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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Troca na Superintendência do Iphan

Após vinte anos, finalmente a Superintendência do Iphan em Goiás mudou de administrador. Saiu Salma Saddi, exonerada pelo Ministro de Estado da Cidadania através da Portaria nº 1.697, de 16/09/2019. Entrou Allyson Ribeiro e Silva Cabral.

Este site deseja ao novo superintendente uma excelente administração pautada no diálogo, na aproximação com a população e na valorização dos nativos. Torcemos para que essa oxigenação há tanto esperada traga mais ações efetivas no sentido de preservação do patrimônio histórico material e imaterial.


 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Governador inaugurou o novo Salão Paroquial

Foto: Lailson Damasio


     Foi inaugurado na manhã de 17.12.2012 o novo Salão Paroquial de Pirenópolis. A obra de R$ 1,6 milhão é a primeira etapa da revitalização do Largo da Matriz e é resultado de um convênio entre o Governo de Goiás, a Prefeitura Municipal de Pirenópolis, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Diocese de Anápolis.

     A revitalização do Largo da Matriz é um projeto dividido em três etapas. A primeira, entregue nessa data, é um salão novo construído na lateral da Igreja Matriz.

     A segunda etapa está em andamento e consiste na obra de requalificação da Casa Paroquial, a cargo do IPHAN. Ela deve ser entregue em março de 2013.

     A terceira etapa é a reurbanização do Largo da Matriz e a requalificação da praça e das áreas públicas de convívio social.

     Os arquitetos responsáveis mantiveram as feições originais do antigo Largo, que foi palco durante muitos anos das tradicionais Cavalhadas e das Festas do Divino Espírito Santo.

     Participaram do evento, o prefeito de Pirenópolis, Nivaldo Antônio de Melo, a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Salma Saddi, e o bispo diocesano de Anápolis, Dom João Wilk.


Foto: Lailson Damasio

terça-feira, 27 de março de 2012

Centro de Cultura Ita Siqueira


     O Iphan Goiás em parceria com o Governo do Estado de Goiás e a Prefeitura Municipal de Pirenópolis, realiza no dia 1º de Março de 2012 (quinta-feira), às 17 horas, a cerimônia de entrega pública da antiga sede da Prefeitura de Pirenópolis/GO para a comunidade. Esta é mais uma das obras inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento.

     Os serviços de requalificação da antiga sede da Prefeitura de Pirenópolis/GO teve como objetivo restaurar arquitetonicamente o imóvel e adequá-lo em um espaço apropriado para a difusão de atividades culturais que, são importantes para o desenvolvimento social da cidade. Agora, o local, abrigará o “Centro de Cultura Ita Siqueira”. Dentre os serviços executados incluem a restauração arquitetônica da cobertura, alvenarias, esquadrias, do forro, piso e, instalações elétricas e hidrossanitárias, pinturas e revestimentos.

    O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional considera a requalificação e restauração arquitetônica da antiga sede da Prefeitura de Pirenópolis/GO fundamental para a melhoria da qualidade de vida da comunidade Pirenopolina, pois, além do bem estar cultural e material, ele representa a garantia do exercício da memória e da cidadania. A partir do uso das dependências do edifício, várias atividades comunitárias voltadas para a música, pintura, dança, entre outras, serão realizadas no local.

     Ita Lopes Siqueira nasceu em Pirenópolis/GO, e logo cedo, se interessou pela arte musical. A música foi à principal responsável para que o destino de Dona Ita se cruzasse com o de Seu Alaor Siqueira. O casal compôs várias músicas, contudo, suas carreiras não se resumem a composições musicais, pois, ambos, são artistas completos, violinistas, compositores e poetas. O casal costumava realizar serenatas com seus amigos músicos pelas ruas de Pirenópolis, criaram o conjunto “Serenata de Pirenópolis”, pelo qual tocaram as melhores músicas de todos os tempos. O casal, ainda, era responsável pela peça teatral “As Pastorinhas”, auto de Natal, importante símbolo folclórico da Festa do Divino Espírito Santo, que foi encenada sob a direção de ambos, durante 28 anos no teatro Sebastião Pompeu de Pina. Em 2011, a senhora Ita Lopes Siqueira falece com 79 anos.

     Diante da importância desta musicista para a cultura regional brasileira, o Iphan, o Governo do Estado de Goiás, a Câmara Municipal e a Prefeitura de Pirenópolis não poderiam deixar de agradecer e homenagear esta grande artista que tanto contribuiu para enriquecer a cultura do Centro-Oeste Brasileiro.

     O edifício da Antiga Prefeitura de Pirenópolis localiza-se na Praça da Matriz, em um dos trechos mais preservados e característicos do conjunto arquitetônico tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro na cidade. A casa foi adquirida, em 1860, pelo Governo da Província, para funcionar como sede da administração municipal e uma escola pública do sexo masculino. A casa era geminada e, possivelmente, devido à tendência da época, teve alterado o telhado e demolido uma parte para criar acesso lateral. Funcionou como sede da Prefeitura até 1965.
Valor Descentralizado para a obra: R$ 484.524,00
Empresa contratada após licitação: Archaios Engenharia e Consultoria

Fonte: Iphan

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A casa pirenopolina VII

Casa preservada e onde morou Seu Ico


      Preocupante também é a situação da casinhas dos negros em volta da praça do Rosário. Estão fadadas a desaparecerem junto com a história dos pobres pirenopolinos. Naquela região detrás da extinta Igreja do Rosário dos Pretos (e redondezas: ruas do Fuzil, Pireneus, do Sapo), ficavam as casas humildes, de pé-direito baixo, paredes de pau-a-pique tortas, tijolinhos no chão. Com a valorização especulativa dos imóveis em Pirenópolis, as casas dos pobres começaram a virar casas de coronéis, destoantes do contexto histórico do local.

      Basta subir a rua Pireneus para notar que poucas dessas casas ainda restam originais, o resto é apenas cidade-cenário, com a preservação da fachada e demolição do resto. É preocupante isso porque esses casebres, embora de aparência frágil, estão ali há mais de século e abrigaram a história de pessoas humildes, sem muitas posses materiais, mas que também contribuíram para a edificação do patrimônio social-cultural de Pirenópolis.

      Tudo isso vai acabar em breve.

Adriano César Curado

Foto antiga que mostra as casas dos negros originais



Casa que substituiu um casarão histórico

Apenas a fachada é a mesma

Casarão humilde mas bem preservado e original

Outra casa original de pessoas pobres

Casa original e simples bem preservada


Aqui as casas dos escravos foram demolidas pela especulação

Uma das últimas casas humildes que resta no local

Rua Pireneus toda modificada por casas modernas

Este casarão é uma imitação da arquitetura original

Casa dos pobres ainda bem original

Casa original que resiste ao tempo

Casa bem preservada na rua Pireneus

Casa antiga com arquitetura original

Casebres que vão se modificando aos poucos

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A casa pirenopolina VI


     O que caracteriza a autenticidade da casa pirenopolina é o uso das técnicas de construção da época do imóvel. O emprego de madeiramento tosco, lavrado sem o auxílio de serras elétricas. Os muros velhos de adobe que serpenteiam, quase que tombam para os lados, mas resistem de pé. Os janelões de tábuas irregulares, cheias de emendas e remendos. O travamento sem estética das vigas de aroeira. Esse conjunto somado é que faz a beleza dum casarão histórico.

      Mas nos dias atuais, quem compra um casarão antigo tem como primeira providência escorar a fachada e derrubar todo o resto. Na frente é uma belezura, digno dum cenário de filme antigo, mas por dentro nada mais resta de original.

      Num espetacular artigo publicado no jornal Diário da Manhã do dia 3.11.2011, na página 3, o arquiteto Garibaldi Rizzo nos fala das memórias da sua infância da Cidade de Goiás e analisa os casarões de lá com o ponto de vista técnico:

      “Denomina-se arquitetura vernacular a todo o tipo de arquitetura em que se empregam materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação é construída. Desse modo, ela apresenta caráter local ou regional. A cidade de Goiás é um exemplo desse tipo de arquitetura, uma vez que foi erguida aproveitando as pedras de sua região, a madeira, as taipas de mão e de pilão, e o adobe, que aproveitam os recursos do próprio terreno para erguer as edificações.
      (…)
      “Embora modesta, a arquitetura tanto pública quanto civil forma um todo harmonioso, graças ao uso coerente de materiais locais e técnicas vernaculares.
      “Trata-se de excepcional testemunho do modo pelo qual exploradores e fundadores de cidades portuguesas e brasileiras, isoladas dos principais centros urbanos, adaptaram modelos portugueses, arquitetônicos e urbanos, às difíceis condições da região tropical.
      (…)
      “A arquitetura residencial implantada na cidade é, em geral, de casas térreas, sendo raros os sobrados, e de fachada sem muita variedade somando 485 imóveis na zona de conservação. Internamente os cômodos se organizam ao longo de corredores lateral ou longitudinal central. Os longos quintais possibilitam casas de maiores dimensões, mas, via de regra, os cômodos da frente são os de convívio social, os do meio para áreas íntimas e os dos fundos destinados aos serviços.
      (…)
      "Quantas lembranças me trazem o interior destes casarios, o quarto do meio, as tramelas, as dobradiças rangedeiras, a pedra do Rio Bagagem que serve de encosto para a porta do meio...”








quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A casa pirenopolina V


     Além de retirada da viga baldrame de aroeira, outras técnicas equivocadas de “restauração” comprometem o conjunto do Patrimônio Histórico de Pirenópolis. Com a desculpa de que falta madeira no mercado, a sustentação dos casarões históricos passou a ser feita com barras de metal, que são parafusadas e depois cobertas com tábua para disfarçar.

      Um casarão centenário na rua Direita passou por esse triste disfarce em 2011. Suas pareces internas, originalmente de adobe e pau-a-pique foram derrubadas por estavam fora de prumo e no lugar levantadas outras com tijolo furado e alinhamento perfeito. O pé-direito (altura que vai do chão ao teto) foi aumentado significativamente e isso quebrou a olhos vistos a estética do imóvel. Eu pergunto: é o mesmo casarão do século XIX? Essa técnica de restauração, aprovada pelas autoridades competentes, está correta?

      É preciso sentar e discutir com técnicos especializados sobre essas intervenção nos imóveis que compõe o Centro Histórico de Pirenópolis. Se continuar assim e nesse ritmo, em pouco tempo os casarões serão todos demolidos e nos tornaremos, como já frisei diversas vezes, cidade-cenário para turista ver e fotografar.

Adriano César Curado



Casarão na rua Direita com vigas de metal

Casarão na rua Direita destoa do conjunto arquitetônico

Vigas de metal em vez de madeira

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A casa pirenopolina ( IV )


     “Estas casas antigas eram construídas da seguinte maneira: Primeiro fincava-se no chão os esteios de madeira; Depois ligava-se os esteios com vigas horizontais. O baldrame é uma destas vigas, é ela que apoia o assoalho, portas e janelas, e hoje a sua existência é um indicador de originalidade e de poucas alterações; Após isso estruturava-se a casa com as colunas verticais das portas e janelas, que vão de alto a baixo, de viga a baldrame, e é outro indicador de originalidade, que é percebida pelas irregularidades dos rebocos acima e abaixo dos batentes, como as trincas; Após, construía-se os telhados com telhas de barros, conhecidas como telhas-coxas, por ter a forma de uma coxa humana e muitas serem mesmo moldadas sobre estas. Daí vêm o ditado: “feito nas coxas”, pois não há um padrão e é uma de cada jeito. Por fim, após o telhado ter sido feito, faziam-se o assoalho e as paredes, preenchendo os vãos com adobe, nas paredes externas, e com pau-a-pique, a taipa-de-sopapo, nas paredes internas. Ferros só eram usados nos cravos para pregar as tábuas do assoalho e nas trancas e dobradiças. Não havia vidros, nem rótulas ou guilhotinas. Um dos poucos detalhes artísticos eram os lambrequins, madeira talhada que decora a borda fronteiriça do telhado. De resto, as casas coloniais de Pirenópolis eram construções simples e rústicas, de madeira e barro”(1).

      Nos dias atuais, ainda naquele processo de transformação de Pirenópolis numa cidade-cenário, começou uma opção por retirar os baldrames de aroeira e substituí-los por alicerces de pedra ou vigas de concreto. Isso torna o casarão histórico uma casa moderna, sem as características da arquitetura de sua época. Depois, não demora para sumirem as paredes de adobe ou pau-a-pique, substituídas pelos tijolos modernos. Aparentemente é a mesma casa, só que não passa duma réplica. E basta uma caminhada atenta por Pirenópolis para se notar que a descaracterização das casas é fato corriqueiro. Não há uma campanha de conscientização dos gestores públicos, com a valorização do imóvel que preserve suas características originais. O importante é manter a estética, não a originalidade – cidade-cenário.


Adriano César Curado

 

Casarão com baldrame
Casarão com baldrame
Casarão com baldrame
Casarão com baldrame


Casarão sem baldrame
Casarão sem baldrame

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A casa pirenopolina ( III )


     
     “Uma ponte para o mundo goiano do século XIX: Um estudo da casa meia-pontense”(1), da escritora Adriana Mara Vaz de Oliveira, é um trabalho científico bem elaborado, que estudou a Pirenópolis do século XIX e XX, suas ruas, sua gente e, principalmente, suas casas. Cito aqui esse livro porque ele bem exemplifica a importância de se manter intacto o casarão pirenopolino, e não apenas preservar a fachada.

     “A uniformidade das ruas estendia-se aos programas arquitetônicos das casas. As moradias de Meia Ponte, do século XIX, expressavam, no seu programa de necessidades, a continuidade do período colonial, ou seja, estão manifestas, ainda, a segregação feminina e o resguardo da família, colocando em instâncias diferentes os universos público e privado dentro da habitação. A casa dividia-se em faixas: na primeira, voltada para a rua, com iluminação e ventilação naturais, encontrava-se a área social, destinada às visitas estranhas à intimidade da família. A segunda faixa compreendia o setor íntimo, as alcovas, com acesso restrito aos da casa. Esses ambientes não recebiam iluminação nem ventilação diretas e abriam-se para outros cômodos. 'Eram os quartos mudos, escuros de mistérios' (Élis, 1983, p. 268).

     “Na parte posterior da residência, encontrava-se a varanda, que se colocava como intermediária entre a parte íntima da casa e a de serviço. Nesse espaço concentravam-se os afazeres diários das mulheres, as refeições, o recebimento das visitas mais próximas, o estar da família e o repouso rápido na rede. Era o 'coração' da casa.” (…) (2)

     “A ligação dos ambientes se fazia por meio de um corredor localizado no centro ou em uma das laterais da casa, dependendo do tamanho da residência. Ele iniciava na frente da casa, ou no limite da rua, e desembocava na varanda posterior. Nesse corredor existiam duas portas: uma, permanentemente aberta, dava acesso aos setores sociais da casa; a outra permanecia fechada e isolava a parte íntima da residência. 'E a porta do meio, (porta pesada do corredor calçado a laje, tramelão enorme de madeira), que porta danada de chiar!' (Élis, 1983, p. 268). Era um meio eficiente de comunicação entre a rua e o quintal, sem precisar passar pelos ambientes. Como as moradias eram geminadas dos dois lados, esse era o único caminho possível para o trânsito de serviçais, animais, mercadorias e outros”. (3)

     A autora adentrou em diversas residências pirenopolinas e traçou uma planta baixa, sem escalas. Eis algumas delas:


Obra Citada p. 184
   


Obra Citada p. 177
     
     A continuar assim a devastação do patrimônio histórico pirenopolino, com a preservação apenas da fachada e derrubada do restante, num futuro próximo não será mais possível um estudo científico como o que fez a escritora acima citada, pois todas as casas serão iguais.

     Pense nisso!

Adriano César Curado

(1) OLIVEIRA, Adriana Mara Vaz de. Uma ponte para o mundo goiano do século XIX: Um estudo da casa meia-pontense. Goiânia: Agepel, 2001.

(2) OLIVEIRA, Obra citada, p. 165.

(3) OLIVEIRA, Obra citada, p. 166.





terça-feira, 18 de outubro de 2011

A casa pirenopolina ( II )


     A casa é mais que o abrigo do indivíduo. É o lugar onde ele convive com seus parentes e amigos, é seu recesso para meditação, lazer, recanto para formação e manutenção de uma família. O jornalista Luiz de Aquino publicou uma verdade no jornal Diário da Manhã do dia 16/10/2011: “Bem, tempo houve em que a arquitetura, a engenharia das casas, obedecia a uma padrão imposto pelos materiais disponíveis: madeira, pedra, folhas. Hoje, a indústria da construção civil nivela o mundo a uma paisagem habitacional comum, igual. Tal como as roupas, que hoje fazem com que, respeitadas as circunstâncias do tempo, as pessoas se vistam igual em quase todos os lugares do planeta”.

     Em relação a Pirenópolis, a arquitetura das casas deve ser vista com cuidado e sem pressa, considerando o fator histórico em que estão inseridas. Nascida em um garimpo na primeira metade do século XVIII, batizada inicialmente Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, Pirenópolis conserva, ao lado da Cidade de Goiás, o maior e mais formidável conjunto arquitetônico do Estado de Goiás. Seus casarões, templos e prédios públicos dos séculos XVIII, XIX e XX, pela originalidade e outros critérios, foram tombados pelo Governo Federal em 22.11.1989, reunidos sob o termo Conjunto Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico da Cidade de Pirenópolis.

      Na portaria nº 02, de 1º de junho de 1995, que regulamentou o ato do tombamento, assim se expressou a 14ª Coordenação Regional do IPHAN:

“O Conjunto Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico da Cidade de Pirenópolis por seu excepcional valor cultural, é monumento integrante do Patrimônio Cultural Brasileiro, na forma e para fins do Decreto-Lei nº 25/37.
“É dever concorrente do Poder Público nas instâncias: federal, estadual e municipal, zelar pela integridade do referido Conjunto, assim como de sua vizinhança”.

     Isso que dizer que, quando alguém deseja intervir num prédio histórico, primeiro tem de formalizar um pedido de autorização do órgão competente e este, dentro dos critérios técnicos devidos, orientar a reforma ou restauração. Recentemente, no entanto, muitas intervenções vêm sendo feitas nos casarões pirenopolinos com técnicas bastante duvidosas – troca desnecessária de adobe por tijolo comum (furado), retirada dos baldrames, troca do assoalho de tábuas por cerâmicas e da estrutura de madeira por vigas de metal.

      Ora, daqui a alguns anos, quem quiser estudar a casa pirenopolina levará um grande susto, pois vai encontrá-la tal qual os apartamentos das grandes cidades, sem nenhuma característica de sua construção, nem a presença dos materiais empregados naqueles tempos. Isso é restauração? É zelar pela integridade do conjunto arquitetônico? É justo legarmos aos nossos filhos uma cidade-cenário?

Adriano Curado

sexta-feira, 25 de março de 2011

Saudades da Matriz

 

     Que saudades eu tenho da velha igreja Matriz de Pirenópolis! Falo do templo original, aquele aonde iam meus antepassados para assistir missa, orar em despedida dalgum morto ou participar de festivos casamentos, batizados, crismas etc. Tudo acabou num incêndio que ninguém conseguiu explicar, há quase uma década, e lá se foram o sino fabuloso, a prataria pesada, o altar-mor de custoso entalhe, os altares laterais, o paraíso pintado por Tonico do Padre no teto da capela-mor, os florais no barrado das paredes etc.




     O fogo causou males irreversíveis no interior do  templo, mas as grossas paredes de taipa-de-pilão restaram intactas, assim como as torres e as sacristias. A restauração do prédio por fora ficou perfeita e estão de parabéns seus idealizadores. Seria muito triste Pirenópolis perder esse patrimônio arquitetônico de tamanha importância.


     Mas o interior não está bom. A ideia de instalar na Matriz o altar-mor da igreja do Rosário dos Pretos foi infeliz. Os artesãos da época não fabricaram a peça para um templo das dimensões da Matriz e então sobra um espaço sem sentido nas laterais. E por que não executaram o projeto dos altares laterais? Deixar buracos e terra na parede não me parece correto, pois dá um triste aspecto de obra inacabada.




     Quando a Matriz foi reformada na década de 1990, eu era o tesoureiro da Sociedade dos Amigos de Pirenópolis (Soap) e acompanhei a obra bem de perto. Pude ver que todos os altares foram desmontados, catalogados e fotografados. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem esse material em arquivo. Portanto, há condições técnicas para refazer todos os altares destruídos no incêndio, inclusive o altar-mor.


     O desastre que parcialmente destruiu a Matriz, na minha opinião, deve ser superado. As relíquias que haviam lá dentro podem ser substituídas e a imagem da tragédia apagada da memória dos pirenopolinos. Vamos trabalhar pela conservação da estrutura que restou e foi restaurada, bem como lutar pela reconstrução de todos os altares do templo, inclusive do altar-mor.

Adriano César Curado