terça-feira, 1 de julho de 2014

Joaquim Pereira Valle

 SÉRIE BIOGRAFIAS
JOAQUIM PEREIRA VALLE



Joaquim Pereira Valle (Pirenópolis, 14.6.1841 – 15.11.1918) foi alfaiate, comerciante e incentivador do ensino pirenopolino.



Quim Pereirinha, como o conheciam, era filho do grande alfaiate pirenopolino Alferes Joaquim Pereira Valle e de Rosaura Joaquina do Amor Divino. Em 14.6.1873, casou com Roduzinda de Faria Albernaz. Depois de ficar viúvo, casou pela segunda vez com Rosa de Siqueira Mancini, que também era viúva. Do primeiro casamento, teve as filhas Maria d'Abadia Valle (Sinhá) e Lina de Faria Valle (Sinhazinha). Antes de se casar, teve as filhas: Maria Honorina da Veiga e Ana Joaquina Pereira.



Sobre ele escreveu Jarbas Jayme (Família, p. 223/4): “cidadão prestimoso, gozava de lisonjeiro conceito em nossa terra, onde era muito respeitado. Foi um dos fundadores da Irmandade de S. Vicente de Paulo de Pirenópolis.”

O casarão onde funcionou o colégio


 No século dezenove, foi para o Rio de Janeiro e se especializou em alfaiataria, comprou a primeira máquina de costura de Pirenópolis. De volta à sua terra natal, trouxe muitas fazendas (tecidos). Os vilaboenses vinham até Meia Ponte para encomendar fraques, casacas e sobrecasacas com ele. Com grande tino comercial, acumulou considerável fortuna, tanto que emprestava a juros, pois naquele tempo não havia banco por aqui. Tornou-se um homem rico.



Lina de Faria Valle (Sinhazinha)


Era um grande valorizador do ensino e por isso resolveu, ao lado do bispo D. Prudência Gomes da Silva e do monsenhor Bruno Alberti Zugadi, vigário de Pirenópolis, fundar um colégio na cidade.



Pereirinha comprou o casarão que pertenceu aos herdeiros de Joaquim Alves de Oliveira, reconstruiu sua fachada já em ruínas, fez várias adaptações e melhoramentos, além de rigoroso asseio, e o ofereceu gratuitamente para o funcionamento do colégio. Mandaram então buscar as irmãs da Congregação Filhas de Jesus em Salamanca na Espanha. Pereirinha pagou do próprio bolso a viagem de um emissário para buscá-las, depois as despesas do deslocamento delas. 

Na primeira casa à esquerda morou Pereirinha

A congregação católica Filhas de Jesus foi fundada pela irmã Cândida Maria de Jesus em 08.12.1871, em Salamanca, na Espanha. Mas ela tinha um projeto ambicioso, queria espalhar seus ensinamentos por todos os continentes da Terra. Aqui no distante Planalto Central do Brasil, um homem desejava que as mulheres pirenopolinas pudessem estudar, pois não havia colégio para elas. Através de contatos, Pirenópolis se tornou o primeiro local, fora da Espanha, a receber as freiras. Lê-se no site da instituição: “A exclusão das mulheres e das classes menos favorecidas do acesso à educação motivou Madre Cândida a iniciar este caminho. Logo depois da fundação, a Congregação se estendeu por toda a Espanha. Mais tarde, no dia 3 de outubro de 1911, enviou seis Filhas de Jesus com destino ao Brasil (…)”. O benfeitor em nossa terra foi Joaquim Pereira Valle (Quim Pereirinha), um homem muito rico, que decidiu investir parte de sua fortuna em educação. Continua o site: “A primeira expansão missionária fora da Espanha se deu em 1911, quando seis irmãs, enviadas pela própria fundadora, atravessaram os mares em navio, e vieram para o Brasil, estabelecendo-se em Pirenópolis, Goiás. Desde lá, o sonho de Madre Cândida vem se concretizando sempre mais. Atualmente, a Congregação Filhas de Jesus está presente em mais de 17 países nos quatro continentes: Europa, América, Ásia e África.”

Luiz Augusto Curado, genro de Pereirinha
Era 29.9.1911 partiram de Salamanca as madres Manuela Azeue (superiora), Dolores Estevan, Maria Sanchez e Vicenta Guilarte, que eram professoras, além das ajudantes Josefa Macañaga e Antônia Altuna. Desceram no Porto de Santos e chegaram a Pirenópolis depois vinte dias a cavalo.



Quando elas chegaram e para incentivá-las, Pereirinha disse: “Se vocês ficarem vinte anos, tudo isso aqui, casa, terreno, é de vocês”. Ao lado do casarão há uma outra casa, que é onde ficou o capelão que veio com elas, e também fazia parte do patrimônio que seria doado.



O Colégio da Imaculada Conceição foi inaugurado em 8.12.1911 e destinava-se a moças e crianças. Seu sucesso foi tão grande, que já no ano seguinte foi elevado à Escola Normal. Vieram então mais três religiosas para auxiliar nos estudos. Mas além do curso Normal, ensinava-se ali o ensino primário destinado às crianças.



Funcionou o colégio por quinze anos, e em 1926, foi fechado. Jarbas Jayme nos explica o motivo: “escândalo público por ter conhecido médico da época internado no educandário uma sua amante, como se fora sua pupila, enquanto se ausentava em demorada viagem fora do Estado.” (Emboço, p. 243).



O colégio então foi fechado por decisão da superiora geral e as madres recolhidas à Espanha. Como não ficaram o tempo estipulado, o casarão voltou para o patrimônio da família Pereira Valle.

É Patrono da Cadeira XXXVII da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música.





Adriano Curado



Fonte:

JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis. Goiânia, Editora UFG, 1971. Vol. I.
___. Famílias Pirenopolinas (Ensaios Genealógicos). Goiânia, Editora Rio Bonito, 1973. Vol. I.

Entrevista com Luzia Curado, neta de Joaquim Pereira Valle.

2 comentários:

  1. Muito bom. É contemporâneo de Veiga Valle. Tem parentesco com ele?

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  2. Obrigada pelo empenho na pesquisa e no registro de pessoas significativas para a sociedade.

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