terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Consideração de final de ano

( I ) Neste ano de 2011 nossa Pirenópolis enfrentou muitos desafios. Venceu alguns, perdeu outros. E agora segue sua longa história de aventura pelos séculos.


( II ) Um dos grandes problemas que ainda não foi resolvido é o som automotivo. No 12º Canto da Primavera, enquanto artistas de renome se apresentavam no Teatro de Pirenópolis, carros com sons potentes perturbavam, disparavam alarme dos veículos estacionados, interrompiam músicos. As missas são incomodadas pelo problema, os casarões sofrem com as vibrações acústicas. Mas ainda assim não apareceu quem resolvesse o problema.


( III ) O pirenopolino espera ansioso pelo andamento das obras do Salão Paroquial e Praça Central, que enquanto não termina enfeia o Centro Histórico. Desagradável também é a imagem de um fusca abandonado no Beco do Mamedes, com acúmulo de água das chuvas e perigo de dengue.


( IV ) Deixaram a antiga sede da Prefeitura Municipal estragar tanto, que o prédio teve de ser demolido e, no seu lugar, levantada uma réplica. Pelo menos o lugar terá uma finalidade social, servirá de escola de música para crianças.


( V ) Neste 2011, também os casarões históricos sofreram com reformas mal executadas e sem fiscalização competente, num jogo perigoso de faz-de-conta. A moda é demolir todo o prédio e preservar apenas a fachada, num desastroso resultado para a história goiana. Pirenópolis corre o risco de se tornar cidade-cenário.


( VI ) Na Festa do Divino de 2011, uma sentença judicial impôs a numeração dos Mascarados e quase comprometeu toda a tradição. Isso porque o ato não foi precedido de uma campanha, quiseram impor um pacote fechado e sem discussão. O Tribunal de Justiça de Goiás reverteu a situação.


( VII ) Os caminhões continuam em trânsito dentro do Centro Histórico. Os tocos de contenção são de faz-de-conta, não conseguem impedir que esses veículos pesados atrapalhem o trânsito nas vielas históricas, abalem a estrutura dos casarões e até destruam as candeias.


( VIII ) Mas independente do Poder Público, Pirenópolis persiste. Há a esperança de que em 2012 dias melhores clareiam o futuro de nossa querida cidade. Implantação de lazer saudável para a juventude, melhor infraestrutura para o turismo, votação do Plano Diretor, restauração em vez de demolição e reconstrução.

Adriano César Curado






 






 
 

 


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um mágico chamado Ney Matogrosso


     Confesso que nunca tinha assistido um show do Ney Matogrosso, cantor performático, de profunda expressividade no palco e que é capaz de hipnotizar multidão sem interagir com ninguém.

     A banda que o antecedeu tocou rock da pesada e a assistência, quase toda de jovens de menos de 20 anos, entrou em êxtase diante da apresentação. De repente, silêncio, cores fortes, orquestra de instrumentos de corda, suavidade e delicadeza. Pensei comigo: isso não vai dar certo. Mas foi um sucesso absoluto.

     Só pode ser obra de um mágico a metamorfose operada sobre aquela juventude. Sem figurino extravagante, ele subiu ao palco trajando terno de cor clara e acompanhado por um quarteto de cordas. Parecia um recital de música clássica, mas é seu novo show Beijo Bandido.

     Escrevo aqui encantado pela apresentação de Ney Matogrosso porque vi nele um resgate da boa música popular brasileira. Ouvir a meninada cantar tangos, boleros, chorinhos, tudo de cor para imitá-lo, foi um achado e tanto. Ele olha dentro dos olhos da plateia, hipnotiza, e solta Tango para Tereza, Cigarro em Cigarro, Fascinação, Doce de Coco, Bicho de 7 Cabeças, e por aí vai.

     Enfim, existe luz no fim do túnel.

Adriano César Curado

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Demônios da Garoa: perfeição

      A apresentação do grupo Demônios da Garoa foi simplesmente perfeita. Confesso que, a princípio, fiquei um pouco preocupado, com medo da reação da moçada diante dos velhos sambas de Adoniram Barbosa. Afinal, o sexagenário grupo se apresentaria depois de uma sequência de rock. Mas foi só começarem a cantar canções como Trem das Onze e Samba do Arnesto, que todo mundo entrou no clima.

Adriano César Curado





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Demônios da Garoa em Pirenópolis


É hoje, das 23h45 / 01h00, no Campo das Cavalhadas, que o grupo paulista Demônios da Garoa se apresenta no palco do XII Canto da Primavera em Pirenópolis, Goiáa.

Com 68 anos de existência, é o conjunto vocal mais antigo do Brasil em atividade, tendo inclusive entrado para o Guinness Book.

A formação atual conta com Roberto Barbosa (conhecido pelo codinome de Canhotinho), Serginho Rosa, Sydnei, Izael e Ricardinho (neto do fundador do grupo, Arnaldo Rosa).


Fonte: 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cine-Teatro Esmeralda




     A cidade de Corumbá de Goiás receberá nesta sexta-feira (09.11.2011) o Cine-Teatro Esmeralda totalmente restaurado. As obras, que duraram pouco mais de um ano, foram realizadas pelo Iphan. O arquiteto Paulo Farsette foi o responsável pelo trabalho. O espaço ganhou camarins, sanitários, lanchonete e mirantes. O imóvel, que fica na Praça da Matriz, faz parte da história e do patrimônio cultural da cidade.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O tropeiro

Imagem: http://cgretalhos.blogspot.com/2010/06/tropeiros-da-borborema-traducao-precisa.html



     Durante os séculos 18, 19 e 20 (primeira metade), o trasporte de mercadorias entre Pirenópolis e outras cidades e Estados era feito pelos tropeiros. Para quem não sabe, tropeiro era um negociante, dono de uma tropa de mulas de carga.
      
     Pirenópolis teve grandes tropeiros, entre eles se destacam o comendador Joaquim Alves de Oliveira e o coronel Chico de Sá. Mas muitas outras famílias pirenopolinas se dedicaram a essa atividade, única forma de abastecer o comércio local com tecidos, sal, ferragens etc. e de exportar nossa produção de algodão, derivados da cana-de-açúcar (rapadura, açúcar mascavo) etc.

      A tropa era dividida em lotes, cada lote com 11 bestas e entregue aos cuidados do capataz. Os grandes comerciantes tinham tropas imensas de até 12 lotes, ou seja, 132 mulas treinadas para o duro trabalho. Não havia estradas, nem pontes, e muitos pousos se davam ao relento, sem sequer um rancho de palha como abrigo.

      A carga ia acondicionada dentro de uns caixotes de couro cru chamados bruacas. Em cada mula, duas bruacas, uma de cada lado, equilibradas numa cela em forma de X chamada cangalha. O tropeiro servia também de correio, pois levava notícias e recados pelos lugares onde passava. E enfrentavam rios cheios, ataques de bandidos, de feras, de doenças misteriosas. No misticismo lá deles, traziam junto ao peito para proteção um patuá (pequenina bolsa de pano costurada com uma oração dentro), dependurado num cordão.

      Pirenópolis, quando ainda se chamava Meia Ponte, era um entrocamento de estradas comerciais e portanto local de trânsito constante de tropas. Isso contribuiu para que a povoação não desaparecesse, como ocorreu com muitos outros arraiais surgidos na corrido do ouro.

     Na culinária, influenciou-nos com comidas saborosas, como o feijão tropeiro e o arroz maria-isabel.

      O tropeiro, portanto, está intimamente ligado à nossa história e deveria ser mais estudado nas escolas locais.


Adriano César Curado

Fonte:
TEIXEIRA, José A. Folclore Goiano. 3ª ed., São Paulo: Ed. Nacional, 1979.
GOULART, José Alípio. Tropas e tropeiros na formação do Brasil. RJ: Conquista, 1961.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Chico de Sá

SÉRIE BIOGRAFIAS

CORONEL CHICO DE SÁ


      Francisco José de Sá (Pirenópolis 29.01.1861 – 07.11.1938) foi um abastado comerciante pirenopolino, que muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade, grande incentivador das artes e da cultura locais.

      Nasceu escravo, como sua mãe, mas foi alforriado no ato do batismo pela quantia de 32 oitavas de ouro (128 gramas)(1), paga pelo seu pai, José Joaquim de Sá, que inclusive o legitimou e o levou para casa para criá-lo. Casou, aos 25 anos, com Antônia Lina da Costa (Antoninha), com quem teve quatro filhos e seis filhas. Deixou grande descendência.

1ª missa nos Pireneus em 5.7.1928, Cel. Sá em destaque
       Chico de Sá sabia ler e escrever, e possuía um tino comercial muito forte. Então, com uma pequena quantia adquirida como pagamento por viagens feitas a terceiros, começou a negociar na compra e venda de fumo e gado. Aprendeu rapidamente o ofício e logo obteve considerável lucro. Adquiriu tropas de mulas para transporte de mercadorias para fora de Goiás e começou a investir em terras e na construção civil. Há em Pirenópolis até hoje diversos casarões edificados por Chico de Sá. 

     Com o tempo, tornou-se ele uma espécie de banco particular na cidade, com empréstimos a juros. Seus negócios cresceram tanto que ele abriu uma filial de sua loja em Palmeiras de Goiás e a entregou para gerência do irmão Horácio Alfredo de Sá, a quem amparou. Quando faleceu, era certamente o homem mais rico da província, o maior proprietário urbano e rural do Município, com respeitável rebanho bovino. Deixou aos seus herdeiros muito dinheiro, joias e títulos.

      Esse homem tem uma biografia extraordinária, pois nasceu na adversidade, mas ainda assim conseguiu fazer fortuna e galgar incomparável posição social, financeira e política em Pirenópolis e também em Goiás.


Cel. Sá, em 1º plano numa mula, e seu eleitorado rural, 19.9.1923

      Com tamanho patrimônio, investiu em sua maior paixão – a política. Foi vereador de 1887 a 1889, ainda no Império. Na República, foi vereador de 1893 a 1895, de 1911 a 1915 e de 1915 a 1919. Só não foi intendente municipal (hoje prefeito) ou deputado estadual porque não quis. Mas elegeu muitos intendentes, vereadores e deputados. Seu domínio sobre o eleitorado rural de Pirenópolis perdurou por décadas, e há até um registro fotográfico, feito em 19.9.1923, quando em dia de eleição ele adentra pelo Largo da Matriz com seu eleitores moradores das fazendas.

      Construiu o maior casarão de Pirenópolis à época, no Largo do Rosário, local onde muitas vezes se decidiu os rumos da política na província de Goiás.

Festa do Cel. Sá em 1917, tendo sua casa à direita

      Foi sorteado Imperador do Divino em 1917, 1933 e 1937. A festa de 1917 foi a maior de que se tem notícia em Pirenópolis. Durante os dias de novena e das Cavalhadas, a cidade toda comeu empadões, pastéis, doces finos, quitandas e bebeu muito vinho à custa do Coronel Sal. Nunca se queimaram tantos foguetes de rabo e as roqueiras e pichorras deixaram o Largo da Matriz e do Rosário completamente esburacados.
      Apesar de muito rico, era querido e admirado pelos pirenopolinos, pois a caridade sempre foi sua marca. Graças às suas generosas doações, muitos conterrâneos seus puderam estudar nos seminários e conventos do Rio de Janeiro e São Paulo, um sonho dificílimo para a época. Também ajudou a manter restauradas as igrejas de Pirenópolis, incentivou o teatro e outras artes, ajudou na manutenção das bandas de música Fênix e Euterpe etc.

Casarão onde morou o Cel. Sá


      Quando o coronel Sá faleceu, em 07.11.1938, Pirenópolis muito se entristeceu, pois perdia uma figura forte de sua história. Seu enterro foi com grande pompa, acompanhado por uma multidão, ao som de banda de música e orações da Irmandade do Santíssimo Sacramento, da qual fazia parte.

      Pelo seu exemplo incomum de luta contra as adversidades e pela salutar ajuda ao desenvolvimento de Pirenópolis e à melhoria de vida de sua gente, o Coronel Chico de Sá merece figurar entre nossos biografados.

Adriano César Curado

Fonte:
(1) Livro de Registro de Batismos da Matriz, de 1857 a 1867, fls. 63)
JAYME, Jarbas. Famílias pirenopolinas – Vol. V. Goiânia: UFG, 1973.
JAYME, José Sisenando. Pirenópolis (humorismo e folclore). Edição do Autor: 1983.