Mostrando postagens com marcador tradição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tradição. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ensaio cultural sobre Pirenópolis

Pirenópolis pode se gabar dos grandes vultos que colaboraram para o enriquecimento da sua história, e também da goiana, como um todo. Mencionarei apenas alguns: Jarbas e José Jayme; Joaquim Alves; padres Gonzaga e Simeão; Veiga Valle; Tonico do Padre; Senador Gonzaga Jayme; os maestros Propício de Pina, Luiz de Aquino, Silvino e Vasco de Siqueira; dr. Brandão; Sebastião Pompeu; coronel Sá; professor Ermano; João José de Oliveira; Gedeão, Armênia e Elfrida de Siqueira; Joaquim Pompeu; José Assuério; Maria de Beni; Irnaldo Jayme; os Braz de Pina (pai e filho); Emílio de Carvalho; Tãozico Pompeu; Zezinho Dentista, Soném, Seu Moço e Nenzão; os Pina d’Abadia: Lulu, Geraldo e José.

Mas a cidade de Pirenópolis perdeu recentemente grandes colaboradores da manutenção de sua cultura. Quero citar aqui, com o perdão dos prováveis esquecimentos, as Itas, a Lopes e a Pereira; a Vera Siqueira; o Pompeu de Pina; o Bastião de Chica; a dona Santinha e o Alaor de Siqueira. Isto para mencionar apenas aqueles que há pouco se mudaram para outra dimensão. Teve também a Maria Bizé; o dr. Joaquim Lopes; a Maria Eunice; a Celuta Mendonça Teles, o Arnaldo Setti; a Naziam Brandão; o Isócrates de Oliveira; o Zé Reis; o Israel de Aquino; o Bidoro, a Marlene Fleury; o Clóvis Gomes e muitos, muitos outros.

Esses são os que se foram e deixaram seus nomes gravados na história de nossa terra. Uns se destacaram nas artes, outros no apoio à cultura e alguns foram ativistas, mas o que todos têm em comum é a doação de tempo, dinheiro ou energia à manutenção do legado cultural de Pirenópolis. São pessoas que fizeram a diferença porque deixaram seus lares, o convívio familiar, perderam dinheiro e até saúde, para que não perecessem nossas manifestações culturais.

E a reflexão a que se destina este ensaio visa incentivar a atual geração a dar continuidade ao feito. Sei que uma nova leva de ativistas culturais se esboça em nossa terra. A Séfora de Pina e o Sérgio Pompeu, por exemplo, assumiram a organização do teatro de revista “As Pastorinhas” e fizeram um trabalho muito bonito no palco. O Gerônimo Forzani dá aulas de música nos diversos instrumentos que toca, talento herdado de seus brilhantes avô (China) e bisavô (Zeco Totó), para os jovens pirenopolinos interessados em aprender. Tem também a Célia de Pina com o Museu das Cavalhadas herdado de sua, Maria Eunice.

Todas essas iniciativas são boas, mas creio que muito mais ainda pode ser feito. Talento nunca faltou à gente da Terra dos Pireneus. Dorme latente na hereditariedade do sangue um infinito potencial artístico que precisa ser exposto à luz da criatividade. Não podemos deixar cair o bastão da história justo na nossa vez, temos que encontrar modos de usarmos nosso potencial individual para agregar valores à nossa cidade. 

Minha preocupação é que estamos cada vez mais expostos à mídia, às culturas alienígenas, aos fatores de aculturação que nos rondam, à tentação de introduzir inovações onde elas não cabem. O registro eficaz de nosso folclore, por exemplo, contribuirá para evitar modificações futuras e até o esquecimento de ritos, como já aconteceu.

Muitas páginas ainda estão em branco no livro de nossa história e há espaço para escrever nele algo tão formidável que lance o nome de seu autor no panteão da imortalidade.

Adriano Curado

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Amália Rosa de Sá e Pina

SÉRIE BIOGRAFIAS

AMÁLIA ROSA DE SÁ E PINA


Amália Rosa de Sá e Pina (Pirenópolis 30/03/1944 – 11.8.2012) foi professora, assistente social, servidora do Poder Judiciário e praticante das artes culinárias.

Amália nasceu na fazenda de seu pai, no Município de Pirenópolis, que hoje pertence à família de Jorge Gonçalves. Era filha de Aguinaldo de Sá (Fiúco) e Ana Benedita Carvalho de Sá. Perdeu a mãe muito cedo, quando tinha apenas cinco anos de idade. Seu pai casou-se novamente com Djanira de Sá, que foi quem a criou como uma segunda mãe, com dedicação e zelo.

Aos 18 anos mudou-se para a cidade de Pirenópolis e foi estudar no Colégio das Freiras, onde formou-se no Magistério e lecionou por um longo período.

Casamento de Sérgio e Amália, em 19.2.1972. 
Da esquerda para a direita: 
Aloísio, Marieta, Sérgio, Amália, Aguinaldo e Djanira.

Casou-se em 19.02.1972 com o músico Sérgio Pompêo de Pina, filho de Aloísio Pompêo de Pina e Marieta Afonso de Pina, e mudou-se para Goiânia, onde deu à luz Mariana Aparecida de Pina e ao artista plástico Sérgio Pompêo de Pina Júnior.

Graduou-se em Serviço social (UCG) e trabalhou muitos anos no Juizado de Menores, exercendo o papel de assistente social.

Com o esposo e filhos

Em 1985 retornou à Pirenópolis e exerceu o cargo no Cartório do Crime. Aposentou-se em 1996. A partir de então, passou a cultivar com maestria a arte culinária, confeccionando deliciosos licores, doces e quitandas.

Faleceu em 11.08.2012 por insuficiência cardíaca. Já infartara em 1997, quando recebera três pontes de safena.


No exercício de suas atividades no Cartório do Crime, Amália foi exemplo de honestidade e competência. Sabia exercer com dedicação as tarefas que lhe eram conferidas, sem jamais receber qualquer repreenda. Tinha paciência com a burocracia judiciária, e atendia educadamente partes e advogados no balcão da escrivania, o que é raro hoje em dia.

É importante exaltá-la, pois o país vive tempos difíceis, onde estamos à cata de bons exemplos de competência e honestidade. Infelizmente, o homem público de hoje se esquece de suas obrigações e deixa para segundo plano o bem-estar coletivo.

Com o esposo, filhos e neto

Eu gostava muito de dona Amália. Tivemos uma longa convivência no Cartório do Crime, o escrivão era o Paulo Henrique Pompêo de Pina (o Garça). Eu era advogado e ela me atendia com prioridade sobre os demais. Mas antes contava um caso engraçado. Ninguém ficava triste perto dela, uma pessoa contagiante.

Com o filho Sérgio

Era uma pessoa de contagiante alegria, amiga de todos na cidade de Pirenópolis. Ao falecer, deixou entristecidos seus conterrâneos.

Adriano César Curado

Fonte:

JAYME, Jarbas. Famílias Pirenopolinas, Vol. I, Goiânia: Editora UFG, 1971.

Baseado no texto escrito pelo artista plástico Sérgio Pompêo de Pina Júnior e gentilmente cedido para esta publicação.

Minhas próprias recordações.

As fotos pertencem à família Pompêo de Pina e estão publicadas com autorização.


* * *

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Uma festa perto do céu


Pintura de Sérgio Pompeo retrata com perfeição a festa


“De um grupo de pirenopolinos, chefiado por Cristóvão José de Oliveira e sob as bênçãos do inesquecível padre vigário Santiago Uchôa, partiu a iniciativa da construção de um santuário no pico mais elevado dos Pireneus.

Primeira missa no Morro dos Pireneus - 1927

"No dia 19 de julho de 1927, com a assistência de trinta e cinco pessoas, foi rezada, por aquele saudoso padre vigário, a primeira missa naquelas alturas.


Segunda Missa no Morro dos Pireneus - 1928

"No primeiro altar temporário, via-se a seguinte expressão: Christus heri, hodie et in secula. O atual está colocado sobre um maciço de pedra e cimento.

Procissão da Santíssima Trindade aos Pireneus - julho 2008

"Na ocasião da primeira missa, por sugestão de Cristóvão José de Oliveira, aceita por todos, inclusive pelo padre vigário, ficou resolvido que a festa em homenagem à SS. Trindade se realizasse no plenilúnio de julho.

Primeira Capela construída nos Pireneus
Década de 1930

"A segunda missa (que já teve caráter de romaria e com aprovação da autoridade eclesiástica) foi rezada ao pé do cruzeiro, no dia 5 de julho de 1928 (plenilúnio).

Paisagem avsitada do alto dos Pireneus - junho 2004

"No dia 6 de abril de 1929, erigiu-se, no pico do meio, o cruzeiro que lá se encontra e, no dia seguinte, levantou-se outra cruz, já agora no pico mais baixo, em homenagem às três pessoas da SS. Trindade.” (Jarbas, Esboço.. pp. 547/9).


Fotografia da Comissão Cruls

Com essas palavras de Jarbas Jayme, nosso brilhante historiador, inicia-se este artigo, que pretende contar um pouco da Festa do Morro, que já completa 86 anos de tradição. E por ser realizada em altitudes tão elevadas, tal festa sempre me pareceu muito perto do céu.

Largo do Bonfim - reunião para procissão
 até o Morro dos Pireneus julho 2008

Localizado a 20 KM de Pirenópolis, o Pico dos Pireneus tem 1.385 metros de altitude e é o ponto mais alto da região, que é divisora das águas de duas importantes bacias hidrográficas da América do Sul: a Platina e a Tocantinense. Berçário de espécimes raros, o local tornou-se Parque Estadual em 1987, com área de 2,833,26 há. Mas bem antes disso, em 1892, por lá passou a Comissão Cruls para demarcar o quadrilátero do Distrito Federal.

Meio de transporte usado
para se chegar à Festa na década de 1950

A Festa do Morro esteve muito ligada à história da minha família. Meus pais acampavam lá quando eu era criança. Tudo era improvisado, do banho à comida. Minha mãe mandava uma costureira fazer pijamas de flanela grossa, com direito a gorro e pompom na ponta, mas de tamanho exagerado para minha altura, que era para não perder: “Criança cresce rápido” – justificava. Eu ficava com vergonha daquele pijama imenso, mas de madrugada, quando a temperatura caía, agradecia o cuidado de minha mãe.

Imagem da Santíssima Trindade
a ser transportada em procissão até os Pireneus
Julho 2008.

Depois eu cresci e passei a acampar ali com os amigos. Tinha noitadas de violão ao redor duma fogueira, causos de assombração, pegadinhas. No dia seguinte, ainda cedo, alguém propunha subir nos picos mais baixos e a gente sempre se arrependia porque o caminho é difícil.

Cristóvão de Oliveira no acampamento
da Festa do Morro - década de 1960

Teve um ano que o saudoso Maurício Lopes (Maurício da Babilônia) foi festeiro e fez uma festa parecida com a do Divino. Teve foguetório, banda, catira. Ele mandou matar um boi e serviu carne assada e cerveja a noite toda para o povo. Nunca mais houve uma festa assim.

Festa do Morro - década de 1970

Não gosto de subir no pico da capelinha, tenho receio de alturas. Um ano vi um moço, acho que era o Luiz de Maura de Dona Sinhazinha, escalar aquela antena que há lá em cima e sentar-se no seu topo. A estrutura de metal balançava para lá e para cá e eu pensava: “Meu Deus, ele é louco”.

Início da procissão em direção aos Pireneus - julho 2008

 Quando anoitece, dá para ver as luzinhas de muitas cidades, inclusive Brasília. E logo vem a majestosa lua cheia impor sua soberania sobre a noite. Nesse momento, o vento geladíssimo nos confidencia que devemos descer, e então notamos que já está escuro e que as pedras traiçoeiras nos convidam ao abismo! Sinistro, mas é assim que eu sempre me senti.

Estrada percorrida para se chegar à Festa
Década de 1930

Este ano a Festa do Morro ocorrerá entre os dias 22 (lua cheia) a 26 de julho. A fiscalização no local é rigorosa, principalmente depois de um incêndio que começou num acampamento há pouco tempo e destruiu grande área do parque. Haverá proibição de fogos de artifício e som automotivo. Quem desejar acender fogueira terá que seguir regras de segurança.

Adriano César Curado

Última participação de Christóvam na
Festa do Morro - final da década de 1960

Fonte:

CURADO, Glória Grace. Pirenópolis; Uma Cidade para o Turismo. Goiânia: Oriente, 1980
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis. 2 v. Goiânia: Imprensa da UFG, 1971.
JAYME, José Sisenando. Goiás Humorismo e Folclore. Edição do autor: 1990.

A Festa do Morro – Pirenópolis/GO. Artigo de Tereza Caroline Lôbo e João Guilherme Curado, publicado em http://festaspopulares.iesa.ufg.br/pages/3741, acessado em 18.07.2013.
Minhas próprias recordações.

Fotos: sobre as imagens aqui publicadas, as antigas pertencem à família de Cristóvão José de Oliveira. As da procissão são de autoria de João Guilherme Curado.

Festa do Morro - década de 1960


Bispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira e
frei Tobe no alto de um dos três picos dos Pireneus
Década de 1930

O bispo Dom Emanuel Gomes de Oliviera,
Pedro Ludovico Teixeira presentes na
Festa do Morro na década de 1940

Procissão da Santíssima Trindade aos Pireneus - julho 2008

Capela nos Pireneus - década de 1930

* * *

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Frei Primo Carrara


     Vou elaborar ainda a biografia do Frei Primo Carrara, mas agora quero lhe escrever uma homenagem despretensiosa. 

     Ele foi um sacerdote muito querido em Pirenópolis, sempre ligado às tradições e à preservação do patrimônio histórico. Tratava a Matriz com grande zelo e supervisionava pessoalmente seus reparos e limpeza. No valiosíssimo Arquivo Eclesiástico pouca gente punha a mão.

     Sua missão sacerdotal pode ser dividida em duas épocas: a primeira, entre 1951 e 1967, quando tomou frente na edificação do salão e da casa paroquial, no antigo Largo da Matriz; a outra, quando retornou à cidade em 1982 e assumiu outra vez a paróquia Nossa Senhora do Rosário, até 1993, quando se afastou debilitado pela idade. 

     Frei Primo Carrara amava muito nossa cidade e quis morrer aqui, sob o amparo das irmãs da Aldeia da Paz, o que se deu em 03.07.1998.

     Só me lembro dele a partir do seu retorno e posso dizer que foi uma pessoa que marcou positivamente minha vida. Com ele fiz meu curso de catequese, compartilhei minha 1ª Confissão e Comunhão. Depois fui coroinha, e ele me dizia: “Coma mais carne, meu filho, você está fraquinho, nem consegue tocar a sineta direito!” Achei que ele fosse celebrar também meu casamento e o batizado de um filho meu, mas ele teve que partir.

     Andava por aí com um cachorrinho branco, seu amigo inseparável, e sempre aparecia lá em casa. Era muito amigo de minha avó Hosanny, e eu gostava de vê-los conversar sobre a Bíblia. Dava conselhos para a gente, repreendia quando preciso, sabia ser duro e amável. 

     Quando criança, eu o temia e o respeitava; mas ao envelhecer, passei a admirá-lo. Seus sermões eram revestidos de histórias interessantes, que prendiam a atenção dos ouvintes. Nunca falava mal de outras religiões ou alimentava preconceitos. Vivia numa humildade e numa carência de dar dó, mas em espírito era grandioso e rico.

     Em sua homenagem, a cidade batizou uma rua com seu nome e também o novo Salão Paroquial. Está sepultado, por caridade, no túmulo da família Fleury.


Adriano César Curado

Frei Primo dá a 1ª Comunhão a Cristiano Costa em 1982

terça-feira, 4 de junho de 2013

Dois dedos de prosa



     Este chão endurecido pelo pisar humano, terra de árvores centenárias guarnecedoras das lendas perdidas nas matas milenares, é povoado por gentes de costumes antigos, de tradições diversificadas, de crenças enraizadas na miscigenação promíscua ajuntada história adentro. E não faltam superstições, descabidas ou não, nem cantorias afinadas em festejos já tradicionais, nem hábitos que se cultiva mas ninguém sabe de onde vem.

       Vou contar como foi isso, em dois dedos de prosa.

     Quem saboreia uma feijoada, atualmente prato principal de sofisticados restaurantes, regressa pelo paladar aos séculos da escravidão no Brasil e é transportado aos confins de penumbra enfumaçada das senzalas. Sobras de nacos de carnes “pouco nobres”, pedaços “inferiores” de animais, descartes que não caberiam na cozinha da casa-grande, tudo isso misturado com feijão preto, era dado ao servo negro, que se fartava com tamanha delícia e talvez zombasse interiormente de seus senhores.

     Há menos de um século, homens e mulheres andavam nus pelas imediações das cidades ainda pequenas, e a população assustada chamava-os de “tapuias”. Tinham fama de furtar crianças para criá-las nas tribos decadentes, matar e comer criações dos quintais, sequestrar as moçoilas que iam à fonte com seus potes de barro, escaramuçar o roceiro dos ranchos socados no mato.

     Um bocadinho mais afastado no tempo, entretanto, esses nativos eram tribos guerreiras numerosas e ferozes, diabos sanguinários com invisibilidade nas matas e grande capacidade de mobilização e organização. Mas se não fosse seu paiol de milho ou sua carne de caça defumada nas fogueiras das ocas e saqueados pelo impávido herói bandeirante, as comitivas dos desbravadores teriam se perdido nos desvãos do infortúnio.

     E então fez-se a luz sobre a pepita de ouro que rolou montanha abaixo! Desse dia em diante, nunca mais a paz rebuçou este chão com seu manto de estrelas. Homens e mulheres, de todas as classes, de muitas idades, de tantas culturas, acorreram para cá e mancharam este chão de lágrimas, sangue e suor. Templos gigantescos, casarões assombrosos, ruas de pedras, tudo isso brotou neste chão goiano.

     Todas as raças que por aqui vagavam acorreram, naquela ocasião, para o largo central do arraial, cada qual no afã de acudir seus filhos, de garantir a perpetuação da própria espécie, e houve uma guerra em que todos morreram. 

     Mas graça ao Yamandu indígena, ribombar estrondoso do trovão, aos Orixás da velha África e ao Deus cultuado nos templos de taipa, ressuscitaram numa só raça, miscigenação de costumes, lendas, tradições, superstições e crenças.

     A raça do povo goiano.

Adriano César Curado

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Corpus Christi

Foto Sérgio Pompeo

     Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa católica. É um evento baseado em tradições católicas. É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma "Festa de Guarda", isto é, para os católicos, é obrigatório participar da Santa Missa neste dia, na forma estabelecida pela conferência episcopal do país respectivo.

     Em muitas cidades portuguesas e brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas "cidades históricas", que se revestem de práticas antigas e tradicionais e que são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.

     Em Pirenópolis, em Goiás, no Brasil, é uma tradição os tapetes de serragem colorida e flores do cerrado, cobrindo as ruas por onde passa a procissão de Corpus Christi. Também enfeitam-se cinco altares para a adoração do Santíssimo Sacramento e execução do cântico latino Tamtum Ergo Sacramentum. Esta procissão é acompanhada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário. É neste dia que o Imperador do Divino recebe a coroa para a realização da Festa do Divino de Pirenópolis, do ano seguinte.

Fonte wikipedia 

Foto Sérgio Pompeo

domingo, 19 de maio de 2013

Domingo do Divino



     Chegou finalmente o Domingo do Divino! Cinquenta dias após a Páscoa, cá estamos nós na Festa de Pentecostes, com todos os exageros e excentricidades que a data requer. 


     Lá no alto, nesta manhã fria, há o contraste violento entre o vermelho das bandeirolas do Cortejo Imperial e o azul imaculado do céu de seca no cerrado.


     Há um ar de pompa e nostalgia que paira sobre a cidade, como requer todo Cortejo Imperial, desde os tempos dos impérios lá pela Europa. 


     Às oito horas sai o Imperador de sua casa e vai para a Matriz, seguido por dois longos cordões de virgens (criança vestidas de branco), banda de música, etc. 


     Às nove horas tem a missa solene cantada em latim pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário, e ao término dela, sorteio do novo Imperador e mordomos. Quando o Imperador voltar à sua residência, distribuirá o alfenim verônica e também pãezinhos-do-divino aos presentes.


     Nesses três dias finais da festa ocorre a apresentação artística que revive a luta travada entre Mouros e Cristãos pela soberania da Península Ibérica durante a Idade Média. São as Cavalhadas de Pirenópolis, um espetáculo grandioso e cheio de pompas e circunstâncias, imenso teatro ao ar livre. A Banda Fênix acompanha ao vivo todas as carreiras, numa verdadeira maratona musical capaz de provar o músico mais resistente.


     A árias das Cavalhadas são:
  1. Galopes: Mouros e Cristãos;
  2. Quadrilhas: Violeta, Flor da Noite, Três Sossegados, Noiva Encantada;
  3. Valsa: durante o Batismo;
  4. Galope Final: Cavalhada acabou.


     Cada carreira e os diálogos que se desenvolvem estão pormenorizadamente descritos por Mauro Cruz em www.pirenopolis.tur.br.


Adriano César Curado

* * *

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Já tem Mascarado na rua!



     A Festa do Divino de Pirenópolis não seria a mesma sem os tradicionais Mascarados. Eles às vezes atormentam a gente, pedem dinheiro, furtam empadinha no camarote, se arriscam em correria a cavalo pelas ruas. Mas também são parte inseparável dos festejos.


     Sua alegria incomum, sua fala em falsete, seus trejeitos de malandro. Tudo isso faz a alegria dos animadores da festa, e sem eles tudo ficaria desbotado e triste.


     Quando ouvimos os guizos e polacos pelas ruas, corremos à janelas e então temos a certeza de que a Festa do Divino de fato começou. Alguém grita: “Já tem Mascarado na rua!”, e as calçadas ficam cheias de curiosos.

     É fascinante, divertido e singular!


     Ali está o Mascarado com suas roupas extravagantes. Esconde o rosto detrás duma máscara de papelão de animal (boi, onça) ou de gente, ou então um pano com feições de caveira. Uns montam cavalos fogosos e enfeitados com rosas multicoloridas. Outros seguem a pé, fazem estripulias, dão cambalhotas, galanteiam as moças, cercam os homens na esperança duns trocadinhos.


     As portas das casas se abrem para ali adentrarem os Mascarados que tocam seus instrumentos musicais (sanfona, bandolim, viola, violão). Em troca recebem salgadinhos, cerveja, moedas; ou às vezes basta um simples afago ou um sorriso.

     Já tem Mascarado na rua!


Adriano César Curado

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A chama



     Aproxima-se a Festa de Pentecostes, e a pequena cidade, poéticos casarões empilhados à beira da ladeira, aguarda ansiosa pelas festividades. Mas não se trata aqui apenas de cavalhadas, congos, congadas, foguetório, dança, folias, cantos.

      É muito mais que isso.

     É um fogo ardente que queima lá dentro da gente e expõe aquele fervor reverencial que aproxima o homem de Deus há tempos. É a vontade de exaltar a Divindade existente dentro de cada um de nós, e esse querer é traduzido pelas manifestações espontâneas de alegria e exaltação.

     Essa felicidade se vê na interação entre o sagrado e o profano, o refinado e o rústico, o tradicional e o moderno. Tudo isso convive harmonioso para dar grandeza ao fogo que queima mas não arde. A chama!

     E é por tudo isso que o louvor ao Espírito Santo tem mesmo que ser assim colorido, barulhento, grandioso, feito por muitas mãos e incontáveis corações, pensado e repensado todos os dias durante um ano inteiro. São polacos e guizos, são alvoradas de madrugada, são foguetes que riscam o céu, são repiques de sinos, são bandeiras vermelhas que contrastam com o céu azul.

     Se há ou não plateia, isso é irrelevante. O que importa mesmo é que lá no íntimo de cada um, no recesso sagrado do lar espiritual, é depositada a oferenda de adoração plena à figura inigualável de Deus.

     Eis a Festa de Pentecostes.

Adriano César Curado

Saída da Folia do Divino 2013



     Hoje começam os pousos da tradicional Folia do Divino. Faço votos que tudo transcorra com tranquilidade e paz nesses dez dias de festas. Este ano a Festa do Divino transcorrerá sem maiores dissabores e todos poderemos reverenciar com pleno louvor a figura do Espírito Santo.

Adriano César Curado

Pousos:

03/05/2013 (sexta-feira) pouso Antônio Santana 
04/05/2013 (sábado) pouso Seringueira
05/05/2013 (domingo) pouso Fazenda do Cacada
06/05/2013 (segunda-feira) pouso Santo Antônio
07/05/2013 (terça-feira) pouso Fazenda Chapada
08/05/2013 (quarta-feira) pouso Fazenda do Genésio
09/05/2013 (quinta-feira) pouso Povoado Caxambu
10/05/2013 (sexta-feira) pouso Fazenda do João Baldino
11/05/2013 (sábado) pouso Fazenda Mateus Machado
12/05/2013 (domingo) chegada da folia pelas ruas da cidade


* * *