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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Piri Sem Time Share

Nos últimos dias recebi uma quantidade impressionante de mensagens eletrônicas cobrando de mim uma posição sobre o futuro condomínio de 192 apartamentos na vizinhança da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Pirenópolis, Goiás. 

Primeiramente, fiquei muito surpreso com a insistência de meus leitores porque não imaginei que minha opinião pudesse ter uma relevância tão grande. 

Em segundo plano, quero lembrar que vou me manifestar de forma pessoal, ou seja, sem qualquer vínculo com a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), da qual sou presidente. Esta advertência é para não causar confusão em certas pessoas que podem achar de entender que a instituição tomou partido na questão e isso só seria possível com a anuência dos acadêmicos.

Sobre o empreendimento gigantesco em plano centro histórico de Pirenópolis, eu me posiciono absolutamente CONTRA. E não poderia ser diferente. Só é a favor de algo assim quem tem interesse financeiro e olha para a cidade apenas por esse prisma. Do contrário, tem mesmo que ser contrário a um absurdo de tamanho porte.

Conheci através de uma palestra na cidade de Rio Quente, Goiás, esse sistema de hospedagem denominado "fração imobiliária", ou time sharing, share, que quer dizer por tempo compartilhado ou partilhado. É mais ou menos assim: cada apartamento tem vários proprietários e cada um deles detém um período para usá-lo durante o ano, seja pessoalmente ou através de aluguel. Exemplo: eu e mais onze sócios compramos um apartamento desses, então tenho um mês do imóvel à minha disposição durante o ano, e é óbvio que vou alugá-lo para tirar meu investimento.

Falemos dos motivos de minha oposição. 

Pela primeira vez este ano, Pirenópolis teve falta d'água. Vários bairros passaram por rodízio, e isso porque as chuvas estão cada vez mais escassas e a empresa de saneamento não investe o suficiente para prevenir a escassez. Fato é que, com um empreendimento desse porte, o aumento do consumo de água trará um desastre para a cidade. A alegação de que usarão poços artesianos não convence porque terão que tratar a água, não podem consumi-la assim que extraí-la e eu duvido que construirão toda uma estação para fazer isso. Depois, se retiram água demais do lençol freático, ele acaba por secar. Exemplos há por aí.

As quedas de energia elétrica são folclóricas na cidade. Basta chegar o fim de ano ou o Carnaval, por exemplo, para as ruas ficarem às escuras. A construtora rebate esse argumento dizendo que terá geradores de energia próprios. Considerando o custo elevadíssimo do investimento e de sua manutenção, não acredito nem um pouco nessa alternativa, No final, é da energia comum que acenderão suas lâmpadas.

O trânsito é também outro empecilho aos quase duzentos apartamentos. Por onde tanta gente circulará? As ruas estreitas da pequena cidade não comportam esse fluxo. Há uma argumentação dos que defendem o projeto de que haverá vias de acesso por fora do centro histórico e isso não prejudicará o trânsito. Para rebater isso eu formulo uma pergunta: quem impedirá qualquer usuário desses apartamentos de transitar no centro histórico? Qualquer pessoa é livre para ir e vir por onde bem entender, então não há garantias de que, obrigatoriamente, o fluxo do trânsito extra gerado vai ser canalizado para "vias alternativas".

Por fim, quero ressaltar que, caso esses apartamentos compartilhados se tornem realidade, será um desastre para as pousadas da cidade, pois é muito mais barato alugar um imóvel desses, onde o inquilino tem meios de preparar sua própria alimentação. Também a histórica Igreja do Bonfim estará em risco pela proximidade assustadora dos prédios que possivelmente produzirão ruídos e poluição.

O projeto foi aprovado tanto pela Prefeitura Municipal de Pirenópolis quanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) porque tecnicamente se adéqua às exigências legais, mas basta um mínimo de ponderação para concluirmos que será desastroso para a cidade.

Esta é a minha opinião sobre o assunto.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Poema para o Bonfim


Poema para o Bonfim

Lá no alto
daquela colina,
majestoso mas solitário,
está o
velho templo,
pequeno
santuário do
Senhor do Bonfim,
protetor incansável de
Meia Ponte,
de braços abertos
num gesto
de paz e fraternidade.

Seus sinos seculares,
num soluço
de emoção,
dobraram pela
abolição da
escravatura,
o fim do
flagelo humano.

Suas portas já
se abriram para
casamentos,
batizados,
reinados,
juizados,
e ainda
continuam ali,
numa eterna
fraternal acolhida.

E passados já
tantos anos,
a igreja
permanece de pé,
soberana e elegante,
vigilante no
alto do morro,
mas agora de
roupa nova,
expondo à luz
aqueles adornos 
redesenhados com alma,
afrescos escondidos,
e deles ninguém
mais se lembrava.

Muitos e muitos
séculos ainda virão,
todos nós
já teremos partido,
mas o Bonfim,
imutável e eterno,
permanecerá lá.

Amém!

Adriano Curado

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

De volta aos pirenopolinos


A cidade de Pirenópolis reinaugura amanhã a Igreja Nosso Senhor do Bonfim Após anos de revitalização, amanhã, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Goiás (Iphan-GO) entrega à população e turistas de Pirenópolis a restauração arquitetônica e artística da Igreja Nosso Senhor do Bonfim e seus acervos. A inauguração acontece às 18h30, com celebração de novena e missa solene.

A arquiteta e coordenadora técnica da Superintendência do Iphan, Beatriz Otto, contou que a execução dos serviços teve início em 2010, incluindo o altar principal e altares colaterais, arco cruzeiro, medalhão e púlpito de cruz. “A obra foi executada em três etapas. Durante os primeiros procedimentos, técnicos do instituto descobriram diversas pinturas barrocas de extremo requinte escondidas debaixo de camadas de tinta e reboco no forro da capela mor e, ainda, nas paredes do altar principal”. A importância desta descoberta ultrapassa os valores artístico, histórico e cultural e acrescenta novos valores de rememoração à comunidade.

Na segunda etapa, foram feitas drenagem do solo “tanto da água proveniente de enxurradas quanto do lençol freático”, explicou. Esse procedimento de drenagem foi feito para evitar que as paredes da igreja recebessem tanta umidade vinda direto do solo, uma vez que as estruturas são feitas de madeira e barro.

A restauração buscou revelar toda a pintura descoberta e realizar um diagnóstico de seu estado de conservação e preservação para, em seguida, serem executados os procedimentos restaurativos. Com o resgate da pintura parietal foi possível compreender que esta possui integridade perfeita com as pinturas do nicho do altar principal.

Descobriu-se, ainda, uma rachadura acima do arco cruzeiro, iniciando assim a terceira etapa da obra que apreciou a recuperação estrutural geral do edifício, dos pés e esteios, além de iluminação interna e externa. 

Parte técnica

Mais de dez especialistas em restauração trabalharam na recuperação da igreja e o arquiteto Silvio Cavalcante integrou essa equipe como o técnico-fiscal. O arquiteto contou que há três anos, quando as obras começaram, foram retiradas cuidadosamente três camadas de reboco e pintura até chegarem na pintura original.

Minuciosamente foi feita a restauração das duas imagens barrocas que adornam a igreja - uma de Nosso Senhor do Bonfim (Cristo crucificado) e outra de Nosso Senhor dos Passos, ambas em madeira policromada em tamanho natural -, um arcaz (arca com gavetões) do século XVIII, peça de grande beleza e único mobiliário religioso remanescente do período. Estas são peças que compõem originalmente a decoração interna da igreja.

Segundo Silvio, parte da igreja e monumentos tinha uma cor dourada, mas já se encontravam em tons pretejados, que foram todos devolvidos a sua cor original. Além das minuciosas restaurações, um tratamento geral foi feito em todo o prédio, como pisos, troca do telhado e a pintura externa e interna.

Dedicação

A obra de restauração arquitetônica e artística da Igreja Nosso Senhor do Bonfim foi minuciosamente realizada por mãos dedicadas e marca uma significativa conquista no processo de preservação do patrimônio cultural. A obra fora concretizada com vistas à preservação e salvaguarda do bem, garantindo assim condições seguras de utilização por moradores e visitantes.

Segundo o arquiteto, que também é morador da cidade, a obra veio para resgatar valores, lembranças e manter a história de Pirenópolis viva na memória da atualidade. “A igreja vai estar aberta a partir de amanhã, para suas atividades normais, sendo que no período de restauração ficou fechada e só era liberada para visitações em acordo com a empresa, igreja e população”, disse Silvio.

História da Igreja

A Igreja Nosso Senhor do Bonfim está localizada em um ponto privilegiado na paisagem da cidade e forma, com as demais igrejas, um conjunto ímpar da arquitetura religiosa goiana do período colonial.

Segundo a historiografia, a Igreja Nosso Senhor do Bonfim tem 260 anos e foi construída por escravos durante o Brasil Colônia, sendo erguida entre 1750 e 1754, de modo a ter a sua fachada voltada para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Matriz). Seu benfeitor foi o sargento-mor Antônio José, que adquiriu em Salvador (BA) uma imagem de tamanho natural de Nosso Senhor do Bonfim crucificado e que chegou à Meia Ponte trazida por um comboio de mais de 200 escravos.

A construção se encontra em sua forma original. Em seu interior possui três altares e mesma simetria de distribuição da Igreja Matriz de Pirenópolis, com nave, coro, arco cruzeiro e capela-mor. Encontra-se na parede do lado do evangelho (lado direito) um púlpito de tábuas lisas enfeitado com ornamentos de talha. No altar-mor (principal), a presença de uma porta no nicho principal, que pode ser aberta e fechada sendo possível ver pintado em suas folhas o Cristo Crucificado, com a paisagem de Jerusalém ao fundo.

A Igreja está inserida no conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico da vida de Pirenópolis, tombado pelo Iphan através do Processo nº 1181-T-85, com inscrição nº 105 no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico e nº 530 no Livro Histórico, em 10 de janeiro de 1990.

Quanto custou?

Etapa 1: 2010-2011
Valor descentralizado: R$300.000,00

Valor contratado: R$299.999,97

Etapa 2: 2011-2012
Valor descentralizado: R$320.000,00

Valor contratado: R$291.214,62

Etapa 3: 2012-2013
Valor descentralizado: R$320.000,00

Valor contratado: R$311.500,00

Valor Total da Obra (Etapas 1, 2 e 3): R$902.714,59

Matéria publicada no jornal DIÁRIO DA MANHÃ do dia 5.9.2013, no Caderno DM Revista, de autoria do jornalista JOHNY CÂNDIDO

domingo, 1 de setembro de 2013

Pirenópolis redescobre tesouro

Durante a restauração da Igreja, foram encontradas pinturas decorativas,
que estavam há tempos ocultas

Ao restaurar a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, o Iphan encontrou, sob a tinta branca do interior do templo, pinturas decorativas há décadas ocultas. Desconhecidas dos historiadores, as obras têm ao menos 200 anos.

Vista geral da Igreja do Bonfim: 
restauração revelou detalhes de outros tempos

Pirenópolis ganhou mais uma atração. Após três anos de restauração, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim será reaberta às celebrações religiosas e ao turismo em uma semana. Além de toda a estrutura reformada e pintada, a edificação de quase 260 anos, construída por escravos, teve os mais singelos e belos detalhes totalmente recuperados. Entre eles, pinturas decorativas nas paredes laterais do altar-mor e em grande parte do forro de madeira, cobertas ao longo de décadas por massa e tinta brancas.

O lugar tem quatro sinos, sendo o mais velho de 1726

Com a restauração, a Igreja do Bonfim passa a ser o mais rico templo de Goiás, do ponto de vista artístico. Desde o incêndio da Igreja Matriz de Pirenópolis, em 2002, o município distante 140km de Brasília não tinha mais templo com todas as características originais. Em Goiás Velho, a outra cidade histórica do estado, também não há igreja com tantos adornos como a do Bonfim.


Os outros sinos datam de 1803 e 1886
Essa foi a primeira reforma completa da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Em 2005, ela passou por obras estruturais, que incluíram a recuperação da fachada e a pintura em seu interior. Por falta de dinheiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não restaurou os elementos de arte. Ao custo de R$ 600 mil, a obra teve início em 2010. Logo no começo, raspando o reboco e a tinta branca do interior do edifício, técnicos contratados pelo Iphan tiveram a grata surpresa.

Algumas pinturas ainda estavam bem-conservadas
Os restauradores encontraram três camadas de desenhos com traços diferentes. Eram diversas pinturas barrocas de extremo requinte em cores de ocre, marrom, verde e branco, escondidas sob tinta e reboco no forro da capela-mor e nas paredes do altar principal. Todas desconhecidas por historiadores, técnicos do Iphan e até pelos mais antigos frequentadores do templo. Os restauradores decidiram manter e recuperar a última obra, a mais antiga.

Toda a estrutura dourada foi restaurada na Igreja do Bonfim, em Pirenópolis

Valor inestimável

Os técnicos não conseguiram identificar o responsável pelos trabalhos, pois o autor não deixou assinatura. Mas sabem que as obras têm ao menos 200 anos e marcam a transição do barroco para o atual estilo da igreja, o rococó. "A descoberta dessa obra ultrapassa os valores financeiro, artístico, histórico e cultural. Ela ainda acrescenta novos valores de rememoração à comunidade de Pirenópolis", destaca o arquiteto Sílvio Cavalcante, do Iphan, que supervisionou os trabalhos na Igreja do Bonfim.

Afrescos retratam a religiosidade local
Provavelmente, as pinturas foram cobertas por tinta branca a mando de algum padre. Cavalcante explica que, até meados do século passado, era comum cada pároco mandar pintar a igreja a seu modo, seguindo o estilo predominante. "Restaurar pinturas antigas era muito difícil e caro, pois os artistas moravam no Rio de Janeiro, em São Paulo ou na Europa", conta. Os restauradores mantiveram e recuperaram a pintura mais antiga por a considerarem mais harmônica com o teto e o altar.

A cruz estava em uma das paredes da igreja, em Pirenópolis

Os técnicos recuperaram também o brilho das cores das tintas e do ouro dos ornamentos do altar principal e do púlpito, elemento marcante desse templo. O púlpito era muito comum nas igrejas católicas coloniais, mas a maioria acabou destruída após perder a função nas missas. Uma espécie de minipalco, todo suspenso e trabalhado, o púlpito servia para o padre fazer a leitura do Evangelho e um sermão na língua nativa, pois, naquela época, as celebrações eram em latim.
A imagem de Cristo também sofreu restauração
Janelão e sinos

Construída entre 1750 e 1754 por escravos vindos da Bahia, sob ordens de um português, a Igreja do Bonfim tem outra particularidade, na parte superior do altar principal: um janelão, com pintura sacra, que pode esconder a imagem mais ao fundo. "Esse elemento é muito raro em qualquer região do país", destaca Sílvio Cavalcante. A imagem que fica no retábulo-mor, de Jesus crucificado, em talha de madeira e tamanho natural, também foi restaurada.

A Igreja do Bonfim conserva ainda quatro sinos centenários. O mais velho, fabricado em 1756. Dois são de 1803. Outro é de 1886, de excelente sonoridade, premiado com selo do imperador D. Pedro II. Tombado pelo Iphan em 1990, o edifício fica em uma colina por onde passa a maior parte dos turistas rumo às disputadas cachoeiras de Pirenópolis. Além de ponto de parada para pedidos de bênção ao Senhor do Bonfim, o templo é palco de algumas das manifestações folclórico-religiosas do município, hoje com 22 mil habitantes e quase 300 anos.




Fonte site Correio Braziliense
Autor do texto, das fotos e das legendas: Renato Alves
Correio Braziliense - 01/09/2013  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Educação: A escola no Alto do Bonfim

HISTÓRIA DO COLÉGIO ESTADUAL
SENHOR DO BONFIM

Pesquisa e texto: Maria Joselita Veiga Pompêo de Pina (02.05.1996) e Alexandre Oliveira (21.09.2011).






     Criada em 1963, por iniciativa do Doutor Wilson Pompêo de Pina, a Escola Reunida do Senhor do Bonfim enfrentou vários obstáculos.

     A escola começou na Sacristia da Igreja Nosso Senhor do Bonfim, para atender as crianças do bairro. As professoras Rosa d’ Abadia e Colandy de Carvalho foram as primeiras a lecionar. Rosa Lecionava de manhã e Colandy à tarde, para uma turma de iniciantes, o pré. Até então só funcionavam duas salas o 1° e o pré.

     As professoras, por acharem o local pouco cômodo, pediram ao Dr. Braz Wilson que arrumasse um lugar mais agradável para elas e também para os alunos, já que na sacristia era escuro, apertado e pouco arejado. Foi então alugado um cômodo na casa de José Basílio de Oliveira Filho. A casa tinha um quintal bastante grande e com diversas variedades de árvores frutíferas. Tinha também muita poeira e terra vermelha, o que dificultava a limpeza na sala de aula.

     Diante desses fatos, as professoras resolveram voltar para a sacristia da igreja, após mais ou menos dois meses de experiência. Na igreja ficaram mais algum tempo, até que o padre da época, frei Primo Carrara, não mais permitiu a continuação das aulas devido o mau comportamento dos alunos. Nesse tempo saiu a professora Rosa d’Abadia e entrou em seu lugar Maria Dalva de Sá Carvalho (dona Dalvinha).

     Com a insistência do padre, alugaram um cômodo na casa de Emílio de Carvalho. O cômodo tinha a porta para o beco. Ali permaneceram até que a delegada de ensino não mais permitiu seu funcionamento naquele lugar. Conta dona Dalvinha que foi o período mais triste da escola, principalmente para os alunos que eram pequenos, pois tiveram que ir terminar o ano letivo no Alto da Lapa, Escola Estadual Professor Ermano da Conceição.

     O Dr. Braz Wilson, preocupado, levou o problema ao conhecimento de Dr. Geraldo Abadia de Pina, que na época era secretário de Estado do governador Mauro Borges Teixeira. Através do secretario da Educação e Saúde, Padre Ruf, conseguiram uma verba estadual para a compra de um terreno e a construção da escola para o bairro do Alto do Bonfim.

     A verba foi repassada ao prefeito da época, Luiz Abadia de Pina, e em tempo recorde o prédio foi construído. Em 1964, no inicio do ano escolar, o grupo já estava pronto, com duas salas de aulas, secretaria, cozinha e sanitários. Ele foi construído atrás da Igreja Nosso Senhor do Bonfim. Começava uma nova época para a Escola Reunida do Senhor do Bonfim e para os moradores do bairro.

     Maria Dalva era professora e também a responsável pela escola, vieram outros professores e novos alunos, mas a escola não tinha direito a diretora, devido ao numero de alunos. Achando difícil fazer as duas coisas, Dona Dalvinha passou a responsabilidade para dona Ecy de Carvalho, que também foi trabalhar no novo grupo e ficou até 1969, quando assumiu Terezinha Nascimento. Terezinha não era professora e nem diretora legalizada na escola. Ela veio para fazer um trabalho com os moradores do bairro, para que colocassem seus filhos na escola, já que só a minoria frequentava a mesma.

     No ano de 1970, com resultado de seu trabalho, conseguiram matricular 204 alunos. Com esse número de alunos a Escola Reunida Senhor do Bonfim passou a Grupo Escolar Senhor do Bonfim, com direito a diretora. A situação do grupo só foi regularizada, com toda a papelada pronta, em novembro de 1970, quando Terezinha Nascimento foi legalizada como diretora da escola.


Esta pesquisa foi reproduzida aqui com cortes. Quem deseja ler o original deve acesssar: http://cesb123.blogspot.com.br/

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Restauração da Igreja do Bonfim

Foto: Adriano Luis Furini  

      A respeito da fotografia acima, escreveu Adriano Luis Furini, um dos responsáveis pela restauração da Igreja do Bonfim, em sua página no facebook:

     “Sr. Zuca, 80 anos, segunda geração de Mestre Marceneiro (carapina), que com paixão tem me ajudado na restauração da igreja (do Bonfim). Segue os passos do pai, que trabalhou na igreja até a década de 1940, cuja assinatura encostrei em vários locais. O filho, a terceira geração, tem feito a parte de marcenaria para mim. Este é o Nosso Senhor dos Passos que ganhou nova estrutura toda articulada, aposentando a antiga, emprestada provavelmente de outro santo bem menor.

      Morando na rua da igreja há gerações, são verdadeiros guardiões do nosso patrimônio, preservando com a mesma técnica e sabedoria dos antepassados, todo um conhecimento e história da Igreja do Bonfim. Assim como Dona Santinha, de 90 anos, que acompanha rigorosamente nossa obra, e outros moradores que têm nos olhos e no coração verdadeira paixão por esta igreja. Nada melhor que ver nos olhos destas pessoas o encantamento em cada etapa cumprida, fruto do respeito que temos tido com nosso trabalho de restauração, pela obra e pela comunidade. Caminhamos para o fim da restauração e a comunidade para o começo de uma nova apropriação do velho passado
.”

     Eu o questionei sobre a necessidade de restauração da imagem e ele me respondeu:

     “A antiga roca foi uma adaptação que o pai do Sr. Zuca e outros membros da Irmandade (do Santíssimo Sacramento), em certo período, ajeitou há muito tempo, para sair em uma procissão. Provavelmente, a Roca pertencente ao conjunto de cabeça e membros se perdeu ao longo do tempo, já não sendo mais a original. Os artistas eram muito qualificados neste período, ainda mais este desta imagem, que é perfeita em anatomia. Jamais colocariam uma roca desproporcional em tamanho, largura e altura, com braços de enchimento de crina de cavalo. Nas igrejas sempre tinha várias rocas, porque aí podia colocar a mesma cabeça e mãos em varias posições de acordo com cada um dos paços, quando não tinham membros suficientes para cada cena. Esta roca nova é uma segunda opção de montagem mais proporcional e segura, para a parte realmente importante, membros e cabeça, que se estragavam muito com os braços de pano, fixados com pregos no sec. XX, tendo que ser amarados à cruz, e quando soltos batiam no chão de tão compridos.

     Adriano Curado, observe o tamanho da cabeça do Cristo perto da do Senhor Zuca. A roca antiga é do tamanho dele de joelhos. A antiga está também na igreja e irá permanecer lá. Veja que a roca é um suporte, como é o chassi para uma tela, fundamentais mas nunca feito para serem vistos. Entretanto, sua qualidade é fundamental para a proteção da obra de arte, ainda mais quando estão ainda em função, como esta, que se desloca muito, pelo que vi na procissão estes dias, chegando cansada e molhada, como chegou de volta ao Bonfim. Ela está é pedindo para aposentar.”