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sexta-feira, 29 de maio de 2020

Uma novena para os escolhidos


Estão na internet as filmagens das novenas do Divino e ali se veem alguns privilegiados que têm a bênção de terem sido escolhidos para assistir aos atos. Enquanto isso, o restante da população passa ao largo das celebrações.

Aqueles que têm acesso à internet ficam em casa tomados de emoção e imaginando como poderia ter sido a vida sem o coronavírus. Mas tem muito mais gente que não sabe acessar YouTube, Facebook, Instagram etc.; que inclusive nem possui um smartphone para instalar um aplicativo de WhatsApp. Estes últimos, no muito, acompanham pelo rádio.

E já que tomaram a decisão de realizar a parte religiosa da festa do Divino, então que se fizesse a coisa mais abrangente. Se estão liberados no estado de Goiás os cultos religiosos, desde que respeitadas as regras sanitárias, por que não abriram a Matriz para o povo? Neste instante, o leitor me pergunta: e o perigo de contágio? Então eu respondo: olha o tamanho do espaço do templo! Basta limitar os fieis e todos usarem máscaras. Ou então poderiam optar por um culto ao ar livre, ali próximo ao salão paroquial, com a participação dos que quiserem. Haveria então menos risco de aglomeração do que, por exemplo, uma fila de banco.

Discordo absolutamente das celebrações a portas fechadas, com poucos convidados privilegiados. Ou participa todo o universo católico, ou ninguém. Outro coisa, já que está ocorrendo parcialmente a parte religiosa da festa, inclusive com a participação do imperador nas novenas, então pode haver o sorteio do festeiro do ano que vem.

A festa do Divino de 2020 já está acontecendo, tenha você sido convidado ou não.

Adriano Curado

Fonte das imagens: Site da Irmandade do Santíssimo

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Cavalhadas de Pirenópolis no batismo de Goiânia


A cavalhada de Pirenópolis se fez presente no Batismo Cultura de Goiânia. 

Consta o seguinte no Livro de Tombo da Matriz de Pirenópolis (1929 – 1955), p. 82: “No dia da inauguração, 5 de julho de 1942, houve missa festiva e sermão vespertino. Parece que o povo mostrou pouco interesse por este histórico acontecimento único da fundação de Goiânia. Lá na capital, repetiu-se a nossa Cavalhada e Pirenópolis ocupou um lugar honroso na exposição de todos os municípios do Estado”. 

A participação da Cavalhada se deu em dois dias, com todas as carreiras, não foi apenas uma demonstração. O prefeito à época era meu saudoso tio-avô José Augusto Curado, que conseguiu mobilizar a maior caravana que compareceu à capital: 24 cavaleiros e pegadores de lança, a banda, moças do desfile, tratadores de cavalos etc. 

Na foto, meu igualmente saudoso avô José Abadia de Pina, então com 19 anos, na Cavalhada em Goiânia. Fica um pouco dessa história que aconteceu há 75 anos.

Adriano Curado

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Largo da Matriz

No largo, da esquerda para a direita: casarão de José de Pina, Pensão Central, a barriguda, o atual Rex Hotel, o teatro e o casarão onde nasceram os patriarcas da família Jayme e Sá.


As cidades históricas goianas geralmente cresciam em volta de um largo (área urbana espaçosa na junção de ruas), onde havia templos, repartições públicas, casas dos coronéis, e por aí vai. Ali aconteciam as festas, profanas ou religiosas, as manifestações políticas, além de servir de referencial para os recém-chegados.
A Igreja Matriz se destaca soberana ao centro do largo.


A Cidade de Goiás tem ainda hoje vários largos, como o do Chafariz, que cito por ser o mais famoso. Igualmente em Corumbá de Goiás, nossa vizinha irmã, existem na atualidade largos que sobreviveram às ambições imobiliárias dos gananciosos.



Na Cidade de Goiás, a beira rio também era um largo.


Até a década de 1960, existia em Pirenópolis um largo imenso que circundava a igreja Matriz, ia desde o início da rua do Rosário até a rua Nova. Por conta da grandiosidade desse largo, o grande templo se destacava isolado e nenhuma construção lhe tirava o brilho. Era óbvio que a Matriz ali está por conta de cálculos bem feitos, que a situaram em local de perfeita visibilidade. Por exemplo, quem a olha do início da rua do Rosário tem a impressão de que ela é bem maior, mas quem a vê de trás, acredita piamente que seu telhado flutua sobre a cidade baixa.



Coronel Chico de Sá, em 19.9.1923, no largo com seus eleitores.


Os antigos moradores de Meia Ponte bem que poderiam ter ali edificado, por exemplo, prédios públicos, como a velha cadeia. Mas não o fizeram. Pelo contrario, demarcaram o limite de suas construções de forma a preservar o entorno da Matriz. Eram muito sábios esses velhos habitantes herdeiros dos bandeirantes!




Largo intacto na praça do Chafariz, na Cidade de Goiás.


No fundo da Matriz corriam-se Cavalhadas, e os camarotes eram dispostos em torno do terreno amplo e plano, da casa de Sansa Lopes até à de José Abadia de Pina. Quem viveu naquela época conta da boa impressão que dava ver os camarotes enfeitados de panos de chita coloridos, cobertos com folha de buriti e emoldurado pelas torres da Matriz.




Encenação das Cavalhadas no largo, 
e ao fundo vê-se o cajazeiro e a barriguda.


Mas nem só para encenação das Cavalhadas servia o largo. Também ali se deram ruidosas manifestações políticas, como bem salienta Jarbas Jayme, ao comentar a famosa fotografia do coronel Chico de Sá cercado de cavaleiros: “No tempo das eleições 'a bico de pena' e dos quartéis de eleitores. A fotografia é de 19.9.1923, véspera do renhido pleito municipal, de que saiu vitoriosa a chapa encabeçada por José Ribeiro Forzani (Zeco totó), para intendente municipal. (…) A foto registra a histórica entrada na cidade, às vésperas do pleito, às 15 horas, do coronel Francisco José de Sá (cel. Chico de Sá), à frente de seu eleitorado rural. O coronel Sá é o cavaleiro do centro, à frente. De pé, à direita, o coronel Félix Jayme, líder político vitorioso, chefe da corrente caiadista, então no poder e que só foi apeada pela revolução de 30.” (Famílias Pirenopolinas, vol. IV. p. 414)



Largo preservado na cidade de Corumbá de Goiás.


Também não foi por acaso que Sebastião Pompêo de Pina escolheu o largo para a construção do prédio do teatro. Por ser um espaço de importantes manifestações culturais e religiosas da cidade, ali era o sítio perfeito para a encenação das peças teatrais.




Tronco do centenário cajazeiro no largo da Matriz.

Duas outras peças históricas existentes no largo da Matriz eram os centenários cajazeiro e barriguda, que serviram de sombra para muitas gerações. Ficavam entre o casarão de José Abadia de Pina e a Pensão Central. E quando nesta pensão havia uma rodoviária, os passageiros aguardavam os ônibus sob suas copas frondosas. As duas árvores foram derrubadas para a construção da avenida Joaquim Alves, no mandato do prefeito Emmanuel Jayme Lopes, mas continuaram na lembrança dos pirenopolinos mais velhos.



Encenação das Cavalhadas antigas no largo, 
e ao fundo vê-se a linda imagem da 
Matriz em contraste com o horizonte.


Infelizmente não conheci o velho largo da Matriz. Nasci muitos anos depois da sua destruição. Mas quando converso com moradores antigos sobre o lugar, sinto uma certa nostalgia, como se algo faltasse na história de Pirenópolis. Ele faz falta. Imagine a Cidade de Goiás sem o largo do Chafariz!



Lamento de Jarbas Jayme sobre a destruição do largo, 
extraído do livro Famílias Pirenopolinas, vol. II, p. 326.
                                                                    
Recentemente, num projeto de revitalização que infelizmente ficou pela metade, o Salão Paroquial foi demolido e construído na lateral da Matriz. Mas faltou verba para a complementação do que fora prometido. É que a praça Emmanoel Jayme Lopes, abandonada há muitos anos, enfeia o Centro Histórico de Pirenópolis. 

A praça Central
Quando a praça Central foi construída era um bonito projeto arquitetônico. Eu me lembro do chafariz que funcionava onde hoje há um buraco que serve de banheiro público clandestino. Com o tempo e o abandono, as raízes das árvores levantaram as pedras e alguns bancos de pedra. Está um aspecto horroroso de tapera. Não arrumam porque fica naquela espera: vai demolir ou não? E ainda tem o IPHAN com seus pareceres surpresa.

No estado em que está, o ideal seria retirar o prédio dos Correios e a praça para reviver os bons tempos e criar um espaço verde, de convivência, em pleno coração de Pirenópolis.
 

Adriano Curado

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Fim de festa

  
Terminou mais uma Festa do Divino de Pirenópolis. Foram dias de intensas comemorações e orações, muitas manifestações folclóricas e culturais. Mas agora chegou ao fim. Restaram por aí os restos de bandeirolas arrebentadas e esvoaçantes. Nada mais. Agora é esperar pelo ano que vem, quando a festa certamente será outra vez revivida, como tem sido há quase dois séculos.
Adriano Curado

terça-feira, 17 de maio de 2016

Último dia de festança

Hoje é o último dia da Festa do Divino de Pirenópolis. Começa a bater um certo desespero na gente, sensação de que esta terça-feira vai correr muito rápido e, quando é fé, já não há mais nada que festejar. O povo vai mais cedo para o Campo das Cavalhadas, quer aproveitar os instantes finais. Tem gente com tamborete e caixa de isopor na cabeça, outros carregam sacolas com as guloseimas, e não faltam aqueles que sobem com as mãos vazias para filar no camarote alheio.

O terceiro dia das carreiras é um torneio alegre e festivo. Tem as argolinhas medievais e tem a disputa de tirar máscaras com espada ou tiro. Mas têm também as belas carreiras da troca de rosas e dos lenços que acenam nossa esperança.

Não tarda e o campo ficará silente, apenas com os esqueletos dos camarotes a nos lembrarem que ali, naquela arena improvisada, celebramos o espetáculo da nossa cultura e revivemos a tradição que herdamos dos mais velhos.

Adriano Curado

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Reinado em Pirenópolis

NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO E SÃO BENEDITO EM PIRENÓPOLIS


O Reinado de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e o Juizado de São Benedito são festejos de negros escravos do século XVIII, que ocorrem, todos os anos, em Pirenópolis/Goiás durante a festa do Divino Espírito Santo. Não há uma data precisa da junção destas festividades, mas sabe-se  que São Benedito e Nossa Senhora do Rosário são comemorados em Pentecostes desde final do século XIX.


Os referenciais ritualísticos que concorrem para a estruturação desses festejos são obtidos no catolicismo popular, tendo como centro de sua realização dois dias no calendário das comemorações ao Divino Espírito Santo: segunda-feira dedicada a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e terça-feira a São Benedito.


No domingo que antecede o domingo de Pentecostes, após a novena do Divino, tem-se o ritual de benzimento das bandeiras destes dois santos realizado na igreja da Matriz.  Em seguida essas bandeiras são conduzidas por um pequeno cortejo até à Igreja do Bonfim e levantadas nos mastros acompanhadas da queima das fogueiras. Nas manhãs de segunda e terça-feria, após o domingo do Divino, tem-se os cortejos do Reinado e Juizado, as missas e a farta distribuição de “doces” (salgados e/ou doces de frutas) e bebidas, principalmente os licores. Tudo isso acompanhado pelas bandeiras dos santos homenageados, as insígnias (coroas de prata, quadros, prato do andador e as varas de madeira e de prata dos Juízes), Banda de Couro – banda típica do Reinado e Juizado -, Banda de Música, Congada, Congos e os acompanhantes.


O Reinado de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos teve como rei, em 2009, o jovem Apoema Pireneus de Oliveira e como rainha, sua tia Colandi Carvalho Oliveira; o Juizado teve como juiz e juíza do cordão Maurício Imenes e sua esposa Gislene da Trindade Imenes. Estes são os responsáveis pela realização da farta distribuição de “comes e bebes”,  sendo comum ter até quatro comemorações quando rei, rainha, juiz e juíza não têm parentesco ou não se juntam para organizar a recepção  (no caso deste ano foram duas recepções).


As celebrações dos festejos do Reinado e do Juizado em Pirenópolis são configuradas em três momentos rituais, que indicam os lugares de realização da festa: as casas do rei, rainha, juiz e juíza, as ruas por onde os cortejos passam e a Igreja.Na segunda-feira pela manhã, o Reinado saiu da casa do juiz e da juíza de São Benedito e, em cortejo pelas ruas da cidade, buscou o rei e a rainha de Nossa Senhora do Rosário em sua residência. O cortejo ampliado seguiu para igreja da Matriz, onde aconteceu a missa em homenagem à Nossa Senhora do Rosário. Ao final da missa, o cortejo, contando neste momento com centenas de partícipes, foi para a casa do rei e da rainha de Nossa Senhora do Rosário para a festa de distribuição de doces, terminando com a devolução do juiz e da juíza de São Benedito às suas casas.  Na terça-feira o ritual se repetiu homenageando São Benedito e invertendo a ordem dos quadros, pois, foram o rei e a rainha de Nossa Senhora do Rosário que buscaram os componentes do Juizado.


As Irmandades de Nossa do Rosário dos Pretos e a de São Benedito,  compostas em sua maioria por negros escravos e forros, eram as responsáveis pela manutenção e organização das atividades na Igreja de Nossa Senhora dos Pretos – demolida na década de 1940. Para se chegar a rei, rainha, juiz ou juíza tinha que ser aprovado pelas mesas diretoras das irmandades e pagar em ouro, as chamadas jóias, aos santos homenageados. Esses participantes adquiriam ainda o direito a um funeral como o dos brancos e eram enterrados dentro da igreja. Desde a década de 1990 o Reinado e o Juizado são organizados por Geraldo Herculano de Oliveira, filho de Jackson Basílio de Oliveira, que presidiu as Irmandades nos seus últimos anos de atuação – final da década de 1960 - por isso não há sorteios e nem o cumprimento da hierarquia das varas de madeira e prata, que eram decididas pelas mesas diretoras das Irmandades.


Mesmo não existindo mais a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e as irmandades, os festejos, na atualidade, continuam ligados à tradição local, contando em sua maioria, com a presença de pirenopolinos que têm identificação individual e até coletiva com o momento. Os partícipes são de diversas classes sociais que, mesmo não tomando parte como atores centrais, rei, rainha, juiz ou juíza,  contribuem para a realização e a ampliação dos festejos.







As imagens são dos festejos de 2009 e foram fotografadas por Tereza Caroline Lôbo.


Texto:   Tereza Caroline Lôbo

              João Guilherme da Trindade Curado


Fontes:

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Divino, o Santo e a Senhora. Rio de Janeiro, FUNARTE, 1978, 163p.

CURADO, João Guilherme da Trindade, LÔBO, Tereza Caroline. A híbrida religiosidade negra nos festejos do Reinado e Juizado em Pirenópolis-GO. Texto apresentado no V Simpósio Internacional do Centro de Estudos do Caribe no Brasil: Fronteiras em Movimento: África – Brasil – Caribe. Salvador, Bahia. Set/Out – 2008.

LÔBO, Tereza Caroline. A Singularidade de um Lugar Festivo: O Reinado de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e o Juizado de São Benedito em Pirenópolis. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2006. 152 p. Dissertação de Mestrado.

A celebração de Pentecostes

Pentecostes é uma importante celebração do calendário cristão, onde se comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do Domingo de Páscoa.

Historicamente, o dia de Pentecostes ocorre no 7º dia depois do dia da Ascensão de Jesus, pois ele ficou 40 dias, depois da ressurreição, ministrando os derradeiros ensinamentos aos discípulos. Assim, se somarmos esses 40 dias mais os 3 em que ficou na sepultura, teremos 43 dias. Os 7 dias restantes são aqueles em que os discípulos permaneceram no cenáculo até a descida do Espírito Santo.

O Pentecostes judaico se refere à colheita e comemora a entrega dos 10 Mandamentos no Monte Sinai, 50 dias depois do Êxodo. Diferente dos cristãos que, como vimos, celebram a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

A celebração do Divino Espírito Santo originou-se na promessa da rainha D. Isabel de Aragão, por volta de 1320, que prometeu peregrinar pelo mundo com uma coroa tendo uma pomba no alto e assim arrecadar donativos em benefício da população pobre. Ele queria alcançar uma graça especial, que era a concórdia entre seu esposo, o rei D. Dinis, e seu filho, o príncipe D. Afonso. A graça foi alcançada e ela cumpriu a promessa.

Tamanho foi o empenho da rainha, que se criou uma fervorosa devoção ao Espírito Santo, culto que se espalhou por terras portuguesas, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América e diversas partes do Brasil. Tornou-se aos poucos uma cerimônia onde uma criança era coroada e doava comida ao povo (fartura) e tinha o poder de libertar um preso (perdão).

Veio ao Brasil através dos colonizadores portugueses e foi registrada pela primeira vez em Pirenópolis no ano de 1819, quando Joaquim da Costa Teixeira foi sorteado Imperador do Divino. Alguns acham que a festa chegou muito antes em Meia Ponte. Em 1826, quando o padre Manuel Amâncio da Luz foi sorteado Imperador, começaram as apresentações das Cavalhadas.

As celebrações em culto ao Espírito Santo são espalhafatosas, com muitas cores, barulho, brilho, sinos, fogos. O Imperador distribui pãezinhos bentos, alfenins e verônicas ao povo. Mas seu poder já foi bem maior, época em que só ocorriam Cavalhadas se ele consentisse e patrocinasse, por exemplo. Também em nossa terra ele tinha o poder de soltar um preso da cadeia pública.

Adriano Curado

Fonte:
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis; Uma Cidade para o Turismo. Goiânia, Oriente, 1980.
Título
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis. 2 v. Goiânia: Imprensa da UFG, 1971.
MARTINS, Francisco Ernesto de Oliveira. SANTOS, João Marinho dos. A festa nos Açores.
Açores: Serafim Silva, 1992.


domingo, 15 de maio de 2016

O Domingo do Divino Espírito Santo



     Chegou finalmente o Domingo do Divino! Cinquenta dias após a Páscoa, cá estamos nós na Festa de Pentecostes, com todos os exageros e excentricidades que a data requer. 


     Lá no alto, nesta manhã fria, há o contraste violento entre o vermelho das bandeirolas do Cortejo Imperial e o azul imaculado do céu de seca no cerrado.


     Há um ar de pompa e nostalgia que paira sobre a cidade, como requer todo Cortejo Imperial, desde os tempos dos impérios lá pela Europa. 


     Às oito horas sai o Imperador de sua casa e vai para a Matriz, seguido por dois longos cordões de virgens (criança vestidas de branco), banda de música, etc. 


     Às nove horas tem a missa solene cantada em latim pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário, e ao término dela, sorteio do novo Imperador e mordomos. Quando o Imperador voltar à sua residência, distribuirá o alfenim verônica e também pãezinhos-do-divino aos presentes.


     Nesses três dias finais da festa ocorre a apresentação artística que revive a luta travada entre Mouros e Cristãos pela soberania da Península Ibérica durante a Idade Média. São as Cavalhadas de Pirenópolis, um espetáculo grandioso e cheio de pompas e circunstâncias, imenso teatro ao ar livre. A Banda Fênix acompanha ao vivo todas as carreiras, numa verdadeira maratona musical capaz de provar o músico mais resistente.


     A árias das Cavalhadas são:
  1. Galopes: Mouros e Cristãos;
  2. Quadrilhas: Violeta, Flor da Noite, Três Sossegados, Noiva Encantada;
  3. Valsa: durante o Batismo;
  4. Galope Final: Cavalhada acabou.


     Cada carreira e os diálogos que se desenvolvem estão pormenorizadamente descritos por Mauro Cruz em www.pirenopolis.tur.br.


Adriano Curado

sábado, 14 de maio de 2016

O Sábado do Divino Espírito Santo



     Hoje é o Sábado do Divino, e a cidade é despertada com os afagos melodiosos das bandas de Couro e Fênix. Corações se sobressaltam, a Grande Festa profana chegou!



     As ruas se enchem de cores fortes. E são muitos os brilhos, os sons, os poemas. Fogos pipocam no céu, os foguetes de rabo sobem numa espiral de fumaça e explodem lá em cima. Cá em baixo, as roqueiras balançam as entranhas da gente, fazem tremer o chão e o espírito tão acostumados, ambos, com essas festanças exageradas do lado de cá.



     Meio dia toca a Banda Fênix da lateral da Matriz. O povo se ajunta devagar, hipnotizado pelos sons mágicos dos instrumentos. E tem também o vendedor de balão, de pipocas, de algodão doce. O público aplaude, extasiado com mais uma festança.



     Mas a surpresa maior são os Mascarados, e eles não demoram a aparecer. A princípio vem um, dois, quatro, dez. E agora a rua já está cheia de cavalos enfeitados, de máscaras de boi, de roupas extravagantes.



     Mais tarde tem a última novena, com o Coral Nossa Senhora do Rosário que canta em latim. Depois, o levantamento de mastro, a queima da fogueira, a Banda de Couro, zabumbas, retretas. E já corre o povo para a beira-rio atrás da incansável Fênix, multidão que se aperta na rua do Rosário e disputa espaço no largo lá embaixo. Faz-se silêncio, expectativa... De repente, abre-se o ventre do céu e as estrelas da noite se misturam com os fogos faiscantes, chuvas de brilho que derramam encantamento, enlevo, contemplação, arrebatamento.



     Por fim, fecha a noitada de festas com a apresentação de As Pastorinhas, em mais um ano de tradição e cultura.

     Tudo isso compõe a Festa do Divino.


Adriano Curado