segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

𝐏𝐈𝐑𝐄𝐍Ó𝐏𝐎𝐋𝐈𝐒, 𝐂𝐈𝐃𝐀𝐃𝐄 𝐃𝐄 𝐁𝐀𝐑𝐑𝐎 𝐂𝐎𝐍𝐒𝐓𝐑𝐔Í𝐃𝐀 𝐒𝐎𝐁𝐑𝐄 𝐏𝐄𝐃𝐑𝐀

 

𝗣𝗼𝗿 𝗘𝘃𝗲𝗿𝗮𝗹𝗱𝗼 𝗟𝗲𝗶𝘁𝗲

Minas de Nossa Senhora do Rosário já era um arraial em crescimento quando foi batizada em 7 de outubro de 1727. Mas, ainda apenas um início de povoado nos fundos do sertão, sem estrada nem ponte, se engendrava longe do rei e da lei. Estavam ali os primeiros ocupantes daqueles ermos em busca do abundante ouro das margens do rio das Almas.

Manuel Rodrigues Tomar se proclamou o fundador do arraial e se intitulou Guarda-mor daquelas Minas de Meia-Ponte, conduzindo portugueses e distribuindo as datas mineiras. Pelo seu controle o minério era remetido para Salvador e, de lá, para Portugal. Seu “arbitrarismo” chamou a atenção do Governador da Província, que o acusou de contrabandista e sonegador. Tomar foi preso e expulso da Terra dos Goyazes.

Desde a origem o território que hoje conhecemos como Pirenópolis foi espaço de conflitos, de história e de estórias. Os regimes do sertão do cerrado, entre secas e águas, entre o diabo e Deus, entre o local e o metropolitano, entre a riqueza e a subsistência, não houve nada que não houvesse, inclusive muita violência. Ademais, ergueram igrejas, casarões, dilatados quintais, comércios e ruas, como se aguardassem um futuro auspicioso.

Homens e mulheres meiapontenses sempre lutaram para ser um lugar.

O ouro declinou no final do século dezoito, mas a cidade se manteve inercialmente em seu ritmo comercial, dinamizado por gente como Joaquim Alves de Oliveira, o Comendador. Este construiu sua riqueza ao erguer o Engenho São Joaquim, abrir comércio e financiar tropa de mulas, que vendia açúcar, algodão e couro em Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto abastecia Meia Ponte com “cousas” de fora. Se valeu do poder financeiro que as famílias ainda conservavam desde a febre do ouro.

Em 1832 o local se tornou Vila de Meia Ponte, todavia este foi um momento pouco alvissareiro, pois já se divisava a decadência em seu horizonte. Se, antes, o ouro do rio das Almas havia desaparecido pelos portos brasileiros, inundado Portugal e abastecido os cofres do ingleses, agora a revolução industrial na Europa determinava novos caminhos que os meiapontenses nem sonhavam.

De fato, a distância de outros centros econômicos dificultou muito a manutenção de um vigor comercial. Estradas ruins, isolamento, escassa comunicação. Pouco antes da metade do século, a bela Meia Ponte, de cidade pujante, desapareceu das vistas dos grandes centros como uma colmeia no fundo de um tronco encanecido. Não por acaso o homem rural tomou o cetro de “imperador” dos nobres citadinos nas festas do Divino.

Os estudos historiográficos mostram que em 1850 a Vila de Meia Ponte disputava a hegemonia da criação de gado com a Vila Boa (que se tornou depois a Goiás Velho), passando a se destacar os grandes pecuaristas da região. Enquanto a cidade gloriosa do tempo do ouro se tornava apenas história, renascia, em renovada tradição, seu vínculo com a terra ao seu redor, com os fazendeiros que, na verdade, sempre estiveram ali, desde o início para abastecer os aventureiros da mineração.

Os primeiros anos do século vinte não alteraram o status econômico de Pirenópolis, mantendo-a muito mais agropecuária do que urbana em termos de atividades, trabalhos e profissões. A concentração de renda se tornou, então, um traço forte daquela sociedade. A construção da capital estadual, Goiânia (1934), e da capital federal, Brasília (1960), por sua vez, fez com que a exploração das lajes de quartzito (pedreira) ganhasse uma nova escala de produção, abrindo enormes oportunidades para os pirenopolinos.

Enfim, a cultura colonial meiapontense foi forte o bastante para fixar a identidade arquitetônica e prolongar a educação clássica-cristã durante mais de um século, somando-se à própria decadência financeira da maioria das famílias que também obrigou a cidade a manter seu perfil peculiar. Pirenópolis foi edificada como uma casa de taipa de pilão construída sobre pedra de cantaria. Não seria errado se dizer que ela ainda se serve dessas características ancestrais, mesmo hoje, em pleno século vinte e um.

𝗘𝘃𝗲𝗿𝗮𝗹𝗱𝗼 𝗟𝗲𝗶𝘁𝗲 é Economista.

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Adriano Curado