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terça-feira, 9 de abril de 2013

195º Império do Divino Espírito Santo (2013)



Imperador: Benedito Félix da Costa Ferreira
Mordomo da Fogueira: Thales José Jaime.
Mordomo dos Fogos: Pompeu Christovam de Pina.
Mordomo do Mastro: João Geraldo da Costa Pina.
Mordomo da Bandeira: Luiz Pereira da Silva.
Mordomo das Velas: Eustak Figueiredo.

Folia do Padre:







segunda-feira, 2 de abril de 2012

S.O. S PARA BANDA PHOÊNIX DE PIRENÓPOLIS!



      "A banda centenária pede socorro!
      Formalmente ocorreu em Pirenópolis no dia 24/03/2012 a entrega de novos instrumentos para a Banda Phoênix de Pirenópolis-Go. Representantes da cultura, da prefeitura, todos os presentes, e com orgulho se pronunciaram sobre a comemoração do dia, relatando sobre o orgulho de ouvir a Banda Phoênix, até mesmo sobre o incentivo para a cultura com os novos instrumentos.

      O que ninguém ainda sabe é que desde a Festa do Divino de 2011, onde a banda se apresentou nas alvoradas, tocando de madrugada pelas ruas da cidade, nas cavalhadas onde tocam o dia todo, e nos demais festejos, a banda não recebeu sequer “um centavo” pelo trabalho realizado. E que tipo de incentivo é este, se nem mesmo os próprios músicos tem salário? Que músico profissional ensaia, apresenta seu trabalho, toca horas e horas nos festejos desta cidade tradicional na troca de salgados e refrigerantes? Enfim, que profissional sobrevive sem salário?

      Como diz o ditado “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, é bem assim que a Banda Phoênix se mantém agora, perante os olhos da população instrumentos novos, lindos, brilhosos, aos olhos solidários e ativos, músicos sem receber, sem incentivo, sem valor. Os músicos ao leo berram seus instrumentos, chamando a atenção para a omissão em relação à remuneração da banda. Os músicos têm instrumentos e nós temos gargantas. E vamos ficar em silêncio?

      O descaso vai se transformando em brincadeira, a omissão em desculpas, e o dinheiro que deveria remunerar a banda? Bom, este deve ter virado pó. Promessas futuras para o salário da Banda no lugar de “futuro promissor”. Estamos cheios de teatrinhos, sorrisos marotos e “pegadinhas” no ombro. Pirenópolis está perdendo o respeito, a tradição, a cultura e o amor pela nossa cidade. Uma cidade fadada ao esquecimento, à ganância, à falsidade.

      Peçamos atenção às autoridades, que olhem por nossa Banda, pela música, que dêem dignidade para os músicos remunerando-os e dando valor a este trabalho maravilhoso que é a música, caso contrário estaremos perdendo a nossa banda, e não ouviremos mais o lindo “hino do divino” na porta da igreja, nem tão pouco o cortejo das alvoradas. A banda se compõe de “um bando”, um bando de gente honesta, simples e profissional que gosta do que faz, e faz maravilhosamente com muito prazer. Sem remuneração um profissional não sobrevive e tão pouco tem valor, sem valor ele desiste de tocar, com o instrumento guardado não se forma uma banda, na ausência da banda não temos festa do divino, nem o carnaval, nem qualquer outro festejo.

      Imploramos às autoridades através de um pedido, salvem nossa banda, dêem olhos e ouvidos aos músicos, remunerem os profissionais, enfim, salvem a tradição de nossa cidade, pois uma banda centenária sobrevive também de dignidade, valor, respeito e salário. A banda não é enfeite na cultura e muito menos fantoche.

      S.O. S para a Banda Phoênix, salvem-na, remunerem, é uma troca de valores, de honra e respeito.

      Como dizia Victor Hugo: 'A música expressa o que não pode ser dito em palavras, mas não pode permanecer em silêncio'."
 
Texto de autoria de Uiara Pereira de Pina, Socióloga e Bacharel em Direito, e-mail: uiarap@yahoo.com.br

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Festa do Divino dos pirenopolinos

Imagem extraída do folheto da festa 2011


     Durante quatro finais de semana consecutivos, grande quantidade de turistas visitam Pirenópolis para conhecer um pouco mais sobre as manifestações folclóricas da Festa do Divino. Mas é no último final de semana que os festejos se intensificam, com o início das Cavalhadas, que se estendem por três dias (domingo, segunda-feira e terça-feira).

     Entretanto, na segunda e terça-feiras, a festa é mais para os pirenopolinos, a cidade se esvazia e o Campo das Cavalhadas já não é tão disputado. Afinal, nesses dois dias é feriado municipal, mas os turistas retornam aos seus compromissos em suas cidades de origem.

Fonte: texto baseado em publicação da Secretaria Municipal de Cultura de Pirenópolis.

O sagrado e o profano; a realeza e o popular; a diversidade e a singularidade.

Imagem extraída do folheto da programação da festa 2011


     Eleita pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial, em 15 de abril de 2010. Acontece de 27 de maio a 14 de junho, com realização da Prefeitura Municipal de Pirenópolis e Paróquia Nossa Senhora do Rosário, e patrocínios do Governo do Estado de Goiás, Banco Itaú e do Iphan, no Centro Histórico e povoados, a 192ª Festa do Divino de Pirenópolis.

     A Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, considerada uma das mais expressivas celebrações do Espírito Santo no país, pelo grande número de rituais, personagens e componentes, como as Cavalhadas de mouros e cristãos e os Mascarados montados a cavalo, vem sendo realizada anualmente desde 1819. Os rituais têm início na Páscoa e seguem até o domingo seguinte ao feriado de Corpus Christi, o clímax da Festa se dá no Domingo de Pentecostes ou do Divino, cinquenta dias após a Páscoa, com as Cavalhadas.

     Enraizada no cotidiano dos pirenopolinos, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis é a mais rica expressão da religiosidade popular da cidade, determinando padrões de sociabilidade, consolidando-se como elemento fundamental de sua identidade cultural, onde os moradores se dedicam e se preparam ao longo de um ano inteiro para festejar e participar desta celebração histórica, considerada seu maior bem cultural.

    As festas de santos, de devoção religiosa cristã e como expressão da cultura popular, foram trazidas por jesuítas e colonos açorianos e se popularizaram por todo o país. Aqui, se fundiram aos cultos de matriz africana, às crenças religiosas indígenas e encontraram a celebração judaica de Pentecostes ou Domingo do Divino.

     Desde sua origem em Portugal, a figura mais importante da Festa do Divino é a do Imperador, escolhido a cada ano por sorteio entre os homens ou meninos da sociedade, atualmente independe de classe social. O Imperador, a quem cabe toda a responsabilidade de promover e cuidar para que tudo se realize com ordem, incentivando, angariando fundos e mobilizando a população nos afazeres da festa, tem como principais atributos a generosidade, a hospitalidade e a distinção.

     Vários ritos em uma mesma festa, com destaque para três grandes fases: As Folias, O Império e As Cavalhadas. As diferentes manifestações mesclam festejos religiosos e profanos, como Folias na roça e na cidade, Alvoradas com as bandas de Couro e de música Phoenix, grupo de Congado, Repique de Sinos e descarga de Roqueiras, Missas, apresentação de grupos de Tradições Regionais, Procissões, Novenas, cortejos do Imperador, Reinados e Juizados, a peça teatral “As Pastorinhas” e as tradicionais Cavalhadas.

     O costume de se homenagear o Divino Espírito Santo vem do tempo do Brasil Colônia, sendo encontrado em várias cidades por todo o país, principalmente naquelas onde a mineração, somada a mão de obra de índios e de escravos. Em Goiás, as festas foram se difundindo a medida que a Igreja ia ocupando espaço nos arraiais emergentes em função das descobertas auríferas, a partir do século XVIII.

     O símbolo da festa é uma mandala de fogo com uma pomba branca ao centro. A pomba significa o Divino Espírito Santo e a mandala de fogo o momento em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, a Pentecostes. As cores da festa, branco e vermelho, significam paz e o sangue de Jesus.

     A Festa do Divino chega ao seu final com as Cavalhadas, que têm início na manhã do domingo de Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa, e vão até terça-feira à noite. Num autêntico quadro vivo, as Cavalhadas evocam batalhas medievais entre mouros e cristãos em uma complexa encenação equestre em honra do Imperador e do Espírito Santo: De um lado, vestindo azul, o rei cristão: Carlos Magno e os doze pares da França; do outro, o rei mouro, o Sultão da Mauritânia, com seu "exército de infiéis" trajando vermelho. As Cavalhadas chegam ao seu final quando cristãos e mouros, já batizados, rezam ao Divino e descarregam suas armas, encerrando o Império.

     Anunciando a abertura das Cavalhadas pelas ruas da cidade, no sábado, bem como durante, no intervalo das encenações, os Mascarados, ou Curucucus, dão um ar brincalhão à festa, fazendo algazarras com suas roupas extravagantes e máscaras enfeitadas, tanto a cavalo, também enfeitados, como a pé, numa manifestação de alegria e uma maneira de espantar os maus espíritos. Os Mascarados estão presentes em todas as cavalhadas realizadas no Brasil; quanto à origem: acredita-se ser africana, porém, a máscara de boi é típica de Pirenópolis.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O imperador e sua corte 4

Saída do cortejo da casa do imperador 2009

     O Cortejo Imperial é o único momento que o imperador tem a festa somente para si. Nas outras ocasiões ele divide espaço com a Igreja (novenas) ou mesmo com outros seguimentos (banda, mordomos etc). No cortejo seguem apenas ele e sua corte, que é representada por familiares, amigos e convidados. A disposição dos membros segue a tradição e também suas ordens imediatas.



O imperador no cortejo imperial 2009

     As bandeiras principais com o símbolo do Divino foram carregadas por suas três filhas, e outras bandeiras acessórias por mocinhas vestidas de branco. Trajava ele um elegante smoking branco com gravata vermelha dentro do quadro imperial - quatro varas sustentadas por quatros meninas - ao lado da esposa. Atrás vinham seus convidados, geralmente amigos e parentes.



Crianças carregam bandeiras
Cortejo imperial 2009
Foto: Thais Valle




     No cortejo também se viam um andor caracterizado (branco e vermelho), carregado por crianças do sexo feminino, e vários arcos carregados por casais infantis com roupas típicas. Completavam os integrantes o congo e a congada.


Crianças carregam andor
Cortejo imperial 2009
Foto: Thais Valle


     E ao som da Banda de Música Fênix, sob a regência do maestro Alexandre de Pina, lá foi o imperador Marcus rua Direita afora, debaixo dum teto de bandeirolas bicoloridas e com aplausos da assistência.

Adriano César Curado

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O imperador e sua corte 3

Cavaleiros entregam as lanças do Imperador

     Ocupar o cargo de Imperador do Divino não é tarefa fácil. Exige muita paciência, disposição de tempo e dinheiro para gastar. É questão de fé religiosa, desejo de manter as tradições e, de certa forma, vocação para organizar festejos. Isso porque hoje em dia a educação do povo deixa muito a desejar. Eu vi pessoas que tomaram bandejas de salgados ou doces das mãos dos voluntários que serviam aqueles que se dirigiram à casa do imperador. Vi igualmente gente que carregava comida para casa, numa total falta de consideração e espírito comunitário.

     Marcus de Siqueira e sua irmã Natália souberam exercitar como poucos a arte de relevar e apaziguar. Embora testemunhassem acontecimentos absurdos em sua casa, nenhum dos dois se indispôs com os sem educação.



Entrega de lanças ao Imperador pelos cavaleiros das Cavalhadas

     Cito como exemplo um jantar para o cavaleiros das Cavalhadas. Enquanto transcorria o agradecimento da mesa e as catiras tradicionais, já tinha gente cara de pau que começava a se servir da comida. Fato impensável na Pirenópolis de algumas décadas atrás, quando todos sabiam se portar, já que a educação começava em casa e terminava na escola.



     E por falar em cavaleiros, uma das partes mais bonita da festa é protagonizada por eles. Falo da entrega das lanças ao imperador, marco do fim dos ensaios e véspera do início das Cavalhadas. Esse acontecimento se deu na quinta-feira (28.05.2009), quando mouros e cristão se enfileiraram em frente ao casarão dos Siqueira, na rua Direita, e um a um se dirigiram ao festeiro, beijaram a vara com que ensaiaram por duas semanas as coreografias e a entregaram simbolicamente.

Adriano César Curado

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Festa do Divino 5


     Não há como falar sobre a Festa do Divino de Pirenópolis sem mencionar a peça teatral As pastorinhas. Isso pelo fato de sua importância rivalizar até com as Cavalhadas em importância e respeito. Constitui até hoje uma honra imensa para qualquer família pirenopolina, habitem seus membros ou não na cidade, ter uma moça nos quadros dessa peça singular. 

     Eu mesmo, no início da década de 1990, participei da encenação ao interpretar o personagem Lusbel, que era um demônio. Atualmente a peça está sob a responsabilidade do casal dona Ita e seu Alaor de Siqueira, violinistas de primeira linha, que de tão simpáticos e competentes, já se tornaram ícones da cidade. Merece destaque também a pessoa de Pompeu Cristóvão de Pina, já velho e doente, mas ainda assim persistente no papel de Simão Velho, baluarte da resistência cultural de Pirenópolis.

Adriano César Curado

sábado, 16 de maio de 2009

Festa do Divino 4



     A Festa do Divino de Pirenópolis não seria a mesma sem duas manifestações culturais importantíssimas: a DANÇA e o TEATRO. Desde o século 19 que ali se apresentavam inúmeros espetáculos dessa natureza, em especial durante as comemorações de Pentecostes, quando então ficava ao livre arbítrio do imperador autorizar ou não a apresentação. Mas nem só durante as festas ocorreram encenações desse tipo, tanto que o primeiro prédio de teatro da cidade foi construído ainda em 1860, pelo comendador Manuel Barbo de Siqueira. 

     O segundo teatro foi erguido em 1899 por Sebastião Pompeu de Pina e ainda existe no largo da Matriz, embora completamente restaurado por iniciativa da Sociedade dos Amigos de Pirenópolis (SOAP). 

     Em 1919 o padre Santiago Uchôa levantou o prédio que seria o terceiro teatro local, que mais tarde recebeu o nome de Cine-Teatro Pireneus, na rua Direita, prédio que desabou, virou ruína e mais recentemente também foi restaurado pela SOAP. Todos esses prédios abrigaram muitas peças de dramaturgia e dança, servindo assim como uma espécie de ponto de encontro da população.

     No que se refere à peças teatrais, muitas foram apresentadas durante a Festa do Divino, a exemplo do drama Demofonte (maio de 1837, junho de 1878 e maio de 1969), o drama Aspásia (junho de 1837), o drama Fantasma Branco (junho de 1867 e maio de 1885), bem como Estátua de carne, O poder de ouro e Graças a Deus (em maio de 1874).

     No que diz respeito à dança, podemos ressaltar as danças folclóricas, os torneios de catira, a complicadíssima encenação da contradança com suas fitas multicoloridas trançadas, além das coreografias do congo e da congada.

     Num misto entre o teatro e a dança, a principal manifestação é a peça As pastorinhas, que pela sua importância cultural, merecerá um texto apartado.

Bibliografia:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Divino, o santo e a senhora. Rio de Janeiro: Funarte, 1978.
JAYME, Jarbas. Esboço histórico de Pirenópolis. 2 v. Goiânia: Imprensa da UFG, 1971
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Adriano César Curado

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Festa do Divino



      A contagem regressiva para a Festa do Divino de Pirenópolis já chegou. Logo surgirão as comemorações de Pentecostes, com duração de doze dias e auge no domingo que conte cinquenta dias após a Páscoa. A cidade, então, se enfeitará para as festanças promovidas pelo imperador, que este ano é Marcus Siqueira. Trabalho duro espera o festeiro. Ele tem de coordenar todos os setores da festa, mas também precisa angariar fundos para promover a queima de fogos, o fabrico de comida, lembranças, bandeirolas e outros gastos. Não desembolsa pouco quem deseja se candidatar a tal cargo. Pelo contrário, a soma é vultuosa. Mas há também a solidariedade dos pirenopolinos, que sempre doam o que podem para contribuir com o brilho da festa. Minha avó, por exemplo, tem o hábito de enviar queixos à casa do imperador. Outras famílias confeccionam doces ou salgados. Algumas cozinheiras trabalham de voluntárias no preparo das refeições do pessoal de apoio e também dos cavaleiros das Cavalhadas. Há também os lanches dos atores da peça As pastorinhas.

     Ser um imperador do Divino é uma honra. O processo de escolha é o mais democrático possível, pois os nomes são escritos em papéis, que depois de dobrados e colocados numa caixa, são sorteados por uma criança escolhida à esmo. Pronto, saiu o imperador! O Divino o escolheu! A notícia anda de boca em boca por toda a cidade, e a preocupação geral é – será que fará boa festa?! Há pouco tempo os padres impediam que pessoas fora de seu círculo se candidatassem à vaga, mas hoje isso não ocorre mais, e a escolha é a mais democrática possível. Só falta mesmo uma imperatriz do Divino.

     O atual imperador, pessoa de imenso carisma, é filho de família tradicional, descendente de bons músicos, e receberá com louvor quem o visitar na rua Direita, no casarão que já está de portas abertas para receber o povo. Lá também estão a coroa e o cetro, símbolos do seu reinado sobre a pequena cidade.

     Em consideração a alguns internautas que me enviaram e-mail com sugestão de textos, a partir de hoje vou escrever alguns textos sobre a Festa do Divino de Pirenópolis, na intenção de refletir sobre os fundamentos desse grande acontecimento cultural goiano e discutir sobre seu passado e perspectivas de futuro.

     Viva o imperador!

Adriano César Curado



by Adriano César Curado