sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A estrada do tempo



     Ah!, becos históricos da velha cidade! Calçamento de pedras alvíssimas que refletem o sol escaldante dos trópicos, mas ainda assim deixa escapar uma frágil flor entremeio às lajes.




     Rua Direita das serenatas perdidas nos séculos! Violões dedilhados em noites enluaradas, cantoria afinada dos velhos seresteiros, a pedido do rapaz tímido com flores nas mãos e sorriso maroto.




     Entra ano, sai ano, e as ruas de Pirenópolis continuam as mesmas. Posso ir lá mil vezes e ainda assim sempre consigo fotografar ângulos novos, com diferente iluminação.



     Não há como registrar duas imagens iguais do antigo, que não é velho, mas atual e renovado.




     O casario parece que tem vida, renova-se a cada madrugada festiva da passarada madrugadeira.



     Nem bem o sol já inclinou no horizonte da rua Aurora e os moradores assomam à porta de suas casas para o cotidiano lento da antiga Meia Ponte do Rosário.



     Casarões envelhecidos pela dança lerda dos séculos, construído sde adobe socado por pés descalços no barro do vermelho chão goiano.


     Essas casas caducas dão as mãos num entrelaçamento quase irmandade, pois assim podem cochichar segredos de outras épocas, confidências que seus moradores deixaram escapar nas alcovas do passado.



     É sensacional poder saborear a fruta madura no pé, lambuzar-se com as delícias desta terra tropical e ainda se esbaldar nas noitadas regadas a boa música de excepcional gente.


      E como é bom relaxar e deixar-se levar pelo ritmo lerdo da cidade, sem muita preocupação com as ilusões do cotidiano, tal qual faziam em Meia Ponte há séculos!



     Trilhar a estrada do tempo é também espiar pelas janelas e assuntar que se passa logo ali. E em seguida trocar confidências com vizinhos de parede e meia.
     Como escorre sem pressa o tempo em Meia Ponte! Independe das estações, dos acontecimentos lá de fora ou mesmo do querer da sua gente. O tempo tem seu próprio ritmo.



     Por fim, vamos orar à sombra da Matriz do Rosário para que esta cidade insista sempre em reter ao máximo o tempo, antes que acabe para todos nós a espera do tempo!




Adriano César Curado

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2 comentários:

  1. Seus textos são poesia e arte, rimam com as imagens que são apresentadas no blog e ainda levam a gente a divagar por lugares nunca dantes navegados!

    Adorei!

    Beijos,

    Ana Lima Soares

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  2. Que imagens lindas, que show show de blog!!! Parabens.

    Auila Mendes

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