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quinta-feira, 18 de junho de 2009

O imperador e sua corte 3

Cavaleiros entregam as lanças do Imperador

     Ocupar o cargo de Imperador do Divino não é tarefa fácil. Exige muita paciência, disposição de tempo e dinheiro para gastar. É questão de fé religiosa, desejo de manter as tradições e, de certa forma, vocação para organizar festejos. Isso porque hoje em dia a educação do povo deixa muito a desejar. Eu vi pessoas que tomaram bandejas de salgados ou doces das mãos dos voluntários que serviam aqueles que se dirigiram à casa do imperador. Vi igualmente gente que carregava comida para casa, numa total falta de consideração e espírito comunitário.

     Marcus de Siqueira e sua irmã Natália souberam exercitar como poucos a arte de relevar e apaziguar. Embora testemunhassem acontecimentos absurdos em sua casa, nenhum dos dois se indispôs com os sem educação.



Entrega de lanças ao Imperador pelos cavaleiros das Cavalhadas

     Cito como exemplo um jantar para o cavaleiros das Cavalhadas. Enquanto transcorria o agradecimento da mesa e as catiras tradicionais, já tinha gente cara de pau que começava a se servir da comida. Fato impensável na Pirenópolis de algumas décadas atrás, quando todos sabiam se portar, já que a educação começava em casa e terminava na escola.



     E por falar em cavaleiros, uma das partes mais bonita da festa é protagonizada por eles. Falo da entrega das lanças ao imperador, marco do fim dos ensaios e véspera do início das Cavalhadas. Esse acontecimento se deu na quinta-feira (28.05.2009), quando mouros e cristão se enfileiraram em frente ao casarão dos Siqueira, na rua Direita, e um a um se dirigiram ao festeiro, beijaram a vara com que ensaiaram por duas semanas as coreografias e a entregaram simbolicamente.

Adriano César Curado

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O imperador e sua corte 2

A casa do Imperador

      Na rua Direita, nº 38, no Centro Histórico de Pirenópolis, fica o casarão colonial da família Siqueira e onde o imperador Marcus instituiu sua corte. Ali mandou preparar um cômodo apenas para instalar a coroa e o cetro, símbolos do seu império, construiu barracão no amplo terreiro e abriu o quintal para melhor acomodar a multidão que o visitou por todos os dias de festança.

     Naquela casa já moraram grandes músicos e teatrólogos. O pai de Marcus, Gedeão de Siqueira, era um exímio músico, tanto que, nas tardes calmas da velha Pirenópolis, após o jantar, sentava-se tranquilamente numa cadeira e, enquanto palitava os dentes, empunhava sua flauta e tocava para os pássaros. Era o seguinte. Gedeão imaginava que os fios da rede elétrica fosse um risco de partitura e a posição de cada passarinho ali sentado, uma nota musical. Grande gênio!








     Marcus e Natália são irmãos de Alaor, um dos que organizam a peça As Pastorinhas.

Adriano César Curado