Após
três décadas de empreendedorismo, a Quitandaria Marta de Pina
fechará suas portas. Tudo começou no início da década de 1980 com
doces de caju em passas e o sucesso foi tanto que ela resolveu
ampliar para as quitandas. O negócio deu certo e se tornou bastante
rentável. Falante, comunicativa, Marta fez de seus clientes
verdadeiros amigos que agora se espalham por este Brasil afora.
Ocorre que Marta de Pina se tornará este ano septuagenária e não
há sucessores em seu empreendimento, motivo do fim da quitandaria.
Com a decisão, a partir da semana que vem não haverá mais
atendimento ao público, apenas as pousadas serão atendidas por
conta do compromisso assumido. Depois de tanto tempo, a placa será
finalmente retirada da fachada do velho casarão.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
O tetraneto da escrava Leocádia
A família Jayme é uma das maiores de Goiás. E a sua origem é muito interessante. Segundo o historiador Jarbas Jayme, tudo começou com a nomeação do padre Luis Gonzaga Camargo Fleury (nascido na cidade de Goiás em 21/06/1793 e falecido em 29/12/1846) para presidente da província de Goiás pelo então regente padre Diogo Feijó, a maior autoridade do Brasil, à época do Segundo Império.
O respeitável historiador Humberto Crespim Borges, em sua obra O grande pacifista do Norte, conta a coragem e a inteligência do presidente da província, Luis Gonzaga Fleury. E este notável governante teve com Genoveva Maria da Soledade (Inhá Genu) 7 filhos, entre eles João Gonzaga Jayme de Sá. Mas há de se perguntar, por que o sobrenome Jayme e não Camargo Fleury? A resposta está em – por ser padre – não poderia registrar os seus filhos com o seu sobrenome. E então ele “copiou” e batizou seus rebentos com o sobrenome da nobreza que pertencia aos reis Jayme da Inglaterra.
O respeitável historiador Humberto Crespim Borges, em sua obra O grande pacifista do Norte, conta a coragem e a inteligência do presidente da província, Luis Gonzaga Fleury. E este notável governante teve com Genoveva Maria da Soledade (Inhá Genu) 7 filhos, entre eles João Gonzaga Jayme de Sá. Mas há de se perguntar, por que o sobrenome Jayme e não Camargo Fleury? A resposta está em – por ser padre – não poderia registrar os seus filhos com o seu sobrenome. E então ele “copiou” e batizou seus rebentos com o sobrenome da nobreza que pertencia aos reis Jayme da Inglaterra.
Os primeiros Jayme.
João Gonzaga Jayme é pai do senador Luis Gonzaga Jayme, que empresta o seu nome a uma rua do Setor Campinas (Rua Senador Jayme) em Goiânia e que tivera um fim trágico, pois fora assassinado no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro, em 1921, pelo seu assessor no Senado quando se encontrava nu com a esposa, também nua, desse mesmo funcionário;
Frederico Gonzaga Jayme, ex-intendente municipal (prefeito) de Rio Verde, casado com Mozarta Siqueira, da família Siqueira de Goianésia (do mesmo clã do ex-governador Otávio Lage de Siqueira). Frederico foi um dos maiores genitores da história do Brasil. Entretanto era um homem honrado e generoso. Major Frederico era tudo na cidade: além de líder político era rábula, boticão, boticário e médico sem diploma. Tanto que ele fez o parto de minha avó, onde resultou à luz minha mãe! Dizem ser ele pai de mais 100 filhos – obviamente, com muitas mulheres! João Gonzaga Jayme, seu genitor, tivera também uma grande prole, inclusive, com uma ex-escrava de nome Leocádia Pereira, e só com ela teve 14 filhos… E desse relacionamento, um dos mais conhecidos, Juanito Jayme foi proprietário da Pensão Padre Rosa (hoje, Restaurante Padre Rosa, pertencente ao seu filho Ranulfo Jayme), restaurante famoso em Pirenópolis na década de 1970, onde servia mais de 40 pratos diferentes e que, pela fama, acabou recebendo a visita do então presidente Artur da Costa e Silva. Juanito Jayme era pai do não menos famoso, destemido (e temido) Agenor Jayme, um mulato de quase dois metros de altura e com mais de 150 quilos, que se mudou, ainda rapaz, para Palmeiras de Goiás. Daí a ramificação dos Jayme pretos. Houve um tempo em que se dizia que a grande família Jayme se dividia entre “Jayme dos olhos cozidos” (olhos azuis) e os Jayme pretos (descendentes de escravos). Também reza a lenda que os Jayme pretos criaram a língua dos Jayme, que consistia em falar de trás para frente, justamente para outras pessoas não entenderem. Talvez para não provocar a ira nos patrões escravistas! Então, quando queriam falar mal de alguém, diziam que o cidadão era um atup adef (pronuncia-se atupadefi) que em “jaymeês” seria “feda puta” (corruptela de filho da puta). Este dialeto ainda perpetua principalmente entre os Jayme residentes em Palmeiras de Goiás. José Sisenando Jayme, na excelente obra Pirenópolis (Humorismo e folclore), conta um feito interessante: que um dia, certo cidadão chegara na Casa de Olga Jayme em Palmeiras e a filha Leí foi recepcioná-lo. E ela gritou para mãe: chegou um “oçom” que parece “obob” e ainda é “oief”! O cidadão que acabara de chegar, de pronto atravessou: “Obob” e “oief” é você, “atupadef”! Tratava-se do Francisco Rattes, o Chico Rattes, seu primo, que morava em Rio Verde e que ela ainda não conhecia!
Além dessas curiosidades, resta a pitoresca acusação de sermos descendentes de padre.
Dos 14 filhos de João Gonzaga Jayme e da ex-escrava Leocádia, alguns deixaram sementes importantes: Castorina se mudara para Rio Verde e viria a ser a matriarca da grande família Rattes; Olga Jayme (esposa de José d’Abadia/ Zé de Rita) residiu em Palmeiras. Julieta Jayme faleceu jovem e deixou ainda na puberdade Marinho Jayme e Tília Jayme Nascimento, que por sua vez seria a minha avó materna e mãe do ex-deputado federal e conselheiro do TCE Iturival Nascimento, do ex-prefeito de Rio Verde Iron Jayme Nascimento e de minha saudosa mãe, Zaira Nascimento.
Hoje, somos milhares com o sangue de Jayme.
E, eis-me aqui, tentando escrever sobre a minha singela origem, a de um Jayme preto e tetraneto da ex-escrava Leocádia. Afora isso, deixo para a posteridade mais uma vertente da geração Jayme que é a minha filha Thaís Nader Nascimento, que por sua vez deixa uma outra nova geração, a dos meus dois netinhos Otávio e Joaquim.
(Tadeu Nascimento, cronista.)
Fonte site http://www.dm.com.br/opiniao/2015/02/o-tetraneto-da-escrava-leocadia.html
Obs.: O autor se equivoca ao apontar a Cidade de Goiás como a terra natal do pe. Gonzaga, pois ele nasceu em Meia Ponte, hoje Pirenópolis.
Para conhecer um pouco mais da biografia do padre, acesse: http://cidadedepirenopolis.blogspot.com.br/2011/01/padre-gonzaga-freury.html
Obs.: O autor se equivoca ao apontar a Cidade de Goiás como a terra natal do pe. Gonzaga, pois ele nasceu em Meia Ponte, hoje Pirenópolis.
Para conhecer um pouco mais da biografia do padre, acesse: http://cidadedepirenopolis.blogspot.com.br/2011/01/padre-gonzaga-freury.html
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Homenagem a Terezinha Jaime
Meu dia ficou mais triste quando soube da morte de Terezinha Jaime, minha estimada professora de reforço de matemática. Eu morava na casa do Mestre Propício e em vez de seguir na rua Nova e descer a Santa Cruz, onde ela habitava, fazia o trajeto ficar mais emocionante. Então ia pelo antigo pasto do Duílio de Pina, hoje um bairro povoado e valorizadíssimo em Pirenópolis. Um pouco abaixo da casa do dr. João tinha uma porteira que a gente saltava e seguia por uma trilha em meio a capim alto, até entrar pelo quintal da professora. A casa era uma bagunça só. Vez em quando ela interrompia a aula para dar uns tapas em algum filho, depois acendia um cigarro e se sentava como se nada tivesse acontecido. Muitos anos mais tarde a gente recordava isso e morria de rir. Minha base de matemática devo a ela, uma professora paciente e sábia. Quando me contaram de seu falecimento, percebi que meu mundo havia encolhido um pouquinho mais. Minha querida professora e amiga, que Deus a receba de braços abertos porque a senhora é merecedora de muitos méritos.
Na foto a professora está ao lado de minha amiga Nayzis Lívia, a quem peço permissão para publicar a imagem.
Adriano Curado
domingo, 9 de agosto de 2015
Dia dos pais 2
Estimado pai, Luiz César da Trindade Curado, eu gostaria muito que o senhor estivesse aqui do meu lado neste dia que é seu. Queria lhe dar um abraço apertado e contar futilidades da minha vida. Queria tê-lo ao alcance do braço para poder me refugiar no porto seguro em tempo de procela. Mas infelizmente o senhor se foi para outras aventuras e eu fiquei. Um dia ainda nos reencontraremos. Por agora, fica aqui esta singela homenagem ao amigo que perdi.
Adriano Curado
Dia dos pais 1
No final da década de sessenta, era sempre assim na antiga freguesia de Santana as margens do Ribeirão das Antas (Anápolis)... uma buzina soava no início de uma das travessas do setor central fazendo bater de alegria o coraçãozinho de um menino que, mais que depressa se via correndo, de encontro ao jipinho de pedal e descia a área dos fundos daquele seu mundo rumo à grade baixa que fechava a garagem que lhe serviria de rede de proteção e freio. Ali aquele garoto sabia que, mais que ver o carro chegando, e os carros eram uma de suas preferências, ele receberia sempre, de presente, o sorriso escancarado e o abraço daquele que só não foi seu herói por falta de tempo. Aquele abraço era uma explosão derivada da confiança do menino com o prazer do homem com um pedaço seu.
Junto a essa lembrança o garoto traz consigo ainda flashes de um passeio em Guarapari, mais especificamente na praia, junto do irmão, Netto do Ulysses Jayme. Ele ainda pode sentir a água salgada do mar e os braços fortes de Zezé que o faziam superar a gravidade. Esse Zezé o garoto viu pela última vez, calando seu choro da falta, deitado num lugar de onde nunca mais voltaria. Ali a história física dos dois acabou.
Com o tempo, ouvindo sobre aquele homem, o menino transformou as lembranças daquele espírito bom em uma enorme admiração. Ele entendeu que aquele passamento estava escrito para que ele pudesse crescer.
Essa é a síntese da história de um menino feliz.
Obrigado PAI pelo pouco muito que me deu.
Usando palavras de Gilberto Gil, quisera fosse possível "mudar como Deus o curso da história" para tê-lo outra vez comigo. Espero que entenda minha falta de coragem para falar de nós e dos meus sentimentos só agora.
Esteja sempre comigo e me abençoe. Eu te amo!
Obrigado MÃE por ser o melhor pai que pude ter. Só não foi melhor pai do que é mãe.
FELIZ VIDA DE PAI!
Amo você!
Ao meu avô Wilson, PAIdrinho e aos meus tios Joaquim, Tasso, Nilson e o Maestro todo meu carinho e agradecimento por ajudarem, como pais, na minha formação.
Obrigado Capitão Bidoro pelas inúmeras histórias contadas do meu pai e por me permitir ter tido a felicidade de ser, como ele, seu amigo.
FELIZ VIDA DE PAI aos meus irmãos Ulysses e José Adriano e a todos os meus amigos e familiares!
Que Deus os abençoe!
Rogério Jayme
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Ensaio cultural sobre Pirenópolis
Pirenópolis pode se
gabar dos grandes vultos que colaboraram para o enriquecimento da sua
história, e também da goiana, como um todo. Mencionarei apenas
alguns: Jarbas e José Jayme; Joaquim Alves; padres Gonzaga e Simeão;
Veiga Valle; Tonico do Padre; Senador Gonzaga Jayme; os maestros
Propício de Pina, Luiz de Aquino, Silvino e Vasco de Siqueira; dr.
Brandão; Sebastião Pompeu; coronel Sá; professor Ermano; João
José de Oliveira; Gedeão, Armênia e Elfrida de Siqueira; Joaquim
Pompeu; José Assuério; Maria de Beni; Irnaldo Jayme; os Braz de
Pina (pai e filho); Emílio de Carvalho; Tãozico Pompeu; Zezinho Dentista, Soném, Seu Moço e Nenzão; os Pina
d’Abadia: Lulu, Geraldo e José.
Mas a cidade de
Pirenópolis perdeu recentemente grandes colaboradores da manutenção
de sua cultura. Quero citar aqui, com o perdão dos prováveis
esquecimentos, as Itas, a Lopes e a Pereira; a Vera Siqueira; o
Pompeu de Pina; o Bastião de Chica; a dona Santinha e o Alaor de
Siqueira. Isto para mencionar apenas aqueles que há pouco se mudaram
para outra dimensão. Teve também a Maria Bizé; o dr. Joaquim
Lopes; a Maria Eunice; a Celuta Mendonça Teles, o Arnaldo Setti; a
Naziam Brandão; o Isócrates de Oliveira; o Zé Reis; o Israel de
Aquino; o Bidoro, a Marlene Fleury; o Clóvis Gomes e muitos, muitos
outros.
Esses são os que se
foram e deixaram seus
nomes gravados na história de nossa terra. Uns se destacaram nas
artes, outros no apoio à cultura e alguns foram ativistas, mas o que
todos têm em comum é a doação de tempo, dinheiro ou energia à
manutenção do legado cultural de Pirenópolis. São pessoas que
fizeram a diferença porque deixaram seus lares, o convívio
familiar, perderam dinheiro e até saúde, para que não perecessem
nossas manifestações culturais.
E a reflexão a que se
destina este ensaio visa incentivar a atual geração a dar
continuidade ao feito. Sei que uma nova leva de ativistas culturais
se esboça em nossa terra. A Séfora de Pina e o Sérgio Pompeu, por
exemplo, assumiram a organização do teatro de revista “As
Pastorinhas” e fizeram um trabalho muito bonito no palco. O
Gerônimo Forzani dá aulas de música nos diversos instrumentos que
toca, talento herdado de seus brilhantes avô (China) e bisavô (Zeco
Totó), para os jovens pirenopolinos interessados em aprender. Tem
também a Célia de Pina com o Museu das Cavalhadas herdado de sua, Maria Eunice.
Todas essas iniciativas
são boas, mas creio que muito mais ainda pode ser feito. Talento
nunca faltou à gente da Terra dos Pireneus. Dorme latente na
hereditariedade do sangue um infinito potencial artístico que
precisa ser exposto à luz da criatividade. Não podemos deixar cair
o bastão da história justo na nossa vez, temos que encontrar modos
de usarmos nosso potencial individual para agregar valores à nossa
cidade.
Minha preocupação é
que estamos cada vez mais expostos à mídia, às culturas
alienígenas, aos fatores de aculturação que nos rondam, à
tentação de introduzir inovações onde elas não cabem. O registro
eficaz de nosso folclore, por exemplo, contribuirá para evitar
modificações futuras e até o esquecimento de ritos, como já
aconteceu.
Muitas páginas ainda
estão em branco no livro de nossa história e há espaço para escrever
nele algo tão formidável que lance o nome de seu autor no panteão
da imortalidade.
Adriano Curado
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terça-feira, 4 de agosto de 2015
Prefeitura notifica contribuintes para que regularizem seus débitos municipais
A Prefeitura de Pirenópolis, através da
Secretaria Municipal de Administração e Finanças, com intuito de
solucionar de forma amigável e extrajudicialmente, convoca todos os
contribuintes que estão com débitos inscritos na Dívida Ativa Municipal,
relativos ao período entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2014, a
comparecer ao Departamento da Dívida Ativa e Coletoria, ambos na
Secretaria de Finanças, para negociação. O contribuinte, ou seu
representante, deverá estar munido de documentos pessoais (CPF e
Carteira de Identidade) no máximo até o dia 31 de agosto de 2015, em
horário de expediente.
O edital de notificação já se encontra disponível no Portal da Transparência – Edital de Notificação de Dívida Ativa.
Fonte site da Prefeitura
domingo, 2 de agosto de 2015
Homenagem a dona Santinha
Este site presta aqui uma homenagem póstuma a dona Santinha, recentemente falecida. Ela era a última cantora do Mestre Propício ainda vida e tinha um grande conhecimento musical, li partitura, possuía grande conhecimento teórico. Enquanto teve forças, cantou no coro da Matriz de Pirenópolis e ajudou a dar continuidade às nossas tradições.
Adriano Curado
Rua Aurora
A rua Aurora
de tantas histórias,
de tantas ilustres pessoas
e também das
humildes e anônimas,
a rua Aurora
das procissões,
dos casarões e
serenatas ao luar,
a rua Aurora
onde o Bonfim
se unia ao
Rosário dos Pretos
para reviver
tradições centenárias,
a rua Aurora
onde primeiro o sol
beija a velha cidade.
Adriano Curado
Lyceu de Goiás
Documento de 1855, assinado por Dr. Vicente Moretti Fóggia, há 160 anos, relata a listagem de alunos aprovados em exames do Lyceu de Goiás daquele tempo, na gestão do Diretor Emydio Joaquim Marques, na presença de autoridades como Dr. Theodoro Rodrigues de Morais, Pe. José Militão Xavier de Barros, Pe. João Luiz Xavier Brandão, Pe. José Ribeiro Dantas de Amorim. Nessa ano, o Lyceu tinha menos de uma década de existência. Vicente Moretti Fóggia, provisionado médico, tinha importância intelectual e educacional na Cidade de Goiás. Um valioso estrangeiro, com certeza.
Bento Fleury
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