Pirenópolis pode se
gabar dos grandes vultos que colaboraram para o enriquecimento da sua
história, e também da goiana, como um todo. Mencionarei apenas
alguns: Jarbas e José Jayme; Joaquim Alves; padres Gonzaga e Simeão;
Veiga Valle; Tonico do Padre; Senador Gonzaga Jayme; os maestros
Propício de Pina, Luiz de Aquino, Silvino e Vasco de Siqueira; dr.
Brandão; Sebastião Pompeu; coronel Sá; professor Ermano; João
José de Oliveira; Gedeão, Armênia e Elfrida de Siqueira; Joaquim
Pompeu; José Assuério; Maria de Beni; Irnaldo Jayme; os Braz de
Pina (pai e filho); Emílio de Carvalho; Tãozico Pompeu; Zezinho Dentista, Soném, Seu Moço e Nenzão; os Pina
d’Abadia: Lulu, Geraldo e José.
Mas a cidade de
Pirenópolis perdeu recentemente grandes colaboradores da manutenção
de sua cultura. Quero citar aqui, com o perdão dos prováveis
esquecimentos, as Itas, a Lopes e a Pereira; a Vera Siqueira; o
Pompeu de Pina; o Bastião de Chica; a dona Santinha e o Alaor de
Siqueira. Isto para mencionar apenas aqueles que há pouco se mudaram
para outra dimensão. Teve também a Maria Bizé; o dr. Joaquim
Lopes; a Maria Eunice; a Celuta Mendonça Teles, o Arnaldo Setti; a
Naziam Brandão; o Isócrates de Oliveira; o Zé Reis; o Israel de
Aquino; o Bidoro, a Marlene Fleury; o Clóvis Gomes e muitos, muitos
outros.
Esses são os que se
foram e deixaram seus
nomes gravados na história de nossa terra. Uns se destacaram nas
artes, outros no apoio à cultura e alguns foram ativistas, mas o que
todos têm em comum é a doação de tempo, dinheiro ou energia à
manutenção do legado cultural de Pirenópolis. São pessoas que
fizeram a diferença porque deixaram seus lares, o convívio
familiar, perderam dinheiro e até saúde, para que não perecessem
nossas manifestações culturais.
E a reflexão a que se
destina este ensaio visa incentivar a atual geração a dar
continuidade ao feito. Sei que uma nova leva de ativistas culturais
se esboça em nossa terra. A Séfora de Pina e o Sérgio Pompeu, por
exemplo, assumiram a organização do teatro de revista “As
Pastorinhas” e fizeram um trabalho muito bonito no palco. O
Gerônimo Forzani dá aulas de música nos diversos instrumentos que
toca, talento herdado de seus brilhantes avô (China) e bisavô (Zeco
Totó), para os jovens pirenopolinos interessados em aprender. Tem
também a Célia de Pina com o Museu das Cavalhadas herdado de sua, Maria Eunice.
Todas essas iniciativas
são boas, mas creio que muito mais ainda pode ser feito. Talento
nunca faltou à gente da Terra dos Pireneus. Dorme latente na
hereditariedade do sangue um infinito potencial artístico que
precisa ser exposto à luz da criatividade. Não podemos deixar cair
o bastão da história justo na nossa vez, temos que encontrar modos
de usarmos nosso potencial individual para agregar valores à nossa
cidade.
Minha preocupação é
que estamos cada vez mais expostos à mídia, às culturas
alienígenas, aos fatores de aculturação que nos rondam, à
tentação de introduzir inovações onde elas não cabem. O registro
eficaz de nosso folclore, por exemplo, contribuirá para evitar
modificações futuras e até o esquecimento de ritos, como já
aconteceu.
Muitas páginas ainda
estão em branco no livro de nossa história e há espaço para escrever
nele algo tão formidável que lance o nome de seu autor no panteão
da imortalidade.
Adriano Curado

































