quinta-feira, 22 de maio de 2014

IX Festival Gastronômico de Pirenópolis




IX Festival Gastronômico de Pirenópolis

De 22 a 25 de maio com o melhor da gastronomia goiana
Pirenópolis integra o Circuito Gastronômico Goiás, que reunirá chefs renomados de várias partes do Brasil e do mundo entre os dias 22 a 25 de maio no principal destino turístico do Estado. Nesta edição de 2014 o Circuito que já esteve na Cidade de Goiás, também passará por Alto Paraíso, Caldas Novas, Nova Veneza, Trindade e Goiânia. Em Pirenópolis, o evento que e chega a sua 9ª edição e têm a realização da Prefeitura de Pirenopólis e Governo de Goiás, através da Goiás Turismo, em parceria com entidades como Universidade Estadual de Goiás (UEG), Sebrae Goiás, Senac Goiás e Associação Goiana de Profissionais e Estudantes de Cozinha (Agpec).
Com foco na valorização do Cerrado e no uso dos produtos goianos na cozinha contemporânea, o 9º Festival Gastronômico e Cultural de Pirenópolis reunirá chefs de cozinha de várias regiões do País e internacionais na cidade. Nesta edição o município irá receber um time estrelado de profissionais, como o francês radicado em São Paulo Laurent Suaudeau, Mara Salles, Alberto Landgraf e Salvatori Loi. Chefes goianos consagrados como Ian Baiocchi e Márcia Pinchemel também participam do encontro.
O Festival Gastronômico de Pirenópolis será um passeio pelas diferentes áreas da culinária, desde a degustação de vinhos ao preparo de pratos típicos. A programação inclui oficinas, aulas-show e a participação de vários restaurantes da cidade, que vão oferecer cardápios especiais nos dias do evento.
Destinado aos empreendedores, aos administradores de restaurantes, profissionais e estudantes ligados à área de turismo, hospitalidade e gastronomia, bem como turistas que desejam desfrutar deste evento gastronômico, o Festival Gastronômico de Pirenópolis chega à sua nona edição com um leque de alternativas deliciosas.
A proposta é provocar nas pessoas, principalmente na população goiana, o interesse, o gosto e a necessidade de conhecer o potencial e a identidade cultural. Outro foco importante é a qualificação da mão de obra local através do envolvimento da Universidade Estadual de Goiás (UEG) com a realização de cursos e palestras dentro da programação do festival.
O Festival Gastronômico de Pirenópolis faz parte do projeto Goiás, Lindo Demais, que visa divulgar as belezas e os atrativos do Estado. Durante o festival haverá várias apresentações culturais com músicos regionais. A cantora Vanessa da Matta fará o show de encerramento do festival no final da tarde de domingo (25), na Rua do Lazer.
FEIRA DE ARTE, CULTURA E GASTRONOMIA TÍPICA
 Pirenópolis é uma cidade histórica. Está localizada na região do ouro, e hoje faz parte dos 65 destinos indutores do turismo no Brasil. O turismo na cidade é um fator que vêm crescendo nos últimos 10 anos e atraindo cada vez mais um grande público nacional e internacional, que encontram na cidade uma grande diversidade de segmentos turísticos, em sua beleza natural, gastronômica, e cultural.
A Feira de Arte, Cultura e Gastronomia Típica tem por objetivo beneficiar diretamente os produtores rurais, agregando o artesanato e a culinária local. Tornando produto mais acessível de vendas aos produtores, e também aos consumidores.
A 3º edição da Feira acontecerá durante o 9º Festival Gastronômico e Cultural de Pirenópolis, buscando apoiar a produção e comercialização de produtos do campo, artesanato local, e comidas típicas da região, promovendo a geração de renda a toda a comunidade, bem como incentivo, o resgate e preservação da cultura local. Feira é composta por produtores rurais, artesãos, artistas locais e é realizada pela Prefeitura de Pirenópolis, através da Secretaria Municipal de Turismo, comandada pelo secretário Sérgio Rady.



terça-feira, 20 de maio de 2014

Diga não ao “Fachadismo”




O Fachadismo arquitetônico é uma técnica de reabilitação de edifícios históricos degradados, onde apenas a fachada do prédio é conservada, sendo o restante descartado. Abre-se mão do “recheio” do patrimônio arquitetônico, que pode inclusive ser historicamente mais rico que o exterior, com o fim de conservar a “casca”.

Um exemplo significativo do emprego dessa técnica é o Pelourinho em Salvador, Bahia, onde uma corrida pela preservação dos casarões históricos, somada à necessidade de torná-los úteis e usáveis, fez com que seu interior fosse totalmente demolido, apenas a fachada ficou de pé.


Prédio do século 18 demolido. Só a fachada restou original.

Às vezes o emprego do Fachadismo é necessário, como ocorreu, por exemplo, na reconstrução do edifício do Cine-Teatro Pireneus, localizado na rua Direita, em Pirenópolis, Goiás. De fato, ali a decisão de se manter apenas a fachada foi acertada. Mas é uma exceção, pois o prédio havia ruído e apenas sua parte anterior, em art déco, ficou de pé.


Destruição de S. Luiz do Paraitinga, São Paulo

Também na reconstrução da cidade de São Luiz do Paraitinga, em São Paulo, foi necessário, em diversas ocasiões, recorrer ao Fachadismo, pois os monumentos desabaram por conta de uma enchente fenomenal. O mesmo ocorreu na Cidade de Goiás, em Goiás, quando uma represa no rio Vermelho levou diversos casarões históricos.


Cheia que destruiu casarões na Cidade de Goiás

Nesses exemplos, assim como no cinema de Pirenópolis, houve a perda total do prédio e tentou-se conservar como deu seu estilo de época. Tais iniciativas devem ser aplaudidas, pois é melhor se ter uma imagem agradável de um cenário, que a visão frustrante de uma degradação.


O Pelourinho é apenas fachada, o interior foi todo demolido.
O que se combate no Fachadismo arquitetônico, no entanto, é a demolição de prédios em bom estado de conservação, para adaptá-lo ao estilo moderno de se viver. Vemos isso constantemente em Pirenópolis. A pessoa compra um casarão histórico, de paredes internas de pau a pique, assoalho de madeira ou tijolos, baldrames e esteios de aroeira, muros de pedras etc. Mas o comprador quer uma casa mais moderna, e então começa a demolição.

A primeira que vem abaixo é a parede de taipa, pois querem a casa com divisórias aprumadas e feitas de material moderno e resistente. Assim não precisa de manutenção anual, como é o caso das taipas. Levanta-se no lugar uma fileira de tijolos furados, parecidos com a parede original. O assoalho de madeira, também de complicada conservação (não pode jogar água, tem que substituir a parte podre), é retirado e em seu lugar instalam cerâmicas modernas e mais funcionais. E já que estamos fazendo uma reforma geral no imóvel, melhor mesmo tirar a aroeira velha e substituí-la por vigas de concreto, pois assim durará infinitamente e não se terá perigo de trincar paredes.


Este casarão do século 19 é exemplo de Fachadismo. Todo o miolo foi demolido

Aí eu pergunto: se fizermos isso com a cidade toda, ainda assim teremos um conjunto arquitetônico que mereça um tombamento? É óbvio que não. Seremos apenas o cenário de uma triste realidade. Patrimônio histórico de tijolo furado e vergalhões de aço não merecem esse nome. Se amanhã, por exemplo, um historiador quiser estudar as casas velhas de uma comunidade, não saberá que, entre as portas da frente e do meio, há a entrada da sala de visitas. Que o cômodo onde se toma refeições é chamado de varanda, e que para transitar nos aposentos mais íntimos, é preciso passar de um quarto ao outro – uma forma de controle sobre as mulheres.

Tudo isso é história pura, resquícios de uma época. A casa colonial é como um livro, e ao estudá-la, aprendemos como viviam seus moradores há séculos. Mas aí vem o Fachadismo e apaga esse livro, rasga suas folhas internas e deixa apenas a capa intacta.

Em seu maravilhoso livro “Uma ponte para o mundo goiano do século XIX: Um estudo da casa meia-pontense”, a historiadora Adriana Mara Vaz de Oliveira adentrou em diversas residências pirenopolinas e traçou uma planta baixa, sem escalas, de algumas delas. Tal iniciativa, se continuarem as demolições, estarão inviabilizadas em pouco tempo.



Por conta disso tudo, é que este site é contra o Fachadismo arquitetônico, no que se refere à preservação do patrimônio tombado. Que este artigo seja um marco de mudança de mentalidade. Espero que cesse a destruição oficializada de nossa história, antes que não tenhamos mais nada que mostrar para a prosperidade.

Adriano Curado


Bibliografia:
BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 1999.
BUENO, Alexei; CAVALCANTI, Lauro; e TELLES, Augusto Carlos da Silva. O Patrimônio Construído. São Paulo: Capivara, 2002.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 200
OLIVEIRA, Adriana Mara Vaz de. Uma ponte para o mundo goiano do século XIX: Um estudo da casa meia-pontense. Goiânia: Agepel, 2001.
PUPPI, Marcelo. Por uma História não Moderna da Arquitetura Brasileira. Campinas: Pontes; CPHA/IFCH. 1998
REIS Fº., Nestor Goulart. Evolução Urbana no Brasil 1500 / 1720. São Paulo: Pini, 2000.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

IX Festival Gastronômico de Pirenópolis


Pirenópolis: da aldeia ao turismo



A metamorfose que uma cidade sofre ao se direcionar para o turismo, por mais lenta que seja, é um processo irreversível. Depois que um local começa a atrair visitantes interessados em seus atrativos, abre-se uma porta para inovações profundas no cotidiano, e nunca mais a sossegada aldeia voltará a ser a mesma.

No caso de Pirenópolis, a cidade manteve-se pacata e praticamente isolada até o final dos anos 1960, quando uma ruidosa festa do Divino organizada pela família Pina mudou essa realidade. O deputado federal Geraldo d’Abadia de Pina foi sorteado Imperador do Divino e por causa de seus contatos políticos, a Capital Federal descobriu a pequena e próxima Pirenópolis. Contam os da época que antes daquela festa, ocorrida em 1969, somente a população local e alguns roceiros participavam dos festejos profanos e pagãos.

De repente, Brasília é convidada a conhecer as Cavalhadas. E para garantir a praticidade do plano de se mostrar a cidade, esse folguedo que se desdobrava de segunda a quarta-feira, teve seus dias alterados. Agora, cavaleiros mouros e cristãos começavam suas atividades no domingo e encerravam na terça-feira. No sábado à noite, quando se celebrava o último dia da novena, com levantamento de mastro, fogueira acesa e queima de fogos, não era possível andar com tranquilidade pelas ruas. Assustado, o pirenopolino começava a perceber que a festa fugia do controle das famílias nativas, era agora uma manifestação artística para o mundo.

Nos anos seguintes, principalmente na década de 1970, o impulso para que a festa continuasse grandiosa foi intenso. A propaganda do Estado de Goiás trabalhou maciçamente para garantir isso. Era o tempo da Goiastur, um órgão eficaz e batalhador, que foi um dos responsáveis pela internacionalização do evento.

Cuidou-se também de certos estratagemas importantes para a consolidação do trabalho: as Cavalhadas passaram o ocorrer todos os anos, as vestimentas dos cavaleiros foram remodeladas, a televisão convidava o turista com bastante antecedência etc. E embora fosse precária a estrutura de hotelaria e restaurantes, os acampamentos em área pública eram permitidos e as margens do rio das Almas se coloriam com barracas.

Com o passar do tempo, a cidade se profissionalizou, e a festa voltou ao pirenopolino através do auferimento de ganhos financeiros (doceiras, fabricantes de máscaras e vestimentas dos cavaleiros etc.) e da possibilidade de usufruí-la só para si na segunda e terça-feira, quando há reinados e juizados, além das Cavalhadas.

Também a Semana Santa passou a atrair bastante público em suas manifestações religiosas. As imensas procissões, com as fileiras da Irmandade do Santíssimo a proteger os santos, deixaram de ser apenas uma manifestação católica. Agora são atrações turísticas semelhantes às Cavalhadas. Tanto que as ruas estreitas da cidade ficam pequenas para a multidão que acompanha os cortejos, principalmente o do Senhor Morto na Sexta-feira da Paixão.

No entanto, creio que atualmente a exploração turística do patrimônio natural da cidade seja a campeã em atrair pessoas fora das épocas festivas. Há todo um organizado aparato de exploração consciente da natureza, que vai desde o guia contratado ao dono do imóvel visitado, quando a área não é pública. Paga-se um preço razoável para se conhecer os parques, reservas particulares, cachoeiras, santuários, fazendas coloniais etc.

Por tudo isso, esse processo gradual de mudanças que começou lá atrás, com Geraldo de Pina, e vem até os dias atuais, se por um lado garante o sucesso empresarial na exploração profissional do turismo, por outro lança uma pá de cal nas pretensões dos saudosistas, gente que quer a Cidade dos Pireneus tão pacata e pequena quanto nos tempos das Minas de Meia Ponte. Esse tempo não volta mais.

De agora em diante, o crescimento é contínuo e irreversível. Basta ver quantos novos loteamentos e condomínios fechados surgem todos os anos, novidades que encantam uns e assustam outros. De qualquer forma, a verdadeira aldeia é aquela que está dentro de cada um de nós, e essa o tempo e a modernidade não podem alterar.

Adriano Curado

Artigo publicado no jornal Diário da Manhã do dia 17.05.2014, Caderno Opinião Pública, p. 4.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A magia da seca



Chegou devagar o friozinho de seca, de ar com pouca umidade, de dias curtos e noites longas. Vem pela aragem um cheiro de fumaça, de renovação dos campos do cerrado. Aves migratórias passam no céu azul e se vão para outras paragens. Um certo mistério toma conta do Planalto Central nesta época, e eu me reporto aos velhos causos de assombração que ouvia ao borralho dum fogão a lenha.

Aproxima-se a época das comemorações ruidosas e coloridas de Pentecostes, que por estas bandas se traduzem mais efetivamente na Festa do Divino de Pirenópolis. A população está alvoroçada e dedicada aos afazeres que precedem os festejos: doceiras, bordadeiras e costureiras, cuidadores de animais, fabricantes de máscaras, carpinteiros de camarotes etc., já começam a ensaiar a arte de seus ofícios.

Da casa do Imperador, entremeio aos planos para o bom desenvolvimento dos trabalhos, e em breve grande será a movimentação por lá, vem o pedido de ajuda à população. Não tardam as doações dos devotos, o oferecimento de mão de obra voluntária, o recolhimento das esmolas advindas das folias e da arrecadação da coroa.

Quando passar a época dos festejos de Pentecostes, então virão as festas da Capela do Rio do Peixe, em louvor a Senhora Santana, e do Morro dos Pireneus, em reverência à Santíssima Trindade.

Com o fim de julho, entretanto, dá-se por findo o calendário para principais festas da seca. E quando o clima era mais regular, a cidade já se preparava para a chegada das águas e o conseguente plantio (arroz, entre setembro e dezembro; milho, outubro a dezembro; mandioca, setembro a dezembro). Ou seja, iniciavam-se as chuvas e o povo pegava no cabo da enxada para cuidar da subsistência, até a festa do Natal.

Adriano Curado

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Folia da Cidade


Pirenópolis se prepara para o início das folias. O alferes Mael, da Folia da Cidade, convida a todos para os festejos. 

Confira os pousos:
Dia 23/05 - Couro (casa da Dona Irani)
Dia 24/05 - Alto da Lapa (casa da Dona Ita)
Dia 25/05 - Barbosa
Dia 26/05 - Alto do Bonfim
Dia 27/05 - Alto do Bonfim (casa da Natalina)
Dia 28/05 - Alto do Bonfim (casa do Mauro Carroceiro)
Dia 29/05 - Alto do Bonfim (casa da Dona Oliva)
Dia 30/05 - Alto do Bonfim (casa da Alzira)
Dia 31/05 - Alto do Bonfim/Vila Mutirão (casa da Maria José)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Frei Primo Carrara

Nesta fotografia histórica, o frei Primo Carrara com suas crianças da catequese da década de 1960.


Da direita para esquerda: Antônio, Antônio Afonso, Luiz Armando, João Trindade Curado, Padre Primo, Luiz Carlos Cardoso, Pedro Godinho, Valdo Lúcio Cardoso, Marinho Rodofinho. Agachados: Lelê, Aloisio Curado e Henrique Curado.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Na minha aldeia


Aqui na minha aldeia, com um pouco de atenção se pode ouvir o tempo passar, ou o destino sussurrar sua sentença irrevogável. Pode-se apurar o ouvido para entender que a chuva confidencia ao telhado segredos lá das alturas e que o vento adianta o futuro ao dedilhar seus mistérios nas vidraças transparentes. E quando pela manhã os galos mais ansiosos anunciarem o despertar da madrugada, é hora de escrever sentenças poéticas para aliviar a alma da gente. Aqui na minha aldeia, já se nasce poeta.


Adriano Curado