sexta-feira, 11 de maio de 2012

Folia do Divino (programação)

 



Programação dos pousos:

  • 11/05/2012 – Fazenda Raizama – Antônio Santana e família
  • 12/05/2012 – Fazenda Seringueira – Nivaldo, Gaúcho e os Irmãos Constante
  • 13/05/2012 – Fazenda Santa Rita – D. Galiana, D. Terezinha e Família
  • 14/05/2012 – Fazenda Santa Rita de Baixo – Divina Marques e Família
  • 15/05/2012 – Fazenda Pulador – Sebastião Nogueira e Família
  • 16/05/2012 – Fazenda Chapada – Mazinho e Família
  • 17/05/2012 – Povoado de Caxambu – Neco e Família
  • 18/05/2012 – Fazenda Caiçara – João da Baldina
  • 19/05/2012 – Fazenda Mateus Machado – Heráclito e Esposa
  • 20/05/2012 – Chega da Folia com desfile pelas ruas da cidade e entrega da bandeira na Casa do Imperador às 15h

Nossa natureza



      Somos mesmo uma terra privilegiada. Temos uma linda natureza, que é prodigiosa em paisagens belíssimas e ainda podemos contar com o ar puro das montanhas.

      É por isso que digo: Pirenópolis é o paraíso!

Adriano César Curado

Abaixe o volume do som automotivo

 

     Tem gente demais que reclama do abuso do som automotivo em Pirenópolis. Então, por que não fazem essas festas em separado, onde só vai quem gosta, e deixam a cidade no sossego?

     Este blog não é contra o som automotivo. Pelo contrário, os jovens têm, sim, o direito à diversão. O que não pode é sair pela cidade incomodando os outros, obrigando todos a escutarem as músicas que um ou outro escolheu.

     Vamos colocar as mãos na consciência e deixar de transitar com carros equipados com som potente. Isso está fora de moda.

Adriano César Curado

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Prévia da festa 2012


Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis 2012 
(prévia da programação)



 04/05 - Saída da Folia do Divino Espírito Santo organizada pelo Igreja.

13/05 - Entrega da Folia do Divino.

12/05 - Saída da Folia do Divino (tradicional).

18/05 - Início da Novena do Divino Espírito Santo.

20/05 - Chegada da Folia do Divino da zona rura e urbana. Cavalgada pelas principais ruas da cidade.

26/05 - Encerramento da novena, levantamento de mastro, queima de fogos com participação da Banda de Música Fênix e da Banda de Couro.

27/05 a 29/05 - 194ª Cavalhadas

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A festa vem aí!


      Vem aí a aguardada Festa do Divino de Pirenópolis. E tem programa mais gostoso que curtir o ranchão alegre, lá na rua do Campo, até tarde e depois emendar a balada com a alvorada? Parece que a Banda Fênix hipnotiza a gente e faz as ladeiras mais suaves, o calçamento de pé-de-moleque ficar planinho, o frio da madrugada desaparecer por completo.

Adriano César Curado

Week end Pirineus


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mestre Propício


SÉRIE BIOGRAFIAS

JOAQUIM PROPÍCIO DE PINA
(Mestre Propício)


      Joaquim Propício de Pina (Pirenópolis 23.7.1867 – 11.8.1943) foi professor de ensino primário, secretário da Câmara Municipal, escrivão da Coletoria Municipal, fazendeiro, comerciante, músico, maestro e fundador da Banda Fênix de Pirenópolis.

__ Família __

      Mestre Propício, como era conhecido, filho do capitão Antônio Luiz de Pina e de Ludovina Alves de Amorim, era o caçula de oito irmãos: Brazinho, Sofia, Tonico, Natália, Maria, Zuca e Sebastião Pompeu.

      Ficou órfão de pai ao quatro anos de idade e foi criado pelo irmão mais velho, Braz Aristófanes de Pina (Brazinho), que falava quatro línguas estrangeiras e era um boticário, tendo ensinado as primeiras letras ao caçula. Depois Propício foi aluno do rígido capitão Antônio Fleury de Sousa Lobo (Totó de Inhá), que lhe ministrou aulas de latim, desenho e música.

      Casou com Rosaura d'Abadia Mendonça (dona Lalá) em 14.4.1888 e tiveram: Antônio (Tonico), Eufêmia, Aquiles, Joaquim Júnior, Luís (Lulu), Carlos (Carrinho), João, Agostinho e Maria.

Casa onde viveu e morreu Joaquim Propício de Pina

__ Formação artística __

      Joaquim Propício tinha um tio chamado capitão Braz Luiz de Pina, que era um exímio musicista e grande professor, discípulo do padre José Joaquim Pereira da Veiga, que por sua vez estudara com grandes mestres da música no Rio de Janeiro. Na época, segunda metade do século 19, Pirenópolis se chamava Meia Ponte e era uma cidade pacata, isolada, que ainda se recuperava da decadência da mineração.

      Nesse ambiente de pouco contato com estrangeiros, borbulhava cultura, principalmente musical, e nesse contexto crescia o jovem Propício. Na atuação da segunda orquestra de Meia Ponte, por exemplo, os irmãos Pina Braz, Teodoro e Teodolino acompanhavam, com voz grave e forte, a orquestra do padre Francisco Inácio da Luz, irmão de Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre).

      Em 1868, Joaquim Luiz Teixeira Brandão fundou a Banda Euterpe (Deusa da Música), aproveitando os instrumentos de uma velha banda militar, juntando velhos manuscritos musicais de partes de missas, música para teatro e para concertos, deixando sua direção com Tonico do Padre. Propício de Pina, então, se matriculou como seu aluno, tendo que suportar o gênio forte e a disciplina rígida do mestre, porque desejava assimilar seu grande conhecimento musical. Propício era clarinetista e tocou no coro da Matriz, como membro da Orquestra da Banda Euterpe, de 1868 até 1897.

Local onde Propício ministrava aulas primárias

__ Professor primário __

      Em 18.5.1896, aposentou-se Totó de Inhá e Joaquim Propício foi nomeado professor primário da municipalidade. Os ensinamentos que recebeu do seu velho mestre, Pina transmitiria aos alunos no correr dos anos, assim como a dura disciplina que recebera. Suas aulas eram ministradas no prédio que mais tarde se tornaria a Prefeitura Municipal e a sala ele dividia em duas alas – na da direita, com o “banco dos burros”, se sentavam os alunos mais atrasados; à esquerda ficavam os que tinham o privilégio de serem chamados de adiantados. Às quartas e sábados dava-se a temida argumentação da tabuada, com os alunos em semicírculos em frente à mesa do mestre, com a mão direita estendida, quem errava ganhava um “bolo” de palmatória.

A Banda Fênix, tendo Propício ao centro

__ A Banda Fênix __

      O temperamento de Tonico do Padre era muito forte e seus alunos sempre reclamavam entre si da difícil convivência com o mestre. Por outro lado, Joaquim Propício já se destacava como o mais brilhante músico da Euterpe e por isso começou a ministrar aulas particulares aos jovens Olavo Batista, Américo Borges de Carvalho, José Ribeiro Forzani e Olegário Herculano de Aquino, que eram alunos do Colégio Ateneu Meiapontense e desejavam passar na disciplina musical. Essas aulas se iniciaram em janeiro de 1892, sempre à noite, na casa de Antônio Tomás de Aquino Correa.

      Com o fim da Banda do Padre Simeão, que se apresentava na capela da Fazenda Babilônia, os entusiasmados alunos do agora Mestre Propício, em número já maior, compraram uma clarineta, um cornetim, um trombone, um bombardino, um oficleide, um bombo e um par de pratos, dando novo impulso à aulas, que de apenas teóricas, passaram à prática.

Casarão onde nasceu a Banda Fênix

      No dia 23.7.1893, aniversário de 26 anos de Propício, seus alunos musicais foram cumprimentá-lo com uma apresentação surpresa e ele se surpreendeu com o excelente desempenho. Nascia ali uma nova corporação musical, a Fênix que ressurgia das cinzas da velha Banda da Babilônia.

      Tonico do Padre ficou muito enciumado com o aparecimento de uma nova banda de música em Pirenópolis, considerando Propício um ingrato, mas estava tranquilo porque a Euterpe possuía uma estrutura muito maior e era a corporação oficial da cidade. Ocorre que, em 1898, Tonico do Padre sofreu um atentado contra sua vida e teve que passar o posto de maestro para Odorico de Siqueira. Um ano depois, quando Tonico retornou, era Joaquim Propício quem ocupava o posto de Mestre Capela do Coro da Matriz. 

Nas portas vermelhas do casarão da esquina funcionou a loja de Propício

      Mas Tonico do Padre tinha muitos contatos e em 1901 volta ao posto de Mestre Capela. Em 1902, diante da nova rivalidade musical, a Igreja dividiu a música da Semana Santa da seguinte forma: quinta e sexta-feiras santas ficaram a cargo da Banda Euterpe, porém o sábado e o domingo eram da Banda Fênix.

      No dia 15.2.1903, morreu Tonico do Padre e sua viúva transferiu o comando da Banda Euterpe, com todo o acervo, a Silvino Odorico de Siqueira. Começou então uma nova fase da batalha musical entre as bandas, cada qual de lados opostos na política partidária e disputando terreno nas festas religiosas e profanas.

Orquestra Pireneus em 1923

__ A Orquestra Pireneus __

      Em 1923, Sebastião Pompeu de Pina Júnior (Tãozico Pompeu), sobrinho de Propício, regressa da Cidade de Goiás e funda em Pirenópolis a Orquestra Pireneus, com os seguintes membros: Joaquim Propício de Pina (flauta), Euler Amorim (violino), Benedito Marcos da Conceição (baixo em si), Hilário Alves de Amorim (violão), Sebastião Brandão (trombone), Benedito de Aquino Alves (cavaquinho), Luiz de Aquino Alves (violão), Otacílio Ferreira (clarineta), Braz Wilson Pompeu de Pina (flauta), Joaquim Tomás de Aquino (flauta), Osmar Tocantins (clarineta), Hélio Amorim (violino), José d'Abadia (violoncelo) e Tãozico Pompeu (violino).

      Para contrabalancear, Silvino Odorico, maestro da Euterpe, promovia festivos saraus em sua casa, que ficava de portas e janelas abertas, com participação de sua família de bons cantores e músicos da banda.

Apresentação de As Pastorinhas
 
__ As Pastorinhas __

      No ano de 1922, Alonso telegrafista, ao ser transferido para Pirenópolis, trouxe uma peça do teatro de revista, todo bailado, chamado As Pastorinhas. Com a ajuda de Benedito Pompeu de Pina, Alonso apresentou a peça na Festa do Divino de Joaquim Mendonça, mas foi uma apresentação ruim porque poucas eram as moças e não havia quase nenhuma estrutura.

      Joaquim Propício, então, foi sorteado Imperador, ficando seu irmão Sebastião Pompeu incumbido de preparar as peças teatrais.  Pompeu decidiu-se logo pela peça Morgadinha, mas quis também repetir a apresentação de As Pastorinhas. Como Alonso estava desanimado, por conta da experiência anterior, deixou que os pirenopolinos tomassem a iniciativa. Sebastião foi às casas de família pedir para que as moças se apresentassem, sob sua responsabilidade, e logo conseguiu formar os cordões com vinte e quatro integrantes.


Banda Euterpe, concorrente da Fênix

      Enquanto isso, Propício orquestrava a peça e José Assuério de Siqueira copiava as falas dos personagens. Só que Alonso não quis doar o material para Pirenópolis, então Mestre Propício e José Assuério, na calada da noite, fizeram para si uma cópia clandestina. Foi um sucesso aquela apresentação da revista As Pastorinhas. Propício acrescentou mais três personagens, cujas músicas foram por ele compostas, que são Fé, Esperança e Caridade. Quando Alonso Telegrafista foi transferido de Pirenópolis, levou consigo os originais da peça, sem nunca nem desconfiar que deixava para trás uma cópia.

Maestro Luiz de Aquino, sucessor de Propício

__ Considerações finais __

      Durante o período em que ministrou aulas do ensino primário e regeu a Fênix, Joaquim Propício de Pina também foi grande comerciante. Comprava a vendia mercadoria dentro e fora de Goiás, possuía grandes lotes de mulas e uma loja na esquina da rua Nova com o Largo da Matriz. Essa loja ele passou para os filhos, que a levaram para Anápolis e ali se tornaram homens ricos e influentes na política estadual, como o coronel Aquiles de Pina. Comprou também a Fazenda Chumbado, palco de grandes acontecimentos da história pirenopolina.

      A desgraça de Propício foi a mesma que vitimou Tonico do Padre: a política partidária. Por conta do seu envolvimento com partidos políticos, foi demitido do magistério em 1918, depois de vinte e três anos como professor, sem aposentadoria a que fazia jus por já haver exercido por dez anos os cargos públicos de secretário da Câmara Municipal e escrivão da Coletoria Estadual. Foi eleito intendente municipal (hoje prefeito) em 1927. Com a vitória da Revolução de 1930, Getúlio Vargas depôs o presidente Washington Luís e nomeou Pedro Ludovico Teixeira interventor federal em Goiás. Caía a Oligarquia dos Caiado, que apoiaram Joaquim Propício na eleição para a intendência, e ele foi deposto em 3.11.1930.

      Morreu de uma parada cardíaca no dia 11.8.1943, ao 76 anos de idade, em sua casa na rua Nova, tendo antes passado o comando da Banda Fênix a Luiz de Aquino Alves.

Fazenda Chumbado, que pertenceu à Propício

Adriano Curado


Fontes:

I – Arquivos da Banda Fênix e da Prefeitura Municipal de Pirenópolis.

II – Periódico: A Matutina Meiapontense e Pyreneus.

III – Bibliografia:

  • CURADO, Adriano César. Biografia do Mestre Propício. Pirenópolis: 1993. Mimeogr.
  • CURADO, Glória Grace. Pirenópolis: Uma Cidade para o Turismo. Goiânia: Oriente, 1980.
  • JAYME, Irnaldo. Furacão Histórico. Anápolis: Ed. Cristã Evangélica, 1970.
  • JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis., Tomos I e II. Goiânia: UFG, 1971.
  • JAYME ___. Famílias Pirenopolinas (ensaios genealógicos), Tomo I, Pirenópolis: Edição do Autor, 1973.
III – Pessoas entrevistadas:
  • Adahil Lourença dias;
  • Alaor de Siqueira;
  • Angélica da Silva Gouveia;
  • Agostinho de Siqueira;
  • Benedita Lopes de Siqueira (dona Ita);
  • Benedito Pereira da Silva;
  • Boanerges Pireneus de Oliveira.
  • Cristóvam José de Oliveira;
  • Euler de Amorim;
  • José Sisenando Jayme;
  • João Jacinto (João Sobé);
  • João Carvalho;
  • João José de Oliveira;
  • Lélia de Pina Amor;
  • Maria d'Abadia Pina Godói;
  • Maria Vulpina da Veiga (dona Santinha);
  • Maria Jayme de Siqueira Pina;
  • Manoel Ignácio de Sá;
  • Nadiédia de Oliveira;
  • Pompeu Christóvam de Pina;
  • Sebastião Pereira (Bidoro);
  • Silvino Odorico de Siqueira;
  • Violeta de Aquino.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Feira Literária de Pirenópolis e o autor goiano


     A literatura é uma arte difícil e trabalhosa, que requer boa técnica e disponibilidade de tempo para seu exercício. Depois do livro pronto, vem a dificuldade de publicação e distribuição. A situação fica ainda mais dificultosa quando se está fora do eixo Rio-São Paulo, porque ali estão sediadas as maiores editoras do País.

     Fazer literatura em Goiás não é tarefa das mais fáceis. Por aqui há poucos leitores e raríssimas bibliotecas bem equipadas. Sem contar na lentidão dos gestores públicos estaduais para efetivar projetos culturais.

      Então, surge a Feira Literária de Pirenópolis (Flipiri). Mas o que era para ser uma festa para a literatura produzida em Goiás, infelizmente não contempla devidamente a prata da casa. A atração maior é o escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo. De Goiás, temos o escritor José Mendonça Teles, a quem será prestada justíssima homenagem, e um ou outro convidado, como Bariani Ortêncio.

     Só isso. Nenhum outro goiano terá o competente destaque na Flipiri. E quando falo em “destaque”, quero dizer se tornar palestrante convidado, com direito a receber pagamento pelo trabalho produzido, e não simplesmente compor um lançamento coletivo de livro para um dúzia de assistentes. Se Pirenópolis, que é o berço da cultura goiana, não valoriza devidamente o autor goiano, creio que estamos mesmo em maus lençóis.

     Com um pouco de boa vontade, poderiam os organizadores da Flipiri distribuir vários escritores de Goiás, por exemplo, entre os alunos das escolas municipais. Ali seriam ministradas palestras sobre temas regionais, sorteados livros, numa troca sadia de conhecimentos. Ganha o escritor, que tem oportunidade de mostrar sua arte e, de quebra, pode incentivar o surgimento de novos leitores. Ganham os alunos porque interagem com alguém que é da sua terra, que fala com o mesmo sotaque, que saboreia comida semelhante.

     Mas é para convidar o escritor goiano e pagar bem pelo trabalho prestado. Dinheiro para isso acredito que haja, pois dois patrocinadores de peso darão suporte à Flipiri deste ano, que são o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e a Petrobras.
  

Adriano César Curado

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Encontro de musicologia homenageia Pirenópolis


     Na abertura do II Simpósio Nacional de Musicologia e IV Encontro de Musicologia Histórica, os presentes no prédio do teatro foram surpreendidos por uma homenagem à Pirenópolis. A soprano Natália Trigo, acompanhada ao piano por Carlos Costa, interpretou “Uma canção por Pirenópolis” (Sinhozinho) de uma maneira emocionante e foi aplaudida de pé.

      Prestigiando os artistas locais, os organizadores inseriram na grade de programação “Meu anjo, escuta como eu te amo”, extraído do livro ainda inédito “Cancioneiro de Tia Armênia”, escrito por Braz Pompeu de Pina.

      É desse intercâmbio cultural que Pirenópolis precisa, pois há aqui diversos artistas a serem descobertos. O encontro vai até o dia 4 de maio de 2012 e eu recomendo.

      Prestigie!

Adriano César Curado

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A terra de minha terra



     Eis a terra de meus pais, de meus avós, de todos aqueles que me precederam nesta longa caminhada espiritual. Sou um privilegiado por pertencer ao seleto grupo dos que conhecem Pirenópolis, sua gente, seu casario secular, suas ruas de infinitas histórias. 

     Nas madrugadas festivas, quando dobram os sinos em alegria incomparável, somos hipnotizados pela moçada da velha banda e seguimos sonolentos pelas alvoradas extravagantes. 

     Nas noites de quietude, quando a lua cria figuras sinuosas e traiçoeiras no pé-de-moleque, um violão convoca um cavaquinho, que intima uma flauta, que convida um seresteiro. 

     E quando a vida finalmente me tornar história, que o pó deste perecível corpo se funda ao adobe de algum muro ornado por multicoloridas e perfumadas flores do campo.

      Eis aqui a minha amada terra.


Adriano César Curado