Mostrando postagens com marcador General Joaquim Xavier Curado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador General Joaquim Xavier Curado. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Joaquim Xavier Curado nasceu em Meia Ponte



O general Joaquim Xavier Curado nasceu em Meia Ponte (hoje Pirenópolis) na fazenda Santa Rita, que ficava distante 18 quilômetros dessa povoação, e onde seu pai, José Gomes Curado, era juiz ordinário e dono de engenho de beneficiamento de cana-de-açúcar. 

Seu termo de batismo bem comprova que ele foi batizado na “Matriz de Nossa Senhora do Rosário”, e não na “freguesia”, como alega a tese contrária que diz que ele nasceu em Jaraguá/GO. Ou seja, o batizando esteve no prédio da Matriz, que está localizada em Pirenópolis (JAYME, Jarbas. Famílias Pirenopolinas (1973), Vol. I, p. 163).

A confusão, usada maldosamente por alguns, decorre do fato de sua mãe, Maria Cerqueira de Assunção, depois que ficou viúva, ter se mudado para Jaraguá e ali se casado posteriormente. Isso certamente levou a erro certos historiadores e foi usado maliciosamente por outros para deturpar a verdade.

Assim conta o escritor e historiador Bernardo Élis:

“Também em Meia Ponte aportou o jovem Tenente José Gomes Curado, português, homem de certa cultura, educado, que em 1750, era juiz orginário no Julgado. Com ele se casou, em 1740, a moça Maria Cerqueira de Assunção, segunda filha do Tenente-Coronel Costa Abreu, que foi morar no solar que o marido construiu na fazenda Santa Rita, a 3 léguas da Vila, onde possuía grande casa residencial, com senzalas e casa de engenho. Os escombros provam as dimensões afidalgadas do estabelecimento rural. Aí nasceram seus filhos:

Ana Timótea (20-VIII-1741)
JOAQUIM XAVIER CURADO (2-XII-1746/15-IX-1830)
Francisco Xavier Curado (20-IV-1811)
Maria Josefa Curado (3-V-1754/3-IX-1806.

Em 1756, seguramente com 40 anos de idade, faleceu de mal súbito, em seu solar, o tenente José Gomes Curado (…).

Ainda em Jaraguá, por esse mesmo tempo, conhece a viúva o famoso bandeirante Francisco Soares de Bulhões (…), com ela tem um único filho que se chamou Inácio Soares de Bulhões (…).

Coincidindo com a data do casamento da mãe, o primeiro filho varão Joaquim Xavier Curado, então com 16 anos em 1762, abandona Meia Ponte se segue para o Rio de Janeiro (...)
”. (ELIS, Bernardo. Marechal Joaquim Xavier Curado criador do Exército nacional. Coleção Almas de Goiás. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1987, p. 15/16).

Estátua de Xavier Curado em Ipameri/GO
no 41º Batalhão do Exército

O historiador pirenopolino Jarbas Jayme, um dos maiores genealogistas do mundo, conviveu com gente antiga e pesquisou em arquivos variados, para comprovar que Joaquim Xavier Curado nasceu em Pirenópolis:

“Em 1737, quando começou a atrair aventureiros, o Córrego do Jaraguá já possuía uma capela em construção. Era vigário da freguesia o padre Pedro Monteiro de Araújo, sucessor do revdo. José de Frias e Vasconcelos, que foi o primeiro pároco de Meia Ponte. Estes sacerdotes, com licença do visitador, iam ou mandavam um coadjutor àqueles núcleos populacionais fazer os batismos; ao contrário, os habitantes das capelas a que nos referimos seriam forçados, com enormes sacrifícios e grandes dispêndios, a levar os neófitos à Matriz.” (JAYME, Jarbas. Cinco vultos meiapontenses. Goiânia, Edição Revista Genealógica de São Paulo. 1943, p. 19)

Se Xavier Curado não houvesse recebido o batismo na Matriz Pirenópolis, mas constou isso no batistério porque “em Jaraguá não havia padre” (o que está incorreto, conforme texto acima), e havendo ele sido batizado no 10º dia do seu nascimento, “não se pode conceber que sua ilustre e nobre genitora consentisse em não assistir às cerimônias do batismo de seu primeiro filho varão. E como poderia ela, sem graves perigos, dez dias após o nascimento do ilustre filho, transpor uma extensão de quase sessenta quilômetros, a cavalo, no mês de dezembro, naqueles bons tempos em que as chuvas eram abundantíssimas, e enfrentar as enchentes de vários ribeirões e do caudaloso rio das Almas, existentes entre Pirenópolis e Jaraguá?” (JAYME, Obra citada, p. 20).

Finalizando a questão, a quem desejar mais detalhes sobre o assunto eu recomendo o livro: No convívio com as traças, de Antônio Americano do Brasil.


Dessa forma, o correto é que o General Joaquim Xavier Curado nasceu em Pirenópolis, Goiás, e não em Jaraguá.



Bibliografia:
CURADO, Agnelo A.F. Fleurys e Curados. Goiânia, Editora Piloto, 1988.
ELIS, Bernardo. Marechal Joaquim Xavier Curado criador do Exército nacional. Coleção Almas de Goiás. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1987.
JAYME, Jarbas. Cinco vultos meiapontenses. Goiânia, Edição Revista Genealógica de São Paulo. 1943.
JAYME, Jarbas. Famílias Pirenopolinas (Ensaios Genealógicos). Goiânia, Editora Rio Bonito, 1973. Vol. I.
JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis. Goiânia, Editora UFG, 1971. Vols. I e II.
JAYME, Jarbas. Vale seis! (Críticas genealógicas). Goiânia, Editora Rio Bonito, 1973.
JAYME, José Sisenando. A origem da Família Fleury. Goiânia, Edição do Autor, 1993.

E para completar, publicamos seu termo de batismo, com a ortografia da época:

“Aos doze de Dezembro de mil sette centos e quarenta e seis, nesta Matriz de Nossa Senhora do Rozario da Meiaponte Comarca de Goyaz, baptizou epoz os Santos Oleos o Reverendo Coadjutor Manoel Pereyra de Souza a Joachim, innocente tendo nascido aos dous do mesmo mez, filho legitimo de José Gomes Curado e de sua mulher Dona Maria Pinheiro de Serqueira da Assumpção moradores nesta Freguesia, nepto pella parte paterna do Tenente Coronel Clemente da Costa e Abreu e Dona Maria Pinheiro de Serqueira, e pella parte materna, Digo, nepto pella parterna de Manoel Martins e de sua mulher Maria Gomes, moradores que forão, e naturaes do lugar Quintan termo da Villa de Certan, Priorado do Crato, e pella materna do Tenente Coronel Clemente da Costa e Abreu natural da cidade de Lisboa, e baptizado na Freguezia de Nossa Senhora do Socorro e de Dona Maria Pinheiro natural da Villa de Outu do Bispado de San Paulo e na mesma Freguezia baptizada e forão padrinhos os mesmos avos maternos e para constar fiz este assento, dia, era ut supra. O Vigario Manoel Nunes Colares da Motta.”

Adriano Curado

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Joaquim Xavier Curado

 
Joaquim Xavier Curado (Pirenópolis 02.12.1746 – Rio de Janeiro 15.09.1830) foi primeiro e único barão com grandeza e conde de São João das Duas Barras, militar e político brasileiro.

Filho de José Gomes Curado e de Maria Cerqueira d'Assunção. Nascido em Meia Ponte, hoje Pirenópolis, numa família tradicional, órfão de pai, partiu ainda adolescente para o Rio de Janeiro e assentou praça no exército como soldado nobre, em 1764.Em 1774, depois de receber a patente de alferes, marchou com o exército expedicionário para o Rio Grande do Sul, com a finalidade de expulsar os espanhóis que ocupavam parte do território.

Terminada a campanha do sul, foi designado para defender os habitantes entre as capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que sofriam com índios que saqueavam fazendas, e conseguiu restabelecer a paz na região.

Pelos bons serviços prestados, o vice-rei o louvou e agradeceu, em relatório de 20 de agosto de 1789, graduando-o no posto de tenente-coronel de infantaria, para depois o designar em uma missão especial junto à corte de Lisboa, porém seu navio foi aprisionado em alto-mar por corsários franceses e Xavier Curado obrigado a decorar e destruir os documentos que carregava. Preso numa masmorra na região da Biscaia, conseguiu fugir e chegar meses depois a Lisboa, onde cumpriu finalmente sua missão. De volta ao Brasil, foi promovido ao posto de coronel e nomeado governador da capitania de Santa Catarina, de 8 de dezembro de 1800 a 5 de julho de 1805.

Ainda em 1805, Xavier Curado retornou ao Rio de Janeiro e solicitou sua reforma do exército, que lhe foi negada pelo vice-rei Marcos de Noronha, conde dos Arcos, que o promoveu a brigadeiro, em 2 de junho de 1806.

Em 13 de maio de 1808 foi graduado no posto de marechal-de-campo e dois anos depois partiu para o Rio Grande do Sul, à disposição do general Diogo de Sousa, conde do Rio Pardo, governador local, que recebera a ordem de invadir o Uruguai. Formaram-se então duas colunas invasoras, uma comandada pelo general Marques de Sousa e a outra por Xavier Curado, ambas vitoriosas, e o sucesso lhe rendeu promoção ao posto de tenente-general, em 13 de maio de 1813.

Entre os anos de 1815 a 1820 participou da Guerra contra Artigas, militar uruguaio que entrou em guerra contra o exército luso-brasileiro que invadira a Banda Oriental. Na batalha de Catalán, em 1817, Xavier Curado foi agraciado com a comenda da Torre e Espada, pelos atos de bravura no posto de 2º comandante do exército.

Como o Marquês de Alegrete, comandante supremo do Exército no sul, afastara-se da luta, assumiu o comando e estabeleceu seu quartel nas imediações do Passo-do-Lageado, onde lhe chegou às mãos o diploma de comendador da Torre e Espada, Lealdade e Mérito, conferido por D. João VI.

Retornando ao Rio de Janeiro, conseguiu organizar uma tropa de seis mil soldados e assim expulsar o general Jorge de Avilez Zuzarte de Sousa Tavares, comandante das tropas portuguesas, dando sustentação ao Dia do Fico, sendo por isso agraciado, das mãos de D. Pedro II, com os títulos de barão com grandeza e conde de São João das Duas Barras, em 20 de outubro de 1825 e 7 de setembro de 1826.

Foi comendador da Imperial Ordem de São Bento de Avis. Foi o representante de Santa Catarina no Conselho dos Procuradores das Províncias, de 3 de julho de 1822 a 20 de outubro de 1823.

Em 2006 o deputado Leandro Vilela, do PMDB de Goiás, apresentou Projeto de Lei nº 6.917/06, para inscrever o nome do general Xavier Curado no Livro dos Heróis da Pátria, projeto que ainda se encontra em tramitação.

É Patrono da Cadeira XVIII da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música.

Fonte:
PIAZZA, Walter: Dicionário Político Catarinense. Florianópolis : Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985.
CABRAL, Oswaldo Rodrigues: A História da Política em Santa Catarina Durante o Império. Volume I. Florianópolis :
MATTOS, Cunha: Raimundo José -1836 -Itinerário do Rio de Janeiro ao Pará e Maranhão por Minas Gerais e Goyaz.
INÁCIO SOARES: Jornal Província de Goyaz dia 25 - 08 - 1870. Obitos e Batistérios de Goiás, desde 1732.
FRANCISCO FERREIRA DOS SANTOS: '1910 - Annuário Histórico Geográphico e Descriptivo do Estado de Goyaz.
Site Wikipédia

terça-feira, 25 de setembro de 2012

General Joaquim Xavier Curado, um grande pirenopolino

Igreja Matriz de Pirenópolis, local do batismo de Xavier Curado

     Dentre os tantos nomes grandiosos que nasceram em Pirenópolis, está entre os de maior destaque o General Joaquim Xavier Curado (Pirenópolis, 2.12.1746 – Rio de Janeiro, 15.9.1830), primeiro e único barão com grandeza e conde de São João das Duas Barras.

     Nasceu o General Curado na Fazenda Santa Rita, distante 18 quilômetros de Meia Ponte (nome da época), onde seu pai era juiz ordinário, e foi batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, 10 dias depois. (1)

     Sua biografia é muito rica em detalhes e a exploraremos aqui em postagem distinta. Mas por agora adianto que foi ele grande militar e administrador público que muito engrandeceu o Brasil.

General Joaquim Xavier Curado

     O renomado escritor Bernardo Élis nos ensina: “Também em Meia Ponte aportou o jovem Tenente José Gomes Curado, português, homem de certa cultura, educado, que em 1750 era juiz ordinário no Julgado. Com ele se casou, em 1740, a moça Maria Cerqueira de Assunção, segunda filha do Tenente-Coronel Costa Abreu, que foi morar no solar que o marido construiu na fazenda 'Santa Rita', a 3 léguas da Vila, onde possuía grande casa residencial, com senzalas e casa de engenho. Os escombros provam as dimensões afidalgadas do estabelecimento rural. Aí nasceram seus filhos:
     Ana Timótea (20-VIII-1741)
     JOAQUIM XAVIER CURADO (2-XII-1746/15-IX-1830)
     Francisco Xavier Curado (20-IV-1750)
     Feliciana Antônia Curado (20-V-1752/12-V-1811)
     Maria Josefa Curado (3-V-1754/3-IX-1806)” (2)

Estátua de Xavier Curado em Ipameri/GO
no 41º Batalhão do Exército
     E para completar, publicamos seu termo de batismo, com a ortografia da época:

“Aos doze de Dezembro de mil sette centos e quarenta e seis, nesta Matriz de Nossa Senhora do Rozario da Meiaponte Comarca de Goyaz, baptizou epoz os Santos Oleos o Reverendo Coadjutor Manoel Pereyra de Souza a Joachim, innocente tendo nascido aos dous do mesmo mez, filho legitimo de José Gomes Curado e de sua mulher Dona Maria Pinheiro de Serqueira da Assumpção moradores nesta Freguesia, nepto pella parte paterna do Tenente Coronel Clemente da Costa e Abreu e Dona Maria Pinheiro de Serqueira, e pella parte materna, Digo, nepto pella parterna de Manoel Martins e de sua mulher Maria Gomes, moradores que forão, e naturaes do lugar Quintan termo da Villa de Certan, Priorado do Crato, e pella materna do Tenente Coronel Clemente da Costa e Abreu natural da cidade de Lisboa, e baptizado na Freguezia de Nossa Senhora do Socorro e de Dona Maria Pinheiro natural da Villa de Outu do Bispado de San Paulo e na mesma Freguezia baptizada e forão padrinhos os mesmos avos maternos e para constar fiz este assento, dia, era ut supra. O Vigario Manoel Nunes Colares da Motta” (3)

Fonte: 
(1) JAYME, Jarbas. Cinco vultos meiapontenses. Goiânia, Edição Revista Genealógica de São Paulo. 1943
(2) ÉLIS, Bernardo. Coleção Alma de Goiás. Rio de Janeiro: José Olímpio Editora. Vol. 5, p. 15
(3) Livro de Batistério da Matriz de Pirenópolis, de 1732 a 1747, fls. 25, “in”: JAYME, Jarbas, Rio Bonito, Famílias Pirenopolinas (Ensaios Genealógicos) - Volume I, p. 167, Goiânia: 1973


Adriano César Curado