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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Três personagens da Festa do Divino


Aproximando-se a Festa do Divino de Pirenópolis, é o momento de relembrarmos pessoas que contribuíram para o engrandecimento desse histórico evento. Na fotografia, da esquerda para a direita temos: Manoel Mendonça Lopes (17.04.1923 - 25.12.1981), Elesbão e José Abadia de Pina (7.4.1923 – 11.9.1983).

Manoel, na verdade, era conhecido como Fiíco da Babilônia, um grande músico, tocava viola, compôs muitas músicas. Ele e os irmãos Duque e Nico eram os integrantes do conjunto musical “Babilônia”. Participou das Cavalhadas como embaixador mouro de 1966 a 1972.

José passou a ser chamado de Zé Lulu, um rei mouro de muitas histórias. Participou de todas as Cavalhadas que foram apresentadas entre 1940 a 1972. Tornou-se rei em 1953, quando Agostinho de Pina foi sorteado Imperador do Divino.

Elesbão se tornou Lisbão no linguajar pirenopolino. Tinha uma leve deficiência mental e por isso sofreu muito bullying da meninada da época. Gritavam que ele era “boca de goiaba” e em resposta dava pedradas. Foi importante nos festejos porque ia ao campo durante as Cavalhadas e servia água para os cavaleiros e lanceiros. Usava uma camisa engraçada, azul de um lado e vermelha de outro, em homenagem aos mouros e cristãos.

A esses três personagens, minhas homenagens.

Adriano Curado


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O largo da Matriz


E passam os anos, correm os séculos, o Largo da Matriz continua lá, como se contemplasse o transcorrer da história humana. Ele já reinou soberano, apenas com a Matriz espetada em seu centro. Depois foi mutilado por construções horrendas e discutíveis. Mas agora começa a ser revitalizado, numa tentativa de resgatá-lo do torpor a que foi relegado. Correram-se Cavalhadas diversas nessas terras vermelhas, num tempo em que a saudade era algo saudável de se praticar. Quem saberá o futuro do velho largo?

Adriano Curado

sexta-feira, 26 de abril de 2013

As Cavalhadas reinventadas





     Um fato histórico que poucos sabem, mas que representa um importante marco para a continuidade do folclore pirenopolino, é que as Cavalhadas de Pirenópolis, tal qual as conhecemos hoje, foram totalmente reformuladas na década de 1930.


     Diferente do que acontece nos dias atuais, antigamente as apresentações eram esporádicas, dependiam de uma série de fatores, como a iniciativa do Imperador, por exemplo, e não havia uma equipe fixa de cavaleiros. Se um festeiro decidia “dar” Cavalhadas em seu Império, tinha que ir atrás de quem havia participado há muitos anos das apresentações. Mas pouca gente tinha interesse em correr, pois o espetáculo não possuía o glamour dos dias atuais.


     Com o correr do tempo, as apresentações rarearam, até quase acabar. Nos Impérios de Gastão Jayme de Siqueira (1928) e João Luiz Pompeu de Pina (1929), por mais que os Imperadores se esforçassem, não conseguiram mais reunir os vinte e quatro cavaleiros. Correram com dezesseis, oito de cada lado. Depois disso, houve descrença e os festeiros seguintes não se animaram mais.


     Cinco anos depois, em 1934, foi sorteado Imperador Luiz Abadia de Pina (Lulu), que decidiu reviver tão importante representação teatral. Mas o desafio não foi pequeno. Reunidos os antigos cavaleiros, poucos se lembravam das coreografias, muitos já haviam morrido e grande parte não se interessou. São antigos cavaleiros da época: Júlio de Aquino, Otacílio Fereira, Antônio Jayme, Antônio José da Veiga, entre outros.


     Com a iniciativa de Lulu de Pina, começou-se a formar um grupo fixo de cavaleiros, o que não era fácil. Júlio de Aquino foi rei Mouro. Manoel Inácio de Sá (Neco de Sá), rei Cristão. João José de Oliveira, embaixador Mouro etc.


     Só que havia um problema sério: as anotações das coreografias se perderam e ninguém mais se lembrava de todas as carreiras, depois de tantos anos. Então os cavaleiros tiveram que reinventar as Cavalhadas. Reunidos os antigos, indagavam sobre essa ou aquela carreira, anotavam. E as que não eram mais lembradas, eles inventaram com caroço de milho sobre a mesa (depoimento de João José de Oliveira). Até que conseguiram fechar.

Lulu de Pina, Imperador em 1934

     A missão que Lulu de Pina lhes confiou era tão grande, que eles ensaiavam o dia todo. Fugiam do sol à medida do possível com a variação de locais. Eram três campos de ensaio. De madrugadinha, ensaiavam no antigo campo de aviação, onde hoje está o bairro Alto do Bonfim. À tarde, detrás da Igreja do Carmo, um local deserto onde eles próprios improvisaram um campo. E à noite, com precária iluminação, fechavam o dia com breve ensaio no campo de futebol, mesmo local onde ocorrem as apresentações atualmente.


     As apresentações de hoje são herança do esforço daqueles homens singulares, que fizeram o impossível para não deixar morrer as apresentações das Cavalhadas, mas poucos se lembram deles. Fica aqui nossa homenagem aos antigos cavaleiros esquecidos no tempo.

Adriano César Curado

Fonte:
ALMEIDA, Renato. Cavalhadas dramáticas. Folclórica – Revista do Instituto Goiano do Folclore, Goiânia, n. 3, ano 2, 1973.
ALVES, Luiz Antônio. Pirenópolis: Festa do Divino. Cultura – Publicação do Ministério da Educação e Cultura. Brasília, ano I, n. 2, 1971.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Cavalhadas de Pirenópolis. Goiânia: Oriente. 1974.
CARVALHO, Adelmo. Pirenópolis, história, turismo e curiosidade. Goiânia: Kelps, 2000.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis, Uma Cidade para o Turismo. Goiânia.: Oriente. 1980.
PEREIRA, Niomar; VEIGA JARDIM, Mara Públio de Sousa. Uma festa religiosa brasileira: festa do Divino em Goiás e Pirenópolis. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1978.
PINA FILHO, Brás Wilson Pompeu de. Folclore Goiano: Festa do Divino em Pirenópolis. Aspectos da Cultura Goiana. Goiânia, v. 2, 1971.
SILVA, Mônica Martins da. A Festa do Divino. Romanização, Patrimônio & Tradição em Pirenópolis (1890 – 1988). Goiânia: Agepel, 2001.
SIQUEIRA, Vera Lopes de. Datas pirenopolinas – 1727-1997 (s.l., s.d.) (Mimeo).

B) Pessoas entrevistadas:
João José de Oliveira;
João Lopes da Silva (Joãozico Lopes);
Maria Jayme de Siqueira Pina;
Manoel Ignácio de Sá;
Sebastião Dias Goulão;
Venceslau Antônio de Oliveira (Lalau).

* * *

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Zé Lulu



SÉRIE BIOGRAFIAS

JOSÉ ABADIA DE PINA
(Zé Lulu)


     José Abadia de Pina (n. Pirenópolis 07.05.1923 – f. Anápolis, 22.09.1983) foi vereador, fazendeiro, incentivador da cultura e da tradição, um dos responsáveis pela sobrevivência das Cavalhadas de Pirenópolis, evento do qual participou entre os anos de 1940 e 1972.

Foto: Lulu de Pina (Arquivo da Família Pina)

__ Família __

     Zé Lulu, como era conhecido, filho de Luiz Abadia de Pina e Inácia Lopes de Pina, era o mais velho de dez irmãos: Joaquim Neto (Seo Quinho), Hugo, Geraldo, Terezinha, Rosaura (Laíca), Luiz, Antônio, João e Mauro.

Foto: casarão da Família Pina

     Nasceu numa família de artistas, neto do grande maestro Joaquim Propício de Pina (Mestre Propício), fundador da Banda Fênix, sobrinho do teatrólogo Sebastião Pompêo de Pina. Desde criança José já se apresentava em peças teatrais infantis, incentivado pelo avô maestro. Mas foi ainda adolescente, aos 12 anos de idade, que pediu ao pai autorização para se apresentar nas Cavalhadas, na função de soldado mouro ordinário.

Foto: casarão onde morou Zé Lulu

     Casou-se em 1945 com Maria Jaime de Siqueira (n. Pirenópolis 03/06/1923 - f. Pirenópolis, 04/11/2015), filha do casal Josafá de Siqueira e Adelaide Jayme Siqueira, com quem teve duas filhas, Adelaide Marta e Beatriz, ambas casadas e com sucessão. Após o casamento, comprou, dos herdeiros do avô Mestre Propício, o casarão no Largo da Matriz onde nascera, até hoje pertencente à sua família.

Foto: Fazenda Chumbado na década de 1950 (Arquivo Família Pina)

     Na década de 1940, Lulu de Pina recebera de herança do pai, Mestre Propício, uma fazenda de aproximadamente mil alqueires, ali construiu casarões coloniais semelhantes aos pirenopolinos e assim teve início a famosa Fazenda Chumbado. Ali José e sua esposa Maria moraram por mais de 30 anos.

Foto: Zé Lulu em 1968 (Arquivo da Família Pina)

__Cultura__

     Quem sabe conduzir bem uma montaria, tem o que se chama boa mão-de-rédea. No caso do biografado, sua facilidade em se comunicar com os animais e saber conduzi-los pelo movimentado Campo das Cavalhadas arrancava aplausos da plateia extasiada. Ou seja, tinha uma impecável mão-de-rédea.

Foto: Zé Lulu (à esquerda) em apresentação no Largo da Matriz (1958)
Arquivo da Família Pina

     José de Pina foi o Rei dos Mouros que ficou na história das Cavalhadas de Pirenópolis. Até hoje ele se perpetua na imaginação dos pirenopolinos, como uma lenda que sobreviverá ao tempo. Por viver em fazenda e desde pequeno não sair do lombo de mulas e cavalos, ganhou grande intimidade no manuseio desses animais. Quando resolveu participar das Cavalhadas, seu porte elegante sobre as montarias fez com que os pirenopolinos associassem sua imagem à do ator Charlton Heston, que fazia sucesso no cinema norte-americano à época com personagens como Judah Ben-Hur e El Cid.

Foto: batismo em 1966 (Arquivo da Família Pina)

     Zé Lulu participou pela primeira vez das Cavalhadas de Pirenópolis em 1940, quando era Imperador de Divino Jácome de Siqueira, na função de soldado ordinário. Em 1953, quando Agostinho de Pina “caiu” Imperador do Divino, Lolô era Rei dos Mouros, e devido a algumas desavenças que não convém contar aqui, abandonou o posto. Então Zé Lulu virou Rei dos Mouros e Décio de Carvalho seu Embaixador. Correram juntos em 1953, 1957 e 1958, quando findaram-se as apresentações no Largo da Matriz, que foi destruído posteriormente.

Foto: Cavaleiros voltam do ensaio em 1966 (Arquivo da Família Pina)
Os quatro primeiros são: Lalau, Zé Lulu, Dito Zafá e Fiíco
Na janela, Dona Semírames, mãe de Emílio de Carvalho
     Quando as Cavalhadas voltaram a ser apresentadas, como não havia mais o velho largo, as encenações tiveram de ocorrer no campo de futebol Dr. Ulisses Jayme, localizado na Rua do Campo. Era o ano de 1966, quando Mauro de Pina foi sorteado Imperador do Divino, e Fiíco da Babilônia passou a ser Embaixador dos Mouros, embora Zé Lulu permanecesse Rei.

Foto: Zé Lulu empina seu cavalo na vertical em 1966 (Arquivo da Família Pina)

     Apresentou-se pela última vez nas Cavalhadas em 1972, festa de Cloves Afonso de Oliveira. No ano seguinte, festa de José Inácio Gomes da Silva (Inacinho), por causa da doença de seu pai, José não quis mais correr.


Zé Lulu e Fiíco da Babilônia em 1968 (Arquivo da Família Pina)

__Cavalhadas perto do fim__

     Em 1934, quando caiu Imperador do Divino, Lulu de Pina salvou as Cavalhadas do fim, ao juntar velhos cavaleiros e alguns moços e fazer com que o evento voltasse a acontecer. O mesmo ocorreu quando, em 1958, houve a última apresentação das Cavalhadas no Largo da Matriz, que em seguida foi ocupado pela praça, salão paroquial e prédio do correio, e esse folclore foi esquecido.

Foto: Imperador Mauro de Pina (1966), tendo José em primeiro plano
e Lulu logo atrás. Foto: Arquivo da Família Pina

     Em 1966, Mauro de Pina foi sorteado Imperador e seu pai, Lulu de Pina, novamente articulou para salvar essa manifestação cultural pirenopolina. Para isso, Lulu deixou a cargo do filho José a difícil tarefa de recriar o evento. Foi preciso trazer de volta os veteranos e garimpar rapazes interessados em participar das apresentações, até completar os 24 cavaleiros. Para ajudar Pirenópolis, vieram bons cavalos de Goianésia e indumentária dos cavaleiros de Palmeiras de Goiás.

     Deu certo. Venceslau Antônio de Oliveira (Lalau) foi Rei Cristão e Benedito Jayme (Dito de Zafá), Imperador. Zé Lulu foi Rei Mouro e Manoel Mendonça Lopes (Fiíco da Babilônia), Embaixador.

Foto: Zé Lulu e Fiíco da Babilônia em 1968 (Arquivo da Família Pina)

     As Cavalhadas de Pirenópolis voltaram em 1966 e, salvo uma falha em 1970 (porque morreu o prefeito e irmão do Imperador), nunca mais deixaram de ser apresentadas na cidade.


Zé Lulu em 1968 (Arquivo da Família Pina)

__Considerações Finais__

     Das apresentações de Zé Lulu nas Cavalhadas ficaram suas performances perfeitas sobre os cavalos, principalmente no instante das embaixadas, quando empinava as montarias numa ângulo tão vertical, que parecia que ambos cairiam. Também eram espetaculares as lanças que atirava sobre o arco das argolinhas, passava o cavalo em disparado galope por baixo e a alcançava lá na frente, antes que pudesse tocar no chão.

     Foi Imperador do Divino no ano de 1947, quando fez uma fenomenal queima de fogos no Largo da Matriz e ofereceu um churrasco nas Lages para toda a população pirenopolina.

     Zé Lulu morreu em 1983, aos 60 anos de idade, vitimado por um câncer. Deixou largo círculo de amigos e nunca praticou um ato sequer que pudesse pingar uma nódoa em sua biografia. Sua viúva é viva, quase nonagenária, e ainda mora no mesmo casarão histórico do Largo da Matriz. Pelo esforço em manter viva a tradição pirenopolina, pelo esforço que empreendeu para não deixar perecerem as Cavalhadas, Zé Lulu merece, com louvor, figurar entre os biografados deste site.

É Patrono da Cadeira XXXVIII da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM).
Foto: Festa do Divino de Zé Lulu em 1947 (Arquivo da Família Pina)
Foi servido um churrasco a todos os pirenopolinos nas Lages 

Fontes de pesquisa:

A) Bibliografia:



ABREU, Marta C. Mello. Moraes Filho: Festas, Tradições Populares e Identidade Nacional. In: História Contada.Org: CHALBOUB, Sidney & PEREIRA, Leonardo Affonso de M. Rio de Janeiro Nova Fronteira 1998. P. 171-193.
ALMEIDA, Renato. Cavalhadas Dramáticas In; Folclórica nº 3, ano 2 1973, Goiânia,
Instituto goiano do folclore, p.37-54.
ALVES, Luiz Antônio. Pirenópolis: Festa do Divino. Cultura – Publicação do Ministério da Educação e Cultura. Brasília, ano I, n. 2, 1971.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Cavalhadas de Pirenópolis. Goiânia: Oriente. 1974.
CARVALHO, Adelmo. Pirenópolis, história, turismo e curiosidade. Goiânia: Kelps, 2000.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis; Uma Cidade para o Turismo. Goiânia.: Oriente. 1980.
CURADO, Adriano César. Os Carapinas dos Pireneus. Goiânia: Kelps. 2014.
CURADO, Adriano César. Biografia do Mestre Propício. 2003. (Mimeo).
JAYME, Jarbas. Família Pirenopolinas: ensaios genealógicos. v. 1. Goiânia: UFG, 1973.
LACERDA, Regina. Traços da Cultura Portuguesa em Goiás. In: Rev Brasileira do Folclore. Rio de Janeiro, MEC, 1968.
PEREIRA, Niomar; VEIGA JARDIM, Mara Públio de Sousa. Uma festa religiosa brasileira: festa do Divino em Goiás e Pirenópolis. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1978.
PINA FILHO, Brás Wilson Pompeu de. Folclore Goiano: Festa do Divino em Pirenópolis. Aspectos da Cultura Goiana. Goiânia, v. 2, 1971.
SILVA, Mônica Martins da. A Festa do Divino. Romanização, Patrimônio & Tradição em Pirenópolis (1890 – 1988). Goiânia: Agepel, 2001.
SIQUEIRA, Vera Lopes de. Tradições Pirenes. 2ª edição. Goiânia. Kelps. 2006.
SIQUEIRA, Vera Lopes de. Datas Pirenopolinas-1727-1997. (Mimeo).

B) Pessoas entrevistadas:
  • Alaor de Siqueira;
  • Benedita Lopes de Siqueira (dona Ita);
  • Boanerges Pireneus de Oliveira.
  • Euler de Amorim;
  • João José de Oliveira;
  • João Lopes da Silva (Joãozico Lopes);
  • Lélia de Pina Amor;
  • Maria d'Abadia Pina Godói;
  • Maria Jayme de Siqueira Pina;
  • Manoel Ignácio de Sá;
  • Nadiédia de Oliveira;
  • Sebastião Dias Goulão;
  • Sebastião Pereira (Bidoro);
  • Silvino Odorico de Siqueira;
  • Venceslau Antônio de Oliveira (Lalau);
  • Violeta de Aquino.
     Agradecimento à Família Pina, que me emprestou as fotografias históricas e muitas informações importantes, assim como aos entrevistados.

Adriano Curado



quarta-feira, 23 de maio de 2012

A dança e o teatro



     A Festa do Divino de Pirenópolis não seria a mesma sem duas manifestações culturais importantíssimas: a DANÇA e o TEATRO. 

     Desde o século 19 que ali se apresentavam inúmeros espetáculos dessa natureza, em especial durante as comemorações de Pentecostes, quando então ficava ao livre arbítrio do imperador autorizar ou não a apresentação. 

     Mas nem só durante as festas ocorreram encenações desse tipo, tanto que o primeiro prédio de teatro da cidade foi construído ainda em 1860, pelo comendador Manuel Barbo de Siqueira.

      O segundo teatro foi erguido em 1899 por iniciativa de Sebastião Pompeu de Pina e ainda existe no largo da Matriz. Em 1919 o padre Santiago Uchôa levantou o prédio que seria o terceiro teatro local, que mais tarde recebeu o nome de Cine-Teatro Pireneus, na rua Direita.

     No que se refere à peças teatrais, muitas foram apresentadas durante a Festa do Divino, a exemplo do drama Demofonte (maio de 1837, junho de 1878 e maio de 1969), o drama Aspásia (junho de 1837), o drama Fantasma Branco (junho de 1867 e maio de 1885), bem como Estátua de carne, O poder de ouro e Graças a Deus (em maio de 1874).

      Em relação à dança, podemos ressaltar as danças folclóricas, os torneios de catira, a complicadíssima encenação da contradança com suas fitas multicoloridas trançadas, além das coreografias do congo e da congada.

      Num misto entre o teatro e a dança, a principal manifestação é a peça As pastorinhas.

Bibliografia:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Divino, o santo e a senhora. Rio de Janeiro: Funarte, 1978.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis: Uma cidade para o turismo. Goiânia: Oriente, 1980.
JAYME, Irnaldo. Furacão histórico. Anápolis: Ed. Cristã Evangélica, 1970.
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis., Tomos I e II. Goiânia: UFG, 1971.


Adriano César Curado




terça-feira, 21 de junho de 2011

A demolição do Salão Paroquial


O coreto da Praça Central será demolido
  
     Começaram esta semana as obras de revitalização do Largo da Matriz. O primeiro a ser demolido é o Salão Paroquial, que já tem seu teto parcialmente desmontado. A Igreja Católica, proprietária do imóvel, tentará aproveitar o máximo de material possível.


A Casa Paroquial começou a ser demolida


      Depois que o caixotão de tijolo desobstruir totalmente a visão da Matriz, então será a vez da Praça Central, que perderá toda a sua estrutura de pedra atual, além do coreto, do chafariz e da passarela, e voltará a ser um espaço urbano arborizado.


Maquete da revitalização do Largo da Matriz

      Embora seja eu um dos maiores defensores da volta do largo, confesso que senti uma certa nostalgia ao passear na praça pela última vez e fotografá-la ao máximo, para guardar de registro histórico. Apesar de feia, essa praça fez parte da história da minha vida, quando era o único  local movimentado de Pirenópolis e a gente ir para lá sábado à noite para passear. Era lindo quando o chafariz ainda funcionava, mas a molecado começou a saltar lá dentro e tiveram que secá-lo para evitar acidentes. Depois disso, a área do chafariz virou um boteco, por mais de década, e recentemente foi desocupada.


Maquete da revitalização do Largo da Matriz


      Se eu fosse o rei de Pirenópolis, mandaria limpar toda a área do largo, inclusive o prédio horripilante dos Correios, e ali não construiria nada, apenas plantaria árvores frutíferas e jardins ornamentais.



by Adriano César Curado

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A revitalização do Largo da Matriz

Imagem MPF


     Desta vez é para valer. Finalmente terão início as obras de revitalização do velho Largo da Matriz, com a demolição do Salão Paroquial, da Praça Central e da Casa do Padre.

     Não é, obviamente, o melhor para o lugar, pois perfeito seria a desocupação total da área, com a volta primitiva do Largo, embora com paisagismo, para que os moradores voltassem a se interagir. Nem é o ideal a permanência daquele prédio horroroso dos Correios, mas foi um grande avanço.

     Segundo o Ministério Público Federal, a obra do novo Salão Paroquial foi licitada por R$ 1.428.203,50 e sua execução ficará a cargo da empresa Archaios Engenharia, Consultoria, Projeto e Restauração. O lançamento da obra será no dia 17.6.2011, às 16h, com duração prevista para 10 meses.

     Segundo a Procuradoria da República em Goiás: “Entre as principais ações a serem realizadas está a demolição da casa paroquial e a relocação do Salão Paroquial, que deverá ser demolido e reconstruído na parte superior do largo em estilo que se harmonize com a arquitetura do local. O objetivo é o de proporcionar maior visibilidade ao conjunto dos bens tombados do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Rosário”.

     Confira outras postagens no blog Cidade de Pirenópolis sobre o assunto:


     A Praça Central



 


terça-feira, 7 de junho de 2011

Cavalhadas das antigas I

      Nunca devemos esquecer nossa história, aqueles que nos precederam, que cuidaram da nossa aldeia, conservaram suas tradições, seu folclore, e nos legaram tudo isso.

      Relembramos os heróis do passado para entendermos o presente e trabalharmos por um futuro melhor.

      Publico aqui hoje (e amanhã) fotografias das Cavalhadas antigas, logo após a inauguração do novo espaço, na Rua do Campo. Há muitos anos não se encenavam as Cavalhadas de Pirenópolis (desde 1958), e quando o Imperador Mauro de Pina a trouxe de volta (em 1966), já não havia mais o velho Largo da Matriz. Por isso esse imenso teatro a céu aberto passou a ser encenado no campo de futebol Dr. Ulisses Jayme.

      Peço perdão pela baixa qualidade das fotografias da época.











sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Imagem e o Imaginário

Imagem do acervo da Família Pina



Esta fotografia registra, no Largo da Matriz, uma embaixada entre o rei mouro José de Pina (Zé de Lulu) e o embaixador cristão Benedito Jayme Siqueira (Dita Zafá), nas Cavalhadas de 1958.

Esta foi a última encenação no largo, já que, oito anos mais tarde, as Cavalhadas retornariam, na Festa do Divino de Mauro de Pina, mas agora no campo de futebol Dr. Ulisses Jayme, onde está até hoje.

Se analisarmos bem a imagem, veremos que, naqueles bons tempos de gente educada, não havia sequer uma corda para conter o povo, mas ainda assim ninguém invadia o campo.

Outra curiosidade é o casarão no canto direito da foto, onde atualmente está a casa de dona Ita e seu Alaor de Siqueira. Naquela época diziam que a casa, já uma tapera, era mal assombrada e à noite ouviam-se gritos, arrastar de correntes e pedidos de socorro vindos lá de dentro.



by Adriano César Curado, escritor, poeta e historiador. Baixe gratuitamente seu livro DEUS MORA NO SEU INTERIOR ou entre em contado através de adrianocurado@hotmail.com




sexta-feira, 30 de julho de 2010

O prédio dos Correios em Pirenópolis

Praça Central, com Salão Paroquial ao fundo
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí (2010)



Soube eu que a verba para a reforma do largo da Matriz já está na conta da Prefeitura Municipal de Pirenópolis. E parece que não é pouca quantia. Com esse dinheiro vão retirar a horrorosa Praça Central, toda feita de pedra e destoante do restante da arquitetura. Demolirão também a Casa Paroquial, um edifício construído pela Igreja Católica na década de 1960 e que mais parece um caixote que esconde a vista do funda da Matriz.

Depois que esses monumentos da modernidade saírem, retornará o velho e romântico largo, que será totalmente arborizado. Teremos um pequeno parque bem no centro
de Pirenópolis. Que maravilha!



Prédio dos Correios em Pirenópolis.
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí (2010)



Só há um probleminha. O feioso prédio dos Correios, que está situado bem no centro do largo, não será demolido. Certamente que algum lobista trabalhou na parada. Nem mesmo reformar o sobrado irão, dando-lhe pelo menos um aspecto colonial.

Construído na década de 1970, o sobrado dos Correios foi a última construção a invadir o espaço do largo e, pelo que contam os antigos, situa-se onde está por motivos políticos. Quiseram (e conseguiram) tirar a vista que certo casarão tinha do largo. Vou indagar essa história e depois conto aqui.

É mesmo uma pena que perderemos a chance de reaver na íntegra a história do antigo Largo da Matriz, lugar de Cavalhadas e manifestações políticas. Ah!, já foi até cemitério, mas essa é uma história que contarei depois, quando apurar melhor os fatos.

by Adriano César Curado


quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Cavalhódromo



     O nome é horroroso. O lugar também não é lá dos mais belos, principalmente porque as imensas estruturas de concreto estão inacabadas, com vergalhões enferrujados à mostra. Toda vez que entro no Campo das Cavalhadas e vejo o mastodôntico Cavalhódromo dá vontade de sair correndo e não voltar mais.

     Dá saudades da minha infância, quando os camarotes de madeira se espalhavam pelo campo e um poeirão vermelho fazia todo mundo tossir. Naquela época, os mascarados podiam circular livremente a cavalo entre os camarotes e o campo, que era limitado apenas por uma corda, e alguns davam salvas de tiro de festim para alegrar ou assustar.


     Os camarotes eram baixos, e a gente podia facilmente comprar algodão doce, pipoca ou churrasquinho diretamente do vendedor lá embaixo. Bom também para os amigos que passavam distraídos, viam nosso camarote e subiam para um bate-papo ou para degustar as guloseimas exageradas que levávamos.

     Época boa aquela!


     Embora saiba que a quantidade de pessoas ali aglomeradas pede maior infraestrutura, acredito que faltou um estudo prévio de impacto da obra atual. Há todo um contexto por detrás da Festa do Divino e isso não foi observado.

     Ao assistir as Cavalhadas de 2010, constatei que o Cavalhódromo já ficou pequeno por conta tanta gente no campo. Não há mais espaço para turistas e pirenopolinos. Vi estupefato as arquibancadas abarrotadas de gente, no extremo da segurança, enquanto uma fila de ansiosos transeuntes aguardavam na entrada. E o que é pior, não há mais como expandir.


     Comecei esta matéria propositalmente com respingos de saudosismos e terminei na ineficiência da obra. Fiz isso para mostrar como governos não planejam sua ações com a visão no futuro, e tudo é imediatista quando se fala em obras públicas. Se houvesse mais participação popular, uma entrevista com quem entende da festa e a pensa com olhos no amanhã, poderia ter sido melhor aproveitado o espeço.

Adriano César Curado

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