domingo, 24 de maio de 2015

A Festa do Divino de Pirenópolis


A cidade de Pirenópolis comemora mais uma Festa do Divino Espírito Santo, uma tradição que teve início em 1819 e se mantém viva no espírito dos habitantes da Terra dos Pireneus. Há pouco tivemos as folias que saíram pela zona rural ou pela cidade, com cantorias e muita devoção, na busca de donativos para o festeiro. 


Sorteado todos os anos pelas mãos do bispo da Diocese de Anápolis, esse festeiro, chamado de Imperador, trabalha durante um ano inteiro nos preparativos para a festa, e quando finalmente chega o Domingo do Divino, ele segue em cortejo pelas ruas da cidade, acompanhado por um cordão de crianças vestidas de branco, pela Banda de Música Fênix, Congo, Congada e por muitos populares.


O Imperador deste ano é João Geraldo Costa e Pina, um senhor humilde e trabalhador, que recebe ajuda de muitos pirenopolinos. São doações em dinheiro ou alimentos, adjutório na cozinha ou em obras no local onde se recebem os devotos. E vai precisar de muito auxílio o Imperador porque tem que soltar foguetes, dar refeições a todos os atores da festa e ainda ter tempo e disposição para as novenas e outros compromissos.


Ainda sobre o Domingo do Divino, que este ano ocorrerá dia 24 de maio, o barulho começa cedo nas alvoradas com as bandas de Couro e Fênix. Depois vem o Cortejo Imperial que levará o Imperador até a Matriz para a missa solene cantada em latim pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário de Pirenópolis. Logo após vem o sorteio do novo festeiro e dos mordomos. Depois da missa, retorna o cortejo com o Imperador à sua residência e ali ocorre mais uma antiga tradição, que é a distribuição de verônicas de alfenins e de pãezinhos do Divino.


Mas é após o almoço que começam as Cavalhadas. É o primeiro dia da tradicional encenação que revive as velhas batalhas medievais entre mouros e cristãos na Península Ibérica. No segundo dia ocorrerá a rendição dos mouros e o batismo que os converte ao Cristianismo. E no terceiro serão realizados jogos de confraternização, como tirar máscaras e argolinhas. 


Nos intervalos das carreiras coreográficas desenvolvidas pelos cavaleiros, entram em campo os tradicionais Mascarados, que são personagens barulhentos, engraçados, sempre dentro de multicoloridas roupas, montados ou a pé, e geralmente com máscaras de boi. Eles falam em falsete para que ninguém os reconheça, pois aí está a graça da encenação. Pedem dinheiro, comida ou bebida, tocam instrumentos musicais, cantam. Enfim, são a diversão do povo.


Dentro da Festa do Divino, ocorre em Pirenópolis duas outras festas herdadas dos escravos negros que por aqui viveram. Na segunda-feira pela manhã, dia 25 de maio, é o Reinado de Nossa Senhora do Rosário, que tem cortejo para conduzir o Rei e a Rainha até a Igreja Matriz, acompanhados pela Banda de Couro e pelo grupo de Congo, para a realização de uma missa solene. Na terça-feira também pela manhã, dia 26 de maio, é o Juizado de São Benedito, que tem cortejo e missa igual ao anterior, e em ambos, quando retorna o festeiro à sua casa, são distribuídos doces e salgados à vontade para o povo presente.


Esta é a 197ª Festa de Divino Espírito Santo de Pirenópolis, que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial brasileiro. E ela sobrevive praticamente intacta há quase dois séculos porque dela participa, de forma espontânea, toda a população pirenopolina, independentemente de religião ou filiação partidária. Se assim não fosse, essa tradição já teria sucumbido ao tempo, como já ocorreu em tantas outras localidades goianas.

Adriano Curado

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