terça-feira, 23 de março de 2010

Pirenópolis das antigas I

Foto: Festa do Divino de José d'Abadia de Pina
Pirenópolis, 25.05.1947
Arquivo da Biblioteca Pyraí


A foto mostra uma imagem difícil de se repetir. É a Festa do Divino de José de Pina (Zé de Lulu) em 25.05.1947, e o povo foi recepcionado com um farto churrasco nas Lajes. Toda população da cidade foi convidada, e compareceram muitos homens de terno e mulheres em vestido de festa. Note que as pessoas se abaixam para lavar as mãos no rio das Almas, que àquele tempo era puro e cristalino. Hoje, obviamente, ninguém mais faz isso por conta da poluição da água.


Nem é mais possível convidar toda a população para um churrasco, dado à quantidade de habitantes de hoje em dia, além dos turistas. Achei importante resgatar o momento, principalmente para compartilhar o conhecimento de usos e costumes já extintos.


by Adriano César Curado

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carnaval em Pirenópolis 2010


 
     O carnaval na cidade histórica de Pirenópolis foi excelente. Está de parabéns a prefeitura municipal pela organização impecável e fartura de informações aos turistas que visitaram a cidade. Logo na chegada havia um ponto de informação, em formato de prédio colonial, e ali o turista recebia panfletos e mapas com explicações necessárias para melhor aproveitar as atrações locais. O trânsito foi acertadamente modificado para receber a grande quantidade de carros sem causar engarrafamentos, e ônibus fretados tiveram que estacionar fora do perímetro urbano, numa área reservada pela prefeitura.

     O maior mérito da prefeitura, no entanto, foi banir de vez o som automotivo da cidade. Até há bem pouco tempo, passear em Pirenópolis era um verdadeiro inferno acústico, já que meia dúzia de pessoas com potentíssimos amplificadores de som incomodavam a cidade toda e punham em risco as frágeis estruturas do casarões históricos. Agora foi diferente. A atual administração organizou um espaço fora do centro histórico, com tendas e bastante segurança, e ali quem gosta desse tipo de diversão pôde aproveitar os ensurdecedores decibéis até a manhã raiar.

     Na rua Direita, no entanto, prevaleceu o som das marchinhas antigas, com duas afinadas bandas se revezando no palco e levando a multidão ao delírio. Não houve nenhuma confusão digna de menção. Mas bonito mesmo foi ver a presença de famílias no local, desde senhoras de mais de oitenta anos, até crianças e alguns bebês, prova de que a segurança foi rigorosa com os excessos de alguns.

     A Polícia Militar posicionou-se estrategicamente para garantir que a folia transcorresse em paz, apesar do elevado consumo de álcool de alguns foliões exagerados. Mas o mérito do sucesso tem de ser dado também à prefeitura local. As ruas foram limpadas todas as manhãs por batalhões de garis, os guardas municipais permaneceram a madrugada toda acordados e organizando o trânsito, e não faltaram panfletos e mapas para melhor orientar os turistas.

     Contando com uma boa administração, como ocorre atualmente, Pirenópolis saberá proporcionar outras excelentes festas aos seus visitantes. A cidade tem grandes atrações turísticas, desde a natureza privilegia, até a história centenária. O que faltava era um poder público afinado com os anseios da cidade e um administrador com os olhos no futuro. Tenho certeza de que, agora, ninguém segura o sonho pirenopolino de ver a velha Meia Ponte se tornar patrimônio da humanidade.

Adriano César Curado

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O imperador e sua corte 4

Saída do cortejo da casa do imperador 2009

     O Cortejo Imperial é o único momento que o imperador tem a festa somente para si. Nas outras ocasiões ele divide espaço com a Igreja (novenas) ou mesmo com outros seguimentos (banda, mordomos etc). No cortejo seguem apenas ele e sua corte, que é representada por familiares, amigos e convidados. A disposição dos membros segue a tradição e também suas ordens imediatas.



O imperador no cortejo imperial 2009

     As bandeiras principais com o símbolo do Divino foram carregadas por suas três filhas, e outras bandeiras acessórias por mocinhas vestidas de branco. Trajava ele um elegante smoking branco com gravata vermelha dentro do quadro imperial - quatro varas sustentadas por quatros meninas - ao lado da esposa. Atrás vinham seus convidados, geralmente amigos e parentes.



Crianças carregam bandeiras
Cortejo imperial 2009
Foto: Thais Valle




     No cortejo também se viam um andor caracterizado (branco e vermelho), carregado por crianças do sexo feminino, e vários arcos carregados por casais infantis com roupas típicas. Completavam os integrantes o congo e a congada.


Crianças carregam andor
Cortejo imperial 2009
Foto: Thais Valle


     E ao som da Banda de Música Fênix, sob a regência do maestro Alexandre de Pina, lá foi o imperador Marcus rua Direita afora, debaixo dum teto de bandeirolas bicoloridas e com aplausos da assistência.

Adriano César Curado

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O imperador e sua corte 3

Cavaleiros entregam as lanças do Imperador

     Ocupar o cargo de Imperador do Divino não é tarefa fácil. Exige muita paciência, disposição de tempo e dinheiro para gastar. É questão de fé religiosa, desejo de manter as tradições e, de certa forma, vocação para organizar festejos. Isso porque hoje em dia a educação do povo deixa muito a desejar. Eu vi pessoas que tomaram bandejas de salgados ou doces das mãos dos voluntários que serviam aqueles que se dirigiram à casa do imperador. Vi igualmente gente que carregava comida para casa, numa total falta de consideração e espírito comunitário.

     Marcus de Siqueira e sua irmã Natália souberam exercitar como poucos a arte de relevar e apaziguar. Embora testemunhassem acontecimentos absurdos em sua casa, nenhum dos dois se indispôs com os sem educação.



Entrega de lanças ao Imperador pelos cavaleiros das Cavalhadas

     Cito como exemplo um jantar para o cavaleiros das Cavalhadas. Enquanto transcorria o agradecimento da mesa e as catiras tradicionais, já tinha gente cara de pau que começava a se servir da comida. Fato impensável na Pirenópolis de algumas décadas atrás, quando todos sabiam se portar, já que a educação começava em casa e terminava na escola.



     E por falar em cavaleiros, uma das partes mais bonita da festa é protagonizada por eles. Falo da entrega das lanças ao imperador, marco do fim dos ensaios e véspera do início das Cavalhadas. Esse acontecimento se deu na quinta-feira (28.05.2009), quando mouros e cristão se enfileiraram em frente ao casarão dos Siqueira, na rua Direita, e um a um se dirigiram ao festeiro, beijaram a vara com que ensaiaram por duas semanas as coreografias e a entregaram simbolicamente.

Adriano César Curado

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O imperador e sua corte 2

A casa do Imperador

      Na rua Direita, nº 38, no Centro Histórico de Pirenópolis, fica o casarão colonial da família Siqueira e onde o imperador Marcus instituiu sua corte. Ali mandou preparar um cômodo apenas para instalar a coroa e o cetro, símbolos do seu império, construiu barracão no amplo terreiro e abriu o quintal para melhor acomodar a multidão que o visitou por todos os dias de festança.

     Naquela casa já moraram grandes músicos e teatrólogos. O pai de Marcus, Gedeão de Siqueira, era um exímio músico, tanto que, nas tardes calmas da velha Pirenópolis, após o jantar, sentava-se tranquilamente numa cadeira e, enquanto palitava os dentes, empunhava sua flauta e tocava para os pássaros. Era o seguinte. Gedeão imaginava que os fios da rede elétrica fosse um risco de partitura e a posição de cada passarinho ali sentado, uma nota musical. Grande gênio!








     Marcus e Natália são irmãos de Alaor, um dos que organizam a peça As Pastorinhas.

Adriano César Curado



segunda-feira, 15 de junho de 2009

O imperador e sua corte 1





     A Festa do Divino de Marcus de Siqueira foi bastante organizada e cheia de atrativos. O imperador não economizou com fogos e bombas. Não era difícil acordar no meio da madrugada com suas descargas de ronqueira, explosões capazes de fazer qualquer um saltar da cama para correr atrás duma alvorada. 


     Sua residência, localizada na rua Direita, foi elegantemente paramentada para o final de semana da festa, com bandeiras vermelhas e uma pomba branca ao centro nas janelas, e construiu um amplo e arejado galpão para recepção dos visitantes. 

     Toda a extensão da rua Direita até chegar na igreja Matriz foi enfeitada com bandeirolas vermelhas; algumas casas da vizinhança também se paramentaram com bandeiras nas janelas, o que causou um agradável aspecto.

     O único inconveniente foi mesmo a chuva. Embora o trajeto do cortejo entre a casa do imperador e a Matriz tenha sido apenas com céu fechado, o mesmo não se diga do retorno, quando desabou um temporal daqueles. 


     Mas isso por si só não foi o suficiente para tirar o colorido da festa, e quando a missa solene terminou, o povo se reuniu outra vez à sua porta, local onde se distribuiu o docinho verônica, um precioso alfenim de açúcar alvíssimo e com motivos religiosos encrustados.

     No Sábado do Divino (30.05.2009), exatamente ao meio-dia, a Banda Fênix tocou na lateral poente da igreja Matriz, junto à torre do sino, ocasião em que se apresentaram também a contra-dança, alguns passos de As Pastorinhas infantil, o congo e a congada. 


     Nesse ínterim, os mascarados apareciam aos poucos, alguns com máscaras gigantescas de boi, outros com vestimentas custosas e sofisticadas, mas todos com alegria contagiante e espírito de paz. Quando as apresentações terminaram, o imperador saudou Pirenópolis com grande foguetório.

     À noite o padre celebrou o encerramento da novena, ergueram o mastro ao som maravilhoso da banda e uma tímida fogueirinha brilhou. Mas quando a população desceu para a beira do rio das Almas, pôde contemplar um esplendoroso espetáculo pirotécnico, desses de ficar na história.


Adriano César Curado

terça-feira, 26 de maio de 2009

Festa do Divino 10

Mascarados na lateral da Matriz
Sádado do Divino (2009)
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí

     A festa do Divino de Pirenópolis passou por muitas crises recentes, algumas imensas e perfeitamente evitáveis, outras fruto dos tempos modernos.

     Entre as crises evitáveis está a ida para Pirenópolis de padres despreparados, sem prévio estudo das tradições locais e que por isso decidiram palpitar na parte profana da festa. Chegou-se ao absurdo de proibir o imperador de adentrar na Matriz com a coroa na cabeça e de chamar de idólatra o povo que cultuava o Divino na forma tradicional. 

     Depois veio a interferência direta nos sorteios, de forma que só poderiam se candidatar aqueles escolhidos diretamente pelo sacerdote. Com isso a população se afastou e a festa outra vez entrou em declínio. Seguiu uma série de imperadores de faz de conta que somente participavam da parte religiosa da festa. A parte profana ficava por conta do governo do Estado, da prefeitura e dos pirenopolinos.

     O resultado disso tem reflexo até hoje, e basta constatar pela insignificante quantidade gente que acompanha o cortejo do imperador no domingo do Divino. E olha que esse momento da festa já foi disputadíssimo, com longa fileiras de mocinhas vestidas de branco e procissão de gente logo atrás. Agora quase ninguém mais vai, à exceção dos familiares do imperador.

     Recentemente a Igreja se conscientizou da importância de deixar que o próprio pirenopolino tome conta de sua festa. O sacerdote que se mudou para a cidade ainda não enfrentou o desafio duma festa do Divino, mas parece pessoa sensata, que sabe ouvir e conta com um indiscutível carisma influenciador da juventude.

     Entre as crises resultantes dos tempo modernos poderia destacar aqui a limitação cada vez maior da participação dos mascarados na festa. Antigamente eles adentravam no campo com carros (geralmente Jipe ou Rural), em cujos para-choques amarravam uma corda com pneus – e lá iam eles arrastados entremeio patas de cavalos. Naquela época também era comum portarem armas com tiros de festim, subir nas calçadas e até sair pela cidade em desabalada correria. 

     Agora nada disso é mais possível, e por qualquer coisa um mascarado é apeado e preso. Sua entrada no campo ficou restrita aos poucos intervalos das Cavalhadas e assim mesmo por breves instantes. Como consequência, o número de mascados diminuiu assustadoramente, e temo que acabe em breves tempos.

     Aqui cabe uma indagação: qual o futuro da Festa do Divino de Pirenópolis? Será que ela voltará ao explendor de outrora ou sucumbirá de vez, quando as novas gerações tiverem de assumir o papel que herdaram dos antepassados? É uma pergunta que não sei responder. Somente o tempo saberá dizer.

Adriano César Curado

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Festa do Divino 9

Largo da Matriz destruído
Invasão da praça e do salão paroquial
Ao fundo vê-se as duas torres da Matriz
Foto: Adriano César Curado

     A partir da festa de Geraldo de Pina, o turista nacional descobriu Pirenópolis, que por sua vez não se encontrava preparada para acolhê-lo. A cidade vivia um dilema: se por um lado ainda vivia a nostalgia das festas do passado, por outro sentia a cobrança cada vez maior dos novos visitantes. Foi nesse contexto histórico que surgiu, no início da década de 1970, a Goiastur (hoje Agetur), órgãos do governo de Goiás que resolveu interferir diretamente nas Cavalhadas de Pirenópolis. 

     Com a concepção de que as vestimentas dos cavaleiros nada tinham com as cruzadas, principalmente os cristãos, que trajavam fardamento da polícia militar, o governador Irapuã Costa Júnior financiou toda a indumentária dos cavaleiros. Com base num livro sobre vestimentas antigas, reinventaram todo o traje dos cavaleiros. Então encomendaram as roupas às costureiras locais, que foram pagas com a verba estadual. O Estado ainda doou bota, espora, arreio, rédeas etc. Quem correu naquela época, lucrou bastante.

     Essas medidas da Goiastur causaram à primeira vista certa estranheza na população local, tão acostumadas com o tradicionalismo e a imutabilidade de suas tradições. Alguns consideram que tais mudanças foram divisores de águas na fronteira entre as festas do passado, que eram unicamente dos pirenopolinos, com as modernas, feitas para deleite dos visitantes e incrementação cada vez maior da indústria do turismo.

     Atualmente impera a padronização dos uniformes e o luxo exagerado de alguns cavaleiros, que exorbitam em ostentação, como a compra do melhor veludo, pedrarias caríssimas e cavalos de raça. Não sai por menos de 10 mil reais a confecção de uma roupa de cavaleiro em Pirenópolis na atualidade. E se for rei ou imperador, então, esse valor praticamente dobra. Diferente dos antigos cavaleiros, hoje ninguém mais corre se não montar um puro sangue criado em cocheira, o que se converteu num critério de seleção onde os pobres ficam excluídos.

Bibliografia:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Divino, o santo e a senhora. Rio de Janeiro: Funarte, 1978.
CARVALHO, Adelmo. Pirenópolis, coletânea 1727-2000, história, turismo e curiosidade. Goiânia: Kelps, 2000.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis, uma cidade para o turismo. Goiânia: Oriente, 1980.
FERREIRA COSTA, Lena Castelo Branco. Arraial e coronel. São Paulo: Cultrix, 1970.
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis. 2 v. Goiânia: Imprensa da UFG, 1971.
JAYME, José Sisenando. Pirenópolis (humorismo e folclore), 1983.
SILVA, Mônica Martins da. A festa do Divino – romanização, patrimônio e tradições em Pirenópolis (1890-1988).

Adriano César Curado

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Festa do Divino 8

Largo da Matriz
tomado pela salão paroquial
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí
 
     Depois de 1958, seguiram-se oito anos sem outra encenação das Cavalhadas, época em que a Festa do Divino de Pirenópolis entrou em acentuado declínio, principalmente por conta do pouco entusiasmo do povo e dos festeiros que se seguiram. Ocorriam apenas a parte religiosa e algumas apresentações de dança ou teatro.

     Era preciso resgatar o explendor e o entusiasmo de outrora. Mas isso dependia de dinheiro e influência, razão pela qual a família Pina se tornou imprescindível no processo de revitalização dos festejos. 

     A mudança então teve inicio quando Mauro de Pina, então com apenas dezoito anos de idade, foi sorteado imperador, já no ano de 1966, ocasião em que não existia mais o velho largo (desfigurado pela praça e invadido por construções), e a encenação das Cavalhadas migrou-se para um espaço na rua do Campo. 

     Era um local improvisado e apertado, nem de longe comparado com o arejado largo da Matriz. O público era separado dos cavaleiros apenas por uma corda e os camarotes se amontoavam no lado contrário ao do sol, enquanto que do lado oposto sobravam vagas.

     A festa de Mauro de Pina foi um grande sucesso. O casarão de seu pai, Lulu de Pina, que fica em frente à igreja Matriz, foi aberto ao povo e ali se serviam refeições e bebidas sem restrição do número de gente. 

     Muitos jovens da época não se lembravam de como eram encenadas as Cavalhadas, dado o grande espaço sem sua apresentação. Tiveram de buscar antigos cavaleiros para que ressurgisse esse grande teatro a céu aberto, e José de Pina continuou como rei mouro, enquanto Fiico da Babilônia era seu embaixador. Havia muito cavaleiro bom naquela nova apresentação, como Joãozico Lopes, Dito Zafá, Felipe etc.

     A Festa do Divino de Pirenópolis, no entanto, chegou ao seu auge com o sorteio de Geraldo de Pina, deputado federal e extremamente influente na infante Brasília, tanto que chegou a levar Juscelino Kubitschek até a cidade. 

     Geraldo foi o responsável pelo novo fôlego da festa, ao promover o início dos festejos com bastante barulho (alvoradas, zabumba e apresentações da Fênix). No dia 24 de maior, sábado do Divino, foi feita uma queima de foguetes nunca vista em Pirenópolis, com uma girândola de 10 mil tiros, além de fogo de artifício e tiros de ronqueira (morteiros). Centenas de meninas vestidas de branco saíram do casarão de seu pai, Lulu de Pina, nos rumos da Matriz.

     Devido à influência obtida nas lides parlamentares, tornou Pirenópolis conhecida por Brasília, e nessa ocasião a pequena cidade se viu invadida, literalmente, por uma assustadora massa de turistas. 

     Isso só foi possível porque, no plano de revitalização da festa, Geraldo tomou a corajosa decisão de puxar a primeiro dia das Cavalhadas para o domingo, o que propiciou oportunidade para que, daquele ano em diante, os turistas pudessem assistir pelo menos um dia de apresentação.

     No ano seguinte, Duílio Pompeu de Pina foi sorteado e continuou a promover a festa no mesmo estilo da nossa safra de imperadores. As Cavalhadas se consolidavam e não mais deixariam de ser apresentadas nos anos seguintes.

Bibliografia:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Divino, o santo e a senhora. Rio de Janeiro: Funarte, 1978.
CARVALHO, Adelmo. Pirenópolis, coletânea 1727-2000, história, turismo e curiosidade. Goiânia: Kelps, 2000.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis, uma cidade para o turismo. Goiânia: Oriente, 1980.
FERREIRA COSTA, Lena Castelo Branco. Arraial e coronel. São Paulo: Cultrix, 1970.
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis. 2 v. Goiânia: Imprensa da UFG, 1971.
JAYME, José Sisenando. Pirenópolis (humorismo e folclore), 1983.
SILVA, Mônica Martins da. A festa do Divino – romanização, patrimônio e tradições em Pirenópolis (1890-1988).

Adriano César Curado

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Festa do Divino 7

Largo da Matriz destruído
Invasão do prédio do correio
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí
Solar de Sansa Lopes na atualidade
Local onde os mouros encastelavam
Foto: Arquivo da Biblioteca Pyraí


As famosas Cavalhadas de Pirenópolis acontecem exatamente quando findam os festejos religiosos e começam os profanos. No Domingo do Divino ocorre o primeiro dia da encenação das Cavalhadas, com uma batalha campal entre doze cavaleiros cristãos (azuis) contra doze mouros (vermelhos); e depois de várias coreografias, saem os cavaleiros do campo e retornam com um pedido de trégua. No segundo dia, após novos embates, finalmente os mouros sucumbem e são batizados pelos cristão. Daí até o terceiro e último dia, serão apenas carreiras de confraternização e de brincadeiras, como a troca de rosas e a disputa de argolinhas.

Nos dias atuais, as Cavalhadas são encenadas num lugar especialmente construído para este fim e que ficou conhecido pelo horroroso nome de “cavalhódromo”, localizado num antigo campo de futebol, à entrada da cidade, na rua do Campo.

Até o ano de 1958, no entanto, as Cavalhadas eram encenadas no antigo largo que ficava detrás da Matriz e que hoje está tomado pela praça Central, pela casa paroquial e pelo prédio do correio. Os mouros encastelavam-se no lado poente, em frente da casa de José de Pina, que durante muitos anos foi seu rei. Tinham eles vestimentas bastante simples, sem muitos brilhos e adereços, à exceção do rei e do embaixador. Já os cristãos, encastelados do lado nascente, em frente ao solar do Sansa Lopes, trajavam-se de azul, com roupas semelhantes ao fardamento da polícia antiga, com colete e quepe.

Nesta época, as Cavalhadas eram assistidas somente pelos pirenopolinos e não aconteciam com regularidade, pois dependiam da autorização e do ânimo do festeiro. Muitos moradores mais antigos de Pirenópolis afirmam que aquelas Cavalhadas foram as melhores, quer pelo romantismo que as caracterizavam, quer pela inocência daqueles anos, quer pela ínfima quantidade de gente que participava dos festejos de Pentecostes.

Bibliografia:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Divino, o santo e a senhora. Rio de Janeiro: Funarte, 1978.
CARVALHO, Adelmo. Pirenópolis, coletânea 1727-2000, história, turismo e curiosidade. Goiânia: Kelps, 2000.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis, uma cidade para o turismo. Goiânia: Oriente, 1980.
FERREIRA COSTA, Lena Castelo Branco. Arraial e coronel. São Paulo: Cultrix, 1970.
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis. 2 v. Goiânia: Imprensa da UFG, 1971.
JAYME, José Sisenando. Pirenópolis (humorismo e folclore), 1983.
SILVA, Mônica Martins da. A festa do Divino – romanização, patrimônio e tradições em Pirenópolis (1890-1988).


by Adriano César Curado