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sábado, 8 de novembro de 2014

Olha ali!


Olha ali a Matriz! Está emoldurada por uma aquarela de flores e cercada pelos casarões sonolentos. Por certo que anda pensativa, meditando sobre a passagem dos séculos. Essa é uma imagem para ficar guardada na mente e no coração da gente.

Olha ali!

Adriano Curado

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Matéria no Diário da Manhã sobre a Matriz de Pirenópolis


O ato do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de proibir, sem nenhuma fundamentação, que se dependurasse os quadros da via-sacra do Pérsio Forzani nas paredes da Matriz, motivaram-me a escrever o artigo abaixo. Ele foi originalmente publicado no jornal Diário da Manhã de hoje (25.4.13), Caderno Opinião, p. 7.



A igreja Matriz de Pirenópolis

A igreja Matriz de Pirenópolis era um dos mais antigos templos de Goiás, relíquia bandeirante que chegou intacta até nossos dias. Em 5 de setembro de 2002, a igreja se incendiou em circunstâncias jamais esclarecidas, pois a perícia não foi conclusiva, e o fogo consumiu o telhado e toda a parte interna do monumento.

Diante da comoção geral, a Sociedade dos Amigos de Pirenópolis (SOAP), através do seu presidente José Reis, arregaçou as mangas e deu o pontapé inicial para a reconstrução do templo. Era preciso com urgência iniciar as obras consideradas básicas: restauração arquitetônica e reforço estrutural. Só restaram as paredes de pé e parte das torres. O restante virou pó.

O planejamento da reconstrução incluiu as etapas seguintes: em um primeiro momento foi trabalhada a parte física externa da Matriz, que incluiu a troca da estrutura de madeira, reforço na estrutura das paredes de taipa de pilão, montagem do telhado, fabricação de portais e janelas, bem como a reconstrução de toda a parede dos fundos, que desabou. No momento seguinte, interviu-se na parte física interna, que abrangeu o coro, os balaústres, as escadas, os forros e os pisos.

Por fim, restou a derradeira etapa, que é justamente a de reconstrução da parte artística da Matriz. Não se sabia o que fazer e a discussão sobre esse complicado projeto ficou para depois, dada à complexidade de se refazer, por exemplo, o estuque da capela-mor ou os altares. Ocorre que a conclusão dessa última etapa jamais foi descartada, uma vez que é possível executá-la, já que a Matriz tem fotografias e vídeos digitalizados de todo seu conteúdo artístico queimado; mas também não foi iniciada, e a falta de conclusão do assunto assombra os pirenopolinos desejosos do fim da obra.

Dois acontecimentos recentes me motivaram a escrever este artigo. O primeiro é a constante insatisfação da população pirenopolina com o atual estado da igreja Matriz, cujas obras pararam na reconstrução física e não se tem um posicionamento oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) sobre a reconstrução da parte artística. Essa tomada de decisão é importante para, se for o caso, buscar-se na Justiça Federal, que é o foro competente, uma solução definitiva para a questão. Só quem foi batizado ou se casou na matriz sabe a tristeza de ver os nichos vazios, a taipa de pilão exposta como uma ferida que não quer cicatrizar.

O segundo acontecimento foi a proibição de se dependurar os quatorze quadros da via-sacra pintados por Pérsio Forzani, um grande artista da terra, deficiente físico, que despendeu tempo e doloroso esforço para concluir a empreita a que se dispôs. Pelo que soube, os quadros não podem ser afixados porque a Matriz é um edifício tombado. E mais uma vez a população não foi oficialmente comunicada dos motivos da proibição, o que, como no caso dos elementos artísticos, impossibilita que, vencida a etapa administrativa, se busque judicialmente uma definição sobre o assunto.

Tanto o IPHAN quando a população pirenopolina certamente que têm em meta apenas a conservação, o mais original possível, de todo o conjunto arquitetônico que Pirenópolis herdou dos antepassados. E se a meta é uma só, então o consenso e o diálogo são as ferramentas mais indicadas. Decisões tomadas em gabinetes e impostas como um pacote lacrado não têm boa acolhida e nem facilitam a reaproximação necessária entre as partes. Falta comunicação, bom senso, boa vontade, que são o tempero para criar o manjar da harmonia e da pacificação.

Por tudo isso, espero que os atuais gestores públicos da área reflitam sobre o assunto. Lembrem-se de que, se temos hoje uma arquitetura de relevante valor histórico, é porque a população nativa se empenhou em conservá-la, motivo pelo qual essa mesma população precisa ser ouvida sobre o destino da cidade.

Adriano Curado

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Tão bela e tão frágil


Tão bela e tão frágil,
Uma história longa,
Dolorida,
Desde o primeiro servo
Que arrastou a 
pedra do alicerce
Até o artista que 
pincelou com a alma, 
Inebriado,
As pinturas que
Retratam o paraíso.

Quantos casamentos,
Velórios, batizados,
Missas, cerimônias solenes,
Já ocorreram na Matriz!
Momentos felizes e tristes,
Fases da vida desta antiga
Gente dos Pireneus.

Tão bela e tão frágil...
É assim a Matriz de Pirenópolis.

Adriano Curado

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A palmeira da Matriz


     Hoje é um dia muito trista para Pirenópolis, pois foi derrubada a palmeira da torre do nascente, da Igreja Matriz de Pirenópolis. Tratava-se de uma palmeira imperial (Roystonea oleracea), que tem uma irmã na outra torre, e ambas compunham há anos a paisagem do velho templo. 

    Resistiu ao fogo mas não ao tempo, e provavelmente foi destruída pelos cupins, mesma praga que ameaça a outra palmeira.

     Fará falta.

Adriano César Curado


quinta-feira, 28 de junho de 2012

A posição da Matriz



     Há uma lenda de que o local da instalação da Igreja Matriz foi determinado pela proximidade da residência daquele que mais contribuiu para a obra. Mas pode não ter sido bem assim.

    É que a posição do velho templo cria a impressão, na perspectiva de quem sobe a rua do Rosário, de que ele é bem maior. Na verdade, de baixo para cima suas dimensões parecem extraordinariamente bem mais avantajadas.

     Quem sabe tal impacto visual tenha passado pela mente dos arquitetos, quando eles procuravam um sítio para erguer a Matriz. Ou talvez tudo seja mera coincidência e o acaso criou essa ilusão de ótica. 

     Fato é que, já cansado da luta com a ladeira do Rosário e com pouco oxigênio no cérebro, parece ao aventureiro que as torres da igreja roçam no céu.

Adriano César Curado