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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

10º GP Goiás de Montain Bike

Acontece no próximo dia 19 de outubro, o 10º GP Goiás de Montain Bike, em Pirenópolis. A largada acontecerá às 9h pontualmente, saindo do Campo de Futebol do Carmo (em frente à Pousada dos Pirineus), e a chegada no mesmo local. O tipo de prova é Cross Country com percurso aproximado de 17,4 Km (equivale a 01 volta).
DISTÂNCIA POR CATEGORIAS
17,4 Km – Juvenil, Júnior, Turismo A, Turismo B, Turismo C e Turismo Feminino;
34,8 Km – Sub 23, Sub 30, Master A, Master B, Master C, Master D e Elite Feminino;
52,2 Km – Elite Masculino.

PROGRAMAÇÃO:
DIA 18/10 – SÁBADO
15h – Largada da prova social disputada por crianças de 06 à 12 anos;
20h – Ações do Magalhães Sports, rua do Lazer com sorteio de uma bike;
DIA 19/10 – DOMINGO
8h – Abertura oficial da prova
9h – Largada do 10º GP Goiás de MTB 2014

ENTREGA DE KITS
O kit poderá ser retirado no dia 18/10, a partir das 15h no Campo de Futebol do Carmo, na área de largada/chegada da competição, no Centro de Pirenópolis, ou até uma hora antes da prova.
Para recebê-lo o biker deve apresentar o recibo de inscrição ou RG.

INSCRIÇÕES
Do dia 10/08 à 30/08 – R$ 60,00
Do dia 01/09 à 30/09 – R$ 70,00
Do dia 01/10 à 15/10 – R$ 80,00

Site Prefeitura Municipal

sábado, 23 de novembro de 2013

A solidão da arte


A arte da pintura pode ser um ofício solitário. Pelo menos para Pérsio Forzani, que com seus oitenta e dois anos de vida, ainda está na ativa, manejando com maestria seu pincel mágico. Por recomendações médicas, usa uma máscara cirúrgica para evitar contaminação com a tinta e reduziu o tempo contínuo de trabalho. Mas isso não o impediu de já quase finalizar mais um grande desafio: pintar os quadros de toda a Via-sacra para a Matriz. Sozinho em sua casa na rua Anduzeiro, Pérsio prossegue com sua silenciosa arte e enche de luz a alma pirenopolina.

Adriano Curado

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pérsio Ribeiro Forzani ( II )


Na sequência da biografia do pintor Pérsio Forzani, relembro a memorável noite de 25.11.2005, na casa da Celg, em frente à Matriz, quando foi organizada uma exposição de sua obra, regada a muita música e poesia. Naquela ocasião, fui escalado pela Aplam para escrever um texto em prol do homenageado, que ficou assim:



Reprodução da capa da Revista Meya Ponte nº 03, da Aplam,
pitura de Pérsio que retrata o castelo do Frota


“A Academia Pirenopolina de Letras Artes e Música (APLAM) surgiu do sonho de gente simples, de poucas posses materiais mas de espírito dotado de sublime inteligência. Não se espere encontrar ali nenhum intelectual sofisticado, frequentador dos banquetes das elites ou paparicado pela mídia nacional. Não se verá tal figura nesta Academia sertaneja. Os membros da APLAM são pessoas impregnadas pelo pó seco do Planalto Central, alimentados pelos frutos do cerrado e bebedores da boa cultura que emana da miscigenação entre negros, índios e portugueses, os povoadores das terras goianas.



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Por outro lado, não se deve ceder à tentação de imaginar que, pela simplicidade de seus membros, as obras são de menor valor. Pelo contrário. Nossos modestos membros, tanto os que ainda labutam nas lides deste plano, quanto os que já se encontram mais próximos ao Criador, todos eles são valorosos operários da cultura de Goiás. Vê-se ali historiadores, pintores, escultores, músicos, compositores e escritores.



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Pérsio Ribeiro Forzani é uma dessas figuras simples e carismáticas que compõem a Academia de Pirenópolis. Num primeiro contato, pode-se ceder ao intuito de imaginá-lo um pessoa frágil e limitada, mas logo essa impressão primeira desaparece quando se conhece seu espírito empreendedor, sua alma sonhadora, sua invencível capacidade de superar os obstáculos que o destino depositou em seu caminho.



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Pirenopolino da velha gema, nosso homenageado vem de família humilde mas de destaque na vida social e cultural da velha Cidade dos Pireneus. Seus parentes ajudaram a abrilhantar a arte da Euterpe, como componentes da escola e banda de música do Mestre Propício, a centenária Fênix. Mas foi a arte desse pintor singular que contribuiu para o resgate de imagens belíssimas e já quase apagadas no inconsciente popular: becos tortuosos, procissões à luz de velas, cavalhadas no largo da Matriz, casarões já demolidos, cenas de importância histórica, e muito mais.



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Apaixonado confesso pela Pirenópolis do passado, quando a pequena cidade se chamava Meia Ponte, Pérsio Forzani faz renascer da magia colorida de telas, tintas e pincéis um mundo fabuloso de damas e cavalheiros, de compositores e maestros inspirados, de coronéis valentes na política fervente, de escravos sofredores pelo chicote dos feitores. Todos eles personagens que um dia calcaram o chão goiano, frequentaram igrejas já extintas, moraram em amplos casarões povoados pela alegria sadia dos tempos de serenatas, ou no interior sombrio duma senzala. Sua pintura retrata ainda a solidão dos pirenopolinos isolados entremeio aos morros arredondados, distantes da capital e visitados vez por outra pelas tropas de mulas e carro de bois dos caixeiros viajantes.



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


A Pirenópolis de Pérsio pouco tem da cidade de hoje. Não há ali grandes festivais, turistas em demasia, trânsito engarrafado, enfim, problemas de cidade moderna. Mas, de certa forma, o sonho que sua mente brilhante materializa nas telas vai muito além de uma simples viagem ao passado. No fundo, o pintor que o habita quer mesmo é idealizar uma cidade voltada para o futuro, e também contribui para um Goiás que quer regressar às tradições e cultura esquecidas, ou seja, fazer ressurgir valores que os tempos modernos aos poucos apagam.



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani.
Nas duas portas da direita funcionou a Coletoria Estadual
e mais tarde o gabinete dentário do Dr. Fernando


O resgate da obra e da vida de Pérsio Ribeiro Forzani, que a APLAM idealizou através desta modesta homenagem, é no fundo uma mensagem de otimismo. É um recado para as gerações do hoje e do porvir, quanto à certeza de que Goiás ainda retomará valores culturais perdidos. Na lembrança do passado ainda próximo, é preciso construir um futuro mais ligado às tradições de raiz, preservando o cerrado, valorizando a arte popular, para, quem sabe um dia, ainda voltarmos à serenidade da velha pátria dos índios Goiases.”



Fotografia de pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Pérsio hoje está debilitado, só pinta por encomenda e não dá conta de todos os pedidos que tem. Sem contar que, desde o ano passado, devido a uma queda no banheiro de casa, somente se locomove em cadeira de rodas e com auxílio.



Casa da Celg em Pirenópolis,
local da exposição de Pérsio em 2005



No passado, no máximo de sua produção artística, Pérsio pintou cada uma das centenas de casas retratadas no livro "Casas de Pirenópolis", de Jarbas Jayme.



by Adriano César Curado

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pérsio Ribeiro Forzani ( I )

Fotografia de Pérsio na atualidade,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani

PÉRSIO RIBEIRO FORZANI

Membro da Academia Pirenopolina de Letras,

Artes e Música (Aplam)

Ocupante da Cadeira nº 07

Patrono Inácio Pereira Leal



Fotografia de pintura de Pérsio de 1997,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Pérsio Ribeiro Forzani (Pirenópolis, 8.2.1931) começou a pintar com carvão no adobe dos muros aos oito anos de idade e, apesar da deficiência física, aprimorou-se nos estudos para aventurar-se na tinta a óleo e pincel. Deu certo. Atualmente, suas milhares de telas se espalham pelo mundo todo.



Fotografia da primeira pintura de óleo sobre tela de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


O tema de suas pinturas é sempre a cidade de Pirenópolis, que retrata em traços que são característicos de sua arte. Você pode nunca ter visto uma determinada tela de Pérsio, mas se a encontrar em alguma parede, é capaz de afirmar com certeza a autoria.



Reprodução da capa da Revista Meya Ponte nº 10, da Aplam


Seu tema é sempre a amada Pirenópolis, na atualidade ou quando se chamava Meia Ponte. Reproduzindo fotografias e descrições da cidade de antigamente, seu trabalho é, além de arte, instrução que nos mostra a história goiana.



Fotografia de pintura de Pérsio de 2005,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Ele é uma criatura dócil, que recebe qualquer pessoa em sua casa e não faz distinção entre ricos e pobres, mendigos ou embaixadores. Sim, todos frequentam a casa humilde de Pérsio. Lá dentro, quase nenhum móvel se vê. Na sala, uma mesa simples com tamboretes. No quarto de pintura, o cavalete e alguns bancos. No quarto de dormir, cama velha mas bem cuidada, um guarda-roupas e uma cômoda com um oratório que tem o interior pintado por ele.



Reprodução da capa da Revista Meya Ponte nº 06, da Aplam

A pintura de Pérsio foi homenageada numa exposição realizada no casarão histórico que é a sede da Celg em Pirenópolis, bem em frente à Matriz, no dia 25.11.2005. Foi uma noite memorável, com direito a sarau, discursos emocionados e, principalmente, com a presença de muitos jovens interessados em conhecer esse ilustre pirenopolino. Pela grandeza desse evento, será tema de um artigo em separado.



Fotografia de pintura de Pérsio de 2008,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


Uma outra grande homenagem para Pérsio foi feita no Teatro de Pirenópolis, dia 4.6.2010, num sarau abrilhantado por músicos e poetas pirenopolinos ou ligados à velha cidade. A ideia foi da Secretaria de Cultura de Pirenópolis, na pessoa do secretário Gedson, com apoio de José Nominato Veiga (Zezé de Catirina), zelador do prédio do teatro e, obviamente, do prefeito Nivaldo Melo.




Fotografia de pintura de Pérsio,
extraída do site www.pirenopolis.tur.br/persio-forzani


No grande sarau, foi destaque a linda poesia que Luiz de Aquino compôs para o homenageado e que peço vênia para transcrever:


“Pérsio Forzani (o homem que pinta poesia)


Espalho-me ao tempo

ao sol que define os dias,

à Lua que benze as noites.


Nos anos mais verdes,

colhi serenatas plantadas nas ruas

de pedras, sem régua ou compasso.


Ouvi versos cantantes

e acordes dolentes; vi moças bonitas

nas janelas, silentes...


Era um tempo de estrelas

e risos sem censura. A gente vivia

vertigens, e era feliz.


Sol, luar, orvalho!

No verde, mais luz; mais vida

sob os astros.


Meus olhos desenham os morros,

perfis sob azul infinito, moldados

aos traços das línguas dos rios.


A ponte, o amor clandestino.

Carmo, Bonfim, Matriz do Rosário,

Lembranças de eu-menino...


Meus olhos colheram paisagens,

Memória transforma em saudade,

Pincel faz arte e riqueza.


Terra e gente meia-pontense:

Hino e presépio, história em imagem:

Obras de Pérsio, jóias da terra.”




Reprodução da capa da Revista Meya Ponte nº 07, da Aplam


Foi Pérsio Forzani quem criou e pintou o simbolo da Aplam.



Síbolo da Aplam


by
Adriano César Curado