quinta-feira, 16 de junho de 2011

Imagens da Festa do Divino de Pirenópolis 2011












quarta-feira, 15 de junho de 2011

Reflexão

Mascarado, liberados, entram no campo
     Temos que repensar alguns conceitos, depois dos tristes acontecimentos da Festa do Divino de Pirenópolis de 2011.

      O folclore é uma flor muito sensível, que só sobrevive numa determinada região, e uma vez maculada, morre sem remédio que a cure. Por isso, repensemos se vale a pena tocar numa manifestação cultural espontânea de um povo, seja qual for o motivo.

Arquibancada lotada durante as Cavalhadas
      Nossa Festa do Divino já perdeu muito do seu glamour. Cito aqui o exemplo do tocador de caixa que saía pela madrugada, num som ritmado, convocando para o ensaio das Cavalhadas, que o pirenopolino associou à onomatopeia: “vamo pro campo cavaleiro, vamo pro campo cavaleiro”. Depois que Ramiro morreu, essa figura desapareceu e é pouco provável que a ressuscitem. Outro exemplo é o Batalhão de Carlos Magno, que vive apenas na lembrança dos antigos, e que nada mais era que Cavalhadas à pé, embora com riquíssima coreografia.

Representação da morte do folclore
      Na intensão de conter a violência, o Ministério Público protocolou uma ação civil pública e mandou citar o Município de Pirenópolis. O Juiz de Direito sentenciou no sentido de limitar o deslocamento da figura folclórica dos Mascarados. Acontece que o pirenopolino se recusou a cumprir a sentença judicial, da qual não foi citado para se defender, e para não se submeter a uma possível interferência da força policial, tirou os Mascarados da festa. Foi um protesto pacífico, silencioso, breve.

      Uma liminar obtida numa ação cautelar inominada fez ressurgir a alegria no povo triste e acabrunhado. De repente, foi como se o Brasil vencesse a Copa do Mundo de Futebol. Uma energia boa percorreu a arquibancada e os camarotes. Na terça-feira da Festa, as pessoas se abraçavam nas ruas, riam, choravam de alegria, parecia que era todo mundo amigo íntimo ou parente.

Apresentação dos Mascarados
      Não houve nenhuma ocorrência mais séria, os Mascarados desarrearam seus animais logo que anoiteceu e a população foi para suas casas. A espontaneidade dos festejos é isso. Não é preciso que uma norma seja regulamentada, pois ela já vive nos usos e costumes do povo pirenopolino (direito consuetudinário).

      Vamos repensar com boa vontade os últimos acontecimentos e cuidar para que a flor do folclore não se extingua, pois ela deve se multiplicar até virar um jardim multicolorido.

by Adriano César Curado

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os Mascarados voltaram!


 
     Ainda que hoje seja o último dia das Cavalhadas, ainda que a Festa do Divino esteja no fim, ainda que só tenha este dia para tomar minha Brahma no camarote, ainda assim sinto-me radiante, pois vejo meus conterrâneos felizes e festivos.

     Este é o espírito do pirenopolino, um povo ímpar, que supera as adversidades com alegria de festança. Foi muito ruim ver o Campo das Cavalhadas sem brilho, e em vez das palmas e vivas, ouvir vaias e protestos.

     Mas deixemos esses revezes de lado e vamos comemorar, pois hoje tem os Mascarados de volta! Senti a falta deles, sempre brincalhões, com seus trajes multicoloridos e a voz em falsete. A alma do folclore é a espontaneidade do povo, algo que vem de baixo para cima, não pode ser imposta e nem regulamentada.


     O símbolo do Divino Espírito Santo é a pomba branca, prenúncio da paz e da liberdade!















      Se você quiser deixar sua opinião sobre esse assunto, CLIQUE AQUI e acesse a página de discussão.

by Adriano César Curado

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Liminar a favor dos Mascarados de Pirenópolis


     Uma decisão liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de Goiás liberou os Mascarados de Pirenópolis para se apresentarem sem a numeração. Embora a decisão somente fosse prolatada no final da Festa do Divino, serviu para que a cidade, no último dia das Cavalhadas, tivesse a presença multicolorida dessas figuras singulares.

     A ação rescisória foi proposta pela recém-criada Associação dos Mascarados de Pirenópolis e, após obtida a liminar, seguirá o mérito, com a citação da parte no processo principal, que é o Ministério Público.

O folclore


     Pirenópolis é uma cidade rica em atrativos turísticos porque sua longa história está fincada na origem do próprio Estado de Goiás e ela preserva relativamente bem seus patrimônios material e imaterial. Turistas do mundo todo vêm para cá conhecer a natureza exuberante, deliciar-se com nossa hospitalidade, provar da exótica culinária e, principalmente, por conta do folclore.

     Dentro da nossa cultura popular, o folclore é o gênero que agrega as tradições e os costumes que surgiram espontaneamente e seguem transmitidos de uma geração para outra. Digo que é espontâneo porque não há como “impor” uma manifestação cultural a um povo. Se inventássemos, por exemplo, as Cavalhadas de Goiânia, isso seria ridículo e alvo de chacotas. Por quê? Porque viria de cima para baixo, e não das bases populares.

     A cidade de Luziânia, antiga Santa Luzia, é um pouco mais jovem que Pirenópolis e também já teve festas populares grandiosas, como Cavalhadas suntuosas, mas hoje perdeu essa referência cultural. Há alguns anos, a prefeitura local buscou gente de Pirenópolis para recriar as Cavalhadas de lá, o que foi feito, e seguiu-se uma linda festa do Divino, que no entanto morreu pouco tempo depois. Sabe por quê? Por falta da espontaneidade. Não adianta impor uma manifestação cultural a um povo.

     O episódio lamentável da ausência dos Mascarados na Festa do Divino de Pirenópolis põe em risco nosso rico folclore, na medida em que os costumes são frontalmente afetados. É um impacto violento sobre a capacidade de mobilização do pirenopolino e sobre sua vontade de se dedicar aos festejos que espera o ano todo.

     Tudo que se refere à Festa do Divino é feito de livre vontade pelo pirenopolino, como igualmente fizeram seus pais e avós. Durante meses, por exemplo, doceiras se revezaram voluntariamente na casa do Imperador para confeccionar os alfenins verônica. Do mesmo jeito agiu o responsável por preparar as roqueiras, as cozinheiras que se levantaram de madrugada para servir café aos cavaleiros etc.

     Ninguém impôs a essas pessoas que saíssem de suas casas e fossem trabalhar de voluntárias ao Imperador. Foram por devoção, por amor à tradição, por amizade ao festeiro etc. Não importa o motivo, o que vale é a espontânea mobilização popular, repito uma vez mais.

     A ausência da figura dos Mascarados pode representar a agonia inicial da Festa do Divino de Pirenópolis. Se perdermos nosso referencial folclórico, então não mais compensará mobilizar toda uma cidade para festejar Pentecostes. Seremos um povo culturalmente extinto, que apenas recorda, não mais vive.

     Que essas palavras sirvam à reflexão!

by Adriano César Curado

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A revitalização do Largo da Matriz

Imagem MPF


     Desta vez é para valer. Finalmente terão início as obras de revitalização do velho Largo da Matriz, com a demolição do Salão Paroquial, da Praça Central e da Casa do Padre.

     Não é, obviamente, o melhor para o lugar, pois perfeito seria a desocupação total da área, com a volta primitiva do Largo, embora com paisagismo, para que os moradores voltassem a se interagir. Nem é o ideal a permanência daquele prédio horroroso dos Correios, mas foi um grande avanço.

     Segundo o Ministério Público Federal, a obra do novo Salão Paroquial foi licitada por R$ 1.428.203,50 e sua execução ficará a cargo da empresa Archaios Engenharia, Consultoria, Projeto e Restauração. O lançamento da obra será no dia 17.6.2011, às 16h, com duração prevista para 10 meses.

     Segundo a Procuradoria da República em Goiás: “Entre as principais ações a serem realizadas está a demolição da casa paroquial e a relocação do Salão Paroquial, que deverá ser demolido e reconstruído na parte superior do largo em estilo que se harmonize com a arquitetura do local. O objetivo é o de proporcionar maior visibilidade ao conjunto dos bens tombados do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Rosário”.

     Confira outras postagens no blog Cidade de Pirenópolis sobre o assunto:


     A Praça Central



 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Novidades na numeração dos Mascarados

Foto: folheto da Festa de 2011



     Se você vai sair de Mascarado, atenção para as novidades abaixo.

      A pedido do Promotor de Justiça de Pirenópolis, na data de hoje (8.6.2011) o Juiz de Direito da Comarca decidiu regulamentar a forma de execução dos mandamentos da sentença proferida na ação civil pública:

1 - Sigilo dos Mascarados numerados: a lista do cadastro e numeração dos mascarados deverá ser mantida em absoluto sigilo e apenas o funcionário da Prefeitura responsável pelo cadastro, o comando da 18ª Companhia Independente da PM de Pirenópolis, a Delegada de Polícia, o Promotor de Justiça e os Juizes de Direito da Comarca poderão acessar a relação dos mascarados. Assim mesmo, esse acesso só se dará se o Mascarado cometer um crime.

2 – Punição para quem divulgar a lista: se qualquer pessoa, autoridade ou não, divulgar a identidade do Mascarado, terá que pagar uma multa de R$ 10 000 reais, além de responder por crime de desobediência.

3 – Local para cadastramento: o Município de Pirenópolis terá que disponibilizar um lugar para cadastramento e numeração das pessoas que quiserem sair de Mascarado, entre o Sábado do Divino (11.6.2011) até a terça-feira (14.6.2011), “a fim de não haver interferência na espontaneidade da festa”.

4 – Limitação da circulação dos Mascarados: poderão se deslocar dentro do Centro Histórico e também na área do Entorno. Para se descobrir que área é essa chamada Entorno, é preciso consultar um mapa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

5 – Tolerância: de qualquer forma, o Juiz de Direito recomendou às Polícias Civil e Militar “que tenham uma tolerância para com as pessoas que estiverem usando máscaras, com o devido número, no deslocamento de suas residências até o centro histórico e vice-versa”.

6 - Mascarados sem numeração: “para aquele mascarado que não estiver usando o número, qualquer que seja o momento ou local que se encontrar, o mesmo deverá ser detido, identificado e levado à Delegacia de Policia para o procedimento que o caso requer, e pela desobediência a decisão judicial”.

Se você quiser deixar sua opinião sobre esse assunto, CLIQUE AQUI e acesse a página de discussão.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O símbolo

Cavalhadas das antigas I

      Nunca devemos esquecer nossa história, aqueles que nos precederam, que cuidaram da nossa aldeia, conservaram suas tradições, seu folclore, e nos legaram tudo isso.

      Relembramos os heróis do passado para entendermos o presente e trabalharmos por um futuro melhor.

      Publico aqui hoje (e amanhã) fotografias das Cavalhadas antigas, logo após a inauguração do novo espaço, na Rua do Campo. Há muitos anos não se encenavam as Cavalhadas de Pirenópolis (desde 1958), e quando o Imperador Mauro de Pina a trouxe de volta (em 1966), já não havia mais o velho Largo da Matriz. Por isso esse imenso teatro a céu aberto passou a ser encenado no campo de futebol Dr. Ulisses Jayme.

      Peço perdão pela baixa qualidade das fotografias da época.











segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Cidade em festa

     A Festa do Divino Espírito Santo já modifica Pirenópolis. Muitos casarões foram recém-pintados e a Casa Imperial  recebe centenas de pessoas todos os dias. É também o momento de tirar as fôrmas do alfenim verônica da gaveta e moldar em açúcar lindas mensagens com temas festivos.


     Confira algumas imagens desse início de festa.



1 Cruz Enfeitada


2 Doce Cristalizado


3 Fôrma de Verônica


3 Fôrma de Verônica



Alfenim Verônica


Fôrma e Verônica


Casa Enfeitada


Porta da Casa Imperial



Bala de Coco



Matriz Enfeitada


Cruz Enfeitada



Alfenim Verônica


Casarão recém-pintado


Doce de Mamão



Matriz Enfeitada


Alfenim Verônica


Fôrma de Verônica