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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

De volta à infância

Na velha rua Nova onde passei a minha infância, a gente podia brincar de jogar bola porque transitava pouco carro e não se ouvia notícias de malfeitores. A meninada se reunia todo final de tarde, os homens no futebol, as mulheres no jogo de bete. Meus pais moravam no casarão do Mestre Propício e depois nos mudamos para a casa da esquina com a praça, que é de minha avó. A televisão preto e branco era sem graça, então as pessoas espalhavam cadeiras pelas calçadas e contavam as novidades do dia. As brincadeiras, causos e fofocas terminavam ali pelas oito horas porque a gente dormia cedo naquele tempo.

Hoje tudo está mudado. Os veículos expulsaram os meninos e as novelas tiraram as cadeiras das calçadas. As pessoas só se comunicam pelas redes sociais ou aplicativos de celular. Não há mais tempo para viver!

Mas eu ainda guardo na lembrança aqueles dias gostosos da minha infância e os trago de volta cada vez que relembro o passado.

Adriano Curado

sábado, 23 de novembro de 2013

A solidão da arte


A arte da pintura pode ser um ofício solitário. Pelo menos para Pérsio Forzani, que com seus oitenta e dois anos de vida, ainda está na ativa, manejando com maestria seu pincel mágico. Por recomendações médicas, usa uma máscara cirúrgica para evitar contaminação com a tinta e reduziu o tempo contínuo de trabalho. Mas isso não o impediu de já quase finalizar mais um grande desafio: pintar os quadros de toda a Via-sacra para a Matriz. Sozinho em sua casa na rua Anduzeiro, Pérsio prossegue com sua silenciosa arte e enche de luz a alma pirenopolina.

Adriano Curado

sábado, 9 de novembro de 2013

O grande pintor


Chova ou faça sol, lá está ele: Mirim Santos. Natural de Ouro Preto/MG, veio para Pirenópolis trabalhar na primeira restauração da Matriz e nunca mais foi embora.

Sua capacidade de interpretar o cotidiano de Pirenópolis através das tintas é impressionante. E ele pinta uma cidade totalmente sua, particular, vista através do olhar especialista de quem só vê arte.

Mirim pinta em vários locais de Pirenópolis, mas seu ponto preferido é junto à Igreja Matriz, onde geralmente é visto no início da manhã, por conta da posição do sol.

O impressionante é que ele retrata a mesma paisagem há mais de uma década e nunca repete um quadro sequer. Eu comparo sua arte com a fotografia. Podemos fotografar repetidas vezes um objeto, mas a foto nunca será a mesma.

Ele é membro da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música; e recebeu o título de Cidadão Pirenopolino concedido pela Câmara Municipal. Além disso, como mestre capoeira, desenvolve um trabalho assistencial com crianças carentes da região.

Por tudo isso, este blog lhe presta merecida homenagem.

Adriano Curado

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lunildes de Oliveira Abreu


SÉRIE: A ARTE POPULAR PIRENOPOLINA

LUNILDES DE OLIVEIRA ABREU 




     Lunildes de Oliveira Abreu (Pirenópolis, 12.12.1953) é uma artesã com traços originais de escultura, que se inspira nas festas populares, e uma das responsáveis para perpetuação do folclore goiano.

     Casou-se com Antônio Pereira de Abreu e tem quatro filhos. Trabalha atualmente na Câmara Municipal de Pirenópolis.

     Seu interesse pela arte se manifestou na infância, quando recolhia telhas velhas para pintar. Na juventude, conviveu com Maria Fleury (Maria Beni), grande artesã pirenopolina que esculpia miniatura dos Cavaleiros das Cavalhadas.

     Inspirada nas obras de arte de Maria Beni, esculpiu Lunildes seus próprios cavaleiros e resolveu expô-los. Para sua felicidade, um colecionador se encantou com as obras e as comprou, o que lhe deu grande estímulo para continuar os trabalhos.

     Ela fala com orgulho de ser pirenopolina e nos deixa entrever o nascimento da artista: “Toda a minha família é daqui, desde 1800. Por isso, desde criança já vivenciava as festas folclóricas todas e desde que me entendo por gente fazia coisas. Amassava barro, pintava, costurava roupas e por fim, há 22 anos, comecei a me dedicar inteiramente a criar ornamentos e estandartes para a festa das Cavalhadas e do Divino, aqui em Pirenópolis.” (1)

     Quando fala sobre a inspiração dos trabalhos, ela nos dá uma verdadeira aula de cultura popular: “Por exemplo, esse Divino chamamos de Corpo de Cristo porque é bordado à mão, no estilo das capas dos cavaleiros. O chitão é usado porque os mascarados se vestem com esse tecido. O vermelho com flores douradas tem a ver com os mouros. A festa do Divino tem a ver com a festa da colheita e por isso também usamos sementes e folhas do cerrado e pintamos com terra do barranco, e assim vai.” (2)

     A arte de Lunildes é conhecida internacionalmente e seus trabalhos já foram expostos em grandes galerias de arte. A fonte de sua inspiração é eterna, pois ela se baseia sempre nas imagens mentais que guarda da vida em Pirenópolis. De origem tradicional na cidade, conhece a fundo a cultura popular pirenopolina e por isso é capaz de compor um cenário radiante em sua obra, o diferencial que a torna exclusiva.





Mandala de Lunildes