pôr a mão da nassa e trabalhar por soluções. Outro dia, uma senhora que é musicista, reclamou para mim (por que eu?!) que a cadência da Banda de Couro está mudada, que na sua infância tocava-se diferente. Tive vontade de perguntar o porquê de ela mesma não treinar os meninos que tocam na “bandinha”.

Essas preocupações de alguns são também minhas. Por ser nossa cidade um ponto turístico, constantemente convivemos com diferentes manifestações culturais alienígenas. Então temos que resguardar o que é nosso, sob pena de não termos no futuro o pouco que nos restou de autêntico.

Volto então ao ditado: “aquilo que não se usa, atrofia”. Se queremos que nosso folclore sobreviva aos vendavais destes tempos modernos, então temos que ressaltá-lo, dar a ele a importância devida. Vou exemplificar: por que só apresentamos a congada, a contradança, o congo etc., por ocasião da Festa do Divino? Podemos organizar eventos mensais com tocatas na porta da igreja com a Fênix e a Banda de Couro, com a meninada da contradança e seus malabarismos com fita etc. As missas solenes podem ser celebradas sem nenhum motivo especial, só para termos o prazer de ouvir o Coro Senhora do Rosário em ação e, obviamente, para estimular a permanência de sua atividade.

Tantas e tantas tradições podem ser revividas e fomentadas. Isso requer um projeto, é certo, pois essa gente tem que ser remunerada, mas tenho certeza de que não faltará verba para custear um sonho dessa grandeza.

A maioria das manifestações folclóricas pirenopolinas é apresentada na época da Festa do Divino. Então começa uma corrida para formar turmas que queiram participar disso ou daquilo. Quase não tivemos a Banda de Couro este ano por falta de compromisso de seus integrantes, queriam a certeza de receber pagamento. E não estão errados, pois se uns ganham, todos têm que ganhar. Dentro do projeto que quero levar adiante, as equipes já ficam formadas e recebem por atividade executada. Desta forma, quando chegar a festa, as apresentações não ficarão vinculadas à liberação de verba pública.

Essa ideia ainda está em amadurecimento. Aceito sugestões sobre o assunto.

Adriano Curado