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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Brasília colonial — Uma fazenda babilônica




Nenhuma propriedade traduz melhor os tempos do ouro e da cana-de-açúcar no Distrito Federal e no Entorno do que a Fazenda Babilônia. Na área rural de Pirenópolis (GO), ela faz jus ao nome devido à sua grandiosidade.

Descendentes dos antigos donos ainda preservam o que de melhor a fazenda sempre teve. A fachada e todos os cômodos estão como há mais de 200 anos. Ao redor, em seus fogões a lenha e suas imensas mesas de madeira maciça, eles cultivam, cozinham e comem os mesmos pratos feitos e consumidos pela família do senhor de engenho e seus escravos.

A fazenda teve origem como um engenho de cana-de-açúcar batizado de São Joaquim, no fim do século 18, quando os proprietários não moravam nela. Entre 1800 e 1805, escravos construíram o imponente casarão em estilo colonial, com o dinheiro do comendador Joaquim Alves de Oliveira. Em pouco tempo, ele transformou a propriedade na maior empresa agrícola de Goiás do século 19.


Na época, toda a fazenda ocupava uma área do tamanho de 50 mil campos de futebol. O comendador era dono do povoado Minas de Meia Ponte, a atual Pirenópolis. Com a agricultura e o comércio, transformou o lugarejo em uma das principais cidades goianas, tornando-o o centro comercial do estado.

Com quase 300 mulas, a tropa de Joaquim de Oliveira levava produtos da Babilônia e de outras propriedades de Goiás ao restante do Centro-Oeste. A caravana trazia nessas viagens produtos essenciais, como sal e ferro, e outros tantos lucrativos ao comendador, como tecidos finos e armas.

Com a patente de tenente-coronel comandante, ele editou o primeiro jornal do Centro-Oeste, a Matutina Meiapontense — que circulou de 1830 a 1835 —, montou a primeira biblioteca do estado e levou um professor para educar a população local.

 


 


Exageros
Dos tempos áureos, a Babilônia mantém impecavelmente conservado o casarão sede. Grossos esteios e vigas de madeiras, com paredes de adobe e pau a pique, sustentam o prédio de 2 mil metros quadrados. Algumas vigas medem dois palmos de largura e atravessam vãos de até 15m.

Coberto com telhas-coxa, o telhado é feito de caibros roliços, com cerca de 20cm de diâmetro, próximos uns dos outros. Encaixes precisos e cavilhas de madeiras unem o madeirame. Até as dobradiças das portas são feitas de madeira. Havia carência de metal no início do século 19, devido à dificuldade da importação por causa do custo da longa viagem.

Os pregos usados na construção, principalmente nos assoalhos, são quadrados, feitos manualmente em bigornas. Muros de pedras ainda cercam o casarão. Erguidos pelos escravos, eles também circundam o curral, outras construções da propriedade e cruzam boa parte do pasto.

 

Na sede da fazenda, destaca-se ainda a capela — toda original —, na varanda, que acompanha toda a frente da casa. O altar, estreito e ao fundo, é encimado por um pequeno nicho onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre um retábulo de madeira. Chamam atenção ainda os diversos espelhinhos redondos, correntes pintadas e meias-luas, provavelmente herança dos artistas escravos africanos.

Na parede contígua à casa, há uma janela treliçada com vista para a sala. “Da sala vê-se o altar. Era também uma maneira de contemplar as mulheres, que assistiam às missas acomodadas na sala. Os homens assistiam em pé, na varanda. Apenas o padre ficava dentro no interior da capela”, conta Telma Lopes Machado, 62 anos, integrante da quarta geração de proprietários da Babilônia.

O comendador morreu em 1851. Com a decadência da cana-de-açúcar e do algodão, em função dos altos custos com o transporte das mercadorias, os herdeiros decidiram se desfazer da propriedade. Revendida, ela chegou à família de Telma, que faz de tudo para manter a propriedade produtiva e de forma original.

Senzala
Dos tempos do comendador, desapareceu a senzala, que abrigava os escravos. Ninguém sabe a data da sua extinção. A única certeza é a de que o prédio existiu. Há vestígios perto do muro de pedras e um desenho colorido de Tonico do Padre (Antônio da Costa Nascimento, um artista local), de 1864.



  


Arqueólogos goianos fizeram escavações há oito anos e encontraram restos da senzala e dos seus ocupantes. Com base em documentos guardados na sede, também dá para se ter uma ideia de sua dimensão. Era a única da região toda arruada, servida de água e sanitários — na verdade, latrinas.

Telma e os parentes ainda guardam outras relíquias. Uma delas é a imagem de Nossa Senhora da Conceição, com 21cm de altura, esculpida por José Joaquim de Veiga Valle. Nascido em Pirenópolis em 1806 e morto na Cidade de Goiás, em 1874, ele é a maior referência da arte sacra goiana e o mais importante artista do estado até o século 19.

Para manter viva a história da Babilônia, Telma e três ajudantes preparam quitutes da tradicional cozinha goiana, feitos em fogões a lenha e oferecidos aos visitantes. Alguns, como doces preparados em tachos de cobre, levam um dia para ficar prontos.

Em uma área equivalente a 1.020 campos de futebol, a Babilônia atual mantém criações de cerca de 1,2 mil cabeças de gado leiteiro e de corte. O que se planta serve de alimento aos donos, aos 14 empregados e aos turistas que pagam pelo café sertanejo, com até 40 itens.

 

Com toda essa riqueza, a propriedade acabou tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1965, quase 25 anos depois do centro histórico de Pirenópolis. O órgão entregou a propriedade como nova, em 2008, após quase dois anos de restauro.

Como chegar
Pirenópolis fica a 150km de Brasília. O acesso se dá pela BR-070 ou pela BR-060 (com entrada por Abadiânia). Para chegar à Fazenda Babilônia, é preciso andar mais 24km, até o Km 3 da GO-431, estrada que leva ao sentido contrário à capital do país.

Visitação
Além de restaurar a sede da Fazenda Babilônia, o Iphan recuperou o antigo paiol para servir de receptivo aos visitantes. No local há sala de recepção, banheiros e uma lojinha com artesanato e guloseimas feitas na propriedade rural, como há 200 anos. Sábados, domingos e feriados, ela é aberta aos turistas de 8h30 às 16h30. A entrada custa R$ 12. Quem tem até 12 anos não paga.

Além do passeio, é oferecido um café com 40 itens da culinária goiana. Se quiser conhecer a propriedade e comer, o visitante adulto paga R$ 50. Para a criança, o serviço custa R$ 25. De segunda a sexta-feira, as visitas precisam ser agendas por meio de um desses telefones: (62) 3331-1226; 9294-1805; 9291-1511.



Renato Alves (texto) e Monique Renne (fotos)

sábado, 16 de agosto de 2014

Casa antiga na rua da Prata


A história às vezes nos prega peças. Numa cidade histórica como Pirenópolis, valorizamos os imponentes casarões, que sempre são fotografados e expostos na mídia. As casas menores passam batidas, não têm graça. Isso é um engano. Na rua da Prata, a casa da foto, por exemplo, foi construída antes de 1890 (tem portanto pelo menos 124 anos) e ninguém lhe dá atenção. Li isso no livro Casas de Pirenópolis (Jarbas e José Jayme). Ali moraram Seu Alvino e dona Olga, já falecidos. Hoje não sei mais quem é dono, pois só a vejo fechada.

Adriano Curado

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O casarão rosa


Sou um apaixonado por história, e me fascina o cotidiano das pessoas. Gosto de investigar como viviam, com quem se relacionavam, o que comiam, com que roupa gostavam de se mostrar em público.

Este casarão rosa da fotografia, imponente e elegante na rua Direita, hoje moradia de minha amiga Lais Amaral, já foi um movimentado centro de decisões políticas. O destino de Pirenópolis foi decidido muitas vezes ali, quando seu morador era o influente coronel Félix Jayme, um dos líderes da República Velha. Mas lá também morou o Edgar Jayme, o Zé Barbeiro, e o Dr. Fernando com seu movimentado consultório odontológico. 

As casas captam um pouco da alma de seus moradores, e em suas paredes ficam encrustados os respingos das cenas que ali aconteceram. Daí a importância da preservação do patrimônio arquitetônico de um sítio histórico, que é autêntico livro de história  aberto e com as páginas sempre prontas para a leitura.

Este casarão, em particular, tem muitas histórias para contar.

Adriano Curado

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Eram as telhas feitas nas coxas dos escravos?


 



     Hoje, mais uma vez, presenciei a lenda de que as telhas do tipo “capa-canal” ou colonial eram feitas nas coxas dos escravos.
     Bom, para aqueles que continuam a perpetuar este mito, indico vivamente o artigo do arquiteto Prof. José La Pastina Filho (superintendente do IPHAN no Paraná), intitulado “Eram as telhas feitas nas coxas das escravas?” (disponível em: www.culturaespanha.org.br/download.php?codigoArquivo=40).



     Segundo La Pastina, a comparação ocorre, pois há semelhança na forma tronco-cônica entre o formato das telhas tradicionais e a parte superior das pernas dos humanos. Entretanto, possuindo o “know-how” de mais de três décadas restaurando as coberturas de edifícios, o autor expõe claramente, por meio de um estudo de caso, de que tal associação entre coxas humanas e telhas não passa de uma lenda histórica, sendo as telhas produzidas sobre moldes de madeira.



    “Para confirmar nossa convicção das inconsistências da assertiva popular – telhas feitas nas coxas dos (as) escravos (as) – tomamos as medidas das coxas de um homem de 1,80m de altura e verificamos que, usando-a como molde, só seria possível a fabricação de uma minúscula telha de 36cm de comprimento. Sem maiores preocupações com aspectos de anatomia humana, se estabelecermos uma simples regra de três, poderemos verificar que, para fabricar uma telha de 77 cm, precisaríamos contar com um escravo de 3,95m de altura. Além disto, em termos de otimização de força de trabalho, mesmo numa sociedade escravocrata, teríamos uma perda substancial na força de trabalho: um escravo imobilizado, com lâminas de barro sobre suas duas coxas, e pelo menos dois outros para remover cada uma delas e transportá-las ao estaleiro.” (La Pastina Filho, 2006).



     Pois então, será mesmo que os escravos possuíam mais de 3 metros de altura ou será que a nossa sociedade sempre quis enxergar o lado pejorativo da expressão “feito nas coxas”?

Danilo Curado

quinta-feira, 21 de março de 2013

Mercadinho Compag



     O velho prédio do mercadinho Compag, construído por Dario Mendonça há meio século, infelizmente será demolido para dar lugar a uma construção moderna. Eu descia da aula e sempre passava ali para comprar do senhor Teca o doce maria-mole em casquinha de sorvete. Até há pouco ainda funcionava como comércio e seus balcões gastos e ensebados eram testemunho de quanta gente passou por lá.

     Tento não ser saudosista, mas numa Pirenópolis de tantas mudanças isso é complicado...!

Adriano César Curado

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Memórias e viagens


     No último final de semana, fui para Goiás, mais especificamente Pirenópolis. Pirenópolis é uma cidade histórica, uma das primeiras do estado de Goiás, também é a cidade natal da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano.

     Pirenópolis, significa "a Cidade dos Pireneus", vem da serra que circunda a cidade que é a Serra dos Pireneus. Segundo os contadores da cidade, a serra recebeu este nome por causa da saudades dos imigrantes espanhóis, e da semelhança com a cadeira de montanhas entre a Espanha e a França, os Pirineus da Europa.Tombada como patrimônio histórico nacional, guarda na história seus casarões seculares e ruas de pedra, que tem muito na região. 








     Nos arredores, uma natureza exuberante, com cachoeiras, reservas ecológicas, parques e mirantes. Vale a pena conhecê-la.

     Depois de acordar às 4h30 da madruga, contra a minha vontade, lá fui eu ainda com olhos “cheios de areia” pagar o “buzão” que leva à Pirenópolis… viajem cansativa, pois, como estava em Inhumas, são 2 onibus nada confortáveis até lá. A cidade é pequena, mas não se apegue a primeira impressão. Andando pelas ruas de pedras e casarões, me senti em outro século. Praticamente com vestidos e espartilhos, e uma rendada sombrinha para completar o cenário.





     Após um café “pão na chapa suco de laranja”… fomos atrás de “onde deixar as mochilas e dormir”. O sol ainda estava tímido, nuvens de chuva no céu, o passeio não prometia.

     Ótimo, aonde ir? Quando ir? como ir? Nos informamos das cachoeiras, várias, algumas free, outras pay to see.

     Nos indicaram um passeio pelo Parque do Pirineus. Vista 360 graus da região, mais 2 ou 3 cachoeiras, vista do Morro do Cabeludo e mais o Cerrado Rupestre.

     Por indicação, arrumamos um guia nota 10, o Adriano. Com sua super van, lá fomos nós. Toda a história da cidade no caminho, subindo morro… estrada de chão, Graças a Deus!




     Primeira parada: um mirante com uma linda vista da cidade. Na volta, paramos lá para tirar fotos do pôr do sol, que também pode ser visto do topo do morro, a gosto do freguês.



     Segunda parada: Cachoeira do Coqueiro (antes conhecida como cachoeira poço do inferno) e Cachoeira do Inferno. Ambas no ribeirão Santa Maria, não tem estrutura, pura natureza e uma breve trilha… vale a pena cada passo. Parada obrigatória para um mergulho gelado. Eu, claro que não mergulhei!




     Terceira parada: Cerrado Rupestre, um cenário exuberante do serrado sobre as pedras.




     Quarta parada: Cachoeira do Sonrisal, são 6 cachoeiras em sequência que formam um poço a cada queda. 2 km de caminhada leve e um bom mergulho em águas superrrr geladas. Dizem que a cachoeira ganhou este nome, por causa dos bebuns que iam se curar com um banho gelado em seus poços.



     Adivinha! Nesta também eu não entrei…rssss 

     Quinta Parada: Pico do Pireneus, situado entre as cidades de Pirenópolis e Cocalzinho de Goiás, e tem 1385 metros de altitude. No topo existe uma capela dedicada à Santissima Trindade. De rochas quartizíticas, de origem sedimentar, tem mais de 1 bilhão de anos.





     A subida não é fácil para principiantes, mas não é difícil para quem já faz este esporte. Não sei como o Adriano, nosso guia, subiu por um caminho alternativo, e chegou antes que nós. Até assustei, pois em um momento estava no fim da fila, depois, esperava lá em cima. A vista é magnífica, dá pra tirar fotos que parece que vc está em um precipício mesmo não estando… merece sim a visita, e a lingua de fora na subida. A visão é 360 graus. Se der, aproveite para curtir o pôr do sol de lá. No meu caso, a chuva não deixou.




Postado por Carina em Memórias e Viagens.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O adobe e a preservação do patrimônio arquitetônico



     “A partir da preocupação com a conservação do patrimônio arquitetônico a nível mundial, percebeu-se a necessidade de estabelecer conceitos e critérios para tal, que resultaram em recomendações. Uma delas trata do respeito aos materiais originais, contidos nas construções e monumentos históricos, ou seja, no momento das intervenções que fossem mantidas as técnicas tradicionais encontradas.

Muro de adobe na Rua Aurora

     Essa recomendação suscitou outro questionamento: Como conservar ou restaurar técnicas cujo manejo se perderam? Em função dessa situação algumas instituições como o ICCROV, o CRATERRE o Getty Institute e a própria Unesco, investiram na formação de mão de obra especializada visando o resgate desses conhecimentos. Um dos programas com mais resultados positivos foi o Projeto Arquitetura de Terra - PAT, que durante anos capacitou e formou técnicos de vários lugares do planeta.

Muro antiquíssimo de adobe na Rua do Bonfim
     O resultado desse movimento propiciou que profissionais capacitados, pudessem estar a serviço não apenas da proteção do patrimônio arquitetônico, grande parte construído nessas técnicas, sobretudo nos países ibero-americanos e África, mas também para a utilização das mesmas, novas construções, sobretudo as de interesse social.

     Como consequência, surgiram instituições que agregam os profissionais que acreditam e defendem o uso da arquitetura de terra.” (Wikipedia)

Muro de adobe da casa de Tonico do Padre

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O tijolo de adobe


Casarão em Pirenópolis com adobe à mostra


     Nos dias atuais é bem comum encontrarmos casarões descaracterizados em Pirenópolis, conforme já demonstrei exaustivamente nas postagens sobre a Casa Pirenopolina (links na lateral da página). E uma das descaracterizações mais comuns é a troca do velho adobe pelo tijolo comum. Os adeptos dessa prática ruim defendem ser difícil, nos dias atuais, encontrar adobes para comprar, enquanto que os tijolos são achados em qualquer casa de material de construção.

        Que é o adobe? É um tijolo composto de terra crua, água, palha e fibras naturais (como esterco de gado), que são moldados artesanalmente em fôrmas e cozidos ao sol. Trata-se de um dos mais antigos materiais de construção do mundo e é descrito inclusive no Livro do Êxodo, da Bíblia.

Muro antigo de adobe

     A “história já o comprovou um material de grande durabilidade, inclusive nas cidades históricas brasileiras, como Ouro Preto e Pirenópolis, que ainda possuem muitas casas de tijolos de adobino.” (Wikipedia)

        Os antigos estavam certos em utilizar o adobe na construção de seus casarões, que já duram séculos, são arejados no verão e com temperatura amena no inverso.

Muro moderno de abobe

       São vantagens das construções de adobe:

  1. O barro é um material reutilizável. Quando não cozido, pode ser triturado e umedecido para voltar ao estado original. Sendo assim não gera resíduos em uma obra e não contamina o ambiente.
  2. O barro é um material econômico. Pode ser encontrado na maioria das vezes, próximo aos locais de obras e, por vezes, pode vir a substituir outros materiais de construção. Não necessita de muita energia integrada à obra, ou seja, em sua preparação, transporte e armazenagem, muito pouco é gasto.
  3. Excelente regulador de umidade, o barro tem a propriedade de expelir e armazenar água devido à alta capilaridade de suas moléculas. É um material muito poroso. Construções de barro podem absorver até 30 vezes mais umidade do que uma de tijolo cozido. Ambientes sob paredes de barro se tornam salubres, pois há pouca variação de umidade, normalmente estabilizam em 50 % o ano todo.
  4. O barro é um ótimo isolante térmico, mantendo a temperatura dos ambientes sempre balanceados.
  5. O barro preserva materiais orgânicos dentro de sua mistura. Devido à alta capilaridade e ao baixo equilíbrio de umidade, o material totalmente envolto ao barro e sem contato com o exterior se mantém protegido de fungos e insetos que não conseguem se proliferar. (Ambiente)

Fonte: Ambiente e Wikipedia

Adriano César Curado

Fabricação atual de adobes

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Momento de reflexão




      AOS LEITORES DO BLOGUE.

     Esta semana surgiu uma discussão no facebook, pela enésima vez, sobre os abusos do som automotivo. No calor das postagens, um jovem do Alto do Bonfim chamado Rawston fez um desabafo que me tocou. Como esse blogue é democrático, as opiniões contrárias também têm sua vez:

     “Os jovens de Pirenópolis precisam é de espaço para poderem exercer sua juventude, ter lazer, poder desfrutar também das coisas que eles gostam. A cidade é para os visitantes e não para os moradores. Os jovens, o que fazem? Se escondem para poder festar ou ficam em casa no computador, na frente da televisão.

    Ninguém tem acesso a nada. Não tem lazer. Aí qual é a consequência? Jovens usando drogas, brigando, sendo presos cometendo delitos, morrendo na volta para casa na festa que aconteceu na fazenda, porque dentro da cidade não pode, vai incomodar.

     Jovens precisam de informação, cultura antes de tudo. Duvido que a grande maioria saibe dessa Lei do Silêncio. Quem faz um trabalho de informação? Quem ajuda? Ninguém, né? É melhor mandar coibir e autuar estes contraventores, prender é mais fácil, né? Eu penso assim!

     Adriano Curado, o que falta é informação, trabalho de conscientização. Eu também não gosto dos abusos de som automotivo, sei que prejudica a saúde e também os casarões antigos. Mas aqui na cidade estão implantando a Lei do Silencio. A policia chega, manda desligar o som, não importa onde esteja e qual o volume.

     Pirenópolis por ser uma cidade em sua história extremamente conservadora de princípios tradicionais/culturais e religiosos, mas muitas vezes expulsa os jovens que procuram uma outra forma de fazer cultura, de se divertir.

     O som automotivo não é um acréscimo cultural, mas para quem gosta é a melhor coisa do mundo, e nós também temos que ser respeitados. Não há espaços e nem políticas públicas voltadas para os jovens. Se estão fora da lei, têm que haver uma ação, concordo plenamente com isso. Só não concordo do COIBIR E AUTUAR, simplesmente. Sempre foi assim. Manda a polícia lá, manda prender, eles estão errados. No meu ver, antes de tudo deve-se levar informação, para criar uma consciência pacífica. Se faz tudo no COIBIR e AUTUAR, muitas vezes gera revolta, aí não é bom para ninguém.

     Sou jovem e me sinto como um refém aqui na cidade. Tudo que aparece de novo está corrompendo as raízes da história. Eu tenho um grupo de RAP e faço um trabalho com jovens e adolescentes do Bonfim, embasado no movimento HIP HOP. Sofremos muito pré-conceito por não ser uma cultura tradicional e religiosa da cidade. Isso é ruim, gera revolta. Tudo evolui, por que não Pirenópolis?

     Estou gostando dessa discussão, temos muito a ganhar com essa conversa.”

RAWSTON



MINHA REFLEXÃO:

     Quando decidi escrever neste blog, minha intenção sempre foi a de melhorar a qualidade de vida da população pirenopolina e também salvaguardar sua cultura e tradição, sempre de olho no futuro de Pirenópolis. Mas onde está o futuro da Terra dos Pireneus? Obviamente que está na juventude, nessa moçada que hoje recebe o bastão da história e tem a obrigação de passá-lo para frente.

     Uma sociedade que não ouve e orienta seus jovens está fadada a desaparecer. Esse moço chamado Rawston reclama do ciclo fechado que é Pirenópolis, uma espécie de “elite” que, para ele, só sabe coibir e autuar. Ele até compreende que o som automotivo incomoda e estraga os casarões, mas disse que gosta e que gostaria de um espaço para isso.

     A postagem de hoje é diferenciada para abrir caminho a uma discussão, na busca de um meio-termo. Temos que trazer a juventude para o nosso lado (dos que querem preservar nossa rica cultura), pois amanhã não estaremos mais aqui e são os moços de hoje que incentivarão os jovens do futuro.

Adriano César Curado

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Abaixe o volume do som automotivo

 

     Tem gente demais que reclama do abuso do som automotivo em Pirenópolis. Então, por que não fazem essas festas em separado, onde só vai quem gosta, e deixam a cidade no sossego?

     Este blog não é contra o som automotivo. Pelo contrário, os jovens têm, sim, o direito à diversão. O que não pode é sair pela cidade incomodando os outros, obrigando todos a escutarem as músicas que um ou outro escolheu.

     Vamos colocar as mãos na consciência e deixar de transitar com carros equipados com som potente. Isso está fora de moda.

Adriano César Curado

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A casa pirenopolina VII

Casa preservada e onde morou Seu Ico


      Preocupante também é a situação da casinhas dos negros em volta da praça do Rosário. Estão fadadas a desaparecerem junto com a história dos pobres pirenopolinos. Naquela região detrás da extinta Igreja do Rosário dos Pretos (e redondezas: ruas do Fuzil, Pireneus, do Sapo), ficavam as casas humildes, de pé-direito baixo, paredes de pau-a-pique tortas, tijolinhos no chão. Com a valorização especulativa dos imóveis em Pirenópolis, as casas dos pobres começaram a virar casas de coronéis, destoantes do contexto histórico do local.

      Basta subir a rua Pireneus para notar que poucas dessas casas ainda restam originais, o resto é apenas cidade-cenário, com a preservação da fachada e demolição do resto. É preocupante isso porque esses casebres, embora de aparência frágil, estão ali há mais de século e abrigaram a história de pessoas humildes, sem muitas posses materiais, mas que também contribuíram para a edificação do patrimônio social-cultural de Pirenópolis.

      Tudo isso vai acabar em breve.

Adriano César Curado

Foto antiga que mostra as casas dos negros originais



Casa que substituiu um casarão histórico

Apenas a fachada é a mesma

Casarão humilde mas bem preservado e original

Outra casa original de pessoas pobres

Casa original e simples bem preservada


Aqui as casas dos escravos foram demolidas pela especulação

Uma das últimas casas humildes que resta no local

Rua Pireneus toda modificada por casas modernas

Este casarão é uma imitação da arquitetura original

Casa dos pobres ainda bem original

Casa original que resiste ao tempo

Casa bem preservada na rua Pireneus

Casa antiga com arquitetura original

Casebres que vão se modificando aos poucos