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terça-feira, 4 de junho de 2013

Dois dedos de prosa



     Este chão endurecido pelo pisar humano, terra de árvores centenárias guarnecedoras das lendas perdidas nas matas milenares, é povoado por gentes de costumes antigos, de tradições diversificadas, de crenças enraizadas na miscigenação promíscua ajuntada história adentro. E não faltam superstições, descabidas ou não, nem cantorias afinadas em festejos já tradicionais, nem hábitos que se cultiva mas ninguém sabe de onde vem.

       Vou contar como foi isso, em dois dedos de prosa.

     Quem saboreia uma feijoada, atualmente prato principal de sofisticados restaurantes, regressa pelo paladar aos séculos da escravidão no Brasil e é transportado aos confins de penumbra enfumaçada das senzalas. Sobras de nacos de carnes “pouco nobres”, pedaços “inferiores” de animais, descartes que não caberiam na cozinha da casa-grande, tudo isso misturado com feijão preto, era dado ao servo negro, que se fartava com tamanha delícia e talvez zombasse interiormente de seus senhores.

     Há menos de um século, homens e mulheres andavam nus pelas imediações das cidades ainda pequenas, e a população assustada chamava-os de “tapuias”. Tinham fama de furtar crianças para criá-las nas tribos decadentes, matar e comer criações dos quintais, sequestrar as moçoilas que iam à fonte com seus potes de barro, escaramuçar o roceiro dos ranchos socados no mato.

     Um bocadinho mais afastado no tempo, entretanto, esses nativos eram tribos guerreiras numerosas e ferozes, diabos sanguinários com invisibilidade nas matas e grande capacidade de mobilização e organização. Mas se não fosse seu paiol de milho ou sua carne de caça defumada nas fogueiras das ocas e saqueados pelo impávido herói bandeirante, as comitivas dos desbravadores teriam se perdido nos desvãos do infortúnio.

     E então fez-se a luz sobre a pepita de ouro que rolou montanha abaixo! Desse dia em diante, nunca mais a paz rebuçou este chão com seu manto de estrelas. Homens e mulheres, de todas as classes, de muitas idades, de tantas culturas, acorreram para cá e mancharam este chão de lágrimas, sangue e suor. Templos gigantescos, casarões assombrosos, ruas de pedras, tudo isso brotou neste chão goiano.

     Todas as raças que por aqui vagavam acorreram, naquela ocasião, para o largo central do arraial, cada qual no afã de acudir seus filhos, de garantir a perpetuação da própria espécie, e houve uma guerra em que todos morreram. 

     Mas graça ao Yamandu indígena, ribombar estrondoso do trovão, aos Orixás da velha África e ao Deus cultuado nos templos de taipa, ressuscitaram numa só raça, miscigenação de costumes, lendas, tradições, superstições e crenças.

     A raça do povo goiano.

Adriano César Curado

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Caravana da Aventura



     "Pirenópolis é a terra do arroz com pequi e da arquitetura colonial. De folclore rico, conta com a Cavalhada e a Festa do Divino. Das várias lendas, destaques para a santa dica, as garrafas de ouro e a casa de 365 janelas. Terra da Serra dos Pireneus, batizada por imigrantes espanhóis saudosos das colinas do país natal, acabou fazendo mudar o nome do povoado: de Meia Ponte para Pirenópolis ou simplesmente Piri para os íntimos.

     Fica entre Brasília e Goiânia, o acesso se dá pela BR 414 (até Corumbá), depois pela GO 338 até Pirenópolis.


     O Parque Estadual da Serra dos Pireneus é uma reserva de cerrado que fica a 20 km de Pirenópolis. Possui como atração principal a Serra dos Pireneus, com três picos bons pra escalar. O mais alto deles é o Pico dos Pireneus com 1385 metros. A reserva ecológica de Vargem Grande possui várias trilhas e duas cachoeiras: Santa Maria e Lázaro. Outra opção de trekking interessante são as pedreiras de Pirenópolis.

     Além do trekking e da escalada, a cidade oferece várias opções de atividade de aventura. Rapel na Cachoeira do Abade e na Cachoeira do Rosário; arvorismo nas trilhas do Vaga fogo; acqua ride no Rio das Almas; e rafting no Rio Corumbá são opções instigantes."





sexta-feira, 18 de maio de 2012

Poesia, música e belas imagens


Oh! Bela Pirenópolis adormecida,
Banhada pela branca luz do luar.
Suas noites tão lindas e tão queridas
Convidam seresteiros a cantar
E ao som dos plangentes violões,
Que solam canções de ninar,
São músicas divinas
São músicas de embalar
São lindas estas serenatas ao luar.
A lua aqui é mais branca e mais tristonha,
E sempre nos convida para o amor,
Aqui tudo é um sonho, aqui tudo é risonho,
Cercada de montanhas, é jardim em flor.
Quando tu vens, oh! Lua
banhar no rio de prata,
Ele diz cantando,
Em suave murmurar,
Adeus, oh! Brancas ruas de serenatas.
Adeus, oh! Terra querida,
Joia de meu Goiás,
Vou para terras distantes
Não te esquecendo jamais.

Serenata Pirenopolina - Letra e música de Ita Lopes Siqueira

 














terça-feira, 17 de abril de 2012

A tradição e o tempo


      
      Pirenópolis é uma cidade privilegiada porque fincada em sólidas bases culturais. A Festa do Divino é Patrimônio Imaterial do Brasil pela espontaneidade de seu povo, pelo envolvimento da população, todo mundo unido na vontade de fazer a festa acontecer. As manifestações culturais pirenopolinas passam de pai para filho e assim seguem pelos séculos afora. Se esse vínculo hereditário nunca se romper, daqui a duzentos anos, por exemplo, quem visitar a cidade assistirá às Cavalhadas, presenciará as palhaçadas dos Mascarados e se encantará com as Pastorinhas.

Foto: mochileiro.tur.br

       Nossa cultura já é suficientemente rica e completa. Não precisamos agregar mais nada ao folclore pirenopolino. Se permanecer tudo exatamente como está, já ficou bom. A tradição e o tempo devem caminhar juntos, de mãos dadas e com o compromisso do eterno.


       Por tudo isso, é perigoso introduzir inovações como Cavalhódromo, o centurião que toca piston antes da entrada dos cavaleiros, a numeração dos Mascarados e a restrição do seu trânsito pela cidade, etc. Não precisamos desse tipo de novidade e nem o queremos.

       Vamos valorizar o que temos em casa. O sabor da nossa cozinha, a melodia dos guizos e polacos, a afinação das Pastorinhas, o encantamento da Festa do Divino, e por aí vai.  Por que trazer gente de fora para se apresentar em Pirenópolis? Será que aqui não tem artista suficientemente bom? Por que promover internacionalmente a cidade, em eventos modernos, se ela já é suficientemente conhecida pelo valor do que conserva?

Adriano César Curado






quinta-feira, 5 de abril de 2012

Restauração da Igreja do Bonfim

Foto: Adriano Luis Furini  

      A respeito da fotografia acima, escreveu Adriano Luis Furini, um dos responsáveis pela restauração da Igreja do Bonfim, em sua página no facebook:

     “Sr. Zuca, 80 anos, segunda geração de Mestre Marceneiro (carapina), que com paixão tem me ajudado na restauração da igreja (do Bonfim). Segue os passos do pai, que trabalhou na igreja até a década de 1940, cuja assinatura encostrei em vários locais. O filho, a terceira geração, tem feito a parte de marcenaria para mim. Este é o Nosso Senhor dos Passos que ganhou nova estrutura toda articulada, aposentando a antiga, emprestada provavelmente de outro santo bem menor.

      Morando na rua da igreja há gerações, são verdadeiros guardiões do nosso patrimônio, preservando com a mesma técnica e sabedoria dos antepassados, todo um conhecimento e história da Igreja do Bonfim. Assim como Dona Santinha, de 90 anos, que acompanha rigorosamente nossa obra, e outros moradores que têm nos olhos e no coração verdadeira paixão por esta igreja. Nada melhor que ver nos olhos destas pessoas o encantamento em cada etapa cumprida, fruto do respeito que temos tido com nosso trabalho de restauração, pela obra e pela comunidade. Caminhamos para o fim da restauração e a comunidade para o começo de uma nova apropriação do velho passado
.”

     Eu o questionei sobre a necessidade de restauração da imagem e ele me respondeu:

     “A antiga roca foi uma adaptação que o pai do Sr. Zuca e outros membros da Irmandade (do Santíssimo Sacramento), em certo período, ajeitou há muito tempo, para sair em uma procissão. Provavelmente, a Roca pertencente ao conjunto de cabeça e membros se perdeu ao longo do tempo, já não sendo mais a original. Os artistas eram muito qualificados neste período, ainda mais este desta imagem, que é perfeita em anatomia. Jamais colocariam uma roca desproporcional em tamanho, largura e altura, com braços de enchimento de crina de cavalo. Nas igrejas sempre tinha várias rocas, porque aí podia colocar a mesma cabeça e mãos em varias posições de acordo com cada um dos paços, quando não tinham membros suficientes para cada cena. Esta roca nova é uma segunda opção de montagem mais proporcional e segura, para a parte realmente importante, membros e cabeça, que se estragavam muito com os braços de pano, fixados com pregos no sec. XX, tendo que ser amarados à cruz, e quando soltos batiam no chão de tão compridos.

     Adriano Curado, observe o tamanho da cabeça do Cristo perto da do Senhor Zuca. A roca antiga é do tamanho dele de joelhos. A antiga está também na igreja e irá permanecer lá. Veja que a roca é um suporte, como é o chassi para uma tela, fundamentais mas nunca feito para serem vistos. Entretanto, sua qualidade é fundamental para a proteção da obra de arte, ainda mais quando estão ainda em função, como esta, que se desloca muito, pelo que vi na procissão estes dias, chegando cansada e molhada, como chegou de volta ao Bonfim. Ela está é pedindo para aposentar.”

segunda-feira, 2 de abril de 2012

S.O. S PARA BANDA PHOÊNIX DE PIRENÓPOLIS!



      "A banda centenária pede socorro!
      Formalmente ocorreu em Pirenópolis no dia 24/03/2012 a entrega de novos instrumentos para a Banda Phoênix de Pirenópolis-Go. Representantes da cultura, da prefeitura, todos os presentes, e com orgulho se pronunciaram sobre a comemoração do dia, relatando sobre o orgulho de ouvir a Banda Phoênix, até mesmo sobre o incentivo para a cultura com os novos instrumentos.

      O que ninguém ainda sabe é que desde a Festa do Divino de 2011, onde a banda se apresentou nas alvoradas, tocando de madrugada pelas ruas da cidade, nas cavalhadas onde tocam o dia todo, e nos demais festejos, a banda não recebeu sequer “um centavo” pelo trabalho realizado. E que tipo de incentivo é este, se nem mesmo os próprios músicos tem salário? Que músico profissional ensaia, apresenta seu trabalho, toca horas e horas nos festejos desta cidade tradicional na troca de salgados e refrigerantes? Enfim, que profissional sobrevive sem salário?

      Como diz o ditado “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, é bem assim que a Banda Phoênix se mantém agora, perante os olhos da população instrumentos novos, lindos, brilhosos, aos olhos solidários e ativos, músicos sem receber, sem incentivo, sem valor. Os músicos ao leo berram seus instrumentos, chamando a atenção para a omissão em relação à remuneração da banda. Os músicos têm instrumentos e nós temos gargantas. E vamos ficar em silêncio?

      O descaso vai se transformando em brincadeira, a omissão em desculpas, e o dinheiro que deveria remunerar a banda? Bom, este deve ter virado pó. Promessas futuras para o salário da Banda no lugar de “futuro promissor”. Estamos cheios de teatrinhos, sorrisos marotos e “pegadinhas” no ombro. Pirenópolis está perdendo o respeito, a tradição, a cultura e o amor pela nossa cidade. Uma cidade fadada ao esquecimento, à ganância, à falsidade.

      Peçamos atenção às autoridades, que olhem por nossa Banda, pela música, que dêem dignidade para os músicos remunerando-os e dando valor a este trabalho maravilhoso que é a música, caso contrário estaremos perdendo a nossa banda, e não ouviremos mais o lindo “hino do divino” na porta da igreja, nem tão pouco o cortejo das alvoradas. A banda se compõe de “um bando”, um bando de gente honesta, simples e profissional que gosta do que faz, e faz maravilhosamente com muito prazer. Sem remuneração um profissional não sobrevive e tão pouco tem valor, sem valor ele desiste de tocar, com o instrumento guardado não se forma uma banda, na ausência da banda não temos festa do divino, nem o carnaval, nem qualquer outro festejo.

      Imploramos às autoridades através de um pedido, salvem nossa banda, dêem olhos e ouvidos aos músicos, remunerem os profissionais, enfim, salvem a tradição de nossa cidade, pois uma banda centenária sobrevive também de dignidade, valor, respeito e salário. A banda não é enfeite na cultura e muito menos fantoche.

      S.O. S para a Banda Phoênix, salvem-na, remunerem, é uma troca de valores, de honra e respeito.

      Como dizia Victor Hugo: 'A música expressa o que não pode ser dito em palavras, mas não pode permanecer em silêncio'."
 
Texto de autoria de Uiara Pereira de Pina, Socióloga e Bacharel em Direito, e-mail: uiarap@yahoo.com.br

segunda-feira, 19 de março de 2012

Semana Santa em Pirenópolis 2012



Sexta-feira – dia 3003
19h00 – Procissão de Nossa Senhora das Dores e Sta. Missa na Matriz 
Sábado – dia 3103
19h00 – Procissão de Nosso Senhor dos Passos e Sta. Missa em frente a Igreja do Carmo

Domingo de Ramos (procissão dos Ramos) – dia 0104
08h00 – Bênção dos Ramos em frente a Igreja do Senhor do Bonfim e Procissão encerrando com a missa na praça central (atrás da igreja matriz) – Coleta da Campanha da Fraternidade.
17h00 – Sta. Missa na Matriz
18h30 – Procissão do encontro (homens saem da igreja do Carmo e as mulheres da matriz e se encontram na Rua Direita)
19h30 – Sta. Missa na praça central

Segunda-feira Santa – dia 0204
19h00 – Procissão de Depósito de Nosso Senhor dos Passos saindo da Matriz para o Bonfim e Sta. Missa

Terça-feira Santa – dia 0304
19h00 – Sta. Missa na Igreja Matriz

Quarta-feira Santa – dia 04∕04
19h30 – Sta. Missa Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário

TRÍDUO PASCAL

QUINTA-FEIRA SANTA – DIA 05∕04
09H00 – Sta. Missa do Crisma – Catedral do Bom Jesus (Anápolis)
18h30 – Sta. Missa do Lava pés (I) na Matriz; 19h30 – Sta. Missa do Lava pés na Sta. Bárbara (Bonfim)
20h00 – Sta. Missa do Lava pés  (II) e Exposição do Santíssimo para a Vigília. Encenação da prisão de Jesus no pátio da Igreja Matriz.

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO – DIA 06∕04
Jejum (18 a 60 anos) e abstinência de carne (14 a 60 anos)
08h00 – via-crucis encenada, saindo da quadra da paróquia.
14h00 – Novena da Misericórdia
15h00 – Adoração da Santa Cruz e coleta para os lugares santos na Matriz; 15h00 – Adoração da Santa Cruz e coleta para os lugares Santos na Sta. Bárbara (Bonfim)
19h00 – Procissão do Senhor Morto saindo da Igreja Matriz

SÁBADO SANTO – DIA 07∕04
19h30 – Solene Vigília Pascal na Sta. Bárbara (Bonfim)
19h00 – Solene Vigília Pascal na Matriz
21h00 – Solene Vigília Pascal na Matriz
Procissão do Senhor Ressuscitado (Santíssimo Sacramento dentro da Igreja)

DOMINGO DE PÁSCOA (RESSURREIÇÃO) – DIA 08∕04
07h00 – Sta. Missa na Igreja Matriz
08h00 – Sta. Missa no Maiadô
09h00 – Sta. Missa na Igreja Matriz
10h00 – Sta. Missa na Lagolândia
15h00 – Sta. Missa na Capela
17h00 – Sta. Missa na placa
18h30 – Sta. Missa na Igreja Matriz
20h00 – Sta. Missa na Igreja Matriz

Fonte: Secretaria Municipal de Cultural e Paróquia N. S. do Rosário

sexta-feira, 16 de março de 2012

Reflexo no rio


Desce o rio crepitante
e um sussurro de delírio
entre dois apaixonados
que vem lá da ponte
faz refletir nestas águas
em pleno calor de pedras
na caldeira da tarde
a alma pirenopolina

 *
 *
Adriano César Curado

terça-feira, 13 de março de 2012

Em defesa de Pirenópolis



      Sobre a crônica do escritor João Asmar, publicada no Diário da Manhã do dia 10.3.2012, Caderno Opinião Pública, página 7, intitulada “Pirenópolis e carrapatos”, quero defender os pirenopolinos que, na década de 1940, não deixaram que os franciscanos destruíssem nossas tradições. Embora fossem religiosos caridosos e espiritualmente bem preparados, fracassaram em Pirenópolis porque não tiveram o bom-senso de entender a cidade. Chegaram com uma visão distorcida do folclore, imaginando idolatria na pessoa do Imperador do Divino com coroa na cabeça, não aceitaram cavalhadas e mascarados. Se os pirenopolinos não tivessem se recusado às imposições sem sentido dos religiosos, Goiás hoje estaria privado de parte significante de sua cultura.

Artigo de Adriano César Curado publicado no Diário da Manhã de 13.3.2012, Caderno Opinião Pública, p. 1

terça-feira, 6 de março de 2012

Minha Pasárgada



     “Um dia desses resolvi prestar atenção na conversa do pessoal do trabalho e comecei a rir sozinha. Era véspera de Carnaval e o tema era onde cada um passaria o feriadão. A parte que me deliciei era que, de cada 10 pessoas, 10 planejavam vir a Pirenópolis. Alguns tinham intenção de descansar, aproveitar as cachoeiras; outros, de curtir a festa. Tinha ainda os que queriam passar apenas o dia.

      Que magia é essa que envolve a Terrinha? Juro que, objetivamente, não sei dizer. Falta infraestrutura turística, preparo para a recepção dos visitantes… Mas então comecei a lembrar dos detalhes de minha cidade. Aquele céu naturalmente magnífico, o ar puro, o sol maravilhoso que só os sábados de Piri sabem ter. Lembrei das ruas de pedra, das casas antigas (cheias de lembranças), da Igreja (linda!), da ponte, dos quintais. Fui ainda mais longe quando senti o cheiro das quitandas saindo do forno da avó, senti o vento fresco no rosto daquela sombra da mangueira… e juro, cheguei a ouvir parte do hino do Divino.

      Sabe, essas coisas de alma não tem jeito mesmo! Voltei então à realidade e percebi que eu continuava em frente ao computador daquela sala impessoal, com aquele ar condicionado de doer os ossos… Senti um aperto, era mesmo saudades. Estava na hora de fazer as malas.

      Mesmo com problemas, mesmo às vezes sentindo que Pirenópolis poderia crescer, evoluir com mais empenho; tenho que admitir: depois de uma semana pesada, ter onde me esconder é bom demais! Bandeiras não é o único a ter uma Pasárgada. Amém!”

Texto de Thamyris Fernandes, publicado em AGITA PIRENÓPOLIS

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Centro de Cultura Ita e Alaor

Beirão e o Cordel Iluminado

     Tem programação da boa na Feira de Quintal, localizada na rua Rui Barbosa (antigo Beco do Amphylóphyo), Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás.

      Trata-se de Beirão e o Cordel Iluminado. “O show Cordel Iluminado traz a literatura de cordel, passa pelo forró pé de serra, misturando o rock e internet. É um link nas vertentes da música popular brasileira, dentro de uma visão universal onde o cego Aderaldo está sampleando Bach. Um Brasil onde tudo está conectado. Dialogando diretamente com compositores como Zé do Norte, Gordurinha, Sérgio Sampaio, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, entre outros. É uma releitura da música nordestina dentro de uma fusão de ritmos”.

Data: 2, 3 e 4 de Março de 2012
Horário: 20h00


Fonte: Feira de Quintal

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Carnaval em Pirenópolis

Pirenopolinos fantasiados em Carnaval da década de 1960
 
     O Carnaval é uma data de muita festa em Pirenópolis, desde tempos bem distantes. Por isso é louvável que a Prefeitura Municipal mantenha viva a tradição das marchinhas, repelindo as músicas de má qualidade que imperam por aí.

     Até meados dos anos de 1920, existiu em Pirenópolis o pitoresco “Entrudo”, que vinha dos tempo do Império e do Brasil Colônia. Nele tinha de tudo. Banhos inesperados na rua com água perfumada. Mascarados a cavalo e à pé, que cantavam as moças com voz em falsete. Batalhas de serpentina e confetes. Os bailes eram nas casas de família, animadas por pequenos conjuntos musicais e se revestiam de muito respeito.

     Minha avô, que já é quase nonagenária, conta-me que, na sua época de moça (1930-40), os bailes eram animados por orquestras. Quase toda a cidade participava e era concorrido o evento. Não havia Carnaval pelas ruas, a festa era em salões fechados, com cobrança de ingressos.

     Diz minha avó: “Na época da minha juventude, os bailes eram no prédio do teatro. Por ocasião do Carnaval, retiravam as poltronas a ali virava um salão grande, que as famílias tradicionais frequentavam. No palco tocava uma banda boa, afinada, e todo munda dançava”.

     Esses bailes carnavalescos eram perfumados por lança-perfume, que na época ainda não se considerava droga, já que ninguém inalava como nos dias atuais. Era apenas para abrilhantar o clima da festança.

     Depois, nos anos de 1960-80, os bailes passaram para o Praia Clube, salão imenso localizado num casarão na rua Direita. No local hoje está o edifício do fórum. Ali já não havia orquestras, mas tocavam som mecânico com marchinhas famosas da época e a diversão era bem grande, com animados blocos de vestimentas patronizadas.

     Nos anos de 1990-2000, a administração municipal tentou reestruturar o Carnaval e muitos blocos disputavam as premiações. Saia o cortejo da rua Direita, subia para a praça Central e se concentrava no largo em frente ao prédio dos Correios. Mas um assassinato covarde que ali ocorreu acabou com a festa.

     De pouco tempo é o atual Carnaval Cultural de Pirenópolis. Começou com um projeto para o qual muita gente torceu o nariz. Achavam que atrairia bagunça para a rua Direita, temeram pela segurança das pessoas e do Patrimônio Histórico. Mas a prática demonstrou que o som não era tão alto que pudesse danificar os casarões e a paz prevaleceu até a última edição.

     Neste ano de 2012, certamente que tudo transcorrerá como planejado. O Secretário de Turismo, Sérgio Rady, afirmou que a festa “tem um foco único para o evento, que é a organização, segurança e o bem estar para comunidade e visitantes deste período”.

     Regras para o Carnaval Cultura 2012:
  • proibição de som automotivo no Centro Histórico e setores residenciais;
  • proibição de circulação de bebidas em recipientes de vidro, fora dos estabelecimentos comerciais;
  • o trânsito de veículos nas principais ruas do Centro Histórico será impedido

     Este site deseja que todos que venham aproveitar o Carnaval Cultural de Pirenópolis se divirtam. Que a tranquilidade prevaleça, a harmonia reine, na Festa do Rei Momo.

Fonte:
    • Entrevista com Maria Jayme de Siqueira Pina, de 88 anos de idade, em 16.2.2012.
    • Recordações de minha própria infância.
    • Jornal da Imprensa – A história do Carnaval
    • JAYME, José Sisenando. Pirenópolis (Humorismo e Folclore). Goiânia: Edição do Autor, 1983.

Adriano César Curado



Carnaval em clube de Pirenópolis, década de 1960

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Vem aí a 4° FLIPIRI


4° FLIPIRI
De 2 a 6 de maio de 2012

      A Secretaria Municipal de Cultura informa que a 4ª edição da FLIPIRI (Festa Literária de Pirenópolis) foi selecionada para receber patrocínio do Banco Nacional do Desenvolvimento – BNDES.

      Promovido pela Prefeitura de Pirenópolis e pelo Instituto Casa de Autores, a FLIPIRI propõe-se a dar continuidade a uma prática de difusão do livro e da leitura e da literatura. Compreende a formação de mediadores de leitura, a doação de acervos para comunidades locais, apresentações artísticas, encontro entre escritores e leitores e associação com outras práticas culturais. Em 2012, as atividades se estenderão para os municípios de Cocalzinho e Corumbá de Goiás, além de Pirenópolis e seus 10 povoados.

     Para esta quarta edição, a ser realizada no período de 02 a 06 de maio, a festa terá como tema a música, considerada uma forma de linguagem que se utiliza da voz, instrumentos musicais e outros artifícios, para expressar algo a alguém. A música não pode ser dissociada do contexto cultural, pois traduz abordagens e concepções do que afeta seu autor. Seja apenas instrumental ou com letras poéticas, a música abraça a literatura e a traduz em notas, compassos melodias e ritmos.

     O homenageado Nacional desta 4ª edição da FLIPIRI será o talentoso escritor Luís Fernando Veríssimo. Jornalista, escritor e músico, foi eleito como homenageado nacional. Veríssimo nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo.

     Para o Prefeito Nivaldo Melo, a Festa Literária de Pirenópolis tornou-se um dos principais eventos da região, tanto no âmbito cultural quanto no social, pois além de divulgar a Cidade de Pirenópolis como um polo cultural, agrega valor, tendo a participação maciça da comunidade, incluindo mais de 5 mil alunos e 100% dos professores da rede pública de ensino. Já o Secretario Municipal de Cultura, Gedson Oliveira, observa que o BNDES não apoia qualquer projeto cultural. Portanto, ter sido selecionado entre os 19 melhores projetos do Brasil é um sinal de que estamos seguindo o rumo certo para fazer de Pirenópolis e região uma cidade de leitores e dar continuidade neste grande apelo cultural que possuímos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A poesia da cidade

A cidade é poesia
é sonho colorido
nas noites de calmaria
nos versos do poeta
varridos e apagados

na vasta ventania


Adriano César Curado

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dr. Fernando

SÉRIE BIOGRAFIAS

FRANCISCO FERNANDES DA SILVA
(DR. FERNANDO)
Dr. Fernando

    Francisco Fernandes da Silva (Campo Grande/MS, 22.07.1934 – Goiânia/GO, 27.11.1992) foi um renomado dentista em Pirenópolis, agropecuarista modelo, funcionário dos Correios, ex-Secretário Municipal de Saúde, ex-Presidente do Lions Clube em Pirenópolis.

Desfile do Lions Clube de Pirenópolis - década de 1960

    Mudou-se ainda criança para Goiânia, onde o pai trabalhou como pedreiro e construiu o Lago das Rosas na florescente capital. Casou-se com Edna Sousa Fernandes (3.4.1944 – 8.12.1999) e teve três filhos, Marcelo, Márcia e Mércia, todos casados e com sucessão. Com muito esforço e sacrifício, cursou odontologia na Universidade Federal de Goiás. 

Arrecadação do Lions Clube, tendo Dr. Fernando ao centro

    Após a formatura, no exercício da função de funcionário concursado dos Correios, foi designado para a cidade de Pirenópolis, no ano de 1963, indo morar no recém-construído sobrado no Largo da Matriz. Apaixonou-se pela cidade e nunca mais foi embora. Durante aproximadamente dez anos foi agente dos Correios local, mas em meados da década de 1970, após ordem de transferência para outra cidade, viu-se forçado a se demitir para não mudar de Pirenópolis.
 
Dr. Fernando na juventude

    Com a finalidade de fincar raízes de vez na cidade, comprou uma fazenda, que foi considerada modelo por conta da instalação de um biodigestor. A aparelhagem usava apenas esterco de gado e água, e a queima do material orgânico servia de barata fonte de energia elétrica.
 
Dr. Fernando, à direita, recepciona o governador Otávio Lage, em Pirenópolis, na década de 1960

    Devido à sua origem humilde, Dr. Fernando ajudou bastante a população mais pobre de Pirenópolis. 
 
Desfile do Lions Clube de Pirenópolis - década de 1960

    Primeiramente, na função de presidente do Lions Clube em Pirenópolis, quando organizava, entre muitos outros trabalhos sociais, uma trabalhosa mas bem sucedida campanha de arrecadação de doações para o Natal dos necessitados. 
 
Dr. Fernando, em 21.5.1972, trabalha em festival de chopp do Lions Clube
    Posteriormente, através das ações como Secretário Municipal de Saúde, cargo que ocupou no primeiro governo de Sizenando Jayme Filho (1982-1988), quando saía pioneiramente para os povoados, juntamente com um médico e mais equipe, dentro duma Kombi, para levar saúde aos povoados. Não se tinha o hábito de tal prática na época, nem existiam postos de saúde para atendimento emergencial, ficando a população mais distante dependente dos precários transportes de socorro ou se submetendo a tratamento com benzeduras e ervas dos curandeiros.
 
Dr. Fernando e a esposa em baile de Carnaval
    Sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida da população também se deu através do trabalho no Sindicado Rural de Pirenópolis, como dentista eficiente e disputado, que funcionava à época no casarão que hoje pertence aos herdeiros de Valter Jayme, no Largo da Matriz.
 
Desfile do Lions Clube de Pirenópolis - década de 1960
    Dr. Fernando foi um dentista “de mão cheia”. Seu consultório particular funcionou por muitas décadas em sua residência, na Rua Direita, imóvel comprado de Edgar Jayme. Certamente que quase todo pirenopolino com mais de trinta anos já teve obturações desse excelente profissional. Eu mesmo ainda tenho algumas, sólidas e eficientes, apesar de tanto tempo transcorrido. Recordo-me da longa fila, pela calçada a Rua Direita, que começava a se formar no início da tarde, composta por sua clientela cativa. Depois a gente subia os quatro degraus que davam direito a sentar num banco de couro e todo mundo ficava olhando para uma divisória de vidro fosco, tentando adivinhar os contornos do dentista e do cliente sentado lá na cadeira. Entre quatro ou cinco atendimentos, Dr. Fernando fazia breve pausa, acendia um cigarro, brincava com o nosso pânico, dava duas tragadas e depois se asseava com minúcia – por isso minha maior lembrança dele era o cheiro de suas mãos, um misto de cigarro com sabonete.
 
Desfile do Lions Clube de Pirenópolis - década de 1960
 
    Dr. Fernando era um homem jovial, brincalhão e cheio de amigos. Amava a pescaria em grandes rios e lagos. Gostava também dos bailes de Carnaval, que naquela época ocorriam no Salão Paroquial (Praça Central) e depois no Praia Clube (hoje Fórum, na Rua Direita) e eram organizados por disputados blocos.
 
Dr. Fernando, em 21.5.1972, trabalha em festival de chopp do Lions Clube
    Morreu muito jovem, aos 58 anos, vítima de um infarto e de complicações pulmonares. Mas algum tempo antes já se encontrava depressivo porque, devido às complicações de uma cirurgia mal sucedida de catarata, perdeu uma visão e ficou incapacitado para o exercício do ofício de dentista.
 
Parada cívica na década de 1960

    Dr. Fernando merece figurar entres nossos biografados devido à sua atuação em prol dos menos favorecidos, da luta por diminuir as desigualdades sociais, pelo amparo na área da saúde aos esquecidos moradores da zona rural. Era um homem honesto, de procedimento sempre correto, excelente profissional, e mácula alguma há em sua biografia.
    Bem poderia ter se mudado para Pirenópolis e apenas se preocupado com a própria vida, como fazem tantos nos dias atuais. Mas preferiu arregaçar as mangas, dedicar o curto tempo às cansativas atividades do Lions Clube, ajudando tanta gente a ter uma vida melhor.
 
A escada, em primeiro plano, dava para o gabinete de Dr. Fernando


    Fonte de pesquisa:

•    Entrevista com Marcelo Sousa Fernandes, filho do biografado, em janeiro de 2012.
•    Entrevista com Maria Jayme de Siqueira Pina, em janeiro de 2012.
•    Recordações de minha própria infância.
•    CARVALHO, Adelmo de. Pirenópolis Coletânea 1727-2000. História, Turismo e Curiosidades. Goiânia: Kelps, 2001.





Postagem de Adriano César Curado