sexta-feira, 30 de julho de 2010

O prédio dos Correios em Pirenópolis

Praça Central, com Salão Paroquial ao fundo
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí (2010)



Soube eu que a verba para a reforma do largo da Matriz já está na conta da Prefeitura Municipal de Pirenópolis. E parece que não é pouca quantia. Com esse dinheiro vão retirar a horrorosa Praça Central, toda feita de pedra e destoante do restante da arquitetura. Demolirão também a Casa Paroquial, um edifício construído pela Igreja Católica na década de 1960 e que mais parece um caixote que esconde a vista do funda da Matriz.

Depois que esses monumentos da modernidade saírem, retornará o velho e romântico largo, que será totalmente arborizado. Teremos um pequeno parque bem no centro
de Pirenópolis. Que maravilha!



Prédio dos Correios em Pirenópolis.
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí (2010)



Só há um probleminha. O feioso prédio dos Correios, que está situado bem no centro do largo, não será demolido. Certamente que algum lobista trabalhou na parada. Nem mesmo reformar o sobrado irão, dando-lhe pelo menos um aspecto colonial.

Construído na década de 1970, o sobrado dos Correios foi a última construção a invadir o espaço do largo e, pelo que contam os antigos, situa-se onde está por motivos políticos. Quiseram (e conseguiram) tirar a vista que certo casarão tinha do largo. Vou indagar essa história e depois conto aqui.

É mesmo uma pena que perderemos a chance de reaver na íntegra a história do antigo Largo da Matriz, lugar de Cavalhadas e manifestações políticas. Ah!, já foi até cemitério, mas essa é uma história que contarei depois, quando apurar melhor os fatos.

by Adriano César Curado


terça-feira, 20 de julho de 2010

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DO ROSÁRIO AO LAZER


Foto início da rua do Rosário

Arquivo da Biblioteca Pyraí

A rua do Rosário de Pirenópolis há muito ganhou um apelido carinhoso de rua do Lazer. E não é para menos, já que ali estão situados bons bares e restaurantes da cidade, além de vasto repertório musical para todos os gostos.


Antigamente quem chegasse no início da inclinação da rua, como mostrado na fotografia de 2010, avistava a imponente igreja do Rosário dos Pretos, que foi demolida ainda na década de 1950. No lugar do velho templo existe agora uma praça com um coreto de pedra.


Mas as centenas de turistas que constantemente transitam por ali não querem saber disso. Estão mais interessados, é claro, nos artesanatos das lojinhas, na comida e bebida que são servidos ao longo daquela antiquíssima via pública. Creio que somente os mais antigos chamam o local de rua do Rosário, pois os mais jovens pouco se interessam pelo assunto, distraídos que estão pelas passageiras distrações da vida.


Depois do Projeto Candeias, os feios postes de energia elétrica foram substituídos por réplicas de lampiões a gás, com uma luz amarelada que é romântica e gostosa.


by Adriano César Curado

domingo, 18 de julho de 2010

Mercado São José de Pirenópolis

Antigo Mercado S. José em 2010


     A fotografia acima é do antigo prédio do Mercado S. José, em Pirenópolis, localizado no final da rua Direita. Apesar de antigo, não faz parte do tombamento, por se localizar fora do Centro Histórico.

     Atualmente o prédio está quase em ruínas, embora seus proprietários afirmem que irão restaurá-lo completamente. Espero que isso aconteça mesmo, e que os paredões de adobe sejam preservados, em vez de demolidos para dar lugar a tijolos furados.

     Sempre afirmo nos meus textos que Pirenópolis já perdeu muito do seu patrimônio histórico e nós, seus filhos da atualidade, temos a obrigação de preservar o que restou.
 
Adriano César Curado

sábado, 17 de julho de 2010

MENOS CADEIA E MAIS CULTURA

Fotografia do prédio da Casa de Câmara e Cadeia
Pirenópolis, Goiás, em 2010
Arquivo da Biblioteca Pyraí



O velho prédio da Casa de Câmara e Cadeia deixou de ser um presídio feio para se transformar no Museu do Divino. Que bom seria se houvesse menos cadeia e mais cultura no mundo!

Essa foi uma bonita realização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Meus parabéns.

No interior do prédio o visitante poderá encontrar várias informações sobre a Festa do Divino de Pirenópolis, que agora se tornou Patrimônio Cultura Imaterial do Brasil.

by Adriano César Curado

sábado, 12 de junho de 2010

PORQUE AMO PIRENÓPOLIS


Foto: Casarão na Ponte de Pedra
Arquivo da Biblioteca Pyraí

Por que gosto tanto de Pirenópolis? Não sei ao certo. Mas há uma magia estranha nessa cidade, algo que nos traz romantismo e saudosismo, mistura capaz de tornar em poesia qualquer sentimento – puro ou não.



Foto: Casa de Câmara e Cadeia (hoje Museu do Divino)
Arquivo da Biblioteca Pyraí

Seus becos irregulares e estreitos, que serpenteiam para evitar as ruas principais, guardam na luz amarelada das candeias uma exaltação espiritual singular, limiar da afloração dos sentidos mais aguçados.




Foto: Janela de casarão no Centro Histórico
Arquivo da Biblioteca Pyraí

Nunca senti nada disso em qualquer outro lugar. Não sei se é porque tenho um certo atavismo com a cidade ou se a razão está no coração de poeta que bate cá neste peito.


Foto: Casarão na Rua do Rosário
Arquivo da Biblioteca Pyraí

Fato é que Pirenópolis tornou-se única na minha vida, e por esse motivo eu a exalto em música, contos, poemos, romances; ou mesmo no simples risco nas areias do Almas.

by Adriano César Curado

terça-feira, 8 de junho de 2010

Rua Direita antiga

 

      Nesta velha imagem (sem data) vemos um costume peculiar na Cidade de Pirenópolis. Após o casamento da Igreja Matriz, que aparece lá no fundo da fotografia, os noivos e convidados seguem tranquilamente pela rua Direita, enquanto são saudados pela população.

      Bons tempos esses!

      Note que a via pública tinha calçamento de lajes grandes, mas o mato toma conta.


Adriano César Curado

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Cavalhódromo



     O nome é horroroso. O lugar também não é lá dos mais belos, principalmente porque as imensas estruturas de concreto estão inacabadas, com vergalhões enferrujados à mostra. Toda vez que entro no Campo das Cavalhadas e vejo o mastodôntico Cavalhódromo dá vontade de sair correndo e não voltar mais.

     Dá saudades da minha infância, quando os camarotes de madeira se espalhavam pelo campo e um poeirão vermelho fazia todo mundo tossir. Naquela época, os mascarados podiam circular livremente a cavalo entre os camarotes e o campo, que era limitado apenas por uma corda, e alguns davam salvas de tiro de festim para alegrar ou assustar.


     Os camarotes eram baixos, e a gente podia facilmente comprar algodão doce, pipoca ou churrasquinho diretamente do vendedor lá embaixo. Bom também para os amigos que passavam distraídos, viam nosso camarote e subiam para um bate-papo ou para degustar as guloseimas exageradas que levávamos.

     Época boa aquela!


     Embora saiba que a quantidade de pessoas ali aglomeradas pede maior infraestrutura, acredito que faltou um estudo prévio de impacto da obra atual. Há todo um contexto por detrás da Festa do Divino e isso não foi observado.

     Ao assistir as Cavalhadas de 2010, constatei que o Cavalhódromo já ficou pequeno por conta tanta gente no campo. Não há mais espaço para turistas e pirenopolinos. Vi estupefato as arquibancadas abarrotadas de gente, no extremo da segurança, enquanto uma fila de ansiosos transeuntes aguardavam na entrada. E o que é pior, não há mais como expandir.


     Comecei esta matéria propositalmente com respingos de saudosismos e terminei na ineficiência da obra. Fiz isso para mostrar como governos não planejam sua ações com a visão no futuro, e tudo é imediatista quando se fala em obras públicas. Se houvesse mais participação popular, uma entrevista com quem entende da festa e a pensa com olhos no amanhã, poderia ter sido melhor aproveitado o espeço.

Adriano César Curado

* * *

terça-feira, 23 de março de 2010

Pirenópolis das antigas I

Foto: Festa do Divino de José d'Abadia de Pina
Pirenópolis, 25.05.1947
Arquivo da Biblioteca Pyraí


A foto mostra uma imagem difícil de se repetir. É a Festa do Divino de José de Pina (Zé de Lulu) em 25.05.1947, e o povo foi recepcionado com um farto churrasco nas Lajes. Toda população da cidade foi convidada, e compareceram muitos homens de terno e mulheres em vestido de festa. Note que as pessoas se abaixam para lavar as mãos no rio das Almas, que àquele tempo era puro e cristalino. Hoje, obviamente, ninguém mais faz isso por conta da poluição da água.


Nem é mais possível convidar toda a população para um churrasco, dado à quantidade de habitantes de hoje em dia, além dos turistas. Achei importante resgatar o momento, principalmente para compartilhar o conhecimento de usos e costumes já extintos.


by Adriano César Curado

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carnaval em Pirenópolis 2010


 
     O carnaval na cidade histórica de Pirenópolis foi excelente. Está de parabéns a prefeitura municipal pela organização impecável e fartura de informações aos turistas que visitaram a cidade. Logo na chegada havia um ponto de informação, em formato de prédio colonial, e ali o turista recebia panfletos e mapas com explicações necessárias para melhor aproveitar as atrações locais. O trânsito foi acertadamente modificado para receber a grande quantidade de carros sem causar engarrafamentos, e ônibus fretados tiveram que estacionar fora do perímetro urbano, numa área reservada pela prefeitura.

     O maior mérito da prefeitura, no entanto, foi banir de vez o som automotivo da cidade. Até há bem pouco tempo, passear em Pirenópolis era um verdadeiro inferno acústico, já que meia dúzia de pessoas com potentíssimos amplificadores de som incomodavam a cidade toda e punham em risco as frágeis estruturas do casarões históricos. Agora foi diferente. A atual administração organizou um espaço fora do centro histórico, com tendas e bastante segurança, e ali quem gosta desse tipo de diversão pôde aproveitar os ensurdecedores decibéis até a manhã raiar.

     Na rua Direita, no entanto, prevaleceu o som das marchinhas antigas, com duas afinadas bandas se revezando no palco e levando a multidão ao delírio. Não houve nenhuma confusão digna de menção. Mas bonito mesmo foi ver a presença de famílias no local, desde senhoras de mais de oitenta anos, até crianças e alguns bebês, prova de que a segurança foi rigorosa com os excessos de alguns.

     A Polícia Militar posicionou-se estrategicamente para garantir que a folia transcorresse em paz, apesar do elevado consumo de álcool de alguns foliões exagerados. Mas o mérito do sucesso tem de ser dado também à prefeitura local. As ruas foram limpadas todas as manhãs por batalhões de garis, os guardas municipais permaneceram a madrugada toda acordados e organizando o trânsito, e não faltaram panfletos e mapas para melhor orientar os turistas.

     Contando com uma boa administração, como ocorre atualmente, Pirenópolis saberá proporcionar outras excelentes festas aos seus visitantes. A cidade tem grandes atrações turísticas, desde a natureza privilegia, até a história centenária. O que faltava era um poder público afinado com os anseios da cidade e um administrador com os olhos no futuro. Tenho certeza de que, agora, ninguém segura o sonho pirenopolino de ver a velha Meia Ponte se tornar patrimônio da humanidade.

Adriano César Curado